29 de outubro de 2008

Amigos


Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Têm que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

27 de outubro de 2008

Números arábicos





Às vezes - a Net é um hoby, uma afirmação, um desabafo.
Outras - a descoberta de coisas simples.
Nunca tinha pensado nesta "coisa" dos números. E os meus amigos, sabiam disto?
É fácil, é barato e ensina milhões!

25 de outubro de 2008

Rita Severino - campeã de bodyboard


A Rita é uma sereia que eu vi nascer. O mar é o seu habitat, as ondas o seu sonho, a prancha o seu leito.

Recentemente foi a grande vencedora do 4º campeonato de bodyboard no Magoito.

A Skills Boards está em grande e muito bem representada pela sua campeã.

Parabéns Seve/Francisca

Parabéns Ritinha

23 de outubro de 2008

Leite creme

Como tantos outros mortais, sou um animal de hábitos e bastante fiel a um restaurante que me apaparique os pequenos vícios gastronómicos. Até nem sou muito exigente e qualquer pequena quantidade de alimento já satisfaz a gula que às vezes me tenta. Mas há pitéus que me fazem perder as estribeiras e a noção do razoável.
Sardinhas Assadas, Bacalhau à Brás, Feijoada, e Qualquer Coisa no forno com batatinhas e cebolinhas, a par de tudo o que seja grelhado, estão na primeira fila dos meus desejos.
Nos doces, não sou propriamente um guloso mas ando lá perto e o pecado chama-se Leite Creme.
Ora o Amilcar, dono do “meu” restaurante, não tem por habituação ter esta sobremesa e sabendo da minha paixão por tal camada leitosa, fez uma dezena de “leites creme” e provocou-me perguntando-me se eu não quereria uma tacinha do dito. Respondi-lhe que não queria porque gosto de comer leite creme umas colheradas acima daquele que é servido nos restaurantes.
No dia seguinte, sem eu nada ter pedido, apresentou-me uma malga repleta do meu doce preferido. Lá fiz o sacrifício de o devorar, desculpando-me com o comedido que sou naquilo que tanto prazer não me dá.

Às vezes – há razões que a gula desconhece!

21 de outubro de 2008

Onde pára o dinheiro?


Há coisas que não entendo nem me esforço muito para entender, mas apetece-me dar um pontapé numa pedra (não a filosofal) e descobrir debaixo desta, a teia que nos enleia.
Deixem-me pensar em voz alta e perguntar o porquê desta crise que nos assola.
Como é que se esvazia um celeiro? Onde está a riqueza das nações? Onde estão os milhões ganhos pelos bancos, que apesar do crédito mal parado arrecadam lucros fabulosos?
Quem me diz que os Estados não terão de responder pelas responsabilidades que acabaram de avalizar? E se assim for, quem paga? Não somos nós?
Onde pára o dinheiro?

19 de outubro de 2008

Alain - regresso ao passado

Aquela noite era igual a tantas outras.
A única diferença é que eu estava a rever amigos que não via há muito.Tinha chegado há poucos dias de Paris, onde sobrevivia.

O Xico Luís, hoje XL e o Júlio César, hoje JC, desafiaram-me a beber um copo numa boîte meio-rasca, perto de nossas casas e acessível ao nosso bolso. As mulheres não eram bonitas nem feias. Eram aquilo que os nossos olhos queriam ver. Os meus, vinham cheios de mulheres charmosas e elegantemente vestidas. Não que fossem mais lindas que as portuguesas, apenas mais aprontadas e produzidas.

Já não sei porque carga de água, o XL lembrou-se de me apresentar a elas, como sendo um amigo francês a passar uns dias em Portugal. XL, apresentou-me mais ou menos assim: - Voici mon ami Alain, jdfuin fyilin viendu Paris France dyuitet jureu oui oui linsuer huteriy, trés bien. Claro que nem ele sabia o que estava a dizer, nem elas percebiam o que ele dizia. Eu ia ouvindo os comentários, sujeitando-me ao que dali saísse. Entrei no jogo, e lá fui respondendo em francês, o que o XL se encarregava de fingir que traduzia, para as cortesãs. Lembro-me que eu levava vestido um elegante fato verde, que ainda guardo e que me assentava na perfeição, há vinte cinco quilos atrás. Naquela época em Portugal, não era muito normal dançar sozinho. E dançar não era propriamente o meu forte. Apenas o fazia para atingir um fim ou para me sentir integrado no ambiente. JC e XL lá iam secando os copos em animada conversa com as meninas, falando de mim e sem me perderem de vista. Claro que elas não sabiam que eu percebia tudo o que diziam. Apenas fingia que não.
Oui para aqui, oui para acolá, lá me fui abanando e sacudindo ao ritmo dos êxitos da década, como era habitual no meu ambiente parisiense. Abrandei quando uma desavergonhada cortesã, comenta sobre a minha pessoa:- É pá, o puto é giro, mas … tem pinta de bicha! A abanar-me daquela maneira, não podia esperar outra coisa!

