21 de Novembro de 2009

Justiça em Portugal

... Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?


Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimento vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida na Figueira? O que lhe aconteceu?

E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa!

Clara Ferreira Alves in "Expresso"

19 de Novembro de 2009

Júlio César e Francisco Luís

Já não eram mais duas crianças mas os sonhos lá pairavam.
Os tempos eram os do desejo e da descoberta. Vivia-se com aquilo que se tinha e não com o que se desejava. Os passos eram mais ou menos calculados e cadenciados e neles morava a crença que o amanhã poderia ser uma certeza. E foi!
Não viraram a ocidente nem a oriente porque já estavam no caminho que os haveria de levar à glória dos seus desejos.
E aconteceu que estes dois amigos se juntaram um dia e formaram uma dupla artística,
Júlio César e Francisco Luís, assim se chamavam.
Não durou muito este duo, já que cada um quis seguir o seu caminho em direcções opostas.
Depois, ambos desafiaram os seus sonhos e ambos os venceram. O primeiro, na crista das ondas. O segundo, nas vagas alterosas dum mundo melhor.
No seu precocemente extinto blogue, Júlio César escreveu um dia:

O meu primeiro contrato como profissional de palco foi com o Casino Peninsular da Figueira da Foz. A dupla Francisco Luís e Júlio César, contava "estórias" de humor, anedotas, imitações, poemas e só não cantava porque não havia música. Fizemos sucesso! Ali, na Figueira, contratados pelo velho Mendes Pinto e num rigoroso exclusivo da Interartes de Carlos Pires, ganhámos o primeiro "cachet". 300 escudos, p'rós dois! Ou seja, ao câmbio de hoje... 1.50 euro. A foto, tirada à-la-minute na marginal, passou a ser cartaz. Cavalgámos muitos mais espectáculos, perseguindo o sonho de uma carreira que acabou por acontecer. O Xico seguiu outros caminhos e todos os anos, num almoço de velhos amigos, recordamos isso. Em Janeiro a DUPLA reencontra-se.

Já naquela altura eu tinha a mania de tirar fotos aos meus amigos
Eram assim este putos da minha idade, há muitos anos atrás.
Hoje - JC e FR ou XL - o vosso fã continua atento!

17 de Novembro de 2009

Parabéns Osvaldo

Diz o livro do Significado dos Nomes que:


Osvaldo: Significa o que tem o poder dos deuses e indica uma pessoa que não se abala com nada. Por isso, pode ser considerado frio e calculista. Mas no fundo ele está sempre disposto a dividir tudo o que conquista.

Claro que esta afirmação tem o valor que tem mas a realidade não anda muito longe disto. Osvaldo, aquele que descobri um dia nas páginas da incerteza é uma daqueles amigos que a gente não quer perder nunca.
Um coração do tamanho do mundo completa a estirpe de que é feito.
E como atrás dum grande homem há uma mulher maior ainda, Ana assim se chama, aqui fica a minha vénia perante tal constatação.
Tabuacense de nascença, tem dividido a sua vida entre o Brasil, onde viveu três décadas e a Suiça, onde vive há uns anos. O Ministério da Cultura é a zona onde se movem as suas obrigações.
Os tempos vindouros farão jus a outras tantas afirmações.
Osvaldo não é Mau, Triste e Feio!
Para os eleitos, os anos não contam! Parabéns amigo!

15 de Novembro de 2009

Alain Delon - um dos meus ídolos




Ao longo das nossas vidas, há rostos que a nossa memória absorve e ali perduram eternamente.
Hoje recordo um actor francês de quem na minha juventude muito gostei e gosto ainda – Alain Delon.
É que eu julgava ser hoje o dia do seu aniversário mas enganei-me, pois ele nasceu a 08 de Novembro de 1935, tendo então acabado de completar 74 anos.
Como eu dizia, este actor exercia uma enorme influência sobre mim, qual imberbe jovem desprovido ainda de tudo o que a vida me iria ensinar.
E se não sou um homem de paixões efémeras também o não fui de desilusões adiadas.
Alain Delon foi uma espécie de exemplo para mim. Tinha tudo o que eu desejava. Fama, glória, mulheres, dinheiro, mas a vida é feita de muito mais que isso e demorei algum tempo a percebe-lo. Em Paris, Delon era o maior poster do meu quarto e dava-me a força que ele tinha para calcorrear as ruas cinzentas da esperança, na cidade que a manhã nunca mais clareava.
A sua errante infância terá contribuído para uma formação desprovida de carinho e afectos fazendo dele um homem ausente dos mesmos. Filho de pais separados, bem cedo entregue a terceiros, tornou-se um quezilento rebelde expulso de todas as escolas por onde passava. A Guerra da Indonicha, para onde se alistou aos dezassete anos ajudou ao resto.
Um dia, num golpe de sorte que acho todos termos tido um dia e deixamos escapar, alguém reparou na sua beleza e fez dele o Adónis que os interesses mundanos desejam. E disso tirou o devido proveito.Delon teve uma vida bem cheia de tudo, onde não faltou o ódio, o crime, o abandono, a violência. Foi sempre um homem frio e conseguiu congelar o calor que por ele fui sentindo, tendo vindo agora a ser derretido pelo chegar dum fim não assim tão distante.
Alain Delon não deixou de ser um dos meus ídolos, mas terá exagerado nos excessos cometidos, sendo apenas certo que um dia partirá deste vida bem contente.
Ao Alain de quem vesti a pele ergo a minha “flute”, porque das pessoas de quem se gosta, se esquecem os defeitos.

13 de Novembro de 2009

Inimigos!

Será que esta "estória" nos pode servir de modelo.?


Quase no final da missa dominical, o sacerdote pergunta aos fiéis:

- Quantos de vocês conseguiriam perdoar aos vossos inimigos?
A maioria levantou a mão. O sacerdote voltou a repetir a mesma pergunta e então todos levantaram a mão, à excepção duma pequena e frágil velhinha.

- Senhora Mariazinha! A Senhora não está disposta a perdoar aos seus inimigos?

- Eu não tenho inimigos! - respondeu ela docemente.
-Quantos anos tem a senhora? - pergunta o sacerdote.

- 98 anos, Senhor Padre!

- Senhora Mariazinha, isso é muito raro!

O público presente na igreja levantou-se e aplaudiu a idosa entusiasticamente.

- Doce Senhora Mariazinha, conte para nós como se vive 98 anos e não se tem inimigos?

A doce e angelical velhinha dirige-se ao altar e diz em tom solene olhando para o público emocionado:
- Porque já morrerram todos, aqueles filhos da puta!

11 de Novembro de 2009

Cristovam Buarque - discurso censurado

Dum amigo franciscano recebi esta sábia resposta, a qual aprovo na integra


Discurso do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA...

Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que umbrasileiro dá um 'baile' educadíssimo aos Americanos... Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).

Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque :

De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!

ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO porque é muito importante... e porque foi CENSURADO!

