30 de janeiro de 2010

Sobe Maria sobe

Maria!
Às vezes o amanhã está diante do nosso olhar e não queremos enxergá-lo.
Julgamos estar no final da estrada, quando apenas mudamos de rota.
Desesperamos porque é o caminho mais fácil.
Partimos porque temos pressa de chegar.
Não acreditamos porque somos gente de pouca fé.
Desistimos porque não lutamos.
Maria!

Às vezes, os alcatruzes da roda, que são também os da nora, mesmo quando cheios de nada, sobem e descem, enchem e despejam e continuam na inexorável caminhada do seu destino.
Às vezes, parece que partiste um pouco!
Sobe Maria sobe, que a roda não pára nunca!



26 de janeiro de 2010

Miklos Fehér - seis anos depois

(Equipamento usado no fatídico dia)

Passaram ontem seis anos sobre a morte de Miklos Fehér. Em pleno jogo, no Estádio do Vitória de Guimarães, o jogador do Benfica caiu fulminado por um ataque de coração.
Mais que o facto de ser jogador do meu clube, Fehér foi apenas mais um dos que terminaram os seus dias terrenos em pleno campo de futebol, a exemplo de tantos outros.
Também ontem os meus olhos se deliciaram com a passagem de modelos que o tempo e a idade permitem, no desfile que os jogadores do meu tempo e alguns ainda no activo fizeram no Estádio da Luz, numa festa linda em que a finalidade era AJUDA PARA O HAITI.
O jogo de ontem, entre um misto de velhas glórias benfiquistas e de ex e actuais grandes estrelas do futebol mundial, fez-me pensar, que também o pontapé na bola pode ser um entretenimento, sem as guerras que o vil metal e a ambição desmesurada que todos conhecemos. Revi-me a jogar como eu gostava sem fazer da vitória um cavalo de batalha e dos adversários um bombo de fúria.
Foi lindo ver cabecear no chão e pontapear no ar os quilos que o tempo trouxe, numa mistura explosiva de quem já não dá uma para a caixa e de quem faz ainda da bola um momento de magia.
Foi lindo recordar que o futebol pode ser jogado entre amigos sem ódios viscerais nem cores clubísticas.
Foi lindo sonhar que poderei voltar a jogar ainda … um dia!

24 de janeiro de 2010

O peso das culturas!


Homenagem aos meus amigos alentejanos, que sei também terem preferências muçulmanas.

Um muçulmano durante o período do Ramadão senta-se junto a um alentejano no voo Lisboa - Funchal. Quando o avião descola começam a servir as bebidas aos passageiros.

O alentejano pede um tinto de Borba. A hospedeira pergunta ao muçulmano se quer beber alguma coisa.

Responde o muçulmano com ar ofendido: 'Prefiro ser raptado e violado selvaticamente por uma dezena de prostitutas da Babilónia antes que uma gota de álcool toque os meus lábios'.

O alentejano engasgando-se, devolve o copo de tinto à hospedeira e diz:
- Eu também, eu também! Não sabia que se podia escolher!!!

22 de janeiro de 2010

Liedson versus Sá Pinto




Do meu amigo SEVE (sportinguista de gema, de clara, do ovo afinal) recebi o desabafo que abaixo transcrevo.

Quem me dera que este luso-brasileiro se fosse embora do Sporting! As minhas costelas benfiquistas agradeciam imenso.

Pessoalmente acho que ambos os intervenientes têm razão, mas como não sou homem de resolver as coisas à batatada, fico-me pela apreciação de quem por aqui passar.
Afinal a culpa até foi do batatal, aliás do relvado!


Kim



Então aqui fica a versão do SEVE:


SÁ PINTO- A frontalidade, a lealdade a magnanimidade (o coração ao pé da boca) são o contrário da desfaçatez, do cinismo do calculismo do malabarismo do jogo de bastidores, enfim dos males e valores (?) que varrem a actual humanidade.
Não digo que seja uma atitude de louvar, longe disso, até porque sou um acérrimo inimigo da violência mas o que tenho ouvido acerca do homem estigmatizado por Artur Jorge é que é um homem digno, de bem, com carácter e amigo do seu amigo!

LIEDSON- E quem será este brasilenho ex-caixa de supermercado (nenhuma desonra, note-se) que agora se desloca num potente BMW 590 Turbo não sei quantos e que mesmo nos dias mais escuros e nebulosos não dispensa os seus potentes óculos escuros Dolce & Gabbana, e que se acha dono de uma agremiação centenária de utilidade pública e, por enquanto, não só dono de um país porque disso ainda não teve oportunidade....

20 de janeiro de 2010

Portugal - Novas Profissões



NOVAS QUALIFICAÇÕES
(CENTROS NOVAS OPORTUNIDADES)

Especialista de Fluxos de Distribuição - (paquete)
Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde - (mulher da limpeza)
Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas - (porteiro)
Coordenador de Movimentações e Vigilância Nocturna - (segurança)
Distribuidor de Recursos Humanos - (motorista de autocarro)
Especialista em Logística de Combustíveis - (empregado da bomba de gasolina)
Assessor de Engenharia Civil - (trolha)
Consultor Especialista em Logística Alimentar - (empregado de mesa)
Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Públicas - (varredor)
Técnica Conselheira de Assuntos Gerais - (cartomante/taróloga)
Técnica em Terapia Masculina - (prostituta)
Técnica Especialista em Terapia Masculina - (prostituta de luxo)
Especialista em Logística de Produtos Químico-Farmacêuticos - (traficante de droga)
Técnico de Marketing Direccionado - (vigarista)
Coordenador de Fluxos de Artigos - (receptador de objectos roubados)
Técnico Superior de Recolha de Artigos Pessoais - (carteirista)
Técnico de Redistribuição de Rendimentos - (ladrão)
Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados - (político)

17 de janeiro de 2010

Zé do Cão!

