1 de agosto de 2011

Feira Popular - a quanto obrigas!

Como é que um homem não há-de ser saudosista?

Anda um gajo sempre à procura duma tasca humilde, porque as há que o não são, ou dum petisqueiro recanto e eis que um punhado de interesses económicos desfaz o sonho dum pobre de Cristo.
A gente sabe que o local, em Lisboa, onde ficava a Feira Popular era por demais nobre para as pequenas alegrias do Zé Povinho. Mas também sabe que os pobres também têm direito a viver as suas pequenas alegrias enquanto não chega o papão da abastança.
Nunca consegui perceber a razão pela qual, quase à pressa, se acabou com a Feira, para depois aquele ninho de ratos em que se tornou, ali estar anos sem fim, à espera que cheguem os guindastes do capital e do progresso.
Que culpa tenho de do alto da roda gigante sentir o cheiro sacrossanto das sardinhas e da frangalhada, já que a um eu não resisto e aos pitos já não vejo? Até a teta da vaquinha consolava, com parcos escudos, quem dela quisesse mamar.
Apesar de me saber bem o tempo das candeias, as pistas dos carrinhos de choque, o jogo das setas, o café dos pretos, apetece-me rodopiar no poço da morte deste meu descontentamento. Do comboio fantasma e da casa do terror já nem falo, porque para terror já basta este de não os ter ainda.
Vai um tirinho freguês?
Ora porra! Não podiam esperar mais um pouco e deixar-me polvilhar meia dúzia de farturas, tantas as vezes quantos os anos que já passaram sem tal gostinho?
É que a Feira Popular era como o vinho verde.


Onde efectivamente as coisas me sabem bem, é em su sítio. Uma sardinha comida na feira, não é o mesmo que uma sardinha comida no restaurante, assim como uma vinhaça verdinha, não tem o mesmo sabor, no copo, daquele que é bebida na malga, lá nas entranhas minhotas.
Já me esquecia dessa coisa chamada ASAE que além de zelar pela nossa saúde também nos leva o que nos sabe pela vida. Tonteiras de anacrónicos pensamentos, digo eu!
Eu que premonizei me ver de gajato a fazer tanta coisa que gosto, vislumbro também o perder do olfacto inebriante dessa rainha de escamas, pois até os mares andam de mal comigo, dando-me espinhas sem sabor.
E de que me serve perorar aos ventos se o vento nada me diz?
Resta-me aqui ficar, pobrete, Alegre e alegrete!
Às vezes - progresso, a quanto obrigas!

18 comentários:

Laura disse...

Tens toda a razão. Muitas vezes dou por mim a pensar nas feiras das terras por onde andei e lembro de estar em Lisboa com os pais, de férias e íamos à feira,e em Chaves, nos Santos, aquele cheirinho bom da sardinha no sal e na brasa que púnhamos em cima de uma fatia de pão milho, as febras, e a malguinha pequena de vinho verde saído do garrafão, minha nossa, andei no carrossel, nos aviões que subiam e desciam, atirei e ganhei bonecos de peluche ou nequitos tradicionais, as rifas que eu adorava a surpesa que ali vinha mesmo sendo um rebuçado, um apito, uma corneta...

Andei de balões na mão, entrei na casa dos horrores e cheia de medo entre teias de aranha e que medo os fantasmas que nos roçavam, encontrei gente amiga que já não víamos desde tempos imemoriais, e sim, quando penso nessa feira linda que é e era a alegria de muita gente, fico parva como destroem os sonhos de tantos, apenas com uma assinatura no raio de um papel que devia ser rasgado... porque eles, eles os que têm euros, só se sabem divertir lá fora às custas do nosso dinheirinho árduamente ganho...


Tens toda a razão, mas se dizem que vivemos em Democracia, por que raio o Povo não protesta a valer?


Beijitos e abraço apertadinho, quem sabe, vão abrir de novo noutros lugares onde o Povo já nem chega porque as viagens aumentaram, a gasolina nem se fala e assim não dá para levar a família como os pais nos levavam, fossem quantos filhos fossem...

