24 de setembro de 2011

Zé do Cão - um homem a descobrir!




Habituei-me a ouvir falar dele, tanto a Norte como a Sul, ora em terras lusas, ora em terras de Vera Cruz.
Daquilo que dele ia lendo, Zé do Cão era uma espécie de bon-vivant, com memórias cheias de "partidas" presenteadas ao longo da vida, a todos com quem de perto privou e não só. O cognome era sugestivo, mas mais seria ainda se fosse Zé das Mulas. Terá preferido a lealdade do primeiro em detrimento do pejorativo do segundo.

Habituei-me a imaginar como seria a sua verdadeira imagem, já que a foto que enunciava o seu blog não passava dum simples desenho dum camponês alentejano com um canito a seu lado, do qual, com mutação havida, hoje só resta o canídeo.

Habituei-me a perceber que a vulnerabilidade deste homem era perfeitamente penetrável e apetecia-me descobri-lo.

Não foi difícil chegar ao Zé. Passaram já três anos, mas lá cheguei e por lá fiquei, entrando no seu mundo, onde, entre Palmela e a Galiza se vai deliciando com as especialidades gastronómicas de que é adepto ferrenho.

E descobri uma personagem interessantíssima, riquíssimo de vivências atribuladas e estórias mil.

Cavalheiro, dos pés à cabeça, é um verdadeiro gentleman a tempo inteiro.

Este Zé mexeu comigo, pois nele me revejo em tempos imemoriais e dele guardarei as memórias partilhadas quando o arcano Anael não mais estiver em mim.

A ti meu amigo, reservo a certeza de te sentir presente.



19 de setembro de 2011

Amsterdão - às escuras ninguém vê!

Os meus novos amigos egípcios (muçulmanos) eram uns grandes pândegos! Quando Alá não estava por perto, como é evidente!
Nunca percebi bem as acérrimas devoções. Seja por Alá, por Shiva, por Deus, por Rá, ou por Buda. Respeito todo o tipo de paixões celestiais, (com as terrenas me desaguiso) mas francamente não as entendo, quando à luz desse Deus se é um anjo e na sombra do seu manto, se é um diabo.
Assim era com Ibraim e Hassan, dois jovens universitários egípcios tementes a Alá e que temporariamente desbravavam os Países Baixos.
Durante o dia éramos todos iguais, mas à hora de agradecer-Lhe, viravam-se para Meca e transfiguravam-se no mais devoto seguidor. Depois, continuava o regabofe da asneirada, da descoberta e do credível.
A distante experiência espiritual que eu já vivera, fazia-me pensar em todos os credos do mundo.
O budismo será talvez aquele que mais se assemelha à doutrina que os seus seguidores professam na contemplação do Divino, mas estes dois neo-amigos estavam loucos com a proliferação de mulheres bonitas despidas dos preconceitos, que as Gomorras da velha Europa proporcionavam.
Infelizmente para eles, não tinham grande saída com as ditas, apesar de para todos os sacos haver um baraço. O seu aspecto cigano assustava um pouco.
Uma noite convidaram-me a jantar na pequena divisão onde viviam. Um sortido de folhados de pão com condutos esquisitos e salobros, foi o repasto duma noite egípcia. No final, apagaram a luz, retiraram debaixo da cama uma garrafa de whisky e todos bebemos por ela.
Confundido com aquele ritual e perante o meu espanto, explicaram-me então que Alá não permitia que bebessem álcool. A única hipótese era fazê-lo às escuras, para que Ele não visse.
Em pleno século XX, nunca pensei ouvir tamanha atrocidade, principalmente vinda de gente culta, mas essa não era a ligação que fazia curto-circuito e eu estava preparado para todo o tipo de choques e ... toques.
Naquele tempo era pouco vulgar ter carta de condução aos dezoito anos. Mas isso acontecia comigo.
Sabendo disso, estes faraónicos amigos que não estavam habilitados para conduzir, compraram um velho “Carocha”, a cair aos bocados. As economias conseguidas na fábrica de cacau onde trabalhavam comigo, nos arredores de Amsterdão, já bastavam para adquirir o veículo mascote de Hitler. Eles compraram, eu conduzia. Quando partissem, vendiam o carocha e recuperavam o investimento. Nada mal pensado e nem me lembro se eram estudantes de economia.
Duzentos florins, foi o valor dispendido naquela maravilhosa viatura que estava sempre disposta a trabalhar. Bebia pouco e comia menos ainda.
Depois, era ver dois parvos e um palerma, passeando por tudo quanto era sitio e sem saber qual a direcção a seguir. Apontava a Utrech e acertava em Den Hag e os olhos não chegavam para os diques e as papoilas
Soube mais tarde que não podia conduzir na Holanda, com carta de condução portuguesa.
Como de costume, nos meus errantes caminhos, a sorte protegia os audazes, ou talvez inconscientes.
E eu era um destes! Talvez os dois!
Às vezes – in As aventuras de Kim-Kim

13 de setembro de 2011

A Máfia - e as mafiosas!

Il capo
As mafiosas que alegraram as minhas férias






Estas seis beldades ajudaram cá o rapaz-de-confiança, durante uma semana, a trilhar por bons caminhos

Guarda de honra


Villa La Limonaia



Eu pensava que era bom rapaz! Até ver estas fotos!


Fiquei a pensar que a gente não consegue disfarçar aquilo que é, mas o certo é que consegui engolir o sorriso e desafiar Al Capone a ser tão mafioso quanto eu.


Como sou um homem de paz, deixei de lado a sombra da metralha na pele do janicéfalo que fui por uma noite e embrenhei-me no culto do "polvo - la piovra".

Às vezes - a brincar, dizemos coisas sérias!