Pois é Zé!
Arranjaste um nome simpático e até acho que nem tens cão, mas isso pouco importa

Revejo-me um pouco em ti e as tuas "estórias" são um pouco as minhas "estórias" e isso faz-me pensar que poderiamos ter sido dois bons compinchas.

Aqui te deixo a coroa que foi a tua entrada gloriosa no meu reino, sabendo que ao virar de cada esquina pode estar escondidada mais uma brincadeira, tua ou ... minha.

Um abraço amigo



14 de janeiro de 2010

Outros tempos

Até que a voz me doa e o cansaço não se acerque, aqui virei abordar um pouco de tudo mesmo não agradando a todos.
Tenho um amigo, com nome santificado, que costuma citar um seu amigo, dizendo que Deus é bom, mas o diabo também não é mau. Desta forma concilia a possibilidade de ganhar uma poltrona em lugar divino não descurando a hipótese dum simples banquinho nos quintos dos infernos. Nunca se sabe como estará a nossa cotação na hora da despedida.
É que as criancinhas que eu amo, são a melhor coisa do mundo, mas também uns diabinhos à solta quando não devidamente penitenciados desde tenra idade.
E os culpados são os pais, porque deles partem todas as veleidades que o amor às ditas cujas vai permitindo.
Então pode-se lá ignorar que um fedelho faça birrinhas de mimado, por tudo e por nada, até que lhe seja prestada vassalagem?
Claro que não, mas também há pais que jogam no mesmo clube. Hoje a condescendência com a miudagem ultrapassa as raias do razoável e depois acaba com pais e filhos metidos no mesmo saco.
Os meninos querem tudo e tudo têm, mesmo os que nada têm.
Têm influência nos pais porque não tiveram educação. Têm influência nos professores porque os pais lhes deram força. Têm influência na vida porque desprovidos de senso estão.
Abomino tons em dó maior e lamento que a resolução dum problema aconteça com o beneplácito paternal, já que os pais de ontem têm medo dos filhos de hoje.
Tenho de escrever criptado, não vão elas entender e eu ser mais um enjeitado!
Não é fácil ser adulto!?

12 de janeiro de 2010

Ai, as mulheres!

Ai, ai, ai!
Querem ver que qualquer dia ainda organizo um almoço do género do meu, mas só para mulheres!?
Acho que, pelo menos o primeiro almoço não seria mau de todo. No segundo, já acabava tudo à porrada.
UMA DAS GRANDES QUALIDADES DAS MULHERES É A DE SEREM AS MELHORES AMIGAS DOS HOMENS, NÃO DE MULHERES. O que não invalida que também haja verdadeira amizade entre mulheres, mas isso só acontece com uma ou duas amigas, mais nada.
Julgo que não tenho nenhuma amiga que não diga que prefere a amizade dum homem à duma mulher. Desde que seja uma verdadeira amizade, sem qualquer outro tipo de interesse, como é óbvio.
Até conheço muito boa gente que é bem clara a dizer que não tem amigos, nem homens nem mulheres. É que por dá cá aquela palha, cai o Carmo e a Trindade, logo não é fácil manter amigos.
A amizade demora uma vida a cimentar-se e um segundo a desmoronar-se.
Minhas queridas, vocês sabem bem que é verdade. Não há nenhum grupo de vinte mulheres (como é o nosso grupo dos homens) que se aguente muito tempo.
Um dia a casa vai abaixo. É que nós falamos das mesmas coisas que falam as mulheres e não nos chateamos. As mulheres, após as primeiros enxovalhos de escárnio e mal dizer dos homens, acabam sempre a falar de mulheres e ... mal! Verdade ou não? As mulheres dão-nos tudo, até na cabeça.
Hoje estou com um ataque de machismo e como estão sempre a chegar-me ventos com pedidos de posts polémicos, às vezes - faço-lhes a vontade.
Não vou ficar com inimigas a partir de hoje, pois não?
Mesmo assim adoro as mulheres. Estas em especial!