Desde então, mesmo em dias de calor, não me abanei nunca mais!

17 de outubro de 2008

Pedintes


Não sei exactamente o que leva alguém a mendigar!
É que, o acto em si, pressupõe pobreza, mas também, hábito, vício, modo de vida.
Antigamente dava sempre o benefício da dúvida, a qualquer pedinte. Podia estar a ser enganado por um falso cego, um cabisbaixo aleijão ou um lacrimejante estropiado, mas nem pensava duas vezes para desembolsar os parcos níqueis possíveis. Entretanto a vida encarregou-se de misturar os necessitados com os Iscariotes e quase me empederniu o coração.
Enquanto criança, bastas vezes deixei de comer o bolo de arroz que mitigava a ânsia duma bem devorada marmita, para depositar um escudo numa qualquer mão estendida. Hoje, passadas que foram duas gerações, apenas retiro dos bolsos, o impulso do momento.
E depois, tenho vergonha de mim!

15 de outubro de 2008

Barack Obama - olá presidente!

De políticos e treinadores, todos temos um pouco.
Se fossemos nós, fariamos assim e assado. Enquanto treinadores, jogaria este e aquele, sempre contra a corrente do jogo, sobretudo se este estiver a correr mal.
Como não vivemos do futebol e temos de levar com os políticos, temos à porta as eleições americanas, que parecendo não nos dizerem respeito, assim bem não é.
E já que o futuro do mundo pode depender do presidente da grande potência que são os USA, apetece-me aqui manifestar a simpatia que nutro pelo democrata Obama em detrimento do seu rival McCain, que mais parece um caduco e inseguro seguidor de Bush.
Talvez porque é negro. Talvez, porque é incisivo. Talvez, porque mudar é preciso.
Sei bem, que de promessas está o inferno cheio, mas entre um e outro, julgo ser por demais evidente a melhor escolha.
Obama é um americano tipo pé-negro. Apesar de ter nome de árabe, parecido com outro que nem lembra ao diabo, Barack Hussein Obama, é filho de pai queniano e mãe americana. Nasceu no Hawaii, na cidade de Honolulu, há quarenta e sete anos.
Os eleitores parecem estar cansados dos constantes ataques do campo republicano contra o candidato democrata. Enquanto Obama passa a maioria do seu tempo a explicar o que irá fazer quando for eleito Presidente, já MacCain parece mais interessado nos ataques pessoais ao democrata. O tempo dirá se me enganei.
Cá por mim, este puto é o próximo presidente!

12 de outubro de 2008

Jacques Brel - 30 anos depois!


Na vida dum homem há duas datas importantes, a do seu nascimento e a da sua morte. Tudo o que fazemos entre estas duas datas, não tem importância. Jacques Brel

Brel desapareceu há 30 anos (9 de Outubro de 1978)

Quando em 1969 vagueava pela zona dos Campos Eliseos, reparei num grande cartaz que anunciava em letras garrafais MON ONCLE BENJAMIM, um filme com Jacques Brel no elenco. Era a Salle Wagram a publicitar o novo filme deste actor/cantor. Lembro-me de ter ficado a olhar para o cartaz e pensar: “não sei o que é que os iluminados vêm neste gajo que, a cantar parece uma vaca espanhola e a representar não tem piléria nenhuma”. Mais à frente encontrei o mesmo cartaz por tudo quanto era sítio. Paris estava repleta do Tio Benjamim.
Mal sabia eu que tinha começado aí, o despertar da minha maior paixão.
Ou porque não tinha fundos para tanto, ou porque quando os tinha as prioridades eram outras, ouvia-o mas nunca comprei qualquer disco e nem dele vi qualquer filme, mas a paixão pairava no ar.
Depois, quando a vida errante cessou e encontrei os caminhos da realidade, comprei tudo quanto havia de Brel e não perdia os seus filmes.
A família e os amigos foram-me oferecendo as suas obras e disso resultou ter hoje quase tudo em duplicado. (foi agora o Bruno a lembrar-me a efeméride)
Jamais pensei vir a apaixonar-me por “aquele gajo feio que cantava como uma vaca espanhola”.
Nunca digas, desta água não beberei! Pela boca morre o peixe!
Ami, rempli mon verre! Pardon Grand Jacques!