Recentemente, na Sicília, num jantar restrito a mafiosos, numa mansão do século XVIII, digna de Hollyood e em ambiente verdadeiramente inverso ao meu habitat natural, qual beócio da matéria, consegui enganar-me a mim mesmo e arrancar este ar sisudo, para não dizer quase pidesco. Mas a ideia era essa mesmo e sei que fiz bem o meu papel. Os óculos, cravejados de diamantes, comprados por dois euros na loja do chinês, foram o artefacto mais boçal da noite, porque todo o resto era de primeira linhagem. Mas que fizeram figura, lá isso fizeram.

E com tantas mafiosas bonitas, a quem sempre apetece noivar, perdiam-se os olhares em detrimento das jóias.

No final fiquei com duas certezas;

- Nenhum siciliano daqueles com quem falei, sabia o significado da sigla MAFIA (Morte á la Francia Italia Anela - morte à França Itália anseia)

- Gostei, mas ... a Sicília é apenas mais uma ilha.

Arriverdeci amici!

7 de setembro de 2011

Mozart e o seu cão!

Tenho lido muitas coisas sobre cães, sem dúvida o verdadeiro amigo do homem.



Podem dizer-me o que quiserem sobre gatos, cavalos e mais não sei quantos animais domesticados, mas nenhum alcançará a gloria que só o cão merece.




Vem isto a propósito duma "estória" como tantas outras que felizmente a história se encarregou de registar.


Wolfgang Amadeus Mozart, grande compositor clássico, nascido na Austria e é considerado como um dos músicos mais talentosos de todos os tempos. Foi em Paris, quando Mozart tinha sete anos, que as suas primeiras obras apareceram.
Mozart teve vários anos de glória, sendo reconhecido por reis e rainhas de toda Europa. No entanto, nunca soube lidar com dinheiro.
A exploração da sua bondade e genialidade musical logo surgiria por parte de grandes oportunistas. Já casado, começou a ver sua vida desmoronar. A mulher, abandonou-o. A mãe, que tanto amava, adoeceu gravemente. Mozart, sem dinheiro, vendia composições em troca de remédios para sua mãe, que faleceu após alguns meses. Triste e desiludido, Mozart caiu enfermo. O único amigo fiel, seu cachorro, foi quem ficou ao seu lado até ao dia de sua morte, em 5 de Dezembro de 1791. Mozart foi enterrado numa vala comum, em Viena. Sua mulher, Constanze Weber, que estava em Paris, ficou sabendo da morte de Mozart e partiu para Viena afim de visitar o túmulo do marido. Ao chegar lá, entrou em desespero ao saber que Mozart havia sido enterrado como indigente, sem que lhe dessem nem uma placa com seu nome como lápide.
Era dezembro (inverno europeu), fazia frio e chovia em Viena.
Constanze resolveu "vasculhar" o cemitério à procura de alguma "pista" que pudesse dizer onde Mozart fora enterrado. Procurando entre os túmulos, viu um pequeno corpo, congelado pelo frio, em cima da terra batida. Chegando perto reconhece o cachorro querido de Mozart.
Hoje, quem visitar Viena, verá um grande mausoléu, onde está o corpo de Mozart e do seu cachorro. Foi por causa do amor desse animal de estimação que Mozart pode ser achado e removido da vala comum onde fora enterrado. Ele permaneceu com seu dono até depois do final. Morreu junto ao túmulo do dono porque, sem ele, não poderia mais viver.

Pode não ter sido assim, mas eu acredito que assim foi, já que os homens me merecem essa dúvida.


Dizem as crónicas que o único acompanhante de Mozart no seu funeral, numa tarde de tempestade, foi o seu cão!

Amor de cão! Como ele não há igual!

Requiem por Amadeus!

(Entre o que resta da minha memória e a lembrança da Wiki)

2 de setembro de 2011

Amsterdão - tudo em família

Amsterdão, Fevereiro 1971


A neve continuava a cair em pequenos flocos, para lá da vidraça.
A janela enfeitada por uma cortina vermelho-sol, saída da rota da seda, clareava o minúsculo quarto onde tudo acontecia.
Doze metros quadrados de intimidade, no máximo, eram o mundo de Jasmyn. O nome europeizado pela sonoridade, era vietnamita pelo berço e holandês por ambição.
Ali era cozinha, sala, quarto, casa de banho.
Não era a primeira vez, mas seria a última, que eu ali ficava refastelado no quentinho da policama, enquanto Jasmyn ia trabalhar.
A cozinha dum restaurante asiático, provavelmente também vietnamita quanto ela, era a fonte do seu sustento.
Despediu-se de mim com um beijo na testa e uma carícia no rosto. Partiu. Quarenta anos de mulher, duas vezes de mim, deixavam para trás um desejo saciado e fenecido, na esperança de outro no regresso.
Lá fora o frio convidava o guerreiro do amor a repousar da diaforese havida, mais bélica que apaixonada. Depois era só puxar as orelhas aos lençóis e estender a tolha de mesa sobre o colchão impregnado de odores perenes.
Deitado, ora adormecendo, ora preguiçando, olhava aquele liliputiano mundo que conhecia já de sobejo e pensava em como ocupar o resto do dia, quamanho era o meu tempo.
Na escada do prédio, o cadenciado barulho de passos fez-me convergir o olhar para a porta do quarto. Um tornear de chave e maçaneta fizeram-me gelar. Especada à porta do quarto, uma jovem asiática, aparentando os meus vinte anos, franze o sobrolho de espanto. A visão dum desconhecido naquela cama, não menos espantado que ela, fá-la hesitar.
Fecha a porta sem tirar de mim o olhar. Quem és tu, quem sou eu? Alain (Kim) e Lyn, apresentam-se.
- A Jasmyn não está? Demora? – questiona Lyn.
- Não! Foi trabalhar e só volta no final da tarde!
-
Hummm!!!
Eu, tronco nu, meio recostado na cama, olhava aquele rosto lindo adornado por um alvíssimo longo casaco peludo. Nada denunciava o escultural corpo que este cobria. Despiu-o e lentamente depositou-o num minúsculo canapé de bambu, decidida a não sair tão cedo.
Aquela visão logo me fizera não mais pensar em quem seria Lyn e como obtivera a chave do quarto.
- Sou uma amiga de Jasmyn – respondeu, como que adivinhando a minha dúvida.
O seu sorriso, dissipara-me receios infundados.
Apesar de Jasmyn nunca me ter falado de Lyn, já que esta tinha a chave do seu mundo, passaram-me pela cabeça várias hipóteses e por que não companheiras de quarto.
Lyn, tinha tanto de morena como de linda. Olhos já vividos e corpo desbravado.
O “meu” inglês não bastava para uma conversa formal, mas ia resolvendo e colmatando com aquilo que os sorrisos diziam.
Olhava-a, desejando tudo e esperando nada.
A exiguidade do espaço foi pretexto para sentar-se na beira da cama. Trocaram-se pequenas confidências e descobertas em olhares matreiros.
Aos poucos me enfeitiça e desliza no meu leito. Vai tomando conta de mim. Sinto-lhe as hormonas em ebulição. Quase me limito a olhar, lutando contra mim.
A linha que separava a provocação, do desejo, era ténue demais para não ser entendida.


