24 de novembro de 2008

A banca nacionalizou o Governo


Não sei quem assim pensou mas o meu amigo XL disso se encarregará.


Quando, no passado domingo, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros.

De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério.

A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos.

A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada. Tendo em conta que, depois de anos de lucros colossais, a banca precisa de ajuda, há quem receie que os bancos voltem a não saber gerir este dinheiro garantido pelo Estado. Mas eu sei que as instituições bancárias aprenderam a sua lição e vão aplicar ajuizadamente a ajuda do Governo.

Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos.

Por mim, dou as mãos aos bancos.!
Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo!

17 comentários:

carla mar disse...

Como é que há gente que embarca nesta história da «crise financeira»? Como é que há gente que aplaude, aliviada e esperançada, a «ajuda aos bancos»? Como é que há gente que acredita tão ingenuamente neste embuste monumental?

Eles sabem quando criar pânico em seu benefício com antecedência. Também sabem quando parar o pânico. Inflação ou deflação funcionam igualmente bem para eles quando são eles controlam as finanças...

(eles comem tudo... nós pagamos tudo...)

Beijokinha (outra!)
:)

jrom disse...

1ª geração constroi
2ª geração lapida
3ª geração destroi

Osvaldo disse...

Caro Kim;
Quando os poderosos espirram, (Bancos e Governo), é o Zé Povinho que fica doente e com as calças na mão...
Este teu artigo está perfeito e mostra o que os defensores de ajudar os Bancos ainda não compreenderam, que é; os ricos sempre mais ricos, com as crises inventadas, e os pobres a se individarem cada vez mais...
Este Governo é um Robin dos Bosques ao contrário... Rouba aos pobres para dar aos Milionários.
Um abraço

Anónimo disse...

E a 4ª geração, faz o quê,
jrom?
Maria2

Parisiense disse...

Adorei o titulo.....é isso mesmo o governo foi nacionalizado pela banca e não só......

Será que este país algum dia vai encontrar o rumo da democracia e igualdade??????????

Gros bisous.

carla mar disse...

Quem pensou assim foi:

Ricardo Araújo Pereira, em 16/10/08, na revista Visão.
Um exercicio de humor ácido que diz tudo.

Beijo meu :)

jrom disse...

São sempre as gerações dos pobres sejam 4ª ou 5ª que reconstroêm
sempre conheci cá nesta terra, os muito espertos e os outros,mas isso não significa que exista por aí muita inteligência

jrom disse...

já lá vai o tempo dos que ficavam à porta também eram culpados

jrom disse...

Quem cala consente
Sabedoria popular

jrom disse...

Quem cala consente
Sabedoria popular

Anónimo disse...

25 de Novembro
Pires Veloso queria ser o Franco ou ou Pinochet português.
Preparava a guerra civil se os operários e assalariados derrubassem o capitalismo.

dn.homepage » dn.nacional

Pires Veloso acusa Eanes de "mentira"

António Pires Veloso, general na reserva, assinava ontem no Público um violento ataque e Ramalho Eanes, desmentindo a sua intervenção no 25 e Novembro e acusando-o de pactuar com uma "mentira" histórica. "Este militar, se fosse um homem de carácter e não sofresse de dupla personalidade, já teria vindo a público para enunciar esta mentira (...) e dizer aos portugueses que de facto, quem comandou o 25 de Novembro foi o general Costa Gomes", escreve Pires Veloso. Ao longo do artigo, o militar refere que foi sempre a Região Militar do Norte, que comandava, e sob ordens de Costa Gomes, a decidir as operações decisivas do 25 de Novembro, desde as medidas para travar o possível ataque dos fuzileiros à Base de Cortegaça, ao corte da emissão da RTP em Lisboa. Já o 'Comando da Amadora', que Eanes integrava "andou muitas vezes à deriva, ao sabor dos acontecimentos e dos conselhos de uns tantos políticos, sem tomar as decisões de fundo que se impunham" e sem autoridade real sobre os homens sob o seu comando. Pires Veloso conclui que "o 'Comando da Amadora', na realidade, foi um bluff". E não quer, escreve, que "se minta às actuais e futuras gerações". Veloso concorreu contra Eanes às presidenciais de 1980. O DN tentou contactar o ex-Presidente, o que não foi possível até ao final da edição.
M. H. E

Só o derrube do capitalismo pode abrir caminho a uma sociedade, mais Fraterna, mais Solidária e Livre.
xl

Anónimo disse...

Caro jrom:
Teremos então que esperar, pela 4ª ou 5ª geração, para que tude mude?
Para mim, já será tarde.
Maria2

jrom disse...

Pela parte que me toca sempre remei contra a maré e ainda hoje continuo a remar porque apesar de já trabalhar à meio século continuo a acreditar que só com o contributo de todos neste campo e não só de alguns,podemos chegar a algum lado.
Sou de origem rural e eninaram-me que, quem não semeia não colhe.
Pelo que tenho visto,é uma grande mentira.
Faltou conhecer bem a agricultura,mas temos a "cultura" muito desenvolvida...

Jrom disse...

(Ensinaram-me) está com erro

Anónimo disse...

Marx “na moda”
«Marx está de novo na moda e a procura das suas obras em alta», explicou Schütrumpf ao jornal Neue Ruhr Neue Rheinzeitung. Segundo a editora de Berlim, o primeiro tomo de O Capital já vendeu este ano 1500 exemplares, contra 500 em 2005, e as vendas vão continuar a aumentar até ao fim do ano. Os leitores pertencem a «uma nova geração de eruditos que reconheceu que as promessas neo-liberais não se realizaram», sublinhou. O próprio ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, fez à revista Der Spiegel uma referência a Marx no contexto da crise financeira. «Certas partes da teoria de Marx não são assim tão falsas», como a que se refere à autodestruição do capitalismo por causa da sua avidez.
(Jornal Popular - Mudar de Vida)

Cristina disse...

Dur, la crise chez nous...mais mes états d'âme qui se baladent chaque jour au Portugal, ne coûtent rien!!!Ouf!
gros bisous, kim.
SAUDADE IMMENSE.

Anónimo disse...

Ando numa de pasteis de nata.
Só me apetece pasteis de nata :)
jc/.