"Dans la vie d'un homme, il y a deux dates importantes, celle de sa naissance et celle de sa mort. Tout ce qu'on fait entre ces deux dates n'a pas beaucoup d'importance."Jacques Brel

9 de outubro de 2008

Viva a moda!


Preservativos em látex Channel, com sabores vários


A moda não tem moda! A moda está sempre na moda!
Penso mesmo que desde sempre houve moda. Até na pré-história. Se fosse possível usar-se um casaco de raposa, certamente não se usaria um de mamute.
Mas a moda também tem coisas que não lembram ao diabo. E tudo em nome da moda.
E depois, cada moda está também associada a um choque de gerações. Assim foi com meus pais, assim é com meus filhos, assim será com meus netos.
A moda tem as costas largas e tudo permite. Valha-nos saber que há modas que nascem apenas para provocar os espíritos mais mentecaptos e que disso não passam.
A mim, já nada incomoda. Aceitarei a moda dos outros, como outros tiveram de aceitar a minha.
E as minhas amigas, estão fora de moda?
Viva a moda!

7 de outubro de 2008

João Ermida - E depois do adeus!

A RTP 1, transmitiu hoje …

Nunca dele tinha ouvido falar e já me tinha esquecido de exemplos assim.
O Dr. João Ermida era um homem sem tempo. Madrid, Rio de Janeiro, Londres, Nova York, Tóquio, Lisboa, eram o seu mundo e a alta finança o seu espelho.
Um dia entrou numa igreja e dois dias depois demitiu-se, mandando a fortuna às urtigas.
Hoje, estuda a paz interior e ameniza o resto dos dias dos que já muito viveram.
Às vezes – pequenas (grandes) coisas mexem comigo e emudecem-me.


João Ermida nasceu no Porto, a 8 de Janeiro de 1965. Em 1987, iniciou o seu percurso profissional como operador de Bolsa,
No final de 1988, junta-se ao Citibank Portugal para integrar a sua equipa de mercado de capitais. Em 1993, inicia a sua carreira no Grupo Santander: primeiro em Portugal, depois no Brasil e, já em finais de 1998, em Espanha, com a responsabilidade global de Tesouraria e Mercados Financeiros. Em Maio de 2003, demitiu-se da Instituição.Actualmente dedica-se a projectos de cariz social que visam ajudar jovens e idosos mais carenciados. Desenvolveu o método e escreveu o livro Verdade, Humildade e Solidariedade, sobre o qual dá palestras às empresas e escolas de gestão.

5 de outubro de 2008

A sopa


Sei bem que os tempos são outros, a vida mudou e há coisas que se não podem comparar. E sei também que não posso pensar na moeda antiga, mas …
Precisei de comprar uns chinelos e resolvi passar por um Centro Comercial. Feita a compra e como não me apetecesse jantar, decidi-me comer uma sopita num daqueles quiosquesitos que só vendem sopas. Sentei-me e (agora já não ando a correr) lentamente fui saboreando as nabiças que se afogavam num caldo abatatado. De soslaio olhei para o pequeno ticket que me lembrou o valor pago pela sopa. Dois euros e cinquenta de espanto recuaram-me no tempo.
Ora bem, isto corresponde a quinhentos escudos.
Foi este o meu primeiro ordenado, pensei!
Quarenta e quatro anos atrás, nunca teria pensado que o meu vencimento mensal se diluísse no fundo duma malga de sopa. Nesse tempo, uma sopa custava cinquenta centavos e … é só fazer contas. Quatro décadas depois, uma sopa custa mil vezes mais. E os ordenados? - Cala-te escriba!
Outros tempos, outros caldos!