A sua linguagem corporal, agressiva e sedenta, continuava a povoar-me os sentidos.
Por instantes pensei em Jasmyn, com quem não tinha qualquer espécie de compromisso, nem na vida, nem no leito. Aliás, tive sempre a impressão que lhe amenizava a entrada na meia idade, fazendo-a recordar o muito que tinha ainda para dar. Apenas por instantes, pois logo num recíproco impulso felino, se devoraram as bocas e esmagaram os corpos. O meu, extremamente maleável, sucumbia àquele proficiente e insaciável apetite saído dum conto de Boccaccio.
Depois passaram as horas e esquecemos o tempo que o tempo tem.
Era já tarde quando adormecidos num abraço, despertámos com o abrir da porta.
Era Jasmyn. Chegara. Menos cansada que nós. Olhou-nos com um sorriso de ódio. Alguns longos emudecidos segundos separaram os olhares entre a porta e a cama.
Jasmyn, conformada, deixou escapar:
- Olá Lyn!
-
Olá mãe!


O que mais se disse é passado. O que ficou por dizer não importa.


Afinal, recordar - é viver! In - As aventuras de Kim-Kim!

28 de agosto de 2011

Benfica - Hóquei em patins e eu!

Foi muito simpático.
Passados tantos anos após o meu último jogo como hóquista, voltei a saborear o molde daquela que foi a primeira modalidade desportiva que pratiquei.
Esteban Abalos (Tuco) argentino e Claúdio Filho (Cacau) brasileiro, ambos internacionais dos seus países e actualmente jogadores do Benfica num gesto de amizade apareceram de supresa para me oferecerem um stick e uma camisola.
Foi o recordar dum tempo distante e a sensação de quem desliza nas rodas do tempo.
Há muito poucos anos os meus filhos ofereceram-me um par de patins. Resta agora calçá-los, envergar o equipamento e ... aí vai ele, com muitas hipóteses de se espalhar em todo o terreno.
Muito obrigado amigos Tuco e Cacau!

24 de agosto de 2011

Paris - As catacumbas



Paris é um enigma!


Quem julga conhecer esta cidade não saberá certamente o que escondem os seus ricos subterrâneos e também uma ligação mais profunda e mais estranha do que a existente maioria das cidades.
Neles se escondem milhares de quilómetros de túneis, de metro, esgotos, canais, reservatórios, criptas e cofres de bancos, adegas transformadas em clubes nocturnos e galerias. Mas os espaços mais surpreendentes são as carriéres, as pedreiras de calcário exploradas para extracção de pedra até ao século XIX.
De festas privadas a antros de criminalidade, ali tudo acontece.
Os catáfilos – nome pelo qual são conhecidos os indivíduos que amam a Paris subterrânea, são uma comunidade clandestina, sem códigos nem líderes e cujos membros chegam a passar vários dias e noites seguidos nas profundezas da cidade.
A maioria dos parisienses mal sabe do tamanho deste mundo, mesmo quando deslizam sobre os ossos dos seus antepassados durante as viagens de metroplitano.
Nas suas catacumbas, repletas de crânios e fémures, empilhados como lenha, crepitam os sons e risos desconfortáveis de turistas, por vezes obrigados a horas de espera para entrar.
Seis milhões de esqueletos parisienses, exumados dos cemitérios superlotados nos séculos XVIII e XIX, foram literalmente atirados para dentro dos túneis das velhas pedreiras.
Já Victor Hugo, em os Miseráveis, a eles se referia chamando-lhe “ a consciência da cidade”.
No entanto, apenas dois quilómetros dessa extensão (as catacumbas) se encontram abertas ao público.
Das pedreiras existentes foi retirada a pedra para a construção do Louvre e da Notre Dame e não raras são as vezes que a terra engole um prédio, talvez construído com parte das entranhas retiradas da terra.
Paris - é um enigma que adoro decifrar!
À bientôt!

Compilação feita a partir da National Geographic

19 de agosto de 2011

Edital eficaz



À porta duma taberna moderna descobri este pequeno e-mail, dirigido a todos os internautas do tinto.

Claro que não se pode ter tudo - um copo de três e os cêntimos para o pagar.

Talvez seja esta uma das formas de eu recuperar a pequena montanha de cheques carecas que abundam cá para os meus lados.

Em Roma, sê romano!

O VENHÃO é que pode não ser entendido por todos os devedores!

11 de agosto de 2011

Sou uma tragédia!



Do blog do meu filho Bruno, www.b-solonely.blogspot.com não resisti a transcrever o prosaico desarrincanço, que às vezes chega a todos.


O meu filho não é uma tragédia - é um espanto!