10 de janeiro de 2010

Almoço anual

Gigi e a simpática bailarina

Tasca do Alexandre - o homem dos cantares alentejanos

Ex-combatentes em Angola e Guiné

Foi hoje!
Pessoal da Porcalhota 2010!
É assim nos Janeiros de cada ano e já lá vão trinta e cinco.
Ainda com o longo almoço/jantar a decorrer já os sonidos da saudade badalavam por alguns cantos.
Como habitualmente, o sol awmpre raia neste sábado e só quem é bafejado pelos deuses tem direito à limpidez que os céus emprestam. Raramente chove no segundo sábado do primeiro mês de cada ano.
Dão-se os primeiros abraços, recordam-se as mesmas “estórias” e parte-se para a degluta.
Jorram então líquidos que Baco pisou e devoram-se carnes que o fumeiro curou.
Depois, voltamos às origens recreativas dos vinte anos e entre novos abraços e cantares alentejanos na Tasca do Alexandre vê-se o filme dos anos que já passaram, lembram-se os quilos que pesavam menos e as rugas que não havia.
Excepcionalmente a “dança do ventre” preencheu alguns minutos, daqueles em que se não manjava.
Depois comeu-se fado com bacalhau assado e aconteceu poesia.
Já o Sporting respirava de alívio e o Benfica ganhava, quando o dia adormeceu!

6 de janeiro de 2010

Casamento Gay

Uma agressão somente à religião Católica? Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhuma religião)

Uma agressão somente à Civilização Ocidental? Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhuma civilização)

Uma agressão somente à humanidade? Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhum grupo de humanos)

Uma agressão à Natureza? Certamente não há no Reino Animal situações de acasalamento entre indivíduos do mesmo sexo.

Casamento "gay"

Abomino histerias. E o casamento "gay" é histeria. Segundo dizem, recusar o casamento a pessoas do mesmo sexo é uma "discriminação". As pessoas dizem a palavra - "discriminação" - e esperam que eu me comova. Não me comovo. Claro que é uma discriminação. E daí? Todos os dias, a todas as horas, sobre as mais variadas personagens, a sociedade exerce as suas "discriminações". Se, por mera hipótese, eu pretendesse casar com duas mulheres, estaria impedido pela força da lei. Não será isto uma "discriminação"? Por que motivo o Estado impede que três adultos que se amam possam construir uma família em conjunto?

Arrisco hipótese: porque a sociedade estabeleceu os seus códigos de conduta, os seus símbolos, as suas instituições". São estes códigos, estes símbolos, estas "instituições" que sustentam a vida em sociedade e não vale a pena questioná-los por cálculo racionalista. Acabamos por chegar a conclusões francamente lunáticas. Se o casamento passasse a ser um mero contrato baseado no afecto (a visão sentimental da tribo), não haveria nenhuma razão substancial para impedir todas as formas possíveis de casamento: entre pais e filhos; entre irmãos; entre duas mulheres e um homem; entre uma mulher e vários homens; etc.

É justo que duas pessoas do mesmo sexo que partilham uma vida em comum possam assegurar certos direitos sucessórios ou fiscais. Não é justo desmontar o casamento tradicional para acomodar o capricho de uns quantos. Pior: o gesto apenas abriria uma nova forma de "discriminação" sobre todos os outros - pais e filhos; irmãos; duas mulheres e um homem; uma mulher e vários homens - que são deixados injustamente à porta do matrimónio. Tenham juízo e, já agora, portem-se como homenzinhos.


João Pereira Coutinho - in Expresso

Amén João!

4 de janeiro de 2010

Júlio Amaro - pinceladas!

Um dia um amigo meu, miúdo como eu, perguntou-me se queria ir à baixa. Devo dizer que eu morava na Av João Crisóstomo e a nossa ida à baixa era a pé. O pai desse meu amigo trabalhava na baixa e era sapateiro. E fui com ele. Quando chegámos aos Restauradores, junto da Kermesse de Paris, que era uma casa que vendia brinquedos aos filhos dos ricos, o meu amigo disse-me:
- Olha Júlio, fica aqui porque se o meu pai sabe que tu vens comigo, diz ao teu e podes apanhar. Assim fizemos e eu ali fiquei à espera.
Encostei o nariz às montras da kermesse de Paris. Estava deslumbradíssimo com aqueles caríssimos brinquedos importados, que só em sonhos se podiam imaginar existir, quando de repente, absorto que estava sou despertado por uma mão que poisa na minha cabeça e me diz:
- Queres um brinquedo? Olhei para a pessoa e respondi:
- Quero!
- Então anda comigo. Vamos lá dentro.
Admirei-me de ver tanta gente à volta, a fazer um semi-circulo junto da kermesse. As pessoas em silêncio eram muitas, dezenas, talvez centenas. Entrei na kermesse com esse homem e reparei que os empregados utilizaram duma deferência muito solicita para com esse homem. E comecei a ouvir:
- Boa tarde senhor presidente! Boa tarde senhor presidente!
Esse senhor, o presidente disse-me:
- Escolhe um brinquedo!
Claro que eu fui direito a um comboio Marklin, que naquele tempo só os filhos dos milionários tinham e disse:
- Escolho este!
- Não! Escolhe daquele monte!
Então escolhi, dum monte de brinquedos de dez tostões, um brinquedo que era um jogador de futebol com quatro rodas e a gente puxava com um cordel e a perna andava para trás e para a frente. Fiquei um pouco triste pois não era aquilo que queria. Quando ele vai para pagar, o empregado disse que não era nada, Senhor Doutor Salazar.
Fiquei então a saber que Salazar me tinha oferecido um brinquedo. Quando sai, ele fez-me uma festa, o povo abriu alas e eu fui para casa. O Tonecas já lá não estava. Quando cheguei a casa, a minha mãe perguntou onde tinha eu arranjado o brinquedo.
- Foi o Salazar mãe!
- Ah meu filho! Qual Salazar?
- O Salazar, mãe, o Salazar!
- Qual? Aquele de quem o teu pai fala às vezes?
- Sim esse, mãe!
- Ai filho vai-te deitar que o teu pai dá cabo de ti. Finge que estás a dormir pois senão levas uma grande tareia. Eu assim fiz!
Estava a fingir que dormia quando a minha mãe contou o sucedido ao meu pai.
- Olha, o rapaz tem ali um brinquedo e diz que foi o Salazar que lho deu.
O meu pai nem respirou. Acordou-me logo e perguntou-me:
- Ouve lá rapaz, onde é que arranjaste este brinquedo?
Outra vez com toda a naturalidade disse-lhe:
- Foi o Salazar que mo deu! E expliquei-lhe como tinha sido.
O pobre do pai ficou perplexo e viu logo que eu não estava a mentir.
- Amanhã vamos lá!
E fomos. Metemo-nos no eléctrico de circunvalação da Duque D’Ávila, descemos a Avenida da Liberdade e fomos lá. Apeámo-nos nos Restauradores e o meu pai entrou comigo na Kermesse de Paris e perguntou aos homens.
- Isto foi comprado aqui?
- Foi sim senhor!
- E foi o meu filho que comprou?
- Não senhor! Foi o Doutor Oliveira Salazar!
O meu pai, ferrenho anti-fascista, por ele deportado para S. Tomé, odiava-o tanto que, de olhos esbugalhados, pegou-me ao colo, eu que já tinha sete anos, apanhámos o carro eléctrico e até chegarmos a casa não se cansava de dizer às pessoas que entravam ou saíam do eléctrico.
- Sabe quem deu este brinquedo ao meu filho? Foi o Salazar!
Claro que o meu pai não mudou em relação a Salazar mas sabe-se lá, se no intimo não ficou agradecido pelo brinquedo que o ditador tinha dado ao seu filho e pela aproximação que tinha havido entre mim e o homem que governou este país.
Pobre pai!