3 de outubro de 2008

É minha, a bola!

Parecem bandos de pardais à solta ... os putos!

Este não é certamente um Capitão da Malta.
O ar de posse dum bem que não chega a todos é a riqueza dum menino, talvez de Huambo, que Paulo de Carvalho quis um dia cantar.
Também sonhei um dia. Também fui o dono da bola. Também me perdi por ela.

Numa noite de glória, o “puto” Benfica, deu (me) uma alegria aos seus simpatizantes, tão arredados de sonhos maiores.
Parabéns aos restantes “ganhantes” Sporting e Braga, pois puderam continuar a sonhar e isso faz a felicidade de amigos meus.
Por eles …

30 de setembro de 2008

Adiós amigas


Adiós muchachas compañeras di mi bida!

Terminou a segunda fase do calvário. Agora é só reaprender a andar e ter alguns cuidados com as limitações e sequelas que aquele estúpido acidente deixou.

Quando estamos na plena posse das nossas faculdades motoras (tal como as outras) não temos a noção das dificuldades que encontraremos se as perdermos. Foi isso que senti.
Agora fiquei mais rico, com a nova oportunidade que a vida me deu.

Gracias mis quiridas muletas!

28 de setembro de 2008

Se bem me entendem


Eu adoro a vernaculidade da língua.
É que, Lisboa é talvez a cidade onde mais se floreiam as palavras, em detrimento daquelas que, supostamente, são calinadas. Mas não é bem assim. Na província fala-se MUITO BEM
Nada como uma "cachaporra" alentejana ou estar "à beira" das gentes do Norte.
Quase todas as palavras que fazem as nossas delícias são lindamente genuínas e correctas.
A forma de linguagem popular menos correcta, nos dias de hoje, é talvez a conjugação dos tempos dos verbos, normalmente utilizados na segunda pessoa do plural, quando se referem a uma só pessoa. Terá ficado este vício dos tempos da nobreza em que um “tás bom pá” se transformava em “como estais vós” – “como está vossa mercê”
E o mais engraçado é que a maioria dos lisboetas, não é lisboeta. Apesar disso o sotaque foi-se perdendo e nem sempre é fácil saber se comemos uma alface ou uma tripa, se bem se entende o trocadalho.
Eu, como não renego a minha Beira, acho que axim é que é.
Depois temos ainda os bês pelos vês.
E “bós” sois donde?
Se dizeis, dizeis, se não dizeis … bodei-vos, dizia o outro!
Binde a mim!

26 de setembro de 2008

Humor de Deus


Eu até entendo que queiramos manter uma boa aparência e para tal tenhamos de recorrer a alterações estéticas (esticar a pele, avolumar os lábios, etc.) mas … Às vezes – há quem exagere e então …

Uma senhora de meia idade teve um ataque de coração e foi parar ao hospital. Na mesa de operações, quase às portas da morte, vê Deus e pergunta : - Já está na minha altura ? Deus responde:- Ainda não. Tens mais 43 anos, 2 meses e 8 dias de vida.Depois de recuperar, a senhora decide ficar no Hospital e fazer uma lipoaspiração, algumas cirurgias plásticas, um facelift etc.
Como tinha ainda alguns anos de vida, achou que poderia ficar ainda bonita e gozar o resto dos seus dias.Quando saiu do Hospital, ao atravessar a rua, foi atropelada por uma ambulância e morreu.A senhora, furiosa, ao encontrar-se com Deus, pergunta-lhe: - Então eu não tinha mais 40 anos de vida ? Porque não me desviaste do caminho da ambulância ?Deus responde: - Eras tu ? Nem te conheci !!

23 de setembro de 2008

Parabéns Sandra


Oi Kirida!

Passou mais um anito cheio de viagens, né? Pró ano há mais!
Daqui, brindo com uma caipirinha o teu aniversário.
Parabéns Spuk!
Como já todos te conhecem e não há fotos para orgasmos, não resisto a transcrever uma pequena "estória" sabendo que agradará a uns e menos a outros. Mesmo assim ...


