5 de fevereiro de 2012

Filhos de ninguém

Numa recente deambulação pela Lisboa que desconhecemos, deparei com esta lápide na Basílica da Estrela.

Curioso, indaguei então o significado da mesma que me foi explicado por uma das minhas acompanhantes, belga de nascença, (fico VERDE de vergonha, à espera que ela se manifeste). Explicou-me ela então que era neste local que antigamente eram deixados os bebés que se pretendia abandonar. Triste e lacónico, mas não menos vero.
Então, o bebé era aqui colocado, depois rodava-se aquela porta giratória e do lado de lá alguém o recebia, sem assim nunca se conhecer quem era o miserável ou pobre de Deus que cometia tal ignomínia, quantas vezes, fruto de relações incestuosas.
Pelos vistos, era tudo legal!
Quem tinha filhos, cadilhos tinha de ter!

A lápide nada refere quanto ao atrás narrado, mas era aqui que tudo acontecia

19 comentários:

São disse...

As crianças da roda representaram uma evolução face às enjeitadas, que eram abandonadas à porta de quem quer que fosse.

Neste momento atiram-nas para os contentores e ...

Boa semana

Zé do Cão disse...

Jamais me passaria pela cabeça que na Basílica da Estrela, também o faziam. Conhecia sim, na Santa Casa.
E que Santa meu Deus. Como os tempos mudam.
Agora a Santa Casa, tem administradores com pactos com Lucifer.

abraço

Maria disse...

Kim, amigo:
Tu não me digas que nunca tinhas ouvido falar na Roda dos Expostos!...
A Verdinha teve que te explicar? Que vergonha, Mestre Kim!...
Lê Camilo, rapaz! Não há livro dele que não fale dela. Há sempre um Exposto, nos livros de Camilo.
Beijinhos
Maria

SEVE disse...

A célebre RODA, leia-se LUIZ PACHECO, o escritor maldito, que morreu há pouco tempo e se debruça na sua obra sobre ela (por experiência própria).

rosa-branca disse...

Olá amigo Kim, por acaso já tinha lido sobre essa roda. Realmente era preciso ter coragem...mas atendendo à época tudo se esperava menos a vergonha de ter um filho e ser mãe solteira ou então fora do casamento. Agora opta-se por deitar fora num contentor qualquer. Beijos com carinho

Green Knight disse...

Se todos os males do mundo servissem para aprender o difícil caminho da perfeição,vá que não vá.
O que constatamos são, justificações por "isto e por aquilo" e não nos tornamos melhores.A espécie humana continúa bárbara.Penso que as coisas de hoje deviam ser melhores.
Com este título comecei a ler à luz da candeia para os meus avós.
Em 1953/4 pelas províncias distribuiam uns fasciculos sobre um drama com este titulo, que faziam correr muita lágrima ao serão, no soletrar titubeante de uma criança que lia as primeiras letras.
Sempre o sofrimento no seu esplendor
Um abraço jrom

Janita disse...

Meu Deus, Kim!
Estou incrédula com o teu desconhecimento a esse respeito.
Nunca leste nem ouviste falar nisso?

Hoje,os filhos de ninguém continuam a existir e, pior, são abandonados em lixeiras e contentores.

A miséria humana não ficou esquecida no século passado, como sabes.

Beijinhos meu querido Kim.

Kim disse...

Eu sempre soube que esta RODA existi, só que não fazia ideia é que ela se encontrava na Basílica da Estrela.
Além disso sempre tido ouvido falar que tudo isto acontecia mas era à porta da Santa Casa de Misericórdia.

elvira carvalho disse...

Desde menina sempre ouvi falar nela.Chamavam-lhe a roda dos enjeitados.
Felizmente que hoje isso acabou e toda a gente tem pai e mãe, se bem que muitas vezes era preferível que ainda houvesse essa roda. Pelo menos não eram abandonados em lixeira e outros locais.
Um abraço e uma boa semana

BRANCAMAR disse...