1 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo


A todos os credos, religiões e raças!
A todos os que por aqui passaram, com opiniões contrárias ou não!
A todos de quem eu gosto e que gostam de mim!

29 de dezembro de 2009

André Moa - Homem do Ano!


André Moa, pseudónimo de José Guilherme Macedo Fernandes, é o homem do ano!
Pelos motivos que a gente sabe, por outros que imaginamos e por aqueles que estão para vir, André caiu na sopa duma glote colectiva.
Aqui entrou de mansinho quando no (c)anal a tempestade amainava e no ar soprava uma brisa de esperança.
André foi a descoberta feliz que uma cruzada em Setembro iluminou. Já antes, alpinos ventos me haviam feito soar a existência dum “homo magnificus” correndo ao sabor da pena e expectante pela beligerância do Senhor Recto e da Dona Próstata. Nele esperei colher sapiência, tolerância, coragem. Nele as encontrei.
Mau Tempo no Anal, sua última publicação literária, é uma ode à Cacafonia em Dói Menor que o leitor atento não desgruda.
É urgente conhecer Moa, esse prado imenso onde verdejam valores tão arredados dos homens. Urge tempo para o saborear.
Moa - Homem/Amigo do Ano!

Hossana!

27 de dezembro de 2009

Adoro mulheres pesadas



Era isto que imaginava?

Esta é a mulher mais alta e mais bem proporcionada do Mundo - vive na Holanda.

Mede 2.23 m e pesa 145 kgs !

Agora ficamos a saber que peso não é problema. A falta de estatura é que parece ser a questão principal... lógico!
Que alívio!

Talvez me afogasse naquele mar imenso, mas descobri que sempre adorei mulheres com 145 Kgs.

24 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Natal ... é quando o homem quiser!
Eu quero sempre!
Pax in terra!

19 de dezembro de 2009

Conto de Natal

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los.
Passava os dias no laboratório em busca de resposta para as suas dúvidas.
Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar.
Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse distrair-lhe a atenção. Até que se deparou com o mapa do mundo. Com o auxilio de uma tesoura recortou-o em vários pedaços e, juntamente com um rolo de fita adesiva, entregou-o ao filho.
- Vou te dar o mundo para consertar. Vê se consegues. Faz tudo sozinho.
Pensou que assim se estava livrando do garoto, pois ele não conhecia a geografia do planeta e certamente levaria dias para montar o quebra-cabeças.
Uma hora depois, porém, ouviu o filho.
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!
Para surpresa do pai o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como é que o menino tinha sido capaz?
- Tu não sabias como era o mundo, como é que conseguiste, meu filho?
- Pai, eu não sabia como era o mundo mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem. Virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e descobri que havia consertado o mundo.


Às vezes - sonho que o mundo podia ser consertado com pequenas coisas!

