29 de outubro de 2010

Pravda - o jornal de qual povo?

A exemplo de toda a imprensa tendenciosa, seja ela qual for, nunca me dei bem com o Pravda e parece que o Pravda também nunca gostou muito de mim, mas como os tempos são outros, não resisto a transcrever o artigo que se segue, até porque a minha opinião sobre toda a classe política (devo estar doente) coincide com a ora exposta por este jornal.
É a primeira vez que publico um artigo tão longo, por achar que para quem tiver paciência, o vale a pena ler.
Pravda = Antigo jornal do Partido Comunista da União Soviética
Pravda.ru = Actual jornal da Rússia, especializado em denegrir o Ocidente

Fonte: Pravda.ru


Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo liberal de José Sócrates. Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.
E não é por eles serem portugueses. Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão.... e à Austrália.
Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde anos 80.
O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê?
Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?
Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente, controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.
Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?
Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e apavorada com a Alemanha depois das suas tropas invadiram o seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. A França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.
E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de que país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.
Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da direita) e PS (Socialista, do centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas!!), a troco de quê?
O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza numa base sustentável?
Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram biliões de euros através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.
A sua "política de betão" foi bem idealizada mas, como sempre, mal planeada, o resultado de uma inapta, descoordenada e, às vezes inexistente no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.
Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.
Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini, Maserati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem.
Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.
E ele é um dos melhores?
Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanista, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, "Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com o seu discurso do que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha. Resultando em dois mandatos de José Sócrates, um ex-Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado pelos interesses instalados.
Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares (???) de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).
E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.
O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:
Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).
Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%).
Concordo com o sacrifício (1%)
Um por cento! Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão.
Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem os resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar!!
É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de rating, que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.
Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo de Portugal ao PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado com as suas ideias e propostas.
Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.
Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido assimilados há séculos pela Espanha.
Que convidativo, o ditado português "Quem não está bem, que se mude". Certo, bem longe de Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política abominável.

Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru

20 comentários:

Laura disse...

Ora viste? Tiro-lhes o meu chapéu!
Posso ser um zero à esquerda para entender política, mas vejo por onde andamos quem éramos e em quem nos tornamos!
É incrível como o poder da História nos mudou ao longo dos anos, e como somos olhados agora!

Imagino os nossos antepassados, guerreiros e homens dal'ém mar a olhar com mágoa para o tanto que conquistaram e o que já se perdeu!

Só lamento que os Homens que fazem falta ao País, não apareçam nesta hora em que quase estamos com o cutelo no pescoço!

Os carros de marca, as vaidades, enfim, tudo o que estragam, falta a ordem e lei nesses projectos... Claro que nada disso seria aprovado, nem viagens, nem almoços festas e gastos tremendos em Eleições, propaganda, papeis que só sujam o País...

Mas, quem sou eu e quem somos nós para mudar isso?

Já lá vai o tempo em que se cantava que o Povo unido jamais será vencido. Bonito slogan que ficou desde sempre nas prateleiras. É hora de sairmos à rua e voltar a inventar trabalho, um lar para todos e PÃO! e sossego para cada cidadão!

Gostei de ler, o jornal só diz a verdade. Sempre senti que seria mau juntarmo-nos
a esses bandalhos todos que compunham a União Europeia..só foi bom para quem pode roubar como o faz, e o Povo? O Povo que continue a carpir...

Abraço apertadinho.. o Zé do canito deixou convite no resteas, é o mesmo mas actualizado.

mais beijinhos da dolce

Anónimo disse...

A teta nacional

“Existem cerca de 14 mil instituições que estão no
Orçamento de Estado. 13.740 entidades que recebem
dinheiros públicos — 365 institutos públicos, 639 fundações,
343 empresas públicas, 87 parcerias público privadas…”
(José Cantigas, economista, num debate organizado
pela Ordem dos Economistas, 21 Setembro).

XL

Osvaldo disse...

Kim;

E bammm... não compreendo russo, não leio russo, conheço alguns lugares da Rússia, não me identifico com o Pravda, gosto de alguns lugares gosto do povo (o verdadeiro), não gosto da outra parte inculta e quando olho para o legado cultural que foi deixado e infelismente desvastado em que apenas restam 20/% do seu total do final do século XIX, compreendo a cultura dos lideres da Revolução. A Rússia regrediu um milénio em apenas 3/4 de século.

Mas, bom... ainda tenho por lá alguns amigos e dos bons.

Grande abraço.
Osvaldo

Teté disse...

