12 de março de 2007

O Zeca



Desapareceste precocemente, e por certo não te lembras deste pessoal que a vida foi poupando.
Resolvi hoje trazer-te até eles, sabendo que poucos se lembram de ti.
Não tenho nada para dizer, porque vamos falando todos os dias. Não tenho novidades para contar, porque sabe-las todas.
Hóspede permanente do meu pensar, faltas-me, nas viagens que escondi, nos copos que não bebi, nas mulheres que não amei.
Eras o meu ponto de encontro dos caminhos que levavam a lado nenhum. Eras o amigo desfasado deste pequeno burgo. Eras, Zeca.
Quando passar por Paris, sei que vou encontrar-te numa qualquer corrida em Longchamp entre um “tiercé” falhado e um pónei campeão.
O segundo andar esquerdo do número cinco da Pedro Franco, guarda ainda a tua auréola e não resisto, ao passar aquela porta, a dar-te um longo abraço.
Trinta e três anos de passagem por este caminho, foram muito poucos, para os que merecias trilhar.
Passou já um quarto de vida, quando o teu olhar entristeceu no cais da Gare du Nord, penando por me não seguir.
Ver-nos-emos um dia, no almoço anual, do pessoal lá do burgo
.
À bientôt, mon ami!

2 comentários:

cristina disse...

Suadade, Quim?!
Bom dia, abraço.

Jose Romano disse...

Era um dos putos da minha rua no meu tempo de jovem.Lembro-me perfeitamente do Zeca.Era uma geração a seguir à minha.O Quim,oZeca,o Zuca,O Zé Luis,oBicho,o Seve,o Pinto,o Alberto,o Camacho etc.Com certeza me vou esquecer de outros tantos, mas ,o que é certo,é que já era,um grupo promissor .Que bom tê-los conhecido