16 de dezembro de 2009

A evocação de Sophia


Sophia de Mello Breyner Andresen é o tema do último livro de Alberto Vaz da Silva.
A apresentação do livro foi feita hoje no Centro Nacional de Cultura e mais uma vez tive oportunidade de lá estar para dar um abraço ao meu grande amigo Alberto que me presenteou com o respectivo livro e dedicatória especial.
Guilherme Oliveira Martins, Maria Velho da Costa, José Tolentino Mendonça, Maria Cavaco Silva, Maria João Avilez, Pedro Tamen, Francisco Gentil Martins, Laurinda Alves, Francisco Sarsfield Cabral e a filha da poetisa, Maria Sousa Tavares, foram os literatos colunáveis que me foi dado descobrir entre os presentes.
Alberto estava feliz. Não porque tenha escrito um best-seller ou espere amealhar pecúlio significativo, mas sim porque fez exactamente o que pretendia e sentia ser preciso - evocar a amiga Sophia.
Está evocada!

13 de dezembro de 2009

Monumento a Júlio Amaro




O executante do projecto (Sousa)

A família - Rui, Rita, David, Margarida, Lurdes, Alexandre, Teodoro e ... Kim

Quase três anos após a sua morte, a Câmara Municipal de Portimão, homenageou o grande pintor Júlio Amaro.
Fez-se justiça a um dos mais ilustres filhos adoptivos portimonenses, já que ali não nasceu, mas lá viveu trinta e cinco anos.
Dele ficou um vasto leque de obras de arte e foi em boa hora que a CMP erigiu um monumento onde os motivos nele inscritos são da autoria do imortal pintor, incluindo um auto-retrato.
A presença de elevadas personalidades dos mais diversos quadrantes deram o mote à significativa homenagem.
Os nomes, à excepção do deputado Mendes Bota, não os conheço nem decorei já que ali não estive em reportagem profissional mas sim em representação de todos os amigos do Amaro, que com ele conviveram durante alguns anos, enquanto este viveu na Amadora.
Sei agora que sempre que passar por Portimão, o meu olhar desviar-se-á para uma visita ao meu futuro ex-libris desta cidade.
Gostei de ver-te Amaro! Muito! Muitíssimo!

11 de dezembro de 2009

Parabéns - Dolce Laura

Oh miúda! Tás gira! Tás tás!
Se escrevesse o que me apetecia dizer sobre ti, corria o risco de fazer chorar as pedras da calçada. Como hoje é dia de festa não vale a pena entrar por caminhos sinuosos, antes por largas avenidas onde beligerantes poemas não brotam.
Meio século de solidão não chegou para que fosse cumprido o posfácio da tua existência. Outro meio século esta na forja. Aproveita-o com as descobertas que vão surgindo saídas duma neblina que parecia eterna mas não real.
O mundo é já ali ao lado e os amigos, quando verdadeiros, porque senão não o seriam, às vezes só não ajudam porque também eles precisam do abraço protector dum qualquer querubim.

Chamei-te Dolce porque já basta o acre do teu outro mundo, agora por novos mares navegado.
A Barca Bela levar-te-á a porto seguro.
Ressuscitaste miúda. Aleluia!

10 de dezembro de 2009

Parabéns Bicho

Às vezes ... as palavras são as mesmas!
Trilhámos juntos, caminhos vários. Às vezes, sinuosos, outros, nem tanto. Cruzámos terras tantas, em busca de emoção. Tivemo-la, envergonhada.
Falámos com rochedos, quando o mundo nos esquecia.
Saltámos barreiras, quando o fôlego o permitia.
Juntámos amigos, quando a saudade pedia.
Partilhámos segredos, em tempos remotos.
Amámos, quando nos deixaram.
Falaremos, quando nos entenderem.
Partiremos, quando nos não quiserem.
Parabéns Luís! Parabéns Gigi!

7 de dezembro de 2009

Ary dos Santos - O grande!

Faria hoje setenta e dois anos.
O que sei do Ary é apenas aquilo que toda a gente da minha idade e que não pertencia ao meio, sabe. Sei ainda que era um militante acérrimo de palavras que o vento levou e a poeira cobriu, envolta em névoas que a bruma continua a tapar.

Grande declamador, enorme poeta!
Alguém me disse recentemente que “a meia idade” é quando paramos de criticar os velhos e começamos a criticar os novos.
Provavelmente por isso, aqui está uma meia idade, a fazer a apologia duma outra meia idade, um pouco mais avançada.
Pois bem, Ary dos Santos foi enorme em TUDO o que fez na vida.

Li há poucos meses uma entrevista, julgo que com Carlos do Carmo, em que o entrevistado falava do Ary com uma profundidade que até então eu nunca ouvira.
Fiquei a saber que Ary era uma criança crescida, com medo de dizer ao mundo, coisas que o mundo sabia.
Tinha medo da solidão, do abandono, do fim. E quem não tem?
Ficou a ecoar nos meus sentidos, a força que imprimia em cada sílaba, em cada expressão, em cada gesto. Ary era a força das amarguras doutrem, dos candidatos a poeta, dos que gritam apenas falando.
Ary abriu-me o livro das mais belas palavras e trocadilhos nunca antes inventados.
Jose Carlos Ary dos Santos, poeta castrado, NÃO!

5 de dezembro de 2009

Dia Mundial do Voluntariado

Aos voluntários de todo o mundo!
Aos que se entregam sem nada receber e a todas as minhas amigas que disso fazem uma extensão do dia, a minha vénia por tal facto.
Quando o tempo é farto e a vontade existe, há sempre alguém que espera um pouco desse tempo e dessa vontade.
Quando no centro do peito se não tem uma pedra, sobram os afectos e se multiplicam os afagos, está encontrada aquela que, não resolvendo os males do mundo, o ajuda a melhorar.
Ser voluntário(a) é muito mais que uma palavra de carinho no cume das incertezas.
No Dia Mundial do Voluntariado vai o meu pensamento para esse(a)s anónimos dos dias negros da vida.