Quero morrer aqui. Numa noite de tempestade. De sete-ponto-três na escala de Richter, de preferência. Sem essa coisa dos filhos e dos netos em redor. Que mania vil e sem gosto. Enfiado num pijama de seda (que por enquanto me recuso usar), acabado de chegar da caravana de Veneza. É, os velhos têm mais frio.



Quero morrer aqui. Qual anacoreta dos luxos. Cenobita de fachada. Falso indouto. Vá, apressem-se a cunhar-me a lápide. E já agora que lá vêm tragam-me cartas d’Armenia para eu queimar que me apraz muito o aroma e abafa o cheiro a branco. É, os brancos cheiram a mortos.
….

Quero morrer aqui ao som do cravo razoavelmente temperado (pelo qual ando ultimamente apaixonado). De barba aparada e bigode proeminente, garrafa numa mão e charuto na outra, protegido por Teutates e Taranis de Lucano e a rir-me para Lug:

- Ah, ah, ah… para ti

Sou uma tragédia
...

Quero morrer aqui. Com a voz da diva grega a cantar-me Puccini ao ouvido

(eu para ela em surdina, entre dois goles com a voz arrastada e já sem fôlego a sussurrar-lhe aquilo que sempre lhe quis dizer); isso, aproximem-se:

- O teu namorado…

- Sim

- O Grego…

- Diz

- … era um parvo do caralho


(é. Os brutos não sabem falar)

E ouvir o bater do coração. O correr em direcção à porta, o fechar com estrondo e os soluços:

- Não vás para aí

(Aplausos)

Sim, vá, digam lá:

- És uma tragédia

- Eu sei

….

Quero morrer aqui. Ao som das suites para violoncelo de Bach. À meia-luz. Ao sabor de um vintage Trinidad. De fato e gravata. De sapatos por medida calçados. De echarpe e sobretudo de caxemira, de luvas e chapéu. Pronto para a noite de estreia. Pronto para o primeiro dia:

«O mio bambino caro…»

- Voltaste
….

Quero morrer aqui. Cabeça, tronco e membros. Morte completa. Olhos, ouvidos e boca voltados para o Böcklin aos pés da cama. Aquele da ilha dos mortos. O melhor que já vi. Vá, digam lá:

- És uma tragédia

- Eu sei
….

Quero morrer aqui. Cama de pé alto. Dossel acetinado. Em silêncio. Com o Auto da Barca do inferno à cabeceira. O tolo que me queria tornar, que esse não vai para onde eu vou:

“Welcome to hell, we buy, we sell”

- O senhor, por aqui
….

Quero morrer aqui. Nuzinho, ao léu. Pau-feito de caçador. Em riste. Piamente, de preferência. Sem crucifixo à cabeceira. Sem Santos nem ladainhas de altar. Sem rezas nem promessas. Sem píxide. Sem flores. Vá, digam lá:

- És uma tragédia

- É verdade


….

Quero morrer aqui. De máscara nos genitais. Traços faciais distorcidos. Abstracto. Com Valium e Zoldipem. Qualquer ser pelo qual se tenha uma ideia abstracta só poderá existir de forma abstracta. Ha,ha…, tem graça:

- O quê

- És uma tragédia

- Pois sou

….

Quero morrer aqui, para que fique registado. Sem choro, sem lágrimas. Não é difícil de imaginar. Concentrem-se vós que cá ficais, para que nada passe em vão. E muita atenção à luz, muita atenção à cor, que nada mais vale na orgia dos sentidos que aquele da visão.
E para os outros, para aqueles que me quiserem seguir: evitem abrir a porta à minha direita, pois uma vez aberta:

«Lasciate ogni speranza, voi che entrate» *


- Eu sei. Sim, sou uma tragédia

*Perdei toda a esperança, vós que entrais
do Pórtico do Inferno
in: A Divina Comédia; Dante Alighieri


8 de agosto de 2011

Raul Solnado - dois anos depois!

Com o meu pai, a caminho de mais uma sardinhada!

Com Júlio César, seu grande amigo e confidente dos últimos trinta anos. Havia feijoada na tasca!

Que mania eu tenho de tirar fotos em todo o lado. Mas depois sabe-me bem.


Raul

Sei que não gostavas de comemorar aniversários. E este, muito menos!
Mas o que conta para os que por cá se vão mantendo é a grata recordação que as fotos nos vão lembrando e a ternura que punhas em cada palavra, nas abordagens constantes da populaça, aquela onde eu pertenço.
Apesar de tudo, meu querido amigo, lá onde estiveres, faz o favor de seres feliz!

Ainda te lembras do que dizias às "piquenas"?

- Vê lá se vens bonita!

Passaram dois anos! Que saudade!

5 de agosto de 2011

Mentirinha!



Um tipo foi à Casa da Sorte e dirigiu-se à empregada dizendo que queria jogar na lotaria.
- Olhe, não tenho a menor ideia sobre quais números escolher para comprar uma cautela. Pode ajudar-me?
- Claro, respondeu ela, vamos lá.
Durante quantos anos frequentou a escola?
- 8
- Perfeito, temos um 8.
- Quantos filhos tem?
- 3
- Óptimo, já temos um 8 e um 3.
Quantos livros você já leu até hoje?
- 9
- Certo, temos um 8, um 3 e um 9.
- Quantas vezes por semana faz amor com a sua mulher?
- Caramba, isso é uma coisa muito íntima - diz ele.
- Mas você não quer ganhar na lotaria?
- Está bem, 2 vezes.
- Só??? Bom, deixe lá.
- Agora que já temos confiança um com o outro, diga-me.
Quantas vezes já fez sexo com outro homem?
- Qual é, minha? - diz o homem, zangado
- Sou muito macho!!!
- Não fique chateado. Vamos considerar então zero vezes.
- Com isso já temos todos os números: 83920.
- O tipo comprou o bilhete que correspondia ao número escolhido.

