5 de outubro de 2009

Aerograma


Quem se lembra do aerograma?

Mais pequeno que uma folha A4, escrevia-se e dobrava-se sobre si mesmo, fazendo que não fosse necessário envelope.
Era uma carta de saudade, de desabafos, de esperança, de despedida. Era uma carta de amor!
Foram milhões os aerogramas que os militares escreveram aos seus familiares, amigos, namoradas e esposas, essa finíssima folha que o Serviço Postal Militar se encarregava de transportar a preços muito reduzidos.
Para devorar os tempos mortos inventaram-se as “Madrinhas de Guerra” que viriam a ter importância fundamental no passar dos dias. Trocavam-se palavras de descoberta com alguém que nem se conhecia e dessas palavras saíram frases de amor que o coração exigia e a mente desejava. Muitas resultaram em matrimónio, outras em duradouras amizades e outras ainda, em remotas recordações que o tempo se encarregou de fazer esquecer.
Muitos aerogramas eu escrevi em reposta aos que me vinham chegando. Só não escrevia quem não queria. O custo era o preço dum sorriso e eu adoro sorrir.
O aerograma foi a grama que pesou quilos, toneladas, quintais, no despertar das consciências que a juventude abalou
Não fui militar no Ultramar, mas para lá estava virado o meu olhar sabendo que grande parte dos meus amigos para aí tinha rumado, empurrados pelo destino de quem foi obrigado a defender os velhos mundos dum mundo novo.
Aerograma - a folha que cheirava a regresso!

1 de outubro de 2009

Fernando Pessoa - Entendes-me?

Às vezes – dá-me para isto!

Pode o engenho e arte
No Chiado me descobrir
De mim lá ficou parte
Quem me fazia sorrir

Foram anos, foram tempos
Aqueles que não voltaram
Foram fortes, foram lentos
Aqueles que me marcaram

Por lá me quedei um dia
Quando na vida despertei
No despertar dessa vida
Outra vida eu inventei

Inventei fugas e dores
Partidas e chegadas
Amores e desamores
Estórias tão contadas

Corri mundo sem nada
De tudo me despojei

No nada eu aprendi
Do despojo já não sei

Dormi noites, dormi dias
Noites que eu não dormi
Dos dias que eram vias
Das vias que percorri

Perdi-me depois no tempo
Esqueci de quem eu era
Ao tempo eu dei alento
Ao alento dei a espera

E um dia regressei
Tão triste como parti
Ao mundo o olhar dei
À vida que já vivi

Pessoa, amigo que és
Quero-te a meu lado
Deixa chegar-te aos pés
Perdoa este meu fado


O poema é ridículo
E não é carta de amor
Se não fosse ridículo
Seria carta de dor

30 de setembro de 2009

Edir Macedo - o profeta (?)






Edir Macedo é a figura número um da hierarquia da Igreja Universal do Reino de Deus.

Em termos de fé, ninguém tem nada a ver com as opções que cada um toma, sendo que todas podem estar erradas. Mas há fé e fé, logro e roubo.

Jesus Cristo é o caminho e eu sou o pedágio (portagem) disse um dia este bispo(???)
As imagens falam por si e ...

Quantas bocas deixaram de comer?
Quantas pessoas humildes tiram comida da própria boca, para doar suas parcas moedas a este profeta moderno?
Quantos dízimos e bens foram oferecidos para construir este templo mundano de ostentação?
Quantos reparos haveria para fazer?
Afinal parece que todas as figuras de topo de qualquer credo, estão à altura de Edir Macedo.
Esta é apenas uma das muitas mansões de “alguém” que deixou de sofrer à custa do sofrimento de incautos e desprotegidos.

Que mundo este, tão cheio de falsos profetas!

28 de setembro de 2009

O Blogador


O Rui daqui a dezasseis anos apanha-me!

Tem andado constantemente atrás dos meus aniversários e nos últimos cinco anos isso acentuou-se, mas acho que não vai conseguir apanhar-me.

Sempre atento ao que se passa no mundo é uma seta apontada à política dos homens que não se entendem ou que ninguém entende.

Pela calada da noite vai penicando num blogue ou noutro para assim estar a par do que se passa à volta dos seus amigos.
Porque é um menino certinho e porque gosto dele, aqui deixo um grande abraço de parabéns pela efeméride que hoje passa.
Sai mais uma garrafa para o brinde que se impõe!
Parabéns Rui, muitos séculos de vida!


27 de setembro de 2009

Eleições - à saúde!

Os políticos são aquilo que a gente sabe. Ou não podemos com eles ou nos juntamos a eles.
Terminadas que foram estas eleições, fico contente porque todos os partidos saíram vencedores.
Assim é que é bonito!

Vai daí, brindo à saúde de todos eles!

25 de setembro de 2009

Parabéns Verdinha!

Uma rosa para uma flor.

Foi uma fresca brisa que aqui entrou. Foi uma simples anónima que descobri numa manhã tão cinzenta quanto o céu de Bruxelas. Foi um ser maravilhoso que a lusa terra acolheu. Foi uma amiga onde eu não julgava tropeçar.
Minha querida Verdinha, não tens o olhar dos belgas que me arrefecem. És o calor de quem te rodeia.
Com um coração assim, muitos aniversários te esperam ainda.
Uma rosa amarela, para uma flor Verdinha
Parabéns, je vois la vie en vert!

23 de setembro de 2009

Curiosidades - Ditados populares


Raro não é o dia em que usamos uma ou outra expressão popular para definir qualquer coisa que queremos dizer. No entanto quase sempre o ditado está deturpado, fruto dos "arredondamnetos" que o povo vai fazendo. Não é que haja grande problema dizer um ditado bem ou mal, mas nada se perde se soubermos como efectivamente se deveria dizer.

Assim sendo:

'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro.'
O correcto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.'

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.''
O correcto é: 'Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'

'Cor de burro quando foge.'
O correcto é: 'Corro de burro quando foge!'

Outro, que todos dizem de uma maneira errada: 'Quem tem boca vai a Roma.'
O correcto é: 'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar)

'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correcto é: 'Esculpido em Carrara.' (tipo de mármore)

Mais um famoso...: 'Quem não tem cão, caça com gato.'
O correcto é: 'Quem não tem cão, caça como gato'... ou seja, sozinho!

Dizia correctamente algum desses ditados?

20 de setembro de 2009

Tabuaço - sempre!



... Ainda iremos todos ao Moinho das Poldras passar um belo fim de semana, visitar o Jardim da Dona Rosa e fazer um pic-nic à sombra dos amieiros do Távora. Viajaremos pelas vinhas e caves do Douro e no final do dia comeremos um bacalhau na telha com migas no Tábua d'Aço, e acabaremos a noite no Quelha-Funda...

Já fomos!
Foi o exorcizar de fantasmas malquistos que o futuro se encarregará de perdurar.
Foi uma jornada repleta de olhares por legados que a história deixou e pelo ego de cada um.
Foi a descoberta colectiva, plena de surpresas bem positivas que nem sempre acontecem
Foi uma espécie de reencontro de velhos amigos que o tempo não mudou.
Não foi o diário dum paciente, triste, mau e feio em que numa réstia de sol se vê a vida em verde.
Foi um fim de semana que acontece … às vezes!

17 de setembro de 2009

Campanha Eleitoral



Nesta altura de campanha eleitoral, nada melhor do que ver este video fora do comum, para descontrair.

15 de setembro de 2009

Lisboa à noite



Foi assim o céu de Lisboa no dia 09 de Setembro de 2009.
Lindo, lindo, lindo!

Na China às 09 h 09 minutos e 09 segundos do dia 09 do 09 de 2009, sem relâmpagos, milhares de chineses casaram-se sob o signo da fertilidade. Diz a lenda que é um dia de sorte para os chineses.

Alguns deles conhecerão mais tarde o azar em que se meteram.

13 de setembro de 2009

A minha (?) poltrona

A minha paixão por pedras é por demais sabida. E quando nelas não tropeço, tropeçam elas em mim.
E também adoro feiras, com conta, peso e medida. Nada de exageros, mas gosto. Sempre que me cheira que existe um feira por perto, lá estou eu. Há dias, na Feira de S. Mateus, em Viseu, descobri esta preciosidade. Qual peça única a clamar por mim, nela me sentei e ali fiquei uma hora, hesitando se a havia de comprar ou não.

Só eu sei o quão me aguçava o apetite ali me sentar nas horas de lazer, lendo um livro, repousando, blogando, ou simplesmente sentido fluir em mim as energias que as pedras me vão transmitindo.
O seu peso monetário era uma ínfima parte do bruto. Três mil e quinhentos quilos de rocha haviam sido esculpidos por mãos habilidosas e sensíveis, transformando o vazio dum calhau numa confortabilíssima poltrona.
Certamente estaria agora a escrever este artigo, nela sentado, onde talvez um dia um qualquer sarraceno versejou os seus amores ao coração duma moura encantada.
As coisas que as pedras me dizem!!!

10 de setembro de 2009

Edith Piaf - Espectáculo em Lisboa



Recentemente assisti ao espectáculo PIAF, em exibição no Politeama, em Lisboa.
Escusado será dizer que me vieram à memória milhentas recordações que o tempo não apaga nunca.
Descoberta numa paupérrima ruela de prostituição em Paris, Edith Piaf veio a tornar-se uma das mais excelsas vozes do panorama musical francês da segunda metade do século XX.
Este vídeo não espelha de forma nenhuma a garra com que ela costumava cantar. Do seu triste semblante chispava uma enorme força que o seu franzino corpo enganava
É claro que Piaf não é de século nenhum! É de todos os dias, de todos os anos, de todos os séculos. Há vozes que são eternas.
O seu drama e o seu apogeu chocam-se com o seu declínio, enquanto ser humano, numa amálgama de endeusamento e exploração, tão própria do meio em que se movia.
Piaf, eterna apaixonada por tudo quanto era homem, morreu aos quarenta e oito anos, quando a sua voz tremia e os querubins adormeciam.
A grande actriz, Wanda Stuart vestiu-lhe a pele na perfeição!
Fabulosa a Edith! Menos bom o espectáculo!
Estou certo que se fosse viva diria ainda:
- Non, je ne regrette rien!

8 de setembro de 2009

Saint Maarten - o avião vai cair?





Não conheço nenhuma outra parte do mundo onde tal aconteça.
É incrível! A gente está na praia e sabe que dentro de pouco tempo um paquiderme do ar vai rasar as nossas cabeças.
Não fui eu que fiz esta filmagem (apesar de também a ter filmado) mas foi a isto que eu assisti e me atemorizou quando vi vir direito a mim um enorme avião que mais parecia não saber onde parar.
A pista começa exactamente no final da areia onde estamos deitados, apenas separados por uma pequena rua.
Este aeroporto fica situado em St Marten, pequena ilha das Caraíbas, sendo que metade da ilha é Holandesa e a outra metade Francesa. O aeroporto internacional Princesa Juliana fica na parte holandesa.
Descobri depois o seguinte:
Reza a lenda que os limites da ilha foram estabelecidos da seguinte forma: De ambos os lados um representante sairia caminhando, onde eles se encontrassem ali seria a linha divisória dos dois lados. Existe ainda uma anedota a respeito deste evento, de que o holandês saiu com uma garrafa de rum e o francês com uma de vinho, razão por que o lado francês é maior (o holandês ficou bêbado mais cedo e caminhou mais lentamente)

5 de setembro de 2009

Virgem Maria - morou aqui

muro onde se deixam pedidos quase sempre impossiveis

entrada da casa



Viajar é de facto viver. E quando isso acontece vamos descobrindo coisas que nem sequer sabíamos da sua existência.
Localizada no Monte Coressus, algures na Anatólia, fica a casa onde a Virgem Maria viveu alguns anos, pouco antes da sua morte.
Não está em causa a conotação religiosa que tal edifício possa ter com as mentes menos crédulas, mas apenas o conhecimento de algo que nunca me tinha passado pela cabeça vir um dia a descobrir.
Contou-me o guia que:
No século XVIII uma mulher alemã, cega de nascença, chamada Katherina Emmerich, que nunca saiu da sua terra durante toda a sua vida, descreveu a localização exacta desta casa, até então desconhecida, através das suas revelações num livro que publicou - A Vida de Maria, o qual foi lido por uns padres, cem anos mais tarde.
Após algumas averiguações foi reunida uma equipa de forma a revelar a extensão da verdade. A equipa procurou a casa na montanha durante um ano e finalmente quando já cansados bebiam água duma nascente viram a casa, o mar e as ilhas, tal como tinha sido descrito por Katherina.
Na primitiva, a casa era composta de duas pequenas divisões e uma cozinha. Actualmente é uma pequena capela. O mármore preto visível no chão mostra a localização do forno. O carvão encontrado nas escavações datava do século I.
Tudo era demais evidente. O resto … A visão …
Perante tal evidência apenas me limito a dá-la a conhecer!

3 de setembro de 2009

Éfeso - o sonho continua

uma das largas avenidas e anfiteatro para 25.000 pessoas
casas de banho (latrinas) públicas
avenida principal
ouvindo as explicações do guia
Deusa Nike

Esta é a segunda cidade mais bem conservada da antiguidade. Foi tão sublime aqui ter estado que guardarei para sempre a doce visão deste majestoso olhar do passado.
Éfeso é uma cidade bíblica situada na Ásia, no antigo império persa, actualmente Turquia e ficou profundamente ligada ao cristianismo, pois ali pregaram os apóstolos Paulo e João. Nela habitavam, há dois mil anos, duzentas e cinquenta mil pessoas.
É absorvente ouvir as explicações do guia tão bem documentado. Cada frase é uma descoberta.
Ali encontrei uma curiosidade, que desconhecia. O emblema da famosa marca de artigos de desporto NIKE, foi inspirado num dos folhos das vestes da Deusa Nike (conforme assinalo a vermelho)

Mais do que dissertar a história, aqui ficam alguma fotos dum quentíssimo dia de verão.

31 de agosto de 2009

Miguel Torga - A descoberta





Nunca li Miguel Torga!
Sei que pode parecer sacrilégio mas ele perdoar-me-á, já que a sua crença divina era bem duvidosa.
Embalado pela paixão que uns nabantinos alcatruzes por ele nutrem, procurei-o quando a tarde já morria.
Tive curiosidade em descobri-lo e saber mais de si, sem ser aquilo que dele se diz.
Apetecia-me descobrir o homem! Começar por ali!
Na sua casa ninguém entra, advertiu-me um velhote. Apenas Ramalho Eanes e Jorge Sampaio lá terão entrado. A filha vive no Porto e não permite que a memória dele seja devassada.
A placa toponímica que identifica a rua onde vivia, apenas refere a data da sua morte, que está errada, pois aconteceu em 1995 e não em 1996, omitindo a do nascimento. O que também não é normal.
Fiquei a saber que Miguel Torga era uma pessoa muito difícil e chata, mas com um coração tão brilhante quanto a sua capacidade intelectual, pois enquanto médico, consultava gratuitamente todos os desprotegidos que dele precisassem.
Sabia que tinha sido seminarista, como eu, Adolfo Correia da Rocha, médico, escritor e apaixonado pelo Douro e por Cervantes. Nada mais!
Estou perdoado?
Depois de ter cheirado o seu habitat, tentei encontrá-lo no cemitério, o que não consegui, apesar da pequenez do mesmo e da tarde que já morria. É que, a entrada deste cemitério de S. Martinho da Anta é feita pela Igreja, com a qual faz paredes meias e está sempre aberto. Poderá parecer mórbida a minha tentativa, mas perdoa-se em nome da cultura.
Julgo mesmo que ele não terá querido que um qualquer desconhecido, ignorante da sua cátedra, o tenha tentado descobrir. Eu não o lia, ele não gostava de mim, logo, ocultou-se-me!

Farei bem melhor se começar à sua descoberta, queimando as pestanas nas páginas que, apesar de tudo, sei tão bem ter escrito.
Na despedida, sentei-me no banco fronteiro à casa, onde tantas vezes cavaqueou com o povo que era o seu e disse-lhe que alguém lhe gostaria de dar um abraço - a Maria dos Alcatruzes!
Ad aeternum Miguel!

27 de agosto de 2009

Alma até Almeida




Acho que o defeito não é de ninguém, mas ...

Ou as casas são pequenas ou eu sou muito grande.
Sei que não somos oriundos dum povo liliputiano, mas o que terá acontecido para se fazerem casas tão baixinhas?
Isto passa-se em Almeida (vila histórica) onde cinquenta por cento das habitações não estão à minha altura. Claro que me refiro à entrada porque nos restante não ouso questionar a beleza das mesmas.
E cada vez gosto mais das coisas pequenas! Ou não fosse eu ainda uma criança!

23 de agosto de 2009

Férias


Às vezes - um pouco de carinho bem dividido!

Férias! Férias! Férias!

19 de agosto de 2009

Dia Mundial da Fotografia

Algures em Port au Prince, capital do Haiti, foi captada aquela que foi considerada a melhor foto do ano 2008.
Hoje, Dia Mundial da Fotografia, aproveito para aqui a publicar.

Entre o imaculada cândura dum vestido de criança e a pobreza enlameada de desigualdade humana, venham os críticos e elejam o que parece simples mas que não é.

Não me interesso muito por dias especiais, mas não esqueço que eles existem!
Foi este o mais miserável país que já visitei!
Que se mudem os tempos!

17 de agosto de 2009

Bi-mãe!


Há imagens que não precisam de texto.
Que ternura!
Mãe é mãe!
Lindo!

14 de agosto de 2009

Justiça

Apenas para descontrair um pouquinho.

Nem foi preciso advogado!

Um homem foi apresentado perante o juiz e acusado por ter feito sexo com um cadáver feminino.
Disse o juiz:

- Em 20 anos de magistratura, nunca ouvi uma coisa tão nojenta e imoral. Dê-me uma única razão para eu não pô-lo na cadeia!

- Vou lhe dar não uma, mas TRÊS boas razões:

1º) Não é da sua conta;

2º) Ela era minha esposa;

3º) Eu NÃO SABIA que ela estava morta; ela agia sempre assim!


ABSOLVIDO

11 de agosto de 2009

Alberto Vaz da Silva - Entrevista ao I

No espaço de pouco dias aqui me repito em alusões às mesmas pessoas. Primeiro, Raul Solnado, depois, Alberto Vaz da Silva.
Mas as ocasiões são como as cerejas e não podia deixar passar em branco, a entrevista ontem dada ao Jornal I, por esta sumidade por quem me apaixonei.

Às pessoas amigas, ou não, que aqui me vão suportando, deixo a voz e a presença cósmica que Alberto incute em todas as suas palavras.
A entrevista e o vídeo de Alberto Vaz da Silva!


http://www.ionline.pt/conteudo/17424-alberto-vaz-da-silva-era-importante-ensinar-se-astronomia-nas-escolas---video

10 de agosto de 2009

Raul Solnado - Um vazio no tempo

Em cima do ataúde estava esta carta que Raul terá escrito há algum tempo.
Fiquei admirado, porque das vezes que falou comigo sobre Deus, nunca percebi a sua relação com Ele.

Um vazio no tempo

Numa das últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que aquele espaço se tratava dum templo grandioso. Quase como um espanto senti uma sensação que nunca sentira antes e de repente uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo adormecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.
Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo.
Aquela vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar e que me deu a esperança de que num tempo que seja breve, me volte a acontecer.
Que esse Deus assim queira!

Raul Solnado

Raul, fala deste mundo ao teu Deus!

Cai o pano!