2 de dezembro de 2009

Júlio Machado Vaz - o lado invisível do sexo

Acabamos sempre por criar empatia por determinadas pessoas com quem nunca falámos. Ou porque o seu aspecto nos agrada, ou porque os seus sorrisos contagiam, ou ainda porque dizem coisas sérias a brincar.
Ora, uma dessas pessoas, por quem nutro enorme empatia, é o médico psicólogo e sexólogo Júlio Machado Vaz. Não só pelos motivos citados, mas por outros que se lhe adivinham.
Seria um grande compincha se os nossos caminhos se tivessem cruzado lá prós lados da Porcalhota. Mas ... o Porto o brotou, o Norte o retém.
Assim sendo, do amigo que não foi meu, aqui deixo palavras que não são vãs!

Oração das Mulheres Resolvidas

Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo, que a fonte nunca seque e que a nossa sogra nunca se chame Esperança, porque Esperança é a última que morre...
Que os nossos homens nunca morram viúvos e que os nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!
Que Deus abençoe os homens bonitos e os feios se tiver tempo!
Deus... Eu vos peço sabedoria para entender um homem, amor para perdoá-lo e paciência pelos seus actos, porque, meu Deus, se eu pedir força, bato-lhe até matá-lo.
Um brinde... Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos. Um brinde também aos namorados que nos conquistaram, aos trouxas que nos perderam e aos sortudos que ainda nos vão ter!
Que sempre sobre, que nunca nos faltem e que a gente dê conta de todos! Amén.
P.S.: Os homens são como um bom vinho: todos começam como uvas e é dever da mulher pisá-los e mantê-los no escuro, até que amadureçam e se tornem uma boa companhia para o jantar.

1 de dezembro de 2009

Mulher lúcida!

Visão muito lúcida e inteligente duma mulher.

Um palerma qualquer, após vinte e cinco anos de casado, teve o desaforo de ter este desabafo com sua mulher.

- Querida, há 25 anos nós tínhamos um carocha, um apartamento caindo aos bocados, dormíamos num sofá-cama e víamos televisão a preto e branco num ecrã de 14 polegadas. Mas, todas as noites, eu dormia com uma mulher de 25 anos. Agora nós temos uma mansão, dois Mercedes, uma cama super King Size e uma TV plasma de 50 polegadas, mas eu durmo com uma senhora de 50 anos. Parece-me que és a única que não está evoluindo.

A esposa, que é uma mulher muito sensata, disse-lhe então sem sequer levantar os olhos do que estava fazendo:

- Sem problemas. Sai de casa e encontra uma mulher de 25 anos de idade que queira ficar contigo. E se isso acontecer, com o maior prazer eu farei com que tu, novamente consigas viver num apartamento caindo aos pedaços, dormindo num sofá-cama e conduzindo um carocha.

Sabem que o homem ficou curado da crise de meia-idade? Estas mulheres maduras são realmente o máximo!

E PARA COMPLETAR...

- Querida, responde-me, onde está aquela mulher linda e sexy com quem eu me casei?
A mulher respondeu:
- Querido, comeste-a! Olha bem para o tamanho da tua barriga!

Às vezes até me sinto mal! Às vezes os homens são mesmo parvos!

29 de novembro de 2009

André Moa - sete décadas depois

André Moa nasceu em Tabuaço, concelho românico e romântico do Douro Vinhateiro, Património Mundial.
Licenciado em Direito, foi magistrado do Ministério Público, advogado, professor, autarca, técnico superior e dirigente da Segurança Social. É agora escritor, poeta e ... paciente.
Foi assim que recebi este legado humano de humilde sabedoria.
André Moa é o pseudónimo de José Guilherme Macedo Fernandes. Nasceu a 29 de Novembro de 1939.
Hoje, Moa seria sempre notícia, pois completa setenta anos de vida. Mas, Moa será sempre um símbolo de coragem e tenacidade, pela luta que tem travado com o maldito caranguejo que teima em tolhê-lo com suas fortes tenazes.
Homem extraordinário de simplicidade suprema, esgota a tristeza de quem dele se acerca. Frágil e franzino não denuncia a força que dele emana.
Mas … dele não importa falar, antes conhecer.
Meu querido Moa, como eu lamento ter chegado tão tarde a ti!

À ta joie de vivre! Parabéns!

28 de novembro de 2009

Atelier de Arte



Exposição colectiva de pintura e artesanato!

Hoje e amanhã - 28 e 29 de Novembro - a Maria (das Caldas) expõe em Lisboa.
Ali estará ela e alguns outros artistas, aguardando a visita de clientes e amigos.
Mostra colectiva de pintura!
Escultura em barro vermelho!
Pintura decorativa!
Lá passarei, Maria!