No dia seguinte foi conferir o resultado:
- O bilhete premiado foi o 83921.
- F... da P...! Por causa de uma MENTIRINHA de MERDA não fiquei milionário!!!

(Vale mais ser honesto, né?)

1 de agosto de 2011

Feira Popular - a quanto obrigas!

Como é que um homem não há-de ser saudosista? Anda um gajo sempre à procura duma tasca humilde, porque as há que o não são, ou dum petisqueiro recanto e eis que um punhado de interesses económicos desfaz o sonho dum pobre de Cristo. A gente sabe que o local, em Lisboa, onde ficava a Feira Popular era por demais nobre para as pequenas alegrias do Zé Povinho. Mas também sabe que os pobres também têm direito a viver as suas pequenas alegrias enquanto não chega o papão da abastança. Nunca consegui perceber a razão pela qual, quase à pressa, se acabou com a Feira, para depois aquele ninho de ratos em que se tornou, ali estar anos sem fim, à espera que cheguem os guindastes do capital e do progresso. Que culpa tenho de do alto da roda gigante sentir o cheiro sacrossanto das sardinhas e da frangalhada, já que a um eu não resisto e aos pitos já não vejo? Até a teta da vaquinha consolava, com parcos escudos, quem dela quisesse mamar. Apesar de me saber bem o tempo das candeias, as pistas dos carrinhos de choque, o jogo das setas, o café dos pretos, apetece-me rodopiar no poço da morte deste meu descontentamento. Do comboio fantasma que assustava os incautos, da casa dos espelhos, onde a vaidade se perdia e da casa do terror já nem falo, porque para terror já basta este de não os ter ainda. 
- Vai um tirinho freguês? 
E o jogo da catrefada de panelas? E a montanha russa, onde os gigantes estavam mais perto do céu?
É o carrossel da bicharada, quem não tem cabeça não paga nada!
Ora porra! Não podiam esperar mais um pouco e deixar-me polvilhar meia dúzia de farturas, tantas as vezes quantos os anos que já passaram sem tal gostinho? É que a Feira Popular era como o vinho verde. Onde efectivamente as coisas me sabem bem, é em su sítio. Uma sardinha comida na feira, não é o mesmo que uma sardinha comida no restaurante, assim como uma vinhaça verdinha, não tem o mesmo sabor, no copo, daquele que é bebida na malga, lá nas entranhas minhotas. Já me esquecia dessa coisa chamada ASAE que além de zelar pela nossa saúde também nos leva o que nos sabe pela vida. Tonteiras de anacrónicos pensamentos, digo eu! Eu, que "premonizei" me ver de gajato a fazer tanta coisa que gosto, vislumbro também o perder do olfacto inebriante dessa rainha de escamas, pois até os mares andam de mal comigo, dando-me espinhas sem sabor. E de que me serve perorar aos ventos se o vento nada me diz? Resta-me aqui ficar, pobrete, alegre e alegrete! 
Às vezes - progresso, a quanto obrigas!

29 de julho de 2011

Camisa XXXL



Helena e Gilda, duas solteironas, são donas de uma farmácia. Entra um homem e pede uma camisinha.

Helena atende e traz a camisinha...
- É pequena - reclama o freguês.
E Helena traz uma maior:
- Ainda é pequena...

E Helena traz a maior do stock.
- Desculpe, mas tem de ser maior...
Helena grita para a Gilda, que está no armazém da farmácia:
- Ó Giiiiiiilda! Está um homem aqui, que precisa de uma camisinha maior que a XXL! O que é que eu lhe ofereço?
- Oferece-lhe, casa, comida, roupa lavada e sociedade na farmácia!

25 de julho de 2011

Verdinhas e maduras

Vox Maris - o outro lado


São loucas? São loucos?


Nada disso! São apenas gente que empurrou o ócio para os confins da vida. São gente de todos os quadrantes etários, humorísticos e profissionais, que não pactua com a mãe de todos os vícios - a preguiça. E quem canta, seus males espanta!


São afinal gente da minha gente.


Vox Maris - Gostei de vos conhecer!



22 de julho de 2011

Mãe - Sabes bem!



Sei que espreitas os meus passos, os meus defeitos, as minhas loucuras, mas sei também que continuas a olhar por mim. Sinto-o!

Sabes bem - que não esquecerei nunca o dia do teu aniversário, o dia da tua partida e todos os dias da nossa existência.
Sabes bem - que eu sei que fui sempre o teu menino, aquele a quem enrolavas os dourados caracóis com dedos de ternura, paixão tua dos tempos quedos.
Sabes bem - que parti um dia contigo no olhar e voltei com o olhar em ti. E tu retribuíste-me há uma década atrás com um “adeus filho – não volto mais”.
Sabes bem - que penso sempre nos campos de espinhos que pisaste por mim para agrilhoar o melhor do nosso tempo, manumitindo-me uma adolescência precoce.
Mãe - a ti deixo os meus longos beijos, os meus fortes abraços, as mais ternas carícias, as mais belas odes de amor.

Fica o júbilo de saber que tudo isto te dei em vida, não sendo estas palavras vãs, na esperança que um dia os poetas não me excluam do seu reino.
Oitenta e sete anos seriam uma linda idade! A mais bela, para quem já só queria saudar cada manhã.
Resta-me a fé, aquela que me dá a esperança de te reencontrar um dia, talvez numa galáxia distante onde o pó não volte ao pó.
Parabéns Ana! Parabéns mãe!

Sabes bem - que bem me sabes!

18 de julho de 2011

Paris - antes e depois!















fotos tiradas no mesmo sítio 40 anos depois.

A figura longilínea de outrora já se perdeu há muito.