O orgasmo feminino é uma coisa da qual as mulheres percebem muito pouco, e os homens ainda menos. Pelo facto de ser uma reacção endócrina, que se dá sem expelir nada, não se apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu, ou de que foi simulado. Diante deste mistério, investigações continuam, pesquisas são feitas e centenas de livros são escritos, tudo para tentar esclarecer este assunto.

A acompanhar este tema, deu no outro dia uma entrevista na TV com uma conhecida sexóloga, que apresentou uma pesquisa feita nos Estados Unidos na qual se mediu a descarga eléctrica emitida pela periquita no instante do orgasmo. Os resultados mostram que, na hora H, a pardaleca dispara uma carga de 250.000 micro volts. Ou seja, 5 passarinhas juntas, ligadas em série na hora do 'ai meu Deus', são suficientes para acender uma lâmpada. E uma dúzia é capaz de provocar a ignição no motor de um Carocha com a bateria em baixo. Já há até mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel: dizem que é só ter o orgasmo e, tchan...carregar. Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é uma pardaleca: é uma torradeira eléctrica!!! E se der curto-circuito na hora de 'virar os olhos'? Além de vesgo, fica-se com a doença de Parkinson e com a salsicha assada. Preservativo agora é pouco: tem de se mandar encamisar na Michelin. E, no momento da descarga, é recomendado usar sapatos de borracha, não os descalçar e não pisar o chão molhado. É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito, se pergunte à parceira se ela é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar o chouriço...

21 de setembro de 2008

Mãe - força oculta



Eis a força que empurrou o Humberto para a vitória.
Mãe, é afinal o olhar, a esperança, a luta, o querer.
Mãe, é aquela que acredita até ao fim, a que caminha por nós, a que nos leva ao colo, a que sofre por dois, a que chora sem lágrimas, a que derrama amor, a que fica eternamente, a que faz de pai.
A mãe do Humberto é a muleta, a estrada da coragem, o trilho da certeza.
Não há palavras para dizer mãe! A dele! A vossa! A minha!
À mãe Adília e à irmã Joana – a minha admiração!

17 de setembro de 2008

Humberto Miranda - Um vencedor








Era ainda uma esperança. Os seus vinte anos não deixavam adivinhar as malhas que o império tece. Augurava-se-lhe um futuro prometedor. Na sua cabeça rolava já a glória e quiçá a fortuna, mas …
Um brutal acidente na A1 perto de Leiria, atirou o Humberto para um estado comatoso que durou quatro meses e roubou a vida ao Mauro, seu pendura amigo-irmão, também este um promissor futebolista.
Ambos eram jogadores do Estrela da Amadora e naquela época jogavam por empréstimo no Tourizense.
Não sabe explicar como tudo aconteceu, nem vale a pena nisso pensar. O que sabe é-lhe informado por terceiros. Foi um dia que se apagou da sua memória
Dois dias antes do acidente, Humberto sportinguista ferrenho, esteve no estádio da Luz a comemorar com os seus amigos a vitória do meu Benfica no Campeonato Nacional. Tal atitude só podia vir dum verdadeiro democrata.
Depois de muitas operações, Humberto ganhou a partida da sua vida.
Hoje, passados quatro anos, encontro-o a meu lado nas manhãs recuperadas de esperança. Três vezes por semana entregamo-nos à terapia que nos impuseram, deitados numa maca de hospital, ao cuidado e dedicação da bonita e dócil anjo-terapeuta Maria João e duma equipa fantástica de médicas, terapeutas e assistentes, trocamos o passado pelo presente e falamos do futuro a sorrir.
Desde já, a minha homenagem a este fabuloso grupo de fisioterapia do Hospital Amadora-Sintra.
Jovem contagiante, educado e com uma vontade enorme de viver, o Humberto não se entregou e vai à luta com as armas que lhe restaram.
Naquele olhar existe uma certeza. Jogou a primeira parte e ganhou. Falta a segunda e ganhá-la-á também.
Força Humberto! Alea jacta est!

14 de setembro de 2008

Dor de dentes - uma odisseia!


