23 de outubro de 2007

Amsterdam - 7

Chegado ao local, constatei tratar-se duma tipografia totalmente especializada em material pornográfico, o que era perfeitamente normal e legal naquele país.
Perguntaram-me em holandês, algo que não entendi. Entreguei o envelope que me foi dado na agência e esperei.
Depressa as ilusões caíram por terra. A vaga estava preenchida havia dois dias e só por lapso a agência me poderia ter indicado aquele emprego.
Desiludido mas decidido, regressei pela mesma via, vingando–me no conteúdo do resto do saco.
Tenho todo o tempo do mundo e o parco pecúlio que ainda me resta terá de esticar, logo, mais uma caminhada no regresso não me fará nada mal. Afinal andava à descoberta da cidade, portanto era um trabalho de pesquisa. Vistas as coisas desta forma, o alento subia.
Cansado de falar comigo, fui regressando e olhando, agora com mais calma.
Seriam duas horas da tarde quando voltei à agência. A italiana feiota, que agora me atende, não é a mesma do dia anterior.
Explicada a minha aventura de não ter sido colocado na tipografia, porque a vaga estava preenchida, um telefonema para um lado e outro para outro, resumiram o nosso diálogo a um simples sorriso à laia de desculpa.
Consultou o ficheiro de clientes, anuiu com a cabeça e respondeu:
- As nossas desculpas pelo sucedido! Foi um lapso tremendo e garanto-lhe que não volta a acontecer. Vamos já resolver o problema, aguarde um pouco!
Alguns minutos depois, entrega-me um pequeno papel com nova morada e algum dinheiro que já não lembro quanto.
Fico incrédulo! Não entendo o porquê daquela paga!
A feiota italiana explica-me então que aquela verba correspondia a um dia de trabalho, mais o pequeno almoço e ainda o preço dos transporte de ida e volta para a tipografia.
Como eu via mal, meu Deus! Mr Urgens – bicha! A italiana – feiota!
Como é que uma pessoa que acaba de me entregar uma quantia que em situação de racionamento me daria para viver largos dias, pode ser feia? Qual feia, qual carapuça! Era linda, a mulher! Linda, de morrer!
E ainda por cima pede desculpa e coloca-me noutra empresa!
Sem o ter percebido, estava garantida a minha sobrevivência nos tempos vindouros.

4 comentários:

Anónimo disse...

O pessimista queixa-se ao vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.

(Não sei o autor)
Imagino que com a sorte dos ventos e algum acerto asseguraste os dias seguintes.

Isabel

Anónimo disse...

Ainda agora acabei e já quero mais.Isto dava para fazer daqueles folhetins com a Olga Cardoso na rádio.Beijinhos da Maria

Rui Salvador disse...

É também por isto, Mestre Kim, que uns países são belos e outros são muito feios.
Será que naquela altura fariam o mesmo cá em Portugal?
Se pudesse, enviava cumprimentos à bela senhora italiana.

Pantas disse...

Eu tinha ficado chateado de não ter conseguido o Emprego na tal Tipografia.. Que querem ?!? Gostos... :):)