Dela restam os cabelos grisalhos e ausentes, o amor pela cidade e o sorriso, às vezes enigmático e distante.
Como foi feliz nesta cidade!
Ali passou momentos impossíveis. Sem pai, sem mãe, sem amigos, sem dinheiro, sem casa, mas com o coração carregado de energia que o universo lhe transmitia, ao raiar de cada manhã.
Ali albergou esperanças que nunca chegaram. Ali perdeu enganos que não sonhou.
Ali amou, chorou, riu, aprendeu, e perdidamente descobriu para que lado corria o rio da vida. Ali voltou algumas dezenas de vezes, sem nunca mais ter calhado sentar-se no mesmo muro, quase ignorando o Sena que atrás de si corria para os lados da saudade, nem atremando às suas margens
Ele é ainda uma criança. Cheia de sonhos, aventuras, olhares e afectos.


E eu, sou um menino velho, a descobrir os ribeiros das altas montanhas e o mundo dos balzaquianos!


Às vezes - quase sempre, é muito bom recordar!
(ao meu querido amigo David Sousa, autor da foto mais recente e a aqui injustiçado com a autoria da foto, o meu abraço de cumplicidade) Mil desculpas David!




12 de julho de 2011

Perdidos na Tribo - Achados aonde?

Vi no Domingo passado, com alguma atenção, este programa da TVI.
É evidente que toda a gente tem direito a ser famoso, não importando o preço que tal epíteto tem nas massas cor de rosa.
Fiquei estarrecido com o que vi. E pergunto:
- Então aquela gente, a troco dalguns milhares de Euros, não aceitou o desafio para viver da mesma forma que a tribo que lhe estava destinada?
Sei bem que os desafios sempre motivaram o homem (e a mulher) mas daí até ao ponto de se negarem a fazer determinadas tarefas vai uma distância enorme.
Também é certo que às vezes falamos de coisas das quais não conhecemos a sua essência, pois pode ter havido alguma cedência por parte da TVI, de forma a que não fossem obrigados a fazerem o que os nativos lhes pediam, mas aceitar um desafio daqueles e depois prantarem-se em chorrilhos de "ai que nojo" e "não consigo", aí é que começa a minha indignação. Nestas coisas, ou se tem tomates para a aventura ou se fica em casa. Agora, ser famoso a qualquer preço é que não.
Também não entendi o facto de homens e mulheres que com relativa facilidade se despem frente às câmaras das telenovelas não tenham querido usar o traje da tribo apenas porque era contra os seus princípios. Aceito e entendo, já que há sempre alguém que não quer mostrar o rabiosque, mas então não tinha aceite o convite para o qual foi pago (e alguns principescamente).
Não conheço os termos do contrato mas se fosse eu o produtor do programa, lá teríamos mais um processo em tribunal por incumprimento do mesmo, pois seria condição "sine qua non", viver a 100%, como os indígenas.
Como os protagonistas também se queixam das coisas ocorridas, menos boas, talvez esteja aqui repartida a culpa que as audiências obrigam.

Mas a culpa de tudo isto é minha, que perdi tempo a olhar o que nada tinha para ver.
Às vezes - a gente engana-se!

9 de julho de 2011

A carta - Mª José Nogueira Pinto

Nada tive contra, nem a favor desta senhora, desaparecida do mundo dos vivos há poucos dias. Dela apenas conhecia o seu mediatismo.

Fica-me este relato tão tranquilo, escrito poucas horas antes de morrer, de alguém que se despediu assim da política e da vida.
Que não me falte esta serenidade, na hora da partida.


(Publicado no Diário de Notícias de ontem 8 de Junho de 2011)
Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.


7 de julho de 2011

André Moa - Em frente!

Ontem, no lançamento dum livro e numa actuação do coral Vox Maris, estive com o meu amigo Moa, com a Verdinha e com o António.
Bebemos uma pinguinha, comemos uns petiscos e trocámos dois dedos de conversa.

A Verdinha, como de costume, alegra toda a malta e o Moa não lhe fica atrás apesar de debilitado.

Para os que conhecem este amigo, aqui fica o registo desse provocado encontro.

O estado de saúde dele mantém-se e a sua força interior está cada vez maior. Logo ... até já!

4 de julho de 2011

Tempo de vida

Aprendi ontem que:

Durante a nossa vida passamos em média

7 anos na casa de banho

6 anos a comer

5 anos nas filas

4 anos a limpar a casa

3 anos em reuniões

1 ano a procurar coisas

120 horas a lavar os dentes (parece-me pouco, mas ...)

(tudo isto soma vinte e seis anos)

Se atendermos a que também passamos um terço da vida a dormir, ou seja cerca de trinta anos, teremos então consumido cinquenta e seis anos. Porra!!! Vivemos tão pouco!


Pergunta agora a minha curiosidade

- E quanto tempo passaremos a ... ???


28 de junho de 2011

Anjo Meu - é um diabo!

E vai mais um copinho! É vinho de missa!


Ah meus anjinhos! (como diz a Alexandra)

Apesar de não ser muito vocacionado para qualquer tipo de telenovelas nem por isso deixo, de vez em quando, de dar uma espreitadela no pequeno ecrã para apreciar alguns amigos e amigas dessa caixinha que mudou o mundo.

A minha amiga Madalena (Manuela Couto) a irritante e parvalhona mulher do Senhor Presidente da Câmara de Vila do Anjo (qual aposta da TVI) veio almoçar comigo e lá devorámos um belissimo peixinho grelhado.

Agora mais que nunca vai precisar do meu apoio moral, pois vai revelar-se afinal uma prostituta devoradora de anjinhos, fazendo jus ao marido que tem, também ele um "putanheiro" de primeira.

Madalena! Quando fores escorraçada e acabares com uma mão à frente e outra atrás, aparece para mais um peixinho e novos desafios.

Eu estou sempre no mesmo sítio, ali ao virar da vida!
A vida tem destas coisas Manela! As maldades que nos fazem! Uma esposa exemplar, na real e meretriz sem classe, nas malhas do éter. Desculpa lá Pedro, o outro marido não tem nada a ver contigo.

Adoro as minhas anjinhas! Assim estou mais perto do céu!