Não teria mais de treze anos.
Apesar de ter uma família maravilhosa, habituei-me a atravessar a vida com alguma solidão. Costumava resolver os meus problemas sozinho, quando estes apareciam.
Eu era um rapazinho simplório que, sem ser convencido, julgava saber muita coisa.
Daí que, desde o início dum problema até à sua resolução, a minha cabeça girava em torno do dito.
Um dia, uma arreliadora dor de dentes, levou-me a ter de enfrentar a minha primeira aventura hospitalar. Não sabendo bem o que fazer e sem dizer nada a ninguém, decidi ir ao hospital. Aí, sabia que nada pagaria (não havia ainda taxas moderadoras), o que não acontecia se fosse a uma consulta externa.
Pois bem, cheio de dores e resoluto, aí vai este puto sozinho ao hospital mais à mão, neste caso S. José. Saltitando de Seca para Meca, lá acabei por descobrir o sector que resolveria o meu problema.
De boca aberta e olhos fechados, entregue aos cuidados duma bata branca à “porrada” com a minha boca, é-me informado que me vão arrancar um dente. Pouco depois senti um dor aguda e profunda e encolhi-me.
“Pronto, agora espere lá fora” - ter-me-á dito o dentista.
Julgando estar despachado e desdentado, esperei, esperei e … farto de tanto esperar olhei à minha volta e não reconhecendo ninguém, dei “às de Vila Diogo”.
Já em casa e ainda com meia boca adormecida, vou ao espelho e vejo que ainda lá tenho o dente. Confuso, conformei-me. Paciência!
Percebi mais tarde que apenas tinha levado uma anestesia. O resto viria depois.
Até valeu a pena tanta ingenuidade, pois ainda hoje cá tenho o dente.
Santa inocência dum puto que vai para os cornos do touro e depois não sabe pegá-lo.

11 de setembro de 2008

11 de Setembro - Um grito


(clicar em cima da foto e ler o cabeçalho)


Passaram sete anos.
O mundo não vai esquecer nunca.
Fundamentalismos, ódios, provocações e muita arrogância política, redundaram num dos maiores atentados jamais concebidos por mentes deturpadas.
No ano anterior tinha estado neste mesmo local filmando a sumptuosidade destas babilónicas torres. E ... fiquei a pensar!
Às vezes - acontece estarmos no local errado à hora errada. Não foi o meu caso, felizmente.
Às vezes – alguém consegue fotografar os olhos da tragédia.
Às vezes – o impossível acontece!

8 de setembro de 2008

O poder da mente


Já não é a primeira vez que recebo este e-mail.

Mexe um pouco comigo a facilidade com que o nosso cérebro vê branco e lê preto.
Andava um pouco pesaroso por trocar as letras, os nomes e sei lá que mais. Troco tanto as coisas, que até me baralho a mim.
A partir de agora vou elevar o ego e pensar que sou um génio.
Valha-me essa assunção!


Só pssaoes epsertas cnsoeugem ler itso. Eu não cnogseui acreidatr que relmanet pidoa etndeer o que etvsaa lndeno. O pdoer fnemoeanl da mntee huamna, de aorcdo com uma psqueisa da Unvireisadde de Cmabrigde, não ipmrota a odrem em que as lteras em uma plavara etsão, a úcina cisoa ipmotratne é que a piremira e a útimla ltreas etseajm no lguar ctreo. O rseto pdoe etasr uma ttaol bnauguça e vcoê adnia pdoreá ler sem perolbmea. Itso pruqoe a mtene haunma não lê cdaa lreta idnvidailuemtne, mas a pvrlaaa cmoo um tdoo. Ipessrinaonte hien? É e eu smrepe pnenesi que slortaerr era ipmorantte! Se vcoê pdoe ler itso pssae aidntae !!