Vou ser sincera: concordo com toda a análise, assertiva mas corrosiva, excepto na parte de voltarmos a ser uma província de Espanha! Sei lá, se calhar até há alguns tugas que assim o entendam, mas duvido que seja a maioria... Além de que já foi experimentado há uns séculos atrás, e o resultado foi muito negativo para o país!

Se não fosse um assunto tão sério, até seria de rir destes palhaços que nos governam há 3 décadas!

Beijinhos e bom fim de semana, Kim!

Parisiense disse...

Quanto á revolução ( a deles)!!!!:(:(....ou a história deles....poucos bons exemplos tem para nos dar lições....:(:(
Mas até que dizem algumas verdades, sobre o estado deste país....ou dos que o tem governado....!!!!

Mas mesmo assim desejo-te um excelente fim de semana e se quiseres castanhas quentinhas, já sabes onde ir....:):)

Beijokitas

Laura disse...

Quem falou em castanhas quentinhas? e logo numa sexta feira chuvosa, alinhas Kim; vamos prá parisiense, ela tem lareira, geropiga ou pinga da boa, doce, água pé, vamos lá...

Ao menos esquecemos como a nossa terra vai de mal a pior.

beijinho da dolce.

Andre Moa disse...

Nunca pensei ler o «Pravda». Só tu, amigo Kim me levarias a tanto. E levaste. eheheheheheheh
Abreijos
André Moa

Anónimo disse...

As pessoas são livres de defender o capitalismo e atacar a revolução socialista o contrário é apenas “tolerado”, mascarar a realidade histórica, é batota.



A RÚSSIA ANTES DE 1917

Em 1894, subiu ao trono russo o czar Nicolau II. Desde o século XVI, o país era uma monarquia absolutista. A nobreza era proprietária de 25% das terras cultiváveis do país, e a grande maioria da população - mais de 80% - estava ligada direta ou indiretamente à terra.

As condições de vida da maior parte dos camponeses eram péssimas. Em geral, eles habitavam moradia precária e sem ventilação. Alimentavam-se basicamente de pão preto, batata e torta de farinha de milho. Nas aldeias raramente havia escolas, e a maior parte da população era analfabeta.

No plantio e na colheita eram usados instrumentos agrícolas antigos, como o arado de madeira e a foice. Apenas em algumas grandes propriedades adotava-se uma tecnologia moderna, que permitia o aumento da população.

Nas cidades, a vida não era muito diferente da do campo. Em 1838, uma investigação feita pelo Conselho Municipal de Moscou, abrangendo milhares de casas dessa cidade, mostrou que grande parte da população vivia em péssimas habitações:

"... As escadas que conduzem aos sótãos, onde o povo reside, estão cobertas de toda espécie de imundície. As próprias habitações estão quase cheias de tábuas sujas sobre as quais se estendem colchões de palhas pestilentos, tendo os cantos tomados pela porcaria. O cheiro é desagradável e asfixiante".

Com uma economia essencialmente agrária, a Rússia tinha poucas indústrias; a maior parte dela pertencia a proprietários estrangeiros, principalmente franceses, ingleses, alemães e belgas. No começo do século XX, um russo descrevia assim as condições de vida dos operários:

"Não nos é possível ser instruídos porque não há escolas, e desde a infância devemos trabalhar além de nossas forças por um salário ínfimo. Quando desde os 9 anos somos obrigados a ir para a fábrica, o que nos espera? Nós nos vendemos ao capitalista por um pedaço de pão preto; guardas nos agridem a socos e cacetadas para nos habituar à dureza do trabalho; nós nos alimentamos mal, nos sufocamos com a poeira e o ar viciado, até dormimos no chão, atormentados pelos vermes..."

XL

Anónimo disse...

As pessoas são livres de defender o capitalismo e atacar a revolução socialista o contrário é apenas “tolerado”, mascarar a realidade histórica, é batota.



A RÚSSIA ANTES DE 1917

Em 1894, subiu ao trono russo o czar Nicolau II. Desde o século XVI, o país era uma monarquia absolutista. A nobreza era proprietária de 25% das terras cultiváveis do país, e a grande maioria da população - mais de 80% - estava ligada direta ou indiretamente à terra.

As condições de vida da maior parte dos camponeses eram péssimas. Em geral, eles habitavam moradia precária e sem ventilação. Alimentavam-se basicamente de pão preto, batata e torta de farinha de milho. Nas aldeias raramente havia escolas, e a maior parte da população era analfabeta.

No plantio e na colheita eram usados instrumentos agrícolas antigos, como o arado de madeira e a foice. Apenas em algumas grandes propriedades adotava-se uma tecnologia moderna, que permitia o aumento da população.