8 de Novembro de 2009

Muro da vergonha - 20 anos depois do fim

Passaram vinte anos.
Berlim deixara de ser uma cidade cinzenta e despertava para a incerteza do dia seguinte. Nada mais seria como dantes.
Em 1945, no fim da segunda guerra mundial, o que restava da Alemanha de Hitler foi dividido em duas Alemanhas. A democrática,(?) e a outra. A RDA e a RFA.
A capital, Berlim, ficou dentro da RDA e passou então a ser controlada pelas quatro potências vencedoras da guerra: Grã Bretanha, França, Estados Unidos e União Soviética. Três anos mais tarde, os soviéticos viriam a desligar-se desta aliança
Num dia de Agosto de 1961, alguém do governo soviético de Berlim, acordou mal disposto e começou a construir um muro para dividir a cidade,.
Desculparam-se dizendo que era necessário impedir a invasão de espiões na RDA, mas na verdade apenas pretendiam evitar a fuga maciça de alemães orientais para a Alemanha Ocidental. Em três anos haviam fugido da ditadura soviética para ocidente, três milhões de pessoas, logo havia que pôr fim a tal êxodo.
Um cordão de vinte e cinco mil soldados, fortemente armados e separados cinco metros entre si, impedia a passagem dum lado para o outro da cidade, até à conclusão do muro. Quem se encontrava do lado oriental lá ficou e de igual modo aconteceu do lado ocidental. Pais dum lado filhos do outro, maridos de cá, esposas de lá. E quem junto não estava, separado ficou.
Cento e quinze quilómetros de betão e arame farpado ficaram a dividir a cidade, durante vinte e oito anos, sem que os seus habitantes tivessem hipóteses de escolher de que lado queriam ficar. Milhares de tentativas de fuga foram metralhadas e outras tantas conseguidas.

Começara o declínio da União Soviética e a abertura do fechado mundo ao mundo. Para trás ficaram duas décadas, sem proibições, sem vergonha.
Que pena não se juntarem os homens e retirarem de cada um o quanto de bom existe nas suas mentes. Uns puxam para a esquerda, outros para a direita e outros ainda, empurrados por ambos os lados, não conseguem tombar para lado nenhum.
Entretanto, por esse mundo fora outros muros envergonham a mesquinhez dos homens.
Caiu o muro. Ficou a vergonha!

4 de Novembro de 2009

Drauzio Varella - sensato


Já que no post anterior falei dum Prémio Nobel … (ateu)

Drauzio Varella (médico brasileiro) Prémio Nobel da Literatura, (cristão) disse:

- Actualmente no mundo, investe-se cinco vezes mais em medicamentos para a virilidade masculina e silicone para as mulheres, do que na cura de Alzheimer.
Daqui a alguns anos, teremos velhas de tetas grandes e velhos de pénis duro, mas nenhum deles se lembrará para que servem.

Quem diria?


Quero ver se não me esqueço de me lembrar para não me esquecer!

1 de Novembro de 2009

José Saramago - Cai(m)

Nunca me apeteceu descobrir Saramago.
Fi-lo agora, já que nunca é tarde para recuperar o tempo perdido.
Sabia da sua erudição mas o estigma do despedimento dos vinte e quatro jornalistas, que não eram da sua cor, no Diário de Noticias, nunca deixou de pairar na minha memória. É frio, distante, taciturno e às vezes até parece uma alma penada, daquele mundo em que não acredita. Arrasta consigo os dias de glória trazidos pela Terra do Pecado, nas Jangadas dos Conventos, nos Ensaios dos Elefantes, na Cegueira dos Evangelhos.
José Saramago, cada vez mais perto da eternidade, terá julgado que o seu nobelizado estatuto lhe permite todas as alarvidades.
Pode não haver Deus, pode não acreditar nele, pode dizer tudo o que pensa e pode escrever tudo o que quiser. Felizmente que estamos em democracia, onde cada um é livre de dizer o que pensa. Pois bem, mas podia também amenizar a arrogância com que projecta cada palavra.
Saramago, num tempo próximo, até poderá vir a ser considerado precursor da verdade anti-Deus, pelo safanão que deu nas mentes mais retrógradas, qual Lutero do século XXI, mas terá ultrapassado todas as marcas do socialmente correcto.
Poderá não acreditar em Deus, o que eu aceito e respeito, mas daí a mandar Deus à merda e dizer que Deus é um filho da puta vai uma distância incomensuravelmente maior que de Lisboa a Lanzarote. Se Deus não existe não terá mãe, certamente.
Uma salomónica sentença poderia dividir Saramago em dois. Dum lado ficaria a irritante figura humana. Do outro, o iluminado escriba.
O homem confunde-me. Quem serei eu ao lado de tão letrada figura, mas escrever os substantivos, mafra, versalhes, buckingham, abel, caim e tantos outros, umas vezes com letra minúscula, sem qualquer tipo de critério, e outras com letra maiúscula, não é de facto uma inovação literária nem faz parte do novo acordo ortográfico. Pode até ser um falso neologismo, mas é seguramente uma prova de que o seu estatuto tudo lhe permite.
Saramago conseguiu deslumbrar-me com a sua escrita e ao mesmo tempo conseguiu também a minha indiferença. O Velho Testamento nunca antes tinha sido tão glosado.
Saramago, de quem não se esperam cacografismos, escreve: Caim parou de ensilhar o jumento, (página 98) quando deveria escrever - Caim parou de encilhar o jumento. Ou o livro foi escrito a correr, porque proveitos eram precisos, ou cada vez tenho mais a noção de que nada sei, o que também é altamente verídico.
Até concordo com alguns ditames do escritor no que concerne à existência de Deus, nomeadamente o da violência com que Esse Deus castiga os seus servos, sejam eles inocentes ou culpados, o que me francamente me fustiga é a forma como ele O bane.
Efectivamente há passagens da bíblia profundamente controversas e essa é uma miragem que pairará sempre no caminho de todos os que acharem não serem senhores da verdade absoluta. A começar por mim!
Como eu talvez também estarei um dia, Saramago, aliás saramago, está gágá!

28 de Outubro de 2009

Florindo e Flora Beja - os mortos vivos

Quem passar pela Procuradoria Geral da República verá que junto à porta principal está instalado um casal, com armas e bagagens.

Pois bem, há 13 anos que este casal ali se planta todos os dias do ano, quer faça sol, chuva, frio, neve ou tempestade.

Florindo Beja precisou um dia de arranjar um documento e descobriu que estava morto e sepultado no Cemitério de Aljustrel desde 1964, através de documentos falsificados pelos seus irmãos. Um é Juiz Desembargador do Tribunal de Lisboa e outro é Notário, também em Lisboa. Pelo meio haveriam ainda de casar a viúva com outro homem e depois também a “mataram” e “sepultaram” em parte incerta.
Entretanto fizeram desaparecer uma filha que nunca saiu do mesmo sítio. Surreal!

Contou-me o Florindo que os irmãos se apropriaram dos seus bens, depois de terem falsificado uma montanha de documentos apensos a um ciclópico dossier. Vários destes documentos estão expostos num cartaz para que os passantes possam ler. De facto, eu vi a certidão de casamento com óbito averbado, como aliás todos os documentos comprometedores ali estão expostos para quem os queira ver e ler.