26 de junho de 2011

Deus vos pague

Uma edificante estória, envolvendo a luta pela vida, religiosidade, crença e fé.

Em São Paulo, um homem sentiu-se mal no meio da rua, caiu e foi levado para o sector de emergência de um hospital particular, pertencente à Universidade Católica, e administrado totalmente por Freiras.
Lá, verificou-se que teria que ser urgentemente operado no coração, o que foi feito com êxito.
Quando acordou, a seu lado estava a Freira responsável pela tesouraria do hospital, que lhe disse prontamente:
- Caro Senhor, sua operação foi bem sucedida e o Senhor está salvo. Entretanto, um assunto precisa sua urgente atenção: como o Senhor pretende pagar a conta do hospital? O Senhor tem seguro saúde?
- Não, Irmã.
- Tem cartão de crédito?
- Não, Irmã.
- Pode pagar em dinheiro?
- Não tenho dinheiro, Irmã.
- Em cheque, então?
- Também não, Irmã.
- Bem, o senhor tem algum parente que possa pagar a conta?
- Ah... Irmã, eu tenho somente uma irmã solteirona, que é freira, mas não tem um tostão.
E a Freira corrigindo-o:
- Desculpe que o corrija, mas as freiras não são solteironas como o senhor disse. Elas são casadas com Deus!
- Magnífico! Então, por favor, mande a conta pró meu cunhado!
E foi então que nasceu a expressão: "Deus lhe pague".

21 de junho de 2011

Taormina - uma rosa entre cactos!

A Sicília tem algumas coisas que me agradam. Apenas isso.


Recantos de encanto.




Aqui decorreu, de 16 a 22 de Junho, o festival internacional de cinema de Taormina.

Oliver Stone e Mónica Bellucci, foram dois dos nomes sonantes presentes.

Para quem não tem vertigens!

Uma cidade diferente. Um oásis onde se mitiga a sede e o tempo não passa.


18 de junho de 2011

Parabéns filhote

Grazie figlio mio!

Parabéns filhote!

Faz hoje trinta e dois anos que nasceu o Bom-çalo.
Calhou este ano, que o seu dia fosse passado comigo, nas águas dos Mares Jónico e Tirreno.
Aqui, perto da cratera central do vulcão Etna, em actividade constante há milhares de anos, tentamos descobrir a diferença entre a insignificância do homem e a força das entranhas da terra.
Às vezes – é muito bom ser pai, carente de afagos e beijos mil.
Parabéns Gonçalo!

16 de junho de 2011

Júlio César - uma vida de sucesso!

Parabéns amigo!
Os aniversários são para comemorar com os amigos e um dia é um dia, um ano é um ano.
Aqui quase poderia colocar a tua biografia, mas deixo um perfume no ar.
Parabéns Júlio!


11 de junho de 2011

Arriverdeci!



Adoro a montanha, mas uma prainha de tempos a tempos também não calha nada mal.


Atendendo a isso e ao menino velho que sou, aqui deixo uma recordação de duas coisas que gosto imenso - areia e ... mar!

De lá, das entranhas do Etna e das areias vulcânicas, mandarei notícias.

Arriverdeci!!!

6 de junho de 2011

Mulher - um enigma!

Mulher - esse enigma, que admiro mas não entendo!


30 de maio de 2011

Só por amor!

Sei bem que estava na fase madura da minha vida e não sendo ainda condor também não era propriamente ave de rapina, mas ...


Talvez tocado por Afrodite, trilhei sempre caminhos plenos de paixão, ora a dar, ora a receber. E se bem que os meus olhos apenas vissem o paraíso onde reinava essa coisa maravilhosa chamada mulher, não conseguia evitar que algumas pessoas (homens e mulheres) se fossem atravessando, tentando a sua sorte.

Foi neste contexto que certo dia, um rapazola que diariamente se debruçava á janela do primeiro andar onde morava e quase diariamente tentava acertar-me com o fulminante do seu olhar sem nunca me atingir nem sequer de raspão.

Habituado que estou, desde sempre, a tudo fazer para colmatar as necessidades de não importa quem, eis que um dia este jovem (ele teria vinte e poucos anos e eu quase quarenta) entra no meu escritório e delicadamente pediu-me se eu não me importava de lhe preencher, à maquina ou em computador, um envelope que ele pretendia enviar para uma Sexshop na Holanda.

Meio embaraçado com semelhante pedido, acedi.

Fui ao computador, escrevi o remetente e o endereço, mandei imprimir e eis que o envelope fica prontinho. Entreguei-lho e verifico que ele fica a olhar para o envelope sem nada dizer. Pergunto-lhe se está tudo bem e finalmente arranja coragem para me dizer:

- É mesmo isto que eu quero, mas se não se importa preencha-me outro e escreva o endereço um pouco mais à direita.

Perplexo com o pedido e sorrindo para dentro, fui ao computador, empurrei o texto mais para a direita e imprimi outro envelope, que lhe voltei a entregar.

Olha para o envelope, fica a olhar para mim e com gestos e linguagem próprio de quem prefere os homens em detrimento das mulheres, quase implora.

- Ai meu senhor, está óptimo mas se não o incomodasse muito pedia-lhe para puxar o endereço mais para cima.

Perante isto e a transbordar de apetência evangelista, fiquei danadinho para ver até onde é que iriam os seus pedidos. Lá fui preenchendo envelope atrás de envelope, já que havia sempre algo que não estava a seu contento, até que ao sétimo dia, aliás envelope, o seu sorriso se abriu.

- Que maravilha! Agora está excelente! Por favor, diga-me quanto lhe devo?

Com alguma pena por não poder testar até onde iria a minha paciência, respondi-lhe:

- Não deve absolutamente nada!

Surpreso com a minha benevolência, insiste:

- O senhor teve um trabalhão e não me leva nada porquê!

Quase sem pensar, a minha veia diplomática iluminou-me e respondi:

- Porque há coisas que eu só faço ... por amor!