Nas cidades, a vida não era muito diferente da do campo. Em 1838, uma investigação feita pelo Conselho Municipal de Moscou, abrangendo milhares de casas dessa cidade, mostrou que grande parte da população vivia em péssimas habitações:

"... As escadas que conduzem aos sótãos, onde o povo reside, estão cobertas de toda espécie de imundície. As próprias habitações estão quase cheias de tábuas sujas sobre as quais se estendem colchões de palhas pestilentos, tendo os cantos tomados pela porcaria. O cheiro é desagradável e asfixiante".

Com uma economia essencialmente agrária, a Rússia tinha poucas indústrias; a maior parte dela pertencia a proprietários estrangeiros, principalmente franceses, ingleses, alemães e belgas. No começo do século XX, um russo descrevia assim as condições de vida dos operários:

"Não nos é possível ser instruídos porque não há escolas, e desde a infância devemos trabalhar além de nossas forças por um salário ínfimo. Quando desde os 9 anos somos obrigados a ir para a fábrica, o que nos espera? Nós nos vendemos ao capitalista por um pedaço de pão preto; guardas nos agridem a socos e cacetadas para nos habituar à dureza do trabalho; nós nos alimentamos mal, nos sufocamos com a poeira e o ar viciado, até dormimos no chão, atormentados pelos vermes..."

XL

Anónimo disse...

continuação

UM CLIMA EXPLOSIVO

Os problemas internos da Rússia se agravaram ainda mais após a guerra Russo-Japonesa (1904-1905). A origem do conflito foi a disputa entre os dois países por territórios na China e por áreas de influência no continente. A derrota ante os japoneses mergulhou a Rússia numa grave crise econômica e aumentou o descontentamento de diferentes grupos sociais com o czar Nicolau II. Começaram a ocorrer greves e movimentos reivindicatórios, duramente reprimidos pela polícia czarista.

Num domingo de janeiro de 1905, trabalhadores de São Petersburgo, então capital do Império Russo, organizaram uma manifestação para entregar a Nicolau II um documento em que reivindicavam melhores condições de vida e melhores salários. Uma multidão de cerca de 200 mil pessoas, entre elas crianças e mulheres, dirigiu-se ao Palácio de Inverno, residência do czar. As tropas do governo, que estavam de prontidão, receberam os manifestantes com tiros de fuzil.

O incidente, que ficou conhecido como Domingo sangrento, provocou conflitos em toda a Rússia.

Tentando diminuir as tensões sociais, o czar criou a Duma, espécie de Parlamento. Contudo, os deputados eleitos das quatro primeiras dumas foram de tal maneira pressionados pelo czar que pouco puderam fazer.

Esse ambiente contribuiu para a difusão e a aceitação das idéias socialistas - sobretudo as elaboradas pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engels - entre os movimentos sociais russos. Assim, essas idéias se tornariam a base da Revolução Russa.

Em 1905, surgiram os sovietes de trabalhadores, conselhos que se encarregavam de coordenar o movimento operário nas fábricas. Os sovietes teriam papel decisivo na revolução de 1917.

XL

Green Knight disse...

Quanto mais discutirmos o sistema, mais adoramos os crápulas do Universo.
Seria mais simples e mais fácil, procurar a felicidade, com base no respeito e amor pelo próximo com valores humanos.
Concerteza, que haveriam sacrifícios e permutas mas em proveito próprio.
Um abraço
jrom

JE VOIS LA VIE EN VERT disse...

É uma boa análise da situação em Portugal. O espião fez um bom trabalho e conhece bem Portugal. Agora, ele também podia fazer uma análise ao seu país, politicamente e financeiramente.
Nunca estive na Rússia mas duvido que as pessoas vivem numa boa... O Leo e eu estivemos uma vez na embaixada como convidados e mesmo assim, não nos sentimos bem à vontade porque cada vez que passávamos uma porta ela fechava-se sozinha atrás de nós com um "clac" ensurdecedor e não se abria de novo por dentro.
Agora, parabéns, Kim, não sabia que lias o russo ! mais uma faceta que descubro em ti ! LOL
Bom FDS prolongado ! Não se pode dizer que está tempo para ir passear lá para as praias...
Verdinha

Kim disse...

