6 de abril de 2014

Sorte minha ou azar dos outros?



Sexta feira! 14:30 H. Dirigia-me para o Banco.
Meio absorto do que se passava à minha volta, oiço uma voz, já muito usada, dizendo: 
- Retire o seu dinheiro! Retire o seu dinheiro! Retire o seu dinheiro!
Olhei para o sitio donde vinha a voz e reparei que numa caixa multibanco, alguém tinha esquecido o dinheiro que supostamente deveria ter levantado.
Olhei à minha volta, não vi ninguém, e pensei. Deixa-me tirar este dinheiro e entregá-lo no banco.  Assim fiz. Conheço todos os funcionários do banco. Entrei, contei a minha "estória" e ficaram de boca aberta. 
É que, segundo eles, quando alguém se esquece de retirar as notas da caixa multibanco, a mesma recolhe-as trinta segundo depois. Mas não foi o que aconteceu.
Os caixas recusaram-se a ficar com o dinheiro, para entregar ao possível lesado, alegando que se aparecesse uma auditoria teriam problemas. 
Posto isto, meti as notas no bolso e fui embora. 
Entretanto, antes de regressar ao escritório, passei pela Tesouraria das Finanças (onde também conheço toda a gente). 
Estava a contar o que me tinha acabado de acontecer, quando olhei para o chão e vi uma nota de vinte euros, a meus pés. 
Meio confuso com o que tinha acabado de acontecer no multibanco, apanhei a nota, sem saber se a tinha deixado cair, quando tirei uns papéis do bolso, ou se tinha achado mais vinte euros.
Despedia-me já das minhas amigas, quando uma delas me diz:
- Você está cheio de sorte! Você achou dinheiro na parede, mas ainda agora daqui saiu uma "pretita" a chorar porque perdeu vinte euros.
Sacudi a cabeça, à direita e à esquerda, como se quisesse arrumar as ideias e pensei - querem ver que os vinte euros que apanhei do chão, são da "pretita"? 
Perguntei por ela, mas indicaram-me que já tinha saído.  Vim cá fora e encontrei-a, logo ali à porta, com os olhos postos no chão, quais detectores do vil metal.
Não foi preciso dizer nada. Mostrei-lhe apenas a nota e os seus olhos sorriram.
- Muito obrigado senhor, muito obrigado!
Dei-lhe uma palmadinha nas costas, também de agradecimento e parti à procura da vida, que a morte está certa.
Mais à noite, precisei de ir ao Colombo, com um amigo, para imprimir umas fotos dum recém nascido e à minha frente, no parque de estacionamento, duas famílias estacionam os respectivos automóveis, no local indicado para deficientes. Apesar de haver muitos lugares, estacionaram mais perto da porta de entrada, não interessando a quem se destinavam aqueles lugares.
Desta vez já nem reprimi o gesto. 
É demais, para esta minha já tão frágil cabeça!

7 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Estava em dia de sorte. Oxalá a pessoa que não levou o dinheiro não seja tão necessitada quanto a "pretita".
Quanto ao estacionamento não admira. Há pessoas que se pudessem levam o carro lá para dentro. E essas pessoas não respeitam nada nem ninguém.
Um abraço e resto de bom Domingo.

São disse...

Achares dinheiro assim, é a Lei das
Séries.

Veres essas criaturas a estacionar onde não deviam ( já me aconteceu assistir a algo semelhante) , é prova da falta de educação e civismo da maior parte do "melhor povo do mundo", neste momento reforçada pelo bando que está no Poder!!

Boa semana

Seve disse...

Estacionamento no sítio dos deficientes faz parte da mentalidade tacanha desta gente.

Como te deve ter sabido bem teres localizado a pretita e devolveres-lhe os vinte euros, que maravilha de sensação.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Olá, amigo Kim!
Dia de sorte e boas acções que acabou com uma cena feia, mas que é um lugar comum nesta cidade. As pessoas não respeitam ninguém!
Grande abraço

Pedro Coimbra disse...

Em contrapartida, eu perdi ontem uma nota de quinhentas patacas (50 euros, mais ou menos) :(
Aquele abraço e votos de boa semana!!

Portuguesinha disse...

Ri-me.
Essa do MB é inusitada. Inédita mesmo.
Mas eu colocaria a questão: não têm os MB cameras de vigilância incorporadas? Se sim, o que é preciso para consultar a pessoa que lá esteve segundos antes? Tenho a certeza que encarrega muita burocracia e, se calhar, só por motivos de suspeita de crime é que as autoridades podem consultá-las. Mas sempre me incomoda perceber que quando roubam dinheiro não se poupam esforços para conseguir identificar o ladrão. Já quando alguém perde... nenhum esforço por parte da instituição.

E se a pessoa que levantou o fez ilicitamente?
Enfim... vários cenários para essa inédita situação. Seria pegadinha? Também não? Eram as notas verdadeiras?

Pelo menos a de 20€ encontrou o dono :)

Portuguesinha disse...

Quanto ao estacionamento, até podias estar correto na tua assumpção. Mas nem todos os deficientes andam em cadeiras de rodas ou muletas. Também já conheci casos de pessoas chamadas à atenção por "puritanos" que eram, de facto, deficientes. Não é um logo que se deva transportar na testa! Existem os cartões deixados nos carros - é para isso que servem.