Ainda hoje o vejo regularmente mas julgo já não estar por mim apaixonado!



27 de maio de 2011

Adieu - mon vieux Jacques

Havia algo de semelhante nas nossas vidas. Havia ainda muitos repastos para saborear e muitas estórias para contar. Havia um amigo, que já não há.
Adeus amigo! Adieu mon vieux Jacques!

À bientôt!

23 de maio de 2011

Às vezes - obrigado amigo(a)s!

Na passagem do meu sexagésimo aniversário recebi centenas de manifestações de carinho, sob todas as formas de contacto, que desde já agradeço.
A todo(a)s o meu obrigado e podem contar sempre com a minha amizade.

Dessas manifestações não posso deixar de realçar a prenda que me foi oferecida por estas minhas quatro lindas amigas.
Copiaram do meu blog desde o seu início em Fevereiro de 2007, setecentos e vinte posts e transformaram-no neste caderno/livro.
Muito mais que uma simples prenda, é acima de tudo algo que eu já tinha imaginado, sem no entanto ter arranjado coragem para tal.
À Antonia, à Alice, à Beta e à Carla o meu sentido agradecimento.

Passo a transcrever a mensagem que escreveram na capa do caderno


Na passagem das horas, dos dias, dos anos …
No virar das páginas da vida
Trazes dentro do coração
Os lugares onde estiveste e viveste
As janelas que abriste e miraste
Os cheiros e as sonoridades

Os rostos, os sorrisos e as lágrimas
Os gestos, os sentimentos, as sensações
Tudo isso e tanto

E no entanto tão pouco para descrever a pessoa …
Haverá sempre mais um minuto, mais uma experiência
Mas o mesmo Kim de sempre
Mais experiente, mais calejado, com mais tempo para dar …
Mas sempre a mesma face sorridente e modo afável
Criativo e atento ao mundo
E sempre de braços abertos para os seus amigos

Das meninas, Antónia, Carla, Alice e Beta, para o melhor Boss do mundo
Com muita amizade - Parabéns!

20 de maio de 2011

Às vezes - volto a nascer!

Foi há muito!
... e hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!
Nem sei como se pode agradecer a quem me colocou neste mundo mas devo-lhe o sorriso que os meus olhos sempre tiveram.
Tem sido uma vida díficil e nem sei se tenho culpa de ter vivido, pecado, amado ... perdidamente!
Serge Regianni cantou um dia:
- Bebo às mulheres que não amei, aos filhos que não tive e a ti que me quiseste bem!
A quem amei, a quem amo, aos meus filhos, aos meus amigos, deixo o grito dum homem feliz. Muito!
Às vezes - sinto-me diferente! Nas virtudes e ... nos defeitos!



Sabendo da minha tristeza por um um ano desportivo menos bem conseguido e não ignorando que não há mal que sempre dure, dois amigos (jogadores internacionais do meu Benfica - Futsal e da Seleção do Brasil) visitaram-me para me dizer que o amanhã é já a seguir e uma nova vida renasce todos os dias.

César Paulo, Diego Sol e uma prenda antecipada para mim - a camisola do jogo que o sagrou campeão europeu ao serviço do Benfica.



Obrigado César pelo peso que tem esta "camiseta" com tu dizes. Não é todos os dias que se é campeão europeu nem todos os dias se oferece a recordação que esse dia deixou.
O meu filhote Luís, agradece.


Faltam-me apenas amigos no des(Porto), para me dar bem com ... Deus e o Diabo!

17 de maio de 2011

Vota - apesar dos filhos ...!



Alguém teve a brilhante ideia de dizer o que muitos pensam e ... fazem!

11 de maio de 2011

A Feira do Livro - e eu!

Findara o dia. Igual ao de ontem, do mês passado, de há muitos anos.
O 746 levava-me directamente ao Parque Eduardo VII e não hesitei um segundo em nele entrar e ir até à Feira do Livro.
Às vezes, sabe-me bem deixar de lado as mordomias e o conforto burguês a que nos vamos habituando, usando a nossa carripana para tudo e para nada. Quando a isso não sou obrigado, é-me grato entrar num qualquer autocarro e sair onde me apetecer. Assim fiz desta vez, só que havia a diferença dum destino traçado.
No autocarro entretive-me a ler os
rostos dos velhos que iam entrando. À esquerda, à direita e quase colados no meu olhar, ei-los a desfilar me na mente, imaginando a beleza que outrora cada rosto daqueles terá encerrado. É estranho que os problemas da vida me deixem ainda tempo para reflectir sobre uma realidade, já tão próxima da que à minha frente galopa. Mais estranho ainda é que consegui também saltitar nas suas vidas e nos seus problemas.
Provavelmente não terei acertado. Certamente constatei uma realidade. Passamos ao lado uns dos outros sem que o ego se transporte para a margem oposta.
O rei está na barriga e eu já começo a ter alguma. Que pena!
Quando não tiver para onde olhar, restam-me “os amigos” que adquiri, à espera que o impulso os devore.

Às vezes - eu e todas as espécies de feiras, falamos a mesma linguagem!



9 de maio de 2011

Saramago - a tela da cumplicidade!

Em tempos ... não gostava de Saramago-homem (e não gosto muito, ainda).


Depois, os amigos presentearam-me com ... coisas várias.


Explicações sobre a sua pessoa, livros e alguns debates sobre o tema, aliviaram os meus temores, sem no entanto os dissipar.


Saltar do homem ao escritor, foi um pulinho e instalei-me na imensidão dum cérebro congeminador de sonhos e pecados, ciente que entre o divino e o pagão a diferença não existe.


A marcar tal ironia, um amigo de longa data ofertou-me esta tela que marcará o princípio do arrependimento. Não é díficil adivinhar quem foi o ofertante!


Um beijinho à mãe dele, D.Irene (passam agora cinco anos de saudade)


José Saramago