Amigo XL
Certamente é tudo verdade o que dizes, no entanto parece-me que assim era em todo o mundo e não Rússia.
A monarquia era a forma tradicional de governação, até entre os indígenas.
Na própria Europra Central, então bastião central da riqueza, as coisas não eram diferentes. Não havia comunismo nem socialismo.
Uma coisa é a luta por uma igualdade entre os homens, que sabemos ser impossivel, outra é a luta pelo poder por gente que proclama esse direito e ao mínimo descuido limpa lado o sebo ao camarada do lado.
Sabes bem que a história é farta em casos destes.
FAÇAM O QUE EU DIGO, NÃO FAÇAM O QUE EU FAÇO. Éste é o lema de muitos socialistas e quejandos.
Não é o teu caso, eu sei e quanto mais me bates mais eu gosto de ti.
Abraço

Laura disse...

Só para saberes, desde menina que tinha um terror aos Russos que nem te digo. Ou era pelo que já ia lendo nos jornais, mas era cá um medo...

Li muitos livros sobre a Rússia, os czares e a sua forma de tratar o povo, ainda hoje o fazem, claro que não sai de lá! e claro que sabem tudo dos vizinhos do lado!
Todos os Países têm os seus podres mas para mim os mais podres são a América e a Rússia Cuba tão oprimida...

E quando o submarino afundou (mar de Brent)apesar do mar bravio, da força do vento, algo se fez, pediu-se ajuda aos outros países? pois não, são orgulhosos e assim lá ficaram aqueles pobres rapazes...

Russos nem vê-los!

Beijinho da laura

Anónimo disse...

Amigo Kim

Eu não defendo a igualdade, porque isso não existe, tudo é diferente, incluindo os homens.
O que nos separa é uma concepção diferente do mundo.
Eu continuo a pensar que o capitalismo não é o fim da história e que sendo melhor que o feudalismo é pior que o socialismo.
Para ti a luta por uma maior justiça entre os homens só é possível dentro do sistema actual, uma evolução sem ruptura, no quadro das democracias burguesas da Europa e EUA.
Penso que da mesma forma que a burguesia foi capaz pela via revolucionária derrotar o feudalismo tomar o poder e desenvolver o seu capitalismo contemporâneo. Também os produtores assalariados, não pelo parlamentarismo, mas pela via revolucionária, serão capazes de derrotar a burguesia , abolir os meios de produção privados, desenvolver a propriedade colectiva , construir o seu estado social e assim distribuir a riqueza produzida de uma forma mais justa. Pode durar séculos para acontecer. Pode.
Com a decadência do Império Romano o feudalismo predominou na Europa durante a Idade Média até por volta do século XV.
Há quantos séculos a burguesia iniciou a luta contra os senhores feudais? Foi uma longa caminhada.
A revolução Russa foi derrotada, outras se seguirão.
Um abraço companheiro.

XL

Andre Moa disse...

Caro XL,
Espero que o nosso amigo comum, o Kim, o gestor (para não dizer o proprietário, que soaria a capitalismo eheheheh) deste blogue, pois desejo colocar a si e aos demais como pontos de reflexão, o seguinte:
1 - A experiência da União Sociética não foi uma experiência socialista. Não passou de uma oligarquia de gente sem escrúpulos que dizimou e afastou brutalmente mesmo os seus apaniguados mais bem intencionados e nada agarrados ao poder.
2 - A revolução russa foi derrotada (por quem?) ou implodiu?
3 - Não se constrói um homem novo e uma nova sociedade à martelada e à picareta na cabeça de quem não concorda connosco, apesar de imbuído dos ideais que os líderes soviéticos diziam defender, mas não seguiram.
Quem esmagou a bela experiência que muitos e bons frutos poderia ter trazido para uma humanidade socialista futura da Primavera de Praga??
Quem esmagou o povo Húngaro quando tentou seguir uma via socialista, embora diferenciada dos soviéticos?
Quem endeusou os líderes? Quem cortou o pio a toda a gente, nomeadamente à classe operária?
As respostas são óbvias pelo que me dispenso de as dar ou esperar por elas para concluir:
como lamento a experiência soviética, única e exclusiva culpada (seguida de perto pelos chineses)do fracasso socialista e que atrasou a luta que defende e que eu desejo e prevejo como inevitável) por umas boas centenas de anos. Roma e Pavia não se fizeram num dia, meu caro. É preciso calma, paciência, humildade, determinação e persistência. E amar e compreender o povo. E fazer crescer um estado com o povo, pelo povo e para o povo. E não esquecer nunca: é pela educação e pela liberdade que lá chegaremos, com inteira e consciente adesão do povo.
Saudações socialistas.
Abreijos
André Moa

Andre Moa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andre Moa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SEVE disse...

Será utopia o que o jrom diz?

SEVE disse...

Parece que o PRAVDA fez, afinal, juz ao seu nome VERDADE!