Manda o bom senso que não se deve tomar partido de quem quer que seja sem se conhecer a versão dos factos da parte contrária. Ora, como tal não foi possível, apenas me limito a relatar o que ali estão a fazer aquelas duas almas.
O que os ora visados pretendem, é que sejam considerados vivos e simultaneamente lhes sejam devolvidos os bens usurpados, mas …

Às vezes – há razões que a razão desconhece!

25 de Outubro de 2009

Vícios novos!


Ora aqui está uma coisa que não se deve fazer.
Net é net, cognac é cognac!.
Isto vem a propósito duma dor que venho sentindo no ombro direito e para a qual não encontro explicação.
Acho que exagerei no longo tempo que demorei na montagem dum daqueles filmezitos que tenho a mania de ir fazendo, porquanto não me lembro de mais nada que pudesse provocar-me tal tendinite. Certamente que haverá outras actividades mais interessantes do que fazer filmes, mas já nem lembro quais.
Mas, aqui me irei mantendo fiel à troca de ideias tantas vezes divergentes, não esquecendo o quão de salutar nelas reside.
E ... às vezes – brincar é preciso!

22 de Outubro de 2009

Os livros da Instrução Primária

Longe vão os tempos em que estes livros foram o princípio de alguma coisa.
Longe de mim imaginar, naquela altura, o fascínio que eles viriam a exercer sobre muitos de nós.

Longe, muito longe, está ali a junção das primeiras palavras, o silabar da hesitação, o tremelicar de desconchavados rabiscos e a alegria dos primeiros “BOM”.

Felizmente que estas velharias foram recuperadas pelas editoras e estão hoje à venda para quem as quiser adquirir.
Da "menina de cinco olhos" não falo, pois outros o farão por mim.
Num tempo em que havia tempo, a recordação do meu tempo!
Neste último livro pode ler-se no canto inferior direito, marcado a vermelho, 77ª Edição.
Aconteceu no início da segunda metade do século XX.
Onde é que acontece uma coisa destas nos dias de hoje?

19 de Outubro de 2009

Raul Solnado - Octogenário


Raul Solnado, octogenário? Nem pensar!

O Raul não gostava de aniversários. Achava que era uma chatice um gajo ficar mais velho. Por via das dúvidas até desligava o telefone. Sendo assim nunca lhe dei os parabéns.
Era mais fácil para ele aparecer para uma almoçarada do que fazer a vénia a todos quantos o felicitassem por uma coisa que ele não queria. Afinal foi sempre um menino.
Pois então faz hoje oitenta anos que nasceu Raul Solnado. Se fosse vivo não faria anos já que isso é coisa de quem leva a vida a brincar.
Então, a assim ser, basta-me aqui recordá-lo e guardar para mim o afecto com que me brindou e agradecer ao Júlio César, o facto de um dia o ter cruzado no meu caminho.
Persigno-me a tal encruzilhada, de tão douta que foi.

18 de Outubro de 2009

Justiça rápida ... e sem custos!

Quelqu'un m'a dit

Exigências de sequestrador para libertar um refém, na China.

- Tenho três exigências, ou mato o rapaz!

Negociadores chegam ao local pela janela do lado para cumprir as exigências.

Início das negociações

Negociador em posição

Negociações concluídas

Caso encerrado
Em Portugal, na Europa, a rua seria fechada, o homem teria a maior cobertura mediática. As negociações durariam doze horas seguidas, viriam os gajos dos Direitos Humanos, da Quercus, dos VERDES, etc...
O preso custaria milhões para ter um julgamento 'justo', comida e boa vida na cadeia.
Entenderam agora os motivos pelos quais os produtos dos chineses são mais baratos que os nossos?

14 de Outubro de 2009

Heinrich Kieber - Robin Wood

Há dias vi um documentário num temático canal qualquer, acerca dos paraísos fiscais. E a juntar a tantas outras fraudes ocorridas nos últimos tempos, há também sempre alguém que sabe tirar os devidos proveitos dos erros dos outros.
Esse alguém é um ex-funcionário do Banco LGT, do Liechtenstein.
Por vingança, ou porque o dinheiro falou mais alto, roubou os ficheiros informáticos do Banco, nos quais constavam os nomes de todos os seus clientes. Sabendo que os paraísos fiscais abrigam fortunas fabulosas de origem duvidosa, foi muito fácil, a troco de seis milhões de euros, vender os referidos ficheiros.
Sabendo que uma boa parte dos depositantes do Banco LGT eram alemães, a Alemanha pagou ao denunciante esta enorme quantia e espera agora recuperar cem milhões de euros em fuga ao fisco. Belo negócio!
Vários outros países já negociaram com a Alemanha no sentido de comparticiparem no pagamento efectuado, esperando o retorno na denúncia dos infractores..
Haverá portugueses na lista?
Heinrich Kieber – o ex-funcionário, recebeu nova identidade e novo passaporte.
Presume-se que esteja agora a viver os seus dias azuis algures num paraíso … fiscal!
Foi o maior inquérito já instaurado, por fraude fiscal, na Alemanha.
Sem pretender defender os mega-infractores pergunto:
- Afinal o crime para uns compensa e para outros nem tanto?
Sim, porque roubar os ficheiros do banco também é crime, mas como outros valores mais altos se levantam, estás perdoado filho!
O mundo começa a ser cada vez mais pequeno e a malha vai apertando!

12 de Outubro de 2009

Padre Saul Sousa

Morreu o Padre Saul Sousa!
A morte é apenas a última etapa das nossas vidas e para morrer apenas basta estar vivo.
A notícia não seria notícia, fruto do que atrás disse, se o Padre Saul fosse igual a tantos outros padres. Aparentemente, claro que era igual aos outros padres, apenas que este tinha mulher e filhos enquanto os outros têm governantas e sobrinhos.
O Padre Saul foi ordenado padre (da Igreja Católica) quando já era casado e já tinha três filhos.

O Papa Paulo VI, autorizou a sua ordenação (em 1971) contrariando vozes contestatárias dos apoiantes do celibato. Era caso único em Portugal e disso falavam de tempos a tempos as televisões e a imprensa.
Mais do que aqui me congratular com a decisão papal, evoco a grande figura da Igreja que foi este homem e cujo gene foi passado na integra para os filhos, sendo que um deles, o Jorge Sousa, é um grande amigo meu de há três décadas.
Hoje pelas 10 horas, na Igreja do Anjos em Lisboa, o Cardeal Patriarca de Lisboa, presidirá à missa de corpo presente e fará certamente a apologia deste grande homem, não pelo facto da sua condição muito “sui generis” mas pela sua bondade e entrega ao próximo.
Não houvesse a hipocrisia do celibato canónico e a Igreja seria bem mais coerente e castradora de tal embuste.
Ao meu querido amigo Jorge, toda a minha admiração pelo pai que teve, pelo filho que é!

8 de Outubro de 2009

Que pena!

Ele era completamente narcisista, estilista e apanhava muito sol. ...
Uma manhã parou nu em frente ao espelho para admirar o seu corpo, e notou que estava todo bronzeado, à excepção de seu pénis.
Então decidiu fazer algo. Foi à praia, despiu-se completamente e cobriu-se todo de areia, menos aquilo...