27 de novembro de 2009

Parabéns filhote

O meu filhote “caçula” faz hoje 16 anos!
Às vezes – tenho dúvidas sobre as suas certezas. Outras, certezas sobre as suas dúvidas.
Óptimo aluno e alegre contagiante, nele me revejo, num espelho por vezes embaciado pela descoberta da adolescência e de convicções quase sempre perenes.
Nos defeitos, herdou de mim a teimosia e outros que não ouso enxergar. Nas virtudes, eu não sei, já que um pai não se contenta com a mediocridade que felizmente ele não ostenta.
Às vezes – não queria ser pai e sim irmão!
Às vezes - imirjo em seus receios e contemplo-o embevecido em desejos impossíveis.
Parabéns meu filho! Parabéns Luís!


À Sara Guerreiro, minha amiga de longa data e que muitas vezes embalou o Luís e lhe mudou a fralda, aqui deixo também um beijinho de parabéns e feliz aniversário

25 de novembro de 2009

Carta para Saramago

Testemunho directo de quem se cruzou com Saramago.

Seguramente, foi em 1959 que assentei arraiais na Brasileira do Chiado, no grupo pontificado por Tomaz de Figueiredo, Jorge Barradas, Abel Manta e Almada-Negreiros, onde fui dar pela mão de artistas plásticos cujo vasto atelier passou a ser, também, meu poiso habitual. Meu de muitas outras pessoas. Em tardes de inverno, com a lareira acesa e tomando chá, por ali passava a dizer poemas Vasco Lima Couto e, a inundar o espaço com a sua voz inesquecível, Eunice Muñoz.
Gente do teatro, do cinema, da música, das artes plásticas, do jornalismo, das letras, ali convivia com serenidade e gosto. A escritora Isabel da Nóbrega começou a ser habitual e depressa se tornou uma amiga dos donos do atelier. Senhora de bom berço e fino trato, inteligente e culta, bem instalada na vida, caíu numa cilada do demónio. Apaixonou-se por um zé-ninguém, nem sequer bonito, muito menos simpático e bem-educado, que olhava tudo e todos de nariz empinado, numa pseudo-superioridade de quem tem contas a ajustar com a vida, quezilento e muito chato. Falava como um pregador de feira e era intragável. Mas, em atenção à Isabel, lá íamos aturando o José Saramago.Para mim, que sou péssima, foi ponto assente: aquele não a ia fazer limpa, era um depósito de ódio recalcado. Foi por isso que não me admirei nada quando o vi director do Diário de Notícias, a mando do Partido Comunista, onde, da noite para o dia, lançou ao desemprego 24 jornalistas, dos da velha escola, dos que escrevem com pontos e vírgulas, deixando-os, e às famílias, sem pão. Tambem não fiquei minimamente surpreendida quando soube que abandonou Isabel da Nóbrega, que tanto fez por ele, para alvoroçadamente casar com uma espanhola que foi freira e tem vastos conhecimentos no mundo da política e das letras. Para mim, estava tudo a condizer com a figura.
Cá de longe soube que publicava livros e vendia muito. Não me aqueceu nem arrefeceu, porque nunca li nada escrito por ele nem tenciono perder tempo com isso. Não me apetece e está tudo dito.
Nem o Nobel que lhe deram me impressionou, porque já vi o Nobel ser dado sem critério algumas vezes. Acho mesmo que o prémio está a ficar muito por baixo.E agora, o homenzinho da Golegã a chamar nomes a Deus, a insultar a Bíblia nuns raciocínios primários de operário em roda de tasca. Dizem que o fez por golpe publicitário. Talvez. Acho que é capaz disso e de muito mais. No entanto, creio que, no meio do aranzel, apenas houve uma pessoa que lhe fez o diagnóstico certo:
António Lobo Antunes, numa magistral entrevista dada à RTP, há dias, respondeu a Judite de Sousa, que o interrogava sobre as tiradas de Saramago, que essas vociferações contra Deus lhe tinham feito medo. E adiantou: "tenho medo de chegar à idade dele assim, sem senso crítico".
Está tudo dito. É mais um como há tantos anciãos de tino perdido em Portugal. É deixá-lo andar. A mim tanto se me dá.

Fernanda Leitão - Canadá

23 de novembro de 2009

Benfica e o Menino Jesus

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.
Claro que este ditado também se aplica ao futebol.
Quando a fasquia é muito alta e os corações bombeiam um pouco mais as artérias bloqueiam e o colapso acontece.
Ontem aconteceu aquilo que a gente sabe e o Jamor é uma miragem como provavelmente poderão ser outras que se não desejam, da minha parte.
Mas a vida é mesmo assim. Ganha quem merece e mais nada.
Além disso, o berço da nacionalidade é alvo como a cândura dos anjinhos que ontem foram os queridos jogadores do meu Benfica.
Gostei da postura do treinador Jorge Jesus. Admitiu a derrota com a serenidade que estes acontecimentos terrenos, de somenos importância, sempre trazem.
Eventualmente o Natal terá chegado mais cedo e Jesus adormeceu no presépio
Chega sempre o dia em que David se agiganta a Golias.
Só há que saber perder. Mais nada!

21 de novembro de 2009

Justiça em Portugal

... Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?


Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimento vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida na Figueira? O que lhe aconteceu?

E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa!

