O ser humano não tem limites. No bem e no mal.
Pode nascer-se num berço de oiro, acompanhado dum séquito de mordomias e morrer-se numa estrumeira, abandonado e só. E pode nascer-se num palmo de terra, caído das entranhas mater e morrer-se sufocado em bafio de riqueza e fausto. Pelo meio há os outros, que nascem ricos e ricos morrem e que nascem pobres e pobres morrem.
O ponto de vista de ambas as situações tem a ver com o lado da barricada em que ambos se encontram. Os malquistos carregam consigo o ódio e a inveja dos que a ventura ou esperteza saloia bafejou com a riqueza. Os benquistos anseiam por aumentar as suas fortunas, quase sempre esquecendo os que nada têm.
Tenho sempre enorme admiração por aqueles que em nome do povo ecoam o grito da revolta e dão o corpo às balas. O que não entendo é que quando os mesmos são colocados no pedestal do poder, nada mais é como dantes. Nem me atrevo a pensar quantos presidentes existirão no mundo inteiro que tendo chegado ao poder com uma mão à frente e outra atrás, não tivessem de lá saído vergados ao peso da riqueza. O mesmo acontece com os que por lá se mantêm ad aeternum ou até que outro revolucionário os deponha.
Lula da Silva era um metalo-revoltado defensor dos pobres. O que é hoje? Protector dos oprimidos, admirador do seu umbigo ou acérrimo defensor de armas nucleares? Os piores detentores do poder são os que já foram revolucionários. Os piores ricos são os que já foram pobres. Assim foi com Ceausescu, Bokassa, Sadam Hussein, Idi Amin, Pol Pot e tantos outros. Sendo certo que os tempos mudaram e Lula não parece um tirano não é menos certo que o poder vem acompanhado da corrupção, da indiferença e da riqueza fácil.
Não conheço a realidade do Brasil, sei apenas que, ao que parece, Lula transformou-se num polvo gigante, tal o tamanho dos seus tentáculos.
A rico não devas e a pobre não prometas!