Laura

Zé do Cão disse...

meu amigo Kim

Não me roubaste nada. Já tinha pensado varias vezes sobre essa falta, e sobre a negociante em que apareceu um "ZÉ FAZ FALTA" que por sinal não fazia nem faz falta nenhuma, não passando de mais um comilão, que só custou ao erário publico uns milhões.
E as negociatas do referido erário publico resultaram o desmantelamento do sítio patusco onde as sardinhas assada tinham como dizes outro sabor.
abraço

Maria disse...

Kim, amigo
Até que enfim apareceu a "Feira"! mesmo virtual, soube-me a sardinha assada, a farturas, a algodão doce, senti-me a andar de carrocel, dei tiros... Que saudades! A Feira e o Parque Mayer, fazem falta, muita falta.
Coisas antigas que, os pouco endinheirados tinham como certas. Gastava-se pouco e a diversão era certa.
Será que algum dia voltaremos a ter algo parecido?
Beijo
Maria

SEVE disse...

Parece que o confrade Pedro Santanna Loppes não descansou enquanto não acabou com a Feira, tal como se não tem sido corrido do SCP acabava com os sócios, pelo menos 15.000 mandou-os embora com uma quota suplementar e se o cenoura não tem corrido com ele punha os portugueses a pão e laranja...ao menos o Passos já tinha o trabalhinho feito...escusava este agora de ser acusado de nos roubar (repito roubar, logo é mais um ladrão a juntar ao bochechas)o 13º. mês, de aumentar os transportes públicos em mais 20% (vinte por cento).....claro sempre aos que trabalham...como é que os Belmiros, os Amorins e outros vampiros não estarão cada vez mais ricos....já Garrett dizia....

Je Vois la Vie en Vert disse...

Caro amigo Kim,

Eu estava à espera que me levasses à Feira e...agora já é tarde !
Acho que só estive lá uma vez, o Leo não apreciava muito este tipo de lugar e por osmose, passei a não gostar...
Dantes os vizinhos queixavam-se do cheiro à sardinha e agora queixam-se do cheiro do lixo acumulado, do espectáculo da prostituição e da insegurança.
Também não percebi a razão pela qual se acabou com a Feira tão rapidamente. Acho que a ASAE é uma boa criação mas peca por excesso. Em França e na Bélgica precisavam duma ASAE quando se vê a falta de higiene em mexer nos alimentos e no dinheiro. Fico horrorizada quando vejo os franceses com a sua baguete por baixo do braço...
Boa Semana !
Beijinhos verdinhos como a vinhaça verdinha... que não bebo...

Verdinha

Laura disse...

Verdinha, céus, o que me viste lembrar da baguete debaixo do braço, quando lá estive em Touluse e mais tarde Paris, (ai os croissants saídos do forno, minha nossa), voltando ao pão, a cena repetia-se, enfiavam-no debaixo do braço e por vezes embrulhavam-no em papel de jornal, que horror, ia de mota enfiado na bagageira e apanhava aquele fumo dos escapes, as donas de casa atiravam-no lá para trás, no carro, foi o único lugar do mundo em que vi o pão ser tão mal maltratado...
Lembras de cada uma ó minha Verdinha querida...

beijinhos, e sim,adoro essas feiras mas deixei de ir lá há muito tempo.

laura

Parisiense disse...

Progresso a quanto obrigas.....é isso mesmo.
Eu não conheci a Feira Popular....mas até na maioria das festas populares havia tanta coisa a vender e agora praticamente não há nada....até os foguettes estão proibidos por causa dos incendios.....haja paciência.
Beijokitas.

Corvo disse...

Vamos a ter esperança, amigo!
Parece que a reabilitação do Parque Mayer já foi à mesa e tem pernas para andar.
O Parque, embora de recinto mais pequeno, também tinha farturas e, salvo erro, quatro restaurantes, mais alguns jogos, etc.
E Feira Popular, pode ser que ainda se faça alguma coisa. A ver vamos, já que não há cheta para a Câmara se meter em altas cavalarias. Contudo, parece que vamos ter Parque Mayer.