5 de setembro de 2008

O Marquês do Mal


Esta controversa figura, apesar do seu legado, não é muito do meu agrado.
Rezam as crónicas que o severo primeiro-ministro em quem D. José I confiava cegamente, era um filho da “mãe” (coitada dela) para uns e um sagaz estadista para outros. De tudo o que tenho lido, parece-me que teria sido um misto de ambas as versões.
É que recentemente descobri mais uma diatribe deste enigmático personagem.
Para além da grande “sacanice” com que barbaramente dizimou os Távoras e o clero envolvente, também teve o desplante de forçar as mais interessantes donzelas da corte a casar com os seus filhos. Onde houvesse riqueza e poder, aí estaria uma nora em potencial.
Diz então a história que, tendo uma das ditas donzelas sido obrigada a casar com um dos seus filhos, esta não teria cedido à sua volúpia na noite de núpcias. Como assim continuou a ser nas noites que se seguiram, logo o filho convenceu o pai a anular o casamento. Para um homem tão poderoso como Sebastião José Carvalho e Melo, tal afronta foi fácil de resolver, já que não houvera consumação. Assim, o mesmo foi facilmente anulado.
Não se ficou por aqui a ira do Marquês que não gostando da atitude da ex-nora, ordena que esta seja encarcerada num convento, onde durante cinco anos não pôde ter qualquer visita, nem sequer permissão para sair da cela, donde só veio a ver a luz do dia após a queda de tão famosa figura.
D. Maria I, filha de D.José I, ficou tão abalada com a ferocidade do sanguinário Sebastião, que após a subida ao trono imediatamente aboliu a pena de morte.
Como os cavalos também se abatem, Sebastião viria a ver-se despojado de todo o seu poder sendo expulso da corte e proibida a sua presença a menos de vinte milhas de Lisboa.
Grandes homens, grandes déspotas!

2 de setembro de 2008

Altos e baixos


Como diz o meu filho Bruno - há que tocar os burros para à frente e viver um dia de cada vez.

Pois bem ...

A vida é feita de altos e baixos e - às vezes é feita de altas e baixos.
É que - às vezes - as mulheres têm a mania que os homens se medem aos palmos. Claro que não! E não falta nada! Está tudo in su sítio.
Eu, cá por mim, acho que os anões chegam onde eu chego.
Só que - às vezes - as uvas estão verdes!
Estou a referir-me a ele, já que nela, nem reparei.

Hoje, apeteceu-me alegrar as hostes.

31 de agosto de 2008

Adeus Agosto


Acabaram as férias! Acabou Agosto!
Tudo acaba um dia. Até o Setembro que vai chegar.
Brindo aos amigos que privaram comigo.
Brindo aos que se lembraram de mim.
Brindo àqueles de quem gosto muito.
Brindo aos que por aqui passam.
E ... brindo ao mundo dos sonhos que não desisto.

Grato, aos que gostam de mim!

28 de agosto de 2008

Blog a duas mãos


Às vezes – não me conheço
Às vezes – falta-me o que não tenho
Outras – sussurram-me salmos ininteligíveis em dialectos de ternura.
Outras ainda – uma mão amiga sobrepõe-se aos dias que vão chegar.
Às vezes - confundo a chegada com a partida.
Às vezes – uma radiosa manhã, é também uma tarde sombria
Kim

Às vezes – também te entendo
Às vezes -também me perco
Outras , encontro-me e também te encontro
Entrelaçado no fim do arco-íris
Como hoje!
A minha amizade estará onde sempre quiseres
Isabel

20 de agosto de 2008

Praia chinesa





Nunca ninguém está contente com o espaço que tem.
Ao ver estas fotos, fico bem contente com este pequeno rectângulo português.
Grandes naus, grandes tormentos.
Acontece na China e até fico com os olhos em bico.



17 de agosto de 2008

Brisa do Norte


Há um girassol à minha espera!

Há um mar, uma serra, um campo, uma flor, uma amiga, um sabor.

Há o tempo que se vive, aquele que se não dorme, a paz que chega um dia, a brisa do vento norte.

14 de agosto de 2008

Eu entendo João


Não há homens de pouca fé! Há homens!
Da fé, a minha, a dos outros, espera-se um retorno espiritual.
Disse-lhe o que pensava. Não respondeu.
A sombra do báculo tombou sobre mim e entendi!
Haverá amanhã!

12 de agosto de 2008

Há mar


Há mar e ...

Há ir e ... voltar!

9 de agosto de 2008

Porquê Hiroxima?


Não costumo abordar problemas políticos, mas ultimamente tenho andado saído da casca e tem vindo a talhe de foice um ou outro caso pontual. Umas vezes, porque tenho alguma “estória” para contar. Outras porque se trata dum acontecimento esporádico e que por algum motivo me leva a expressar aqui a minha revolta.
Hoje achei oportuno lembrar a quem eventualmente não saiba o porquê da bomba de Hiroxima e não só.
Pois bem, a 07 de Dezembro de 1941, o Japão ataca de surpresa uma base aérea americana no Hawaii. Estive lá há poucