31 de março de 2011

Ramalho Eanes - um ser decente!

Apesar de nele ter votado, por Ramalho Eanes não nutri nunca grande simpatia, talvez devido à sua esfíngica figura. Mas ... depois de muita coisa dele ter lido e ouvido, mudei de opinião. Assim fossem todos os presidentes!
Passo a transcrever um texto do jornalista Fernando da Costa.

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si. TempoLivre OUT 2008

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados. As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social. Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!» O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos. “A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”. Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros. “Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética. Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.


Às vezes - a gente engana-se!

29 de março de 2011

Cão - a quanto obrigas

Claro que este maravilhoso animal não obriga a nada. E não obriga porque faz parte do bom senso de que tem um animal de estimação e companhia, dar-lhe o tratamento que a sua dedicação e fidelidade merecem. É muito bonito, já para não dizer moderno, ter um cão e eu bem gostaria de ter um, não em apartamento mas sim em moradia. Até aí eu entendo. O que já não entendo é a facilidade com que se leva o animal à rua e aí se utilize a casa de banho pública, qual relva de jardim ou passeio, sem se puxar o autoclismo. Por outras palavras, sem se fazerem desaparecer os respectivos dejectos. Infelizmente há ainda muita gente que não se mune do imprescindível saquinho plástico, para que quem vier atrás não pise. É elementar e faz parte das boas regras de educação e respeito pelo próximo. Admiro imenso as pessoas que sacrificam o seu bem estar, às vezes ao frio e à chuva, para levaram o canídeo à rua, coisa que o meu egoísmo sempre negou. Certamente que alguns dos amigos que aqui me lêem são donos dum ou mais cães e terão opiniões diferentes mas estou certo que todos estarão de acordo quanto à impunidade que ainda existe quanto à praticabilidade deste acto cívico. Às vezes - se o cão é o melhor amigo do homem, já este não é o melhor amigo do cão.

26 de março de 2011

Eleições! - eu tive um sonho

(provavelmente um panfleto reacionário mas não menos realista, por culpa de quem?)
Hoje eu tive um sonho


Meio adormecido e entorpecido por vários anos de Gonçalvismo, Soarismo e Cavaquismo eis que, finalmente atado em saco roto, vislumbro nas estrelas de Luís Filipe Vieira, a oportunidade deste país poder resolver os seus problemas. E dou comigo a pensar! Então se "desde que vivemos em liberdade" a governação tem sido um desastre, por que razão não havemos de dar agora uma hipótese a novas correntes ideológicas? Estou a pensar no Bloco de Esquerda, que até poderia fazer uma parceria com os comunistas, se forem capazes de entender que aquilo que ambos pretendem quase em nada difere. Descobri que esta era a régua que iria nivelar todos os antecedentes. E veríamos então que, venha quem vier a governar o nosso destino, não faria melhor que os seus antecessores. É que, seja o coelho, o lobo, ou a raposa a governar, não vão fazer milagre algum. O país está no fundo e os compromissos assumidos com a CE têm de ser cumpridos. Não há volta a dar. E como é que isso se vai conseguir? A resposta para esta questão gostaria eu de ouvi-la, vê-la e senti-la agora, com os atrás mencionados no comando, sem empirismos ou balelas. Sei não estar a ser masoquista e também sei que o desfecho inevitável dum governo liderado pelo Bloco de Esquerdo ou pelo Partido Comunista iria deparar-se com os mesmos problemas. Aumentos inevitáveis, descontentamento popular e sabe-se lá mais o que pode advir de quem nunca governou e passou a vida a clamar (e eu agradeço) pela defesa dos desprotegidos. Com reagiriam os seus seguidores às medidas drásticas que inevitavelmente teriam de tomar? Não haveria aumentos? Baixavam os impostos? E os Sindicatos, sublevar-se-iam contra o seu patrão? Iriam reclamar e fazer greves contra quem? Contra os que os defendem? Redundaria em ilusão e fiasco a gestão dos defensores do povo? Para tantas perguntas, apenas uma resposta. Votar maciçamente no Bloco de Esquerda ou no PCP! E o que for soará.

Todos merecem uma oportunidade e todos têm direito a errar ... uma vez. Hoje eu tive um sonho ... e acordei!

23 de março de 2011

PEC - até onde?

Pec XXI - ano 2014 Alguém, perfeitamente lúcido, iluminado e premonitório, elaborou este boneco, simbolo da realidade que se aproxima. Sabendo que maus ventos soprarão para todos mas em especial para os menos afortunados, que afinal são a maioria, aqui clamo por uma réstia de esperança. Apenas uma certeza; quem vai pagar, serão sempre os mesmos. Há quem diga que não é preciso extremar situações, mas eu pergunto: - Não estamos já no extremo? - Claro que sim! No extremo ocidental da Europa!

20 de março de 2011

Parabéns XL - Momentos


Meu querido amigo!

Se uma imagem vale por mil palavras, aqui te deixo as que não direi.

Nem o tempo é curto nem a vida longa, sem amigos como tu.

Que os meus olhos te vejam por muitos anos e os meus ouvidos te oiçam levantar a voz, nas margens da injustiça.

Um grande abraço de parabéns!



17 de março de 2011

OUTRA GENTE

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.

O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria
incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa
anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não
quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez
questão de o pagar também do seu bolso.
Este SENHOR era Manuel de Arriaga e foi o primeiro Presidente da
República Portuguesa.

INDUBITAVELMENTE, OUTRA GENTE...

14 de março de 2011

Rex - Cão Bufo

Um rapaz vai para Lisboa estudar, mas já na metade do 1º semestre acaba o dinheiro que o pai lhe deu. Então ele tem uma ideia brilhante.

Telefona ao pai e sai com esta:

- Pai, não vais acreditar nas maravilhas da moderna educação na cidade. Pois não é que eles aqui têm um curso para ensinar os cães a falar?

O pai, um homem simplório, fica maravilhado:

- E como é que faço para que aceitem o Rex aqui de casa?
- É só mandá-lo para cá com 5.000 EUR que eu faço a matrícula.
E o pai, é claro, cai na conversa e segue a orientação do filho.

Passados mais alguns meses, o rapaz fica novamente liso e liga outra vez:

- E então, meu filho? Como vai o Rex?
- Fala pelos cotovelos, pai. Mas agora abriram um outro curso aqui, para os cães aprenderem a ler.
- Não brinques! E podemos matricular o Rex?
- Claro! Manda-me 10.000 EUR que eu trato de tudo!

E o velho, mais uma vez, manda o dinheiro.

O tempo vai passando, o final do ano vai chegando e o rapaz dá-se conta que vai ter que se explicar. O cão, é claro, não fala uma palavra, não lê porcaria nenhuma, enfim, continua exactamente como sempre.
Sem nenhuma consideração, solta o pobre bicho na rua e apanha o comboio de volta para casa.

A primeira pergunta do pai não podia ser outra:

- Onde está o Rex? Comprei uma revista sobre animais, para que ele leia.

- Pai, nem imaginas. Já tinha tudo pronto para voltar, quando vi o Rex no sofá, a ler o jornal, como fazia todas as manhãs. E então saiu-se com esta:

"Então, vamos para casa... Como será que está o velho? Será que continua a comer aquela viúva que mora na casa da frente?"

E o pai, mais do que rapidamente:

- Mas que cão bufo de m*rda... Espero que tenhas metido um tiro nos cornos desse filho da p***, antes que venha falar com a tua mãe!
- Mas é claro, pai. Foi o que fiz!
- É assim que se procede, filho!...

Dizem que o rapaz se formou em engenharia, e tornou-se um político de renome...

11 de março de 2011

Júlio Amaro - Parabéns a um génio!

Neste monumento, qual pretenso cenotáfio, erigido em sua memória, em Portimão, alguém escreveu:
Por todos e tantos que tanto fizeram

Querido Júlio Amaro, meu velho mestre!

Farias hoje oitenta anos e ...
Às vezes tínhamos conversas parvas, lembras-te? Falávamos do que sabíamos e do que desconhecíamos mas acabávamos sempre por descobrir que afinal nada sabíamos, o que era paradoxal, pois tu sabias tudo, ou … quase.
E descobri recentemente, na busca incessante que caracteriza a minha curiosidade, que parece ninguém saber a tua data de nascimento. Por curiosidade, pesquisei na Net, a tão pouco tua amada, e não encontrei qualquer referência à tua data de nascimento. Apenas que nasceste em 1931. Aos anais da incerteza, aponho então que completarias hoje oito decénios. É que não fica bem ouvir falar de ti, autodidacta tamanho, e ler o que as crónicas rezam sem que todos os campos estejam preenchidos.
Poucos saberão que foste um multifacteado discípulo davinciano, mas hoje não quero bajular-te com oferendas de sacrossantas intenções, quero apenas dizer-te que estarás sempre entre o teu séquito preferido, esquecendo os homúnculos que te enfrenesiaram a existência.
Meu velho amigo, estão longe os nossos tempos de Paris, mas bem perto os da Amadora que te virou a vida e os da eternidade que um dia unir-nos-á.
De Portimão já nem lembro, pois aí eu te perdi!

8 de março de 2011

O baile - Damas ao bufete!

Eram assim os bailes da minha juventude. A malta nova aglomerava-se no salão, com máscara ou sem e nem sei como é que os parcos escudos do pessoal davam para tantos bailaricos. É que a mesada era sempre igual e os nossos pais não tinham culpa que tantos dos ditos houvesse. A vida era díficil e todos pagavam a crise, contráriamente ao que agora se passa.
Mas aqui, nesta sociedade Filarmónica onde um grupo dos que por aqui se passeiam, incluindo eu, liderados pelo Júlio César, fazíamos desta casa o nosso lar. E depois havia ainda a particularidade do aposto bairrismo, coisa que fazia as delícias de mentes libertinas pois as pretensas donzelas presentes estavam a salvo dos gabirús, protegidas nas costas pelas controladoras mãezinhas. Delícioso hoje, irritante na época.
Palmas para Marcelo, o Otis Redding da época que "guturava" em inglês.
Olhando para este panfleto verifico que já ali se destacava o meu amigo XL, aqui residente comentador político, aliás, blogueiro, cujo nome artístico era Francisco Luís. E já não falo da Belinha Alves (hoje cantora ANA), tudo muito bem locutado pelo Júlio César.
Para além de tudo isto, havia ainda tempo para o multifectado e saudoso amigo Júlio Amaro, nos presentear com uns truques de Houdini e nos transportar ao mundo da ilusão.
E termina assim, com letras pequeninas, o desbotado panfleto;

A todas as damas será ofertada uma senha grátis com sorteio dum Ferro Eléctrico
A todos os cavalheiros será ofertada uma senha grátis com sorteio dum Rádio Transistor

Delicioso! Como eram simples os nossos anseios!

Quanto aos Reis dos Ritmos aqui a coroar, claro que nem me candidatei a tal, pois não distinguia um humilde abanão de cintura dum erudito pas de deux.

Intervalo para Carnaval - damas ao bufete, (que são os homens a pagar)!

6 de março de 2011

Valdemar Castro - a saudade!

Passaram já seis anos.

Foi ontem! Foi há tanto! Foi verdade?
Os amigos cá do burgo não te esquecem!

É tão díficil ficar sem você!

2 de março de 2011

Factura de electricidade

Sei que sou despistado e quase sempre desligado daquilo que directamente me diz respeito.
Mais facilmente me preocupo em resolver os problemas de outrém do que resolver os meus. E claro que isso tem um preço elevado, que só o meu "deixa andar que logo vejo" vai aguentando. Todos os meses a factura de electricidade da minha casa anda perto do ordenado mínimo, mas chega o dia em que decido analisá-la melhor e fico estupefacto com as várias alíneas ali descaradamente escarrapachadas.

Fico com alguma curiosidade em saber se esta POLÍTICA DE ENERGIA ELÉCTRICA já irritou os restantes portugueses tanto quanto a mim. Ou será que ainda não repararam na vossa factura?

Como as letras são pequeninas e escapam aos menos atentos, como eu, aqui fica a reprodução da última linha deste documento, que diz assim:

O valor indicado inclui os custos relativos ao uso das redes de interesse económico geral que decorrem de medidas de política energética, no valor de 245.94 € (valor independente do comercializador de energia eléctrica)

Resumindo - só para medidas de interesse económico geral, paguei 245.94 €.

E já nem falo da contribuição audiovisual.

Ora toma lá e vai refilar com S. Bento, ou S. Pedro!