8 de agosto de 2009

Raul Solnado - adeus amigo!

Raul, depois duma troca de impressões para Nova Iorque, com o meu filho Bruno
Raul com um dos seus maiores amigos - Júlio César (não havia sardinhas)

Raul e o meu pai, a caminho de mais uma sardinhada


Hoje, 12,30 H. Júlio César telefona-me e com alguma dificuldade diz-me …:
- Kim, o Raul … morreu!
Fiquei perplexo!
Anteontem tinha estado a jantar com o Júlio e quando nos encontramos, acabamos sempre por falar do Raul. Comentei então com ele, ter achado estranho que há cerca de quinze dias o Raul me tenha telefonado dizendo que tinha saudades de almoçar uma sardinhada comigo. Perguntei-lhe se estava tudo bem e como habitualmente respondeu-me que sim, o que não era verdade. Como ele já não guiava, disse-lhe que o ia buscar a casa, mas ele nunca queria incomodar e respondeu-me que na primeira oportunidade apanharia um táxi e aparecia no meu escritório.
Nos telejornais vejo uma entrevista a Carlos Cruz, dizendo que o Raul lhe telefonara há cerca de 15 dias, quase em jeito de despedida, e vem-me imediatamente à memória o telefonema que o Raul me havia feito. Seria o adeus?
Sinto agora que a morte lhe fez o grande favor de o levar. Não suportava ficar à espera que ela chegasse lentamente, como se da vida se fosse libertando.
Toda a gente sabe quem foi Raul Solnado, logo não é preciso fazer a sua apologia, pois disso se encarregarão os escribas de profissão.
No seu aniversário não gostava que lhe dessem os parabéns. Na morte também não gostaria que lamentassem a sua perda.
Já que gostava do lado lúdico da vida, aqui lhe dedico estas fotos que nunca viu.
Tal como ele, também eu sou um brincalhão, logo vou imaginar que nada aconteceu e um dia, lá estaremos noutra sardinhada, noutra dimensão.
No livro da sua biografia, que eu guardo devidamente autografado e com dedicatória, fica a premonição do título
Raul Solnado – A Vida Que Não Se Perdeu!

7 de agosto de 2009

Alberto Vaz da Silva - Um homem de outro mundo!

Faz hoje setenta e três anos que nasceu, Alberto Mira Mendes Vaz da Silva.
Para quem não conhece esta ilustre figura da cultura portuguesa, apenas lembro que o ora aniversariante é a pessoa mais importante da minha vida extra-familiar.
Conheci-o na minha idade da puberdade. Descobri-o quando comecei a viver. Senti a sua real presença quando o exílio me albergou.
Acompanhou-me pelos corredores da descoberta e deixou em mim marcas que o tempo não apagou nunca.
Eu fui crescendo e Alberto ficando com mais idade, mas nunca envelheceu.
É hoje ainda um sonhador que vê nas estrelas a sua morada de amanhã.
Alberto anseia pelo dia em que ultrapassará a fronteira da matéria e a chegada aos confins duma imaginária galáxia.
Um dia, que espero longe, lá nos encontraremos e diremos o que não dissemos, desde os primórdios do encontro, até à consumação dos séculos.

O Jornal I, talvez o melhor diário da actualidade, está a publicar aos fins de semana uma extensa entrevista com 25 grandes personalidades portuguesas. Alberto é uma desses entrevistados. Quem estiver atento, até on-line, poderá consultar o jornal e descobrir uma pessoa fantástica de outro mundo.
Alberto Vaz da Silva - é obrigatório falar-se dele!
Parabéns amigo, mentor dos meus olhares!

5 de agosto de 2009

Rui Patricio - herói hoje, amanhã talvez!