Duas velhinhas vinham caminhando pela praia. Uma delas usava um bastão para ajudar a caminhar. Ao ver aquela coisa saindo da areia, a que tinha o bastão começou a dar voltas ao redor, observando. Quando se deu conta do que era, disse:
- Não há justiça no mundo!
A outra anciã, que também observava com curiosidade, perguntou-lhe a que se referia.
A do bastão respondeu:
- Olha isso!!!
- Aos 20 anos, dava-me curiosidade!

- Aos 30, dava-me prazer!
- Aos 40, enlouquecia-me!
- Aos 50, tinha que pedir!
- Aos 60, rezava por ele!

- Aos 70, esqueci-me que existia!
- Agora que tenho 80,... crescem no solo e eu não consigo agachar-me!!!

5 de Outubro de 2009

Aerograma


Quem se lembra do aerograma?

Mais pequeno que uma folha A4, escrevia-se e dobrava-se sobre si mesmo, fazendo que não fosse necessário envelope.
Era uma carta de saudade, de desabafos, de esperança, de despedida. Era uma carta de amor!
Foram milhões os aerogramas que os militares escreveram aos seus familiares, amigos, namoradas e esposas, essa finíssima folha que o Serviço Postal Militar se encarregava de transportar a preços muito reduzidos.
Para devorar os tempos mortos inventaram-se as “Madrinhas de Guerra” que viriam a ter importância fundamental no passar dos dias. Trocavam-se palavras de descoberta com alguém que nem se conhecia e dessas palavras saíram frases de amor que o coração exigia e a mente desejava. Muitas resultaram em matrimónio, outras em duradouras amizades e outras ainda, em remotas recordações que o tempo se encarregou de fazer esquecer.
Muitos aerogramas eu escrevi em reposta aos que me vinham chegando. Só não escrevia quem não queria. O custo era o preço dum sorriso e eu adoro sorrir.
O aerograma foi a grama que pesou quilos, toneladas, quintais, no despertar das consciências que a juventude abalou
Não fui militar no Ultramar, mas para lá estava virado o meu olhar sabendo que grande parte dos meus amigos para aí tinha rumado, empurrados pelo destino de quem foi obrigado a defender os velhos mundos dum mundo novo.
Aerograma - a folha que cheirava a regresso!

1 de Outubro de 2009

Fernando Pessoa - Entendes-me?

Às vezes – dá-me para isto!

Pode o engenho e arte
No Chiado me descobrir
De mim lá ficou parte
Quem me fazia sorrir

Foram anos, foram tempos
Aqueles que não voltaram
Foram fortes, foram lentos
Aqueles que me marcaram

Por lá me quedei um dia
Quando na vida despertei
No despertar dessa vida
Outra vida eu inventei

Inventei fugas e dores
Partidas e chegadas
Amores e desamores
Estórias tão contadas

Corri mundo sem nada
De tudo me despojei

No nada eu aprendi
Do despojo já não sei

Dormi noites, dormi dias
Noites que eu não dormi
Dos dias que eram vias
Das vias que percorri

Perdi-me depois no tempo
Esqueci de quem eu era
Ao tempo eu dei alento
Ao alento dei a espera

E um dia regressei
Tão triste como parti
Ao mundo o olhar dei
À vida que já vivi

Pessoa, amigo que és
Quero-te a meu lado
Deixa chegar-te aos pés
Perdoa este meu fado


O poema é ridículo
E não é carta de amor
Se não fosse ridículo
Seria carta de dor

30 de Setembro de 2009

Edir Macedo - o profeta (?)






Edir Macedo é a figura número um da hierarquia da Igreja Universal do Reino de Deus.

Em termos de fé, ninguém tem nada a ver com as opções que cada um toma, sendo que todas podem estar erradas. Mas há fé e fé, logro e roubo.

Jesus Cristo é o caminho e eu sou o pedágio (portagem) disse um dia este bispo(???)
As imagens falam por si e ...

Quantas bocas deixaram de comer?
Quantas pessoas humildes tiram comida da própria boca, para doar suas parcas moedas a este profeta moderno?
Quantos dízimos e bens foram oferecidos para construir este templo mundano de ostentação?
Quantos reparos haveria para fazer?
Afinal parece que todas as figuras de topo de qualquer credo, estão à altura de Edir Macedo.
Esta é apenas uma das muitas mansões de “alguém” que deixou de sofrer à custa do sofrimento de incautos e desprotegidos.

Que mundo este, tão cheio de falsos profetas!

28 de Setembro de 2009

O Blogador


O Rui daqui a dezasseis anos apanha-me!

Tem andado constantemente atrás dos meus aniversários e nos últimos cinco anos isso acentuou-se, mas acho que não vai conseguir apanhar-me.

Sempre atento ao que se passa no mundo é uma seta apontada à política dos homens que não se entendem ou que ninguém entende.

Pela calada da noite vai penicando num blogue ou noutro para assim estar a par do que se passa à volta dos seus amigos.
Porque é um menino certinho e porque gosto dele, aqui deixo um grande abraço de parabéns pela efeméride que hoje passa.
Sai mais uma garrafa para o brinde que se impõe!
Parabéns Rui, muitos séculos de vida!


27 de Setembro de 2009

Eleições - à saúde!

Os políticos são aquilo que a gente sabe. Ou não podemos com eles ou nos juntamos a eles.

Terminadas que foram estas eleições, fico contente porque todos os partidos saíram vencedores.
Assim é que é bonito!

Vai daí, brindo à saúde de todos eles!

25 de Setembro de 2009

Parabéns Verdinha!

Uma rosa para uma flor.

Foi uma fresca brisa que aqui entrou. Foi uma simples anónima que descobri numa manhã tão cinzenta quanto o céu de Bruxelas. Foi um ser maravilhoso que a lusa terra acolheu. Foi uma amiga onde eu não julgava tropeçar.
Minha querida Verdinha, não tens o olhar dos belgas que me arrefecem. És o calor de quem te rodeia.
Com um coração assim, muitos aniversários te esperam ainda.
Uma rosa amarela, para uma flor Verdinha
Parabéns, je vois la vie en vert!

23 de Setembro de 2009

Curiosidades - Ditados populares


Raro não é o dia em que usamos uma ou outra expressão popular para definir qualquer coisa que queremos dizer. No entanto quase sempre o ditado está deturpado, fruto dos "arredondamnetos" que o povo vai fazendo. Não é que haja grande problema dizer um ditado bem ou mal, mas nada se perde se soubermos como efectivamente se deveria dizer.

Assim sendo:

'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro.'
O correcto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.'

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.''
O correcto é: 'Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'

'Cor de burro quando foge.'
O correcto é: 'Corro de burro quando foge!'

Outro, que todos dizem de uma maneira errada: 'Quem tem boca vai a Roma.'
O correcto é: 'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar)

'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correcto é: 'Esculpido em Carrara.' (tipo de mármore)

Mais um famoso...: 'Quem não tem cão, caça com gato.'
O correcto é: 'Quem não tem cão, caça como gato'... ou seja, sozinho!

Dizia correctamente algum desses ditados?

20 de Setembro de 2009

Tabuaço - sempre!



