9 de março de 2007

O verdadeiro Romano




Os tempos do Rock and Roll, despediam-se da juventude, quando uma rajada do destino o levou para lá da savana.
A metralha sibilava aos seus ouvidos, como Elvis o fizera nos Alunos da Apolo. A raiva que lá ficou, só foi atenuada pelas “girafas” bem bebidas e pelas futeboladas de lesa pátria.
Como o tempo tem um tempo, regressou a tempo de perceber que o seu tempo, não tinha mais tempo.
Deambulando numa colectividade, onde já não conhecia ninguém, reencontrámo-nos, primeiro, em questiúnculas ping-ponguistas, que nos sonegaram algumas horas doutros lazeres, depois, parceiros em equipas, de rebimba o malho.
Depois, foram três dezenas de anos a pontapear o entorpecimento e a passear a classe que a nossa limitação condicionava, nos pelados de recônditos vilarejos, e de jantaradas práfrentex, que a imaginação permitia.
Teimei sempre em mantê-lo na minha equipa, porque esta era feita de amigos fiéis e não de craques recalcados pelo insucesso dum futuro brilhante. A não ser assim, e estaria eu de saída, já que o elo mais fraco rondava por estas bandas.
Há poucos anos, fomos, recontar “estórias” e descobrir a majestosa solidão nos cumes dos pirinéus franceses e ficámos mais ricos com a experiência vivida.
A amizade aumentou com a cumplicidade que os nossos filhos geraram entre si. Havíamos passado para eles o desejo do que não fôramos.
Hoje, não dispensamos encontros periódicos, glosando o nosso trajecto, por dá cá aquela palha.
José Maria! Zé Romano!
Espero por ti no rejeitar da bengala.

4 comentários:

cristina disse...

Bom fim de semana a toda a familia.
Abraço.

Rui Salvador disse...

O Senhor Romano. Mais um dos indivíduos a que nós os putos, da minha geração, chamávamos de Sr., porque nos conheciam desde pequeninos. Ainda hoje tenho dificuldade em tratá-lo por Tu.
Abraço e bom fim-de-semana.

Anónimo disse...

Para o Zé e para a Mariana um grande beijinho e obrigado pelo bacalhau, eh ,eh...
Bruno

PS: Para a próxima pode ser um churrasco, cá ou lá!

Anónimo disse...

Curiosamente comecei a conhecer o Zé Romano, (já com a irmã dele debaixo de olho) quando, era eu ainda um puto de 14/15 anos (teria ele 20/21) e, num início de sábado à tarde me convidou para ir com ele a Benfica comprar uns sapatinhos de veludo (não estou a brincar-era mesmo veludo preto por cima) obviamente com a respectiva sola finíssima, e não é que fomos a pé até Benfica, ou melhor quase até Sete Rios porque a sapataria ficava quase em Sete Rios, em frente a um café/pastelaria que se chamava (não me lembro agora o nome-é o título de um filme prognatizado pelo Omar Shariff), é ainda depois do CCFonte Nova e depois do célebre café Califa.
Obviamente que eram sapatos de dançarino (grande dançarino) e que vieram na respectiva caixa de sapatos que dava sempre jeito para guardar as linhas e outras bugigangas. Devo dizer que o Zé Romano era assim uma espécie de Patrick Sweeze (do Dirty Dancing) dos anos sessenta.

Seve