Clara Ferreira Alves in "Expresso"

19 de novembro de 2009

Júlio César e Francisco Luís

Já não eram mais duas crianças mas os sonhos lá pairavam.
Os tempos eram os do desejo e da descoberta. Vivia-se com aquilo que se tinha e não com o que se desejava. Os passos eram mais ou menos calculados e cadenciados e neles morava a crença que o amanhã poderia ser uma certeza. E foi!
Não viraram a ocidente nem a oriente porque já estavam no caminho que os haveria de levar à glória dos seus desejos.
E aconteceu que estes dois amigos se juntaram um dia e formaram uma dupla artística,
Júlio César e Francisco Luís, assim se chamavam.
Não durou muito este duo, já que cada um quis seguir o seu caminho em direcções opostas.
Depois, ambos desafiaram os seus sonhos e ambos os venceram. O primeiro, na crista das ondas. O segundo, nas vagas alterosas dum mundo melhor.
No seu precocemente extinto blogue, Júlio César escreveu um dia:

O meu primeiro contrato como profissional de palco foi com o Casino Peninsular da Figueira da Foz. A dupla Francisco Luís e Júlio César, contava "estórias" de humor, anedotas, imitações, poemas e só não cantava porque não havia música. Fizemos sucesso! Ali, na Figueira, contratados pelo velho Mendes Pinto e num rigoroso exclusivo da Interartes de Carlos Pires, ganhámos o primeiro "cachet". 300 escudos, p'rós dois! Ou seja, ao câmbio de hoje... 1.50 euro. A foto, tirada à-la-minute na marginal, passou a ser cartaz. Cavalgámos muitos mais espectáculos, perseguindo o sonho de uma carreira que acabou por acontecer. O Xico seguiu outros caminhos e todos os anos, num almoço de velhos amigos, recordamos isso. Em Janeiro a DUPLA reencontra-se.

Já naquela altura eu tinha a mania de tirar fotos aos meus amigos
Eram assim este putos da minha idade, há muitos anos atrás.
Hoje - JC e FR ou XL - o vosso fã continua atento!

17 de novembro de 2009

Parabéns Osvaldo

Diz o livro do Significado dos Nomes que:

Osvaldo: Significa o que tem o poder dos deuses e indica uma pessoa que não se abala com nada. Por isso, pode ser considerado frio e calculista. Mas no fundo ele está sempre disposto a dividir tudo o que conquista.

Claro que esta afirmação tem o valor que tem mas a realidade não anda muito longe disto. Osvaldo, aquele que descobri um dia nas páginas da incerteza é uma daqueles amigos que a gente não quer perder nunca.
Um coração do tamanho do mundo completa a estirpe de que é feito.
E como atrás dum grande homem há uma mulher maior ainda, Ana assim se chama, aqui fica a minha vénia perante tal constatação.
Tabuacense de nascença, tem dividido a sua vida entre o Brasil, onde viveu três décadas e a Suiça, onde vive há uns anos. O Ministério da Cultura é a zona onde se movem as suas obrigações.
Os tempos vindouros farão jus a outras tantas afirmações.
Osvaldo não é Mau, Triste e Feio!
Para os eleitos, os anos não contam! Parabéns amigo!

15 de novembro de 2009

Alain Delon - um dos meus ídolos




Ao longo das nossas vidas, há rostos que a nossa memória absorve e ali perduram eternamente.
Hoje recordo um actor francês de quem na minha juventude muito gostei e gosto ainda – Alain Delon.
É que eu julgava ser hoje o dia do seu aniversário mas enganei-me, pois ele nasceu a 08 de Novembro de 1935, tendo então acabado de completar 74 anos.
Como eu dizia, este actor exercia uma enorme influência sobre mim, qual imberbe jovem desprovido ainda de tudo o que a vida me iria ensinar.
E se não sou um homem de paixões efémeras também o não fui de desilusões adiadas.
Alain Delon foi uma espécie de exemplo para mim. Tinha tudo o que eu desejava. Fama, glória, mulheres, dinheiro, mas a vida é feita de muito mais que isso e demorei algum tempo a percebe-lo. Em Paris, Delon era o maior poster do meu quarto e dava-me a força que ele tinha para calcorrear as ruas cinzentas da esperança, na cidade que a manhã nunca mais clareava.
A sua errante infância terá contribuído para uma formação desprovida de carinho e afectos fazendo dele um homem ausente dos mesmos. Filho de pais separados, bem cedo entregue a terceiros, tornou-se um quezilento rebelde expulso de todas as escolas por onde passava. A Guerra da Indonicha, para onde se alistou aos dezassete anos ajudou ao resto.
Um dia, num golpe de sorte que acho todos termos tido um dia e deixamos escapar, alguém reparou na sua beleza e fez dele o Adónis que os interesses mundanos desejam. E disso tirou o devido proveito.Delon teve uma vida bem cheia de tudo, onde não faltou o ódio, o crime, o abandono, a violência. Foi sempre um homem frio e conseguiu congelar o calor que por ele fui sentindo, tendo vindo agora a ser derretido pelo chegar dum fim não assim tão distante.
Alain Delon não deixou de ser um dos meus ídolos, mas terá exagerado nos excessos cometidos, sendo apenas certo que um dia partirá deste vida bem contente.
Ao Alain de quem vesti a pele ergo a minha “flute”, porque das pessoas de quem se gosta, se esquecem os defeitos.