Olá Kim,

Pois, tal como tu sempre ouvi falar na RODA, pela boca da minha avó e poucas vezes já pela da minha mãe, mas graças à tua publicação e fotografias fiquei a perceber melhor como funcionava.

Beijinhos.
Branca

Diamantino disse...

Olá amigo Kim!
Na cidade da minha infância, havia (não sei se ainda há) o vestígio da roda dos enjeitados na parede que fora um convento de freiras. Naquele convento, as irmãs acolhia, criavam e educavam as crianças, até serem entregues para servirem nas casas de lavoura, umas e nas burguesas outras, claro que para as melhores casas, iam as crianças elas próprias pariam. Não sei se isto é verdade. Foi isto que me contaram.

Um abraço

Je Vois La Vie en Vert disse...

Caro amigo,

As pessoas pensam que esta amiga belga VERDE sou eu mas não sou...
Por acaso, eu também não sabia dessa roda.
Ainda bem que existia esta roda. Hoje em dia há quem abandona os filhos em sítios menos próprios...
A minha amiga M. sabe muito sobre Lisboa e arredores porque participou em muitas visitas guiadas. Temos que programar outras visitas para ela te (nos) ensinar mais ainda !

Beijinhos
Verdinha

Teté disse...

Sabia da existência desta roda dos enjeitados, só não tinha a certeza de onde se situava em Lisboa... ou se havia mais que uma, como sugere o Zé do Cão!

Mas do mal o menos, sempre era melhor abandonar as crianças ali, do que ao deus-dará! Pelo menos não morriam de fome ou de frio...

Beijocas, Kim!

Maria disse...

Kim,amigo:
Aqui, no Mosteiro de São Dinis, existe o local da Roda, assim como em muitos conventos de freiras. Como diz a São, ao menos, não eram deitados ao caixote do lixo ou, mortos em qualquer lugar, incluindo casas de banho públicas e de cafés.
Pobres crianças! Tanto se fala delas e, tão pouco, as protegem!
Beijinhos
Maria

Anónimo disse...

Laura disse;




Não sabia, mas sempre houve e haverá engeitados... é desumano abandoná-los assim, mas, quem sou eu para julgar? quem sou eu que quando sei de histórias assim, me deixo ficar como se nada fosse comigo, se sei que todos devíamos ajudar e as pobres mães que sabem que ao deitar filhos ao mundo, não vão poder dar-lhes de comer, vestir e optam pela solução mais radical...Não as condeno e muito menos as censuro, lamento é que isso aconteça ainda nos dias de hoje e nada se faça para ajudar!

Em Coimbra no Convento de Santa Clara - a velha, encontraram muitas ossadas de crianças ali enterradas. O que pensei? que eram crianças de raparigas das aldeias próximas, cujos pais não aceitaram a gravidez, e as meteram no Convento para esconderem a vergonha, a vergonha de amar, valha-me Deus, como se amar fosse feio ou pecado... Ainda bem que hoje já pouco se liga a isso, mas, continuam a nascer crianças que não vão ter a sorte de ter pais, avós, família para cuidar delas, enfim...

Beijinhos.. eu nem me lembro se conheci a Basilica da Estrela...

dolce.

nacasadorau disse...

Não conhecia este local, amigo Kim, mas da sua existência já.
Aliás haviam Rodas dos Expostos em vários Conventos, pelo menos pelo que li.

Infelizmente os filhos indesejados sempre foram muitos e que não se culpem só as desgraçadas das mulheres que o faziam, pois onde há filhos há também pais.

Beijinhos

Fernanda disse...

Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.

Bom fim de semana, Kim
Beijo

Magia da Inês disse...

Que história!
Boa semana!
Beijinhos.
Brasil

(⁀‵⁀,)
¸`⋎´
¸.•°`♥

Pascoalita disse...

Sim, sabia da existência dos "filhos da roda", mas não concretamente dessa. Pelos vistos em Lisboa eram como os "chapéus", havia muitas ahahah

E nem admira, dado que na altura não havia TV, nem Net, ahahah

Jinhos