... Ainda iremos todos ao Moinho das Poldras passar um belo fim de semana, visitar o Jardim da Dona Rosa e fazer um pic-nic à sombra dos amieiros do Távora. Viajaremos pelas vinhas e caves do Douro e no final do dia comeremos um bacalhau na telha com migas no Tábua d'Aço, e acabaremos a noite no Quelha-Funda...

Já fomos!
Foi o exorcizar de fantasmas malquistos que o futuro se encarregará de perdurar.
Foi uma jornada repleta de olhares por legados que a história deixou e pelo ego de cada um.
Foi a descoberta colectiva, plena de surpresas bem positivas que nem sempre acontecem
Foi uma espécie de reencontro de velhos amigos que o tempo não mudou.
Não foi o diário dum paciente, triste, mau e feio em que numa réstia de sol se vê a vida em verde.
Foi um fim de semana que acontece … às vezes!

17 de Setembro de 2009

Campanha Eleitoral



Nesta altura de campanha eleitoral, nada melhor do que ver este video fora do comum, para descontrair.

15 de Setembro de 2009

Lisboa à noite



Foi assim o céu de Lisboa no dia 09 de Setembro de 2009.
Lindo, lindo, lindo!

Na China às 09 h 09 minutos e 09 segundos do dia 09 do 09 de 2009, sem relâmpagos, milhares de chineses casaram-se sob o signo da fertilidade. Diz a lenda que é um dia de sorte para os chineses.

Alguns deles conhecerão mais tarde o azar em que se meteram.

13 de Setembro de 2009

A minha (?) poltrona

A minha paixão por pedras é por demais sabida. E quando nelas não tropeço, tropeçam elas em mim.
E também adoro feiras, com conta, peso e medida. Nada de exageros, mas gosto. Sempre que me cheira que existe um feira por perto, lá estou eu. Há dias, na Feira de S. Mateus, em Viseu, descobri esta preciosidade. Qual peça única a clamar por mim, nela me sentei e ali fiquei uma hora, hesitando se a havia de comprar ou não.

Só eu sei o quão me aguçava o apetite ali me sentar nas horas de lazer, lendo um livro, repousando, blogando, ou simplesmente sentido fluir em mim as energias que as pedras me vão transmitindo.
O seu peso monetário era uma ínfima parte do bruto. Três mil e quinhentos quilos de rocha haviam sido esculpidos por mãos habilidosas e sensíveis, transformando o vazio dum calhau numa confortabilíssima poltrona.
Certamente estaria agora a escrever este artigo, nela sentado, onde talvez um dia um qualquer sarraceno versejou os seus amores ao coração duma moura encantada.
As coisas que as pedras me dizem!!!

10 de Setembro de 2009

Edith Piaf - Espectáculo em Lisboa



Recentemente assisti ao espectáculo PIAF, em exibição no Politeama, em Lisboa.
Escusado será dizer que me vieram à memória milhentas recordações que o tempo não apaga nunca.
Descoberta numa paupérrima ruela de prostituição em Paris, Edith Piaf veio a tornar-se uma das mais excelsas vozes do panorama musical francês da segunda metade do século XX.
Este vídeo não espelha de forma nenhuma a garra com que ela costumava cantar. Do seu triste semblante chispava uma enorme força que o seu franzino corpo enganava
É claro que Piaf não é de século nenhum! É de todos os dias, de todos os anos, de todos os séculos. Há vozes que são eternas.
O seu drama e o seu apogeu chocam-se com o seu declínio, enquanto ser humano, numa amálgama de endeusamento e exploração, tão própria do meio em que se movia.
Piaf, eterna apaixonada por tudo quanto era homem, morreu aos quarenta e oito anos, quando a sua voz tremia e os querubins adormeciam.
A grande actriz, Wanda Stuart vestiu-lhe a pele na perfeição!
Fabulosa a Edith! Muito bom o espectáculo!
Estou certo que se fosse viva diria ainda:
- Non, je ne regrette rien!

8 de Setembro de 2009

Saint Maarten - o avião vai cair?





Não conheço nenhuma outra parte do mundo onde tal aconteça.
É incrível! A gente está na praia e sabe que dentro de pouco tempo um paquiderme do ar vai rasar as nossas cabeças.
Não fui eu que fiz esta filmagem (apesar de também a ter filmado) mas foi a isto que eu assisti e me atemorizou quando vi vir direito a mim um enorme avião que mais parecia não saber onde parar.
A pista começa exactamente no final da areia onde estamos deitados, apenas separados por uma pequena rua.
Este aeroporto fica situado em St Marten, pequena ilha das Caraíbas, sendo que metade da ilha é Holandesa e a outra metade Francesa. O aeroporto internacional Princesa Juliana fica na parte holandesa.
Descobri depois o seguinte:
Reza a lenda que os limites da ilha foram estabelecidos da seguinte forma: De ambos os lados um representante sairia caminhando, onde eles se encontrassem ali seria a linha divisória dos dois lados. Existe ainda uma anedota a respeito deste evento, de que o holandês saiu com uma garrafa de rum e o francês com uma de vinho, razão por que o lado francês é maior (o holandês ficou bêbado mais cedo e caminhou mais lentamente)

5 de Setembro de 2009

Virgem Maria - morou aqui

muro onde se deixam pedidos quase sempre impossiveis


entrada da casa



Viajar é de facto viver. E quando isso acontece vamos descobrindo coisas que nem sequer sabíamos da sua existência.
Localizada no Monte Coressus, algures na Anatólia, fica a casa onde a Virgem Maria viveu alguns anos, pouco antes da sua morte.
Não está em causa a conotação religiosa que tal edifício possa ter com as mentes menos crédulas, mas apenas o conhecimento de algo que nunca me tinha passado pela cabeça vir um dia a descobrir.
Contou-me o guia que:
No século XVIII uma mulher alemã, cega de nascença, chamada Katherina Emmerich, que nunca saiu da sua terra durante toda a sua vida, descreveu a localização exacta desta casa, até então desconhecida, através das suas revelações num livro que publicou - A Vida de Maria, o qual foi lido por uns padres, cem anos mais tarde.
Após algumas averiguações foi reunida uma equipa de forma a revelar a extensão da verdade. A equipa procurou a casa na montanha durante um ano e finalmente quando já cansados bebiam água duma nascente viram a casa, o mar e as ilhas, tal como tinha sido descrito por Katherina.
Na primitiva, a casa era composta de duas pequenas divisões e uma cozinha. Actualmente é uma pequena capela. O mármore preto visível no chão mostra a localização do forno. O carvão encontrado nas escavações datava do século I.
Tudo era demais evidente. O resto … A visão …
Perante tal evidência apenas me limito a dá-la a conhecer!