Toda a gente sabe que eu sou benfiquista. Nos bons e maus momentos. No entanto há coisas que não se explicam. Acontecem.
É que sendo eu encarnado, fazia todo o sentido que desejasse a derrota dos verdes, azuis, amarelos, pretos, sei lá. Mas nem sempre assim é.
Não é por patriotismo nem por falsa modéstia, mas dou comigo a torcer sempre por equipas, primeiro portuguesas, depois onde joguem amigos meus, desde que não estejam em campo contra o meu Benfica, como é óbvio.
Pois bem, não esperava nada hoje, elogiar o meu amigo Rui. Não só porque o Sporting não esteve à altura daquilo que é habitual jogar, mas também porque durante o jogo não mostrou as suas garras. Acontece com todas as equipas, terem dias menos felizes, mas hoje …
O Rui, picado por qualquer bichinho, nos segundos finais do jogo de hoje contra os holandeses, arrancou em direcção à baliza contrária e, na marcação dum canto, cabeceou para o fundo da baliza. A bola ainda tocou num adversário mas o obreiro do golo foi efectivamente ele. Foi a salvação do Sporting, logo terá direito a uma ou outra fífia em jogos futuros.
Julgo que terá sido o primeiro golo dele, enquanto guarda-redes.
Achei lamentável a atitude dos comentadores que não precisavam de passar o jogo todo a lamuriarem a noite menos boa dos verdes, mas já vamos estando habituados a este tipo de atitude, também com o Benfica.
Mas hoje, o que eu quero é dar um grande abraço ao Rui. Pela atitude. Pelo inconformismo e sobretudo pelo encaixe de adjectivos com que um guarda redes é presenteado, quando as coisas correm menos bem.
Rui, amanhã pagas tu o pequeno almoço! A seguir paga o Júlio (também leão)!


Parabéns a todos os verdes meus amigos! Parabéns Sporting! Parabéns Rui!

3 de agosto de 2009

Tony Teixeira - o meu rico amigo!

Tony Teixeira e o grande campeão brasileiro Felipe Massa


Hoje, ao passar os olhos por uma revista, li uma pequena notícia sobre um amigo que não vejo há tempos. Daí até trazê-lo para aqui foi apenas um clicar de teclas.

Tony era um puto muito simpático que eu costumava provocar, pois ele era um reguila nato.
Eu era já um homem e Tony uma criança, pois dez anos nos separavam. Sempre tive a mania de fazer uns truques ou habilidades aos putos, pois são eles os homens de amanhã e ele não fugiu à regra.
Pois bem, este puto de que vos falo, é hoje um multimilionário, falado em todo o mundo pela sua ligação à Fórmula 1.

Nascido na Amadora, filho de transmontanos, emigrou com seus pais para a África do Sul. Tinha então 15 anos.
Bem cedo se iniciou nos negócios tendo começado por fundar uma empresa de transporte de mercadorias terrestres. Dois anos depois era já o maior transportador do país. Tem negócios em 75 países e emprega 16.000 trabalhadores.
Actualmente é Presidente de várias empresas e da A1 Grande Prémio.
Prepara-se para construir em Portugal uma fábrica de automóveis monótipo e pondera adquirir uma equipa de Fórmula 1.
A última vez que estive com o Tony, poderia ter alterado o rumo de muita coisa. Ele pediu-me para eu tentar adquirir-lhe um enorme terreno no Algarve. Assim fiz. Meti-me a caminho, mas dada a complexidade da burocracia que envolvia o referido terreno, o projecto não teve pernas para andar.
E como em todas os contos de fadas, há sempre um lado lúgubre da “estória”.
É que este multimilionário sofreu, há dez anos, um rude golpe quando um tio seu se suicidou por ter dificuldades financeiras.
Tony nunca soube das dificuldades do tio que até então tinha tido uma vida desafogada. Sei bem que Tony lhe teria resolvido o problema, pois além dum grande coração tinha também por ele um apego enorme.
Esse tio, o meu grande amigo Xico Teixeira, irmão de seu pai, suicidou-se, porque … não tinha dinheiro.
Numa fase complicada da sua vida, o Xico escolheu o caminho mais fácil ou … mais difícil(?)

Que pena Tony, não adivinhares o que se passava a seis mil quilómetros de distância e o orgulho que ele tinha de ti!
Gostei de te lembrar, puto reguila!