Abraço.

Laura disse...

Olá Corvo da nossa Maria,


Venha de lá o parque Mayer
mai'las teatradas e variedades
as cançonetas de antes
que nos davam tardes e noites
bem gozadas.

O Filipe La Féria
vai ter de se mexer
por o pessoal a dar à perna
a rir e a cantar
para a gente, entreter.

Deus te ouça meu querido Corvo, nessa Lisboa velhinha, ir a um espectáculo dele, é coisa que não descarto.

Beijinho da laura

rosa-branca disse...

Olá Kim, é pena realmente certas coisas acabarem. Eu onde moro do lado de cá do tejo onde o Cristo é rei tivemos esta semana uma feira com carrinhos de choque, tasquinhas e farturas que até me consolei. Caramba meu amigo a Laurinha abre o apetite a qualquer um...e olha que eu não sou grande garfo...Beijos com carinho

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Caro Kim
Tantas vezes que penso na falta que a Feira Popular faz a esta cidade. Aquilo estava mau, mas cabar assim, sem alternativa, foi criminoso. Lisboa deve ser a única capital europeia que não tem uma Feira Popular

Teté disse...

A Feira Popular pereceu devido a interesses financeiros camarários e a negócios pouco limpos ainda hoje por explicar. A CML ficou de arranjar um terreno para fazer uma nova feira e, como sempre, até hoje... :P

Não gostando particularmente das diversões (em miúda gostava, tal como quase todos os putos), rodas gigantes, montanhas russas e assim, as sardinhas assadas, os churros, o algodão doce e as restantes patuscadas tinham mais graça lá. Às vezes parece que estes nossos governantes fazem de propósito para tornar este povo ainda mais triste! Cambada...

Beijocas e boas férias para ti, amigo!

Anónimo disse...

alem de acabar com osdivertimentos do povo tambem tiraram de la pessoas que trabalhavao a mais de 50 anos que viram as suas vidas complicar se e muitos ate se suicidaram

FERNANDO DOS BARCOS disse...

O MEU PAI EXPLOROU OS BARCOS NO PALACIO DE CRISTAL DURANTE 20 ANOS CRESCI APRENDI DIVERTIME AOS 25ANOS O MEU PAI ENTREGOUME A EXPLORACAO QUE EU COM MUITO GOSTO CONTINUEI ATE APARACER AS MAQUINAS PARA LIMPAR TUDO SEM FUNDAMENTO A PARTIR DAI AMINHA VIDA COMPLICOU SE BASTANTE E A DOS MEUS FILHOS PASSADOS ESTES ANOS TODOS AINDA SOFRO BASTANTE BASTARDOS

A SARDINHA ASSADA disse...

O PINTO DA COSTA E O FERNANDO GOMES SAO OS RESPONSAVEIS DA EXTINCAO DA FEIRA POPULAR DO PORTO A SEGUIR AO SEU EMCERRAMENTO FIZERAM OBRAS NO VALOR DE 1 MILHAO DE CONTOS QUE DEVE ESTAR NO ORCAMENTO DA CAMARA O QUE FIZERAM 1 PARQUE INFANTIL E O PAVILHAO PARA JOGAREM BASQUETE

Anónimo disse...

O que não falta são terrenos baldios e devolutos,para a construção e montagem de uma feira popular,organizada estruturada,e moderna,afinal o que é que Lisboa tem?
tem o bº alto,a atual drogaria e recanto de bebedolas sem idade para tal,tem as docas, e as grandes dicotecas exploradas por familiares dos politicos isto é só interesses

Anónimo disse...

O que não falta são terrenos baldios e devolutos,para a construção e montagem de uma feira popular,organizada estruturada,e moderna,afinal o que é que Lisboa tem?
tem o bº alto,a atual drogaria e recanto de bebedolas sem idade para tal,tem as docas, e as grandes dicotecas exploradas por familiares dos politicos isto é só interesses

XicoAlmeida disse...

Vim tarde de mais.
Mas na certeza de ler o que por aqui passou pois fiquei encantado.
Felicidades e um bem haja.