3 de Setembro de 2009

Éfeso - o sonho continua

uma das largas avenidas e anfiteatro para 25.000 pessoas

casas de banho (latrinas) públicas
avenida principal
ouvindo as explicações do guia
Deusa Nike

Esta é a segunda cidade mais bem conservada da antiguidade. Foi tão sublime aqui ter estado que guardarei para sempre a doce visão deste majestoso olhar do passado.
Éfeso é uma cidade bíblica situada na Ásia, no antigo império persa, actualmente Turquia e ficou profundamente ligada ao cristianismo, pois ali pregaram os apóstolos Paulo e João. Nela habitavam, há dois mil anos, duzentas e cinquenta mil pessoas.
É absorvente ouvir as explicações do guia tão bem documentado. Cada frase é uma descoberta.
Ali encontrei uma curiosidade, que desconhecia. O emblema da famosa marca de artigos de desporto NIKE, foi inspirado num dos folhos das vestes da Deusa Nike (conforme assinalo a vermelho)

Mais do que dissertar a história, aqui ficam alguma fotos dum quentíssimo dia de verão.

31 de Agosto de 2009

Miguel Torga - A descoberta





Nunca li Miguel Torga!
Sei que pode parecer sacrilégio mas ele perdoar-me-á, já que a sua crença divina era bem duvidosa.
Embalado pela paixão que uns nabantinos alcatruzes por ele nutrem, procurei-o quando a tarde já morria.
Tive curiosidade em descobri-lo e saber mais de si, sem ser aquilo que dele se diz.
Apetecia-me descobrir o homem! Começar por ali!
Na sua casa ninguém entra, advertiu-me um velhote. Apenas Ramalho Eanes e Jorge Sampaio lá terão entrado. A filha vive no Porto e não permite que a memória dele seja devassada.
A placa toponímica que identifica a rua onde vivia, apenas refere a data da sua morte, que está errada, pois aconteceu em 1995 e não em 1996, omitindo a do nascimento. O que também não é normal.
Fiquei a saber que Miguel Torga era uma pessoa muito difícil e chata, mas com um coração tão brilhante quanto a sua capacidade intelectual, pois enquanto médico, consultava gratuitamente todos os desprotegidos que dele precisassem.
Sabia que tinha sido seminarista, Adolfo Correia Rocha, médico, escritor e apaixonado pelo Douro e por Cervantes. Mais nada.
Estou perdoado?
Depois de ter cheirado o seu habitat, tentei encontrá-lo no cemitério, o que não consegui, apesar da pequenez do mesmo e da noite que já caía. É que, a entrada deste cemitério de S. Martinho da Anta é feita pela Igreja, com a qual faz paredes meias e está sempre aberto. Poderá parecer mórbida a minha tentativa, mas perdoa-se em nome da cultura.
Julgo mesmo que ele não terá querido que um qualquer desconhecido, ignorante da sua cátedra, o tenha tentado descobrir.
Muito bem! Farei bem melhor se começar a sua descoberta, queimando as pestanas nas páginas que, apesar de tudo, sei tão bem ter escrito.
Na despedida, sentei-me no banco fronteiro à casa, onde tantas vezes cavaqueou com o povo que era o seu e disse-lhe que alguém lhe gostaria de dar um abraço - a Maria dos Alcatruzes!
Ad eternum Miguel!

27 de Agosto de 2009

Alma até Almeida




Acho que o defeito não é de ninguém, mas ...

Ou as casas são pequenas ou eu sou muito grande.
Sei que não somos oriundos dum povo liliputiano, mas o que terá acontecido para se fazerem casas tão baixinhas?
Isto passa-se em Almeida (vila histórica) onde cinquenta por cento das habitações não estão à minha altura. Claro que me refiro à entrada porque nos restante não ouso questionar a beleza das mesmas.
E cada vez gosto mais das coisas pequenas! Ou não fosse eu ainda uma criança!

23 de Agosto de 2009

Férias


Às vezes - um pouco de carinho bem dividido!

Férias! Férias! Férias!

19 de Agosto de 2009

Dia Mundial da Fotografia

Algures em Port au Prince, capital do Haiti, foi captada aquela que foi considerada a melhor foto do ano 2008.

Hoje, Dia Mundial da Fotografia, aproveito para aqui a publicar.

Entre o imaculada cândura dum vestido de criança e a pobreza enlameada de desigualdade humana, venham os críticos e elejam o que parece simples mas que não é.

Não me interesso muito por dias especiais, mas não esqueço que eles existem!
Foi este o mais miserável país que já visitei!
Que se mudem os tempos!

17 de Agosto de 2009

Bi-mãe!


Há imagens que não precisam de texto.
Que ternura!
Mãe é mãe!
Lindo!

14 de Agosto de 2009

Justiça

Apenas para descontrair um pouquinho.


Nem foi preciso advogado!

Um homem foi apresentado perante o juiz e acusado por ter feito sexo com um cadáver feminino.
Disse o juiz:

- Em 20 anos de magistratura, nunca ouvi uma coisa tão nojenta e imoral. Dê-me uma única razão para eu não pô-lo na cadeia!

- Vou lhe dar não uma, mas TRÊS boas razões:

1º) Não é da sua conta;

2º) Ela era minha esposa;

3º) Eu NÃO SABIA que ela estava morta; ela agia sempre assim!


ABSOLVIDO

11 de Agosto de 2009

Alberto Vaz da Silva - Entrevista ao I

No espaço de pouco dias aqui me repito em alusões às mesmas pessoas. Primeiro, Raul Solnado, depois, Alberto Vaz da Silva.
Mas as ocasiões são como as cerejas e não podia deixar passar em branco, a entrevista ontem dada ao Jornal I, por esta sumidade por quem me apaixonei.

Às pessoas amigas, ou não, que aqui me vão suportando, deixo a voz e a presença cósmica que Alberto incute em todas as suas palavras.
A entrevista e o vídeo de Alberto Vaz da Silva!


http://www.ionline.pt/conteudo/17424-alberto-vaz-da-silva-era-importante-ensinar-se-astronomia-nas-escolas---video

10 de Agosto de 2009

Raul Solnado - Um vazio no tempo

Em cima do ataúde estava esta carta que Raul terá escrito há algum tempo.
Fiquei admirado, porque das vezes que falou comigo sobre Deus, nunca percebi a sua relação com Ele.

Um vazio no tempo

Numa das últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que aquele espaço se tratava dum templo grandioso. Quase como um espanto senti uma sensação que nunca sentira antes e de repente uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo adormecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.
Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo.
Aquela vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar e que me deu a esperança de que num tempo que seja breve, me volte a acontecer.
Que esse Deus assim queira!

Raul Solnado

Raul, fala deste mundo ao teu Deus!

Cai o pano!

8 de Agosto de 2009

Raul Solnado - adeus amigo!

Raul, depois duma troca de impressões para Nova Iorque, com o meu filho Bruno

Raul com um dos seus maiores amigos - Júlio César (não havia sardinhas)

Raul e o meu pai, a caminho de mais uma sardinhada


Hoje, 12,30 H. Júlio César telefona-me e com alguma dificuldade diz-me …:
- Kim, o Raul … morreu!
Fiquei perplexo!
Anteontem tinha estado a jantar com o Júlio e quando nos encontramos, acabamos sempre por falar do Raul. Comentei então com ele, ter achado estranho que há cerca de quinze dias o Raul me tenha telefonado dizendo que tinha saudades de almoçar uma sardinhada comigo. Perguntei-lhe se estava tudo bem e como habitualmente respondeu-me que sim, o que não era verdade. Como ele já não guiava, disse-lhe que o ia buscar a casa, mas ele nunca queria incomodar e respondeu-me que na primeira oportunidade apanharia um táxi e aparecia no meu escritório.
Nos telejornais vejo uma entrevista a Carlos Cruz, dizendo que o Raul lhe telefonara há cerca de 15 dias, quase em jeito de despedida, e vem-me imediatamente à memória o telefonema que o Raul me havia feito. Seria o adeus?
Sinto agora que a morte lhe fez o grande favor de o levar. Não suportava ficar à espera que ela chegasse lentamente, como se da vida se fosse libertando.
Toda a gente sabe quem foi Raul Solnado, logo não é preciso fazer a sua apologia, pois disso se encarregarão os escribas de profissão.
No seu aniversário não gostava que lhe dessem os parabéns. Na morte também não gostaria que lamentassem a sua perda.
Já que gostava do lado lúdico da vida, aqui lhe dedico estas fotos que nunca viu.
Tal como ele, também eu sou um brincalhão, logo vou imaginar que nada aconteceu e um dia, lá estaremos noutra sardinhada, noutra dimensão.
No livro da sua biografia, que eu guardo devidamente autografado e com dedicatória, fica a premonição do título
Raul Solnado – A Vida Que Não Se Perdeu!

7 de Agosto de 2009

Alberto Vaz da Silva - Um homem de outro mundo!

Faz hoje setenta e três anos que nasceu, Alberto Mira Mendes Vaz da Silva.
Para quem não conhece esta ilustre figura da cultura portuguesa, apenas lembro que o ora aniversariante é a pessoa mais importante da minha vida extra-familiar.
Conheci-o na minha idade da puberdade. Descobri-o quando comecei a viver. Senti a sua real presença quando o exílio me albergou.
Acompanhou-me pelos corredores da descoberta e deixou em mim marcas que o tempo não apagou nunca.
Eu fui crescendo e Alberto ficando com mais idade, mas nunca envelheceu.
É hoje ainda um sonhador que vê nas estrelas a sua morada de amanhã.
Alberto anseia pelo dia em que ultrapassará a fronteira da matéria e a chegada aos confins duma imaginária galáxia.
Um dia, que espero longe, lá nos encontraremos e diremos o que não dissemos, desde os primórdios do encontro, até à consumação dos séculos.

O Jornal I, talvez o melhor diário da actualidade, está a publicar aos fins de semana uma extensa entrevista com 25 grandes personalidades portuguesas. Alberto é uma desses entrevistados. Quem estiver atento, até on-line, poderá consultar o jornal e descobrir uma pessoa fantástica de outro mundo.
Alberto Vaz da Silva - é obrigatório falar-se dele!
Parabéns amigo, mentor dos meus olhares!

5 de Agosto de 2009

Rui Patricio - herói hoje, amanhã talvez!

Toda a gente sabe que eu sou benfiquista. Nos bons e maus momentos. No entanto há coisas que não se explicam. Acontecem.
É que sendo eu encarnado, fazia todo o sentido que desejasse a derrota dos verdes, azuis, amarelos, pretos, sei lá. Mas nem sempre assim é.
Não é por patriotismo nem por falsa modéstia, mas dou comigo a torcer sempre por equipas, primeiro portuguesas, depois onde joguem amigos meus, desde que não estejam em campo contra o meu Benfica, como é óbvio.
Pois bem, não esperava nada hoje, elogiar o meu amigo Rui. Não só porque o Sporting não esteve à altura daquilo que é habitual jogar, mas também porque durante o jogo não mostrou as suas garras. Acontece com todas as equipas, terem dias menos felizes, mas hoje …
O Rui, picado por qualquer bichinho, nos segundos finais do jogo de hoje contra os holandeses, arrancou em direcção à baliza contrária e, na marcação dum canto, cabeceou para o fundo da baliza. A bola ainda tocou num adversário mas o obreiro do golo foi efectivamente ele. Foi a salvação do Sporting, logo terá direito a uma ou outra fífia em jogos futuros.
Julgo que terá sido o primeiro golo dele, enquanto guarda-redes.
Achei lamentável a atitude dos comentadores que não precisavam de passar o jogo todo a lamuriarem a noite menos boa dos verdes, mas já vamos estando habituados a este tipo de atitude, também com o Benfica.
Mas hoje, o que eu quero é dar um grande abraço ao Rui. Pela atitude. Pelo inconformismo e sobretudo pelo encaixe de adjectivos com que um guarda redes é presenteado, quando as coisas correm menos bem.
Rui, amanhã pagas tu o pequeno almoço! A seguir paga o Júlio (também leão)!


Parabéns a todos os verdes meus amigos! Parabéns Sporting! Parabéns Rui!

3 de Agosto de 2009

Tony Teixeira - o meu rico amigo!

Tony Teixeira e o grande campeão brasileiro Felipe Massa



Hoje, ao passar os olhos por uma revista, li uma pequena notícia sobre um amigo que não vejo há tempos. Daí até trazê-lo para aqui foi apenas um clicar de teclas.

Tony era um puto muito simpático que eu costumava provocar, pois ele era um reguila nato.
Eu era já um homem e Tony uma criança, pois dez anos nos separavam. Sempre tive a mania de fazer uns truques ou habilidades aos putos, pois são eles os homens de amanhã e ele não fugiu à regra.
Pois bem, este puto de que vos falo, é hoje um multimilionário, falado em todo o mundo pela sua ligação à Fórmula 1.

Nascido na Amadora, filho de transmontanos, emigrou com seus pais para a África do Sul. Tinha então 15 anos.
Bem cedo se iniciou nos negócios tendo começado por fundar uma empresa de transporte de mercadorias terrestres. Dois anos depois era já o maior transportador do país. Tem negócios em 75 países e emprega 16.000 trabalhadores.
Actualmente é Presidente de várias empresas e da A1 Grande Prémio.
Prepara-se para construir em Portugal uma fábrica de automóveis monótipo e pondera adquirir uma equipa de Fórmula 1.
A última vez que estive com o Tony, poderia ter alterado o rumo de muita coisa. Ele pediu-me para eu tentar adquiri-lhe um enorme terreno no Algarve. Assim fiz. Meti-me a caminho, mas dada a complexidade da burocracia que envolvia o referido terreno, o projecto não teve pernas para andar.
E como em todas os contos de fadas, há sempre um lado lúgubre da “estória”.
É que este multimilionário sofreu, há dez anos, um rude golpe quando um tio seu se suicidou por ter dificuldades financeiras.
Tony nunca soube das dificuldades do tio que até então tinha tido uma vida desafogada. Sei bem que Tony lhe teria resolvido o problema, pois além dum grande coração tinha também por ele um apego enorme.
Esse tio, o meu grande amigo Xico Teixeira, irmão de seu pai, suicidou-se, porque … não tinha dinheiro.
Numa fase complicada da sua vida, o Xico escolheu o caminho mais fácil ou … mais difícil(?)

Que pena Tony, não adivinhares o que se passava a seis mil quilómetros de distância e o orgulho que ele tinha de ti!
Gostei de te lembrar, puto reguila!

31 de Julho de 2009

Leonard Cohen - Tiro-te o meu chapéu!








A noite passada, no Pavilhão Atlântico, Leonard Cohen cantou, encantou, arrebatou.
Predominava uma geração cinquentenária, salpicada aqui e acolá, por outra de gente acabada de chegar à idade adulta. A meu lado um jovem só, anelado na orelha por uma meia lua de prata, parecia sentir-se fora do contexto
O Pavilhão rebentava de ânsia e de espaço.
“Dance me to the end of love” foi apenas o começo. Depois foi um chorrilho de canções de amor e de incentivos à paz.
O seu rosto cheio de esgares de raiva, escondido pela penumbra dum alcapónico chapéu, reflectia afinal ternas palavras de amor. Foram três horas de cumplicidade com o público do seu tempo
Na segunda parte, o bilingue Cohen não parou de fazer parecer que ia acabar o espectáculo. Cada canção era uma despedida e um hino ao bruá da multidão.
Duma postura irrepreensível, Cohen teve a coragem de dar espaço aos seus músicos, já que, individualmente todos tiveram direito a uns minutos de glória. E que músicos! Acima de tudo era um senhor de se lhe tirar o chapéu que estava à minha frente.
Le Partizan, Aleluia, Suzanne e Dance me to the end of love, tocaram-me particularmente, pois, a primeira vem ainda dos meus tempos de vivência em Paris, há quatro décadas, e as outras das minhas fases românticas que se lhe seguiram
A sua quente e doce voz murmurou no adeus:
- Tento deixar-vos , mas …
So long Marian! I’m your man!
Leonard – tiro-te o meu chapéu!

29 de Julho de 2009

Adoro galinhas




No prato, na canja, no churrasco, na capoeira, na empada e até na secretária e na cama. Que gostos esquisitos eu tenho!
E vá-se lá perceber por que razão eu gosto tanto de galinhas!
Fazendo uma introspecção começo a pensar que o único momento em que eu não gosto mesmo das ditas, é quando todas cacarejam em uníssono sem que o galaró meta a colherada. Não que tenha algo contra as galináceas, antes pelo contrário, como atrás já confessei. O cacarejar é que fere um pouco os meus já gastos ouvidos. De resto, adoro a melodia.
E assim, a modos que, como diria o diácono Cícero, cai-me na canja uma rechonchudíssima pernambucana galinácea.
Está agora em cima da minha secretária, onde faz as delícias de todos os galos que nem sempre conseguem descer do seu altaneiro campanário. Às vezes – eu incluído!
Obrigado Spuk, por esta prendinha vinda lá dos “Brasis”. É que a Spuk, cada vez que vem a Portugal traz sempre na bagagem uma recordação para mim e outra para o JC.
Pela parte que toca aos dois, o nosso obrigado pelos presentinhos.
JC – tens uns CDs e DVDs à tua espera!

27 de Julho de 2009

Não interromper!


O Joãozinho achou tão excitante o que tinha visto que não se conteve e correu para casa contar à mãe, o que tinha visto ... .
- Mãe, mãe, eu estava no pátio da escola, quando vi o carro do pai ir para o bosque com a tia Lídia. Fui atrás para ver e o pai estava a dar um grande beijo na tia Lídia ... depois ele ajudou-a a tirar a blusa, depois a tia Lídia ajudou o pai a tirar as calças e depois a tia Lídia...
Nesse ponto, a Mãe interrompeu-o e disse :
- Joãozinho, essa é uma história tão interessante, que vais guardá-la para contar à hora do jantar!.... Quero ver a cara do pai, quando lhe contares tudo isso à noite.
Ao jantar, a mãe pediu ao Joãozinho para contar a história.
- Eu estava a brincar no pátio da escola quando vi o carro do pai ir para o bosque com a tia Lídia. Corri para ver. Ele estava a dar um grande beijo à tia Lídia. Ajudou-a a tirar a blusa e a tia Lidia ajudou o pai a tirar as calças e depois a tia Lídia e o pai começaram a fazer as mesmas coisas que a mãe e o tio Jacinto faziam, quando o Pai estava na tropa!
A Mãe desmaiou!
Moral da história : Às vezes - é preciso ouvir toda a história, antes de a interrompermos...
... e às vezes - também eu tenho a mania de interromper!

25 de Julho de 2009

Medalha Osvaldina


Começaram a ser distribuídas as primeiras "medalhas osvaldinas" comemorativas do Encontro de Tabuaço.
Trata-se duma medalha em prata com uma emissão limitada a quinhentos exemplares, em versão proof.
O desfolhar de Setembro encarregar-se-á de ser o arauto do evento.
Até lá!

C'est en Septembre ...

22 de Julho de 2009

Mãe - Deixa-me chorar-te!

Farias hoje mais um aniversário.
Pegar-te-ia ao colo para te elevar tantas as vezes como tu o fizeste comigo.
Beijar-te-ia com a ternura que te não deram.
Abraçar-te-ia mesmo que braços eu não tivesse.
Choraria por ti quando te secassem as lágrimas e …


Lembro-me cada vez mais dos teus conselhos e do que recordávamos da tua juventude. Das coisas que me contavas quando atravessavas a vida. Dos Invernos gelados em que me aquecias as noites. Do anoitecer quente de Agosto em que aninhava a cabeça no teu regaço, sentados na granítica laje da entrada da casa da avó. Da tua mão a afagar-me os cabelos até ao adormecer. Dos figos que a frescura da manhã nos oferecia quando despertava um dia mais. Da melancia que devorávamos aos molhos, qual harmónica bem soprada. Da pequena sesta a que a canícula nos obrigava. Das férias na Beira ao findar do dia, descalços, regando o milho e sentido a frescura da água do poço nos beijar os pés.
E depois … da saudade em que a minha ausência, no meio do mundo, te afundou. Da distância madrasta que proibia os nossos beijos. Da esperança mútua do meu regresso um dia.
Dos teus olhos azuis, rivais dos céus. Da manhã malvada que te roubou o riso e apagou a alma.
Julgava ver-te envelhecer. Pensava seres eterna e por ti eternamente me repetirei.
E sei que me espreitas por detrás dum véu que um dia cobrirá os dois!
Parabéns Ana! Parabéns mãe, mas ...
Queria tanto ter-te aqui!

20 de Julho de 2009

Dubrovnik - A Pérola do Adriático

A fortificada cidade

Primeira fonte, estátua no feminino, conhecida em tal pose.

Rua Principal
Parece Alfama
Dubrovnik - a Pérola do Adriático, como Lord Byron a apelidou um dia, é uma lindíssima cidade da Croácia e fica localizada no sul da Dalmácia.
Parece uma cidade de bonecas e as suas estreitas ruelas deixam adivinhar a razão pela qual tantos foram os países invasores.
Fundada quinhentos anos antes de Portugal, a Croácia já esteve sob o domínio do Império Bizantino, da República de Veneza, da Hungria, da França, da Itália, da Alemanha e da Jugoslávia.
Em 1991 foi bombardeada pelo exército jugoslavo e logo reconstruída pela Unesco.
Nem fazia ideia que esta apetecível estância balnear fosse tão desejada e martirizada.
Pelo que representa para a história é considerada património da humanidade, pela Unesco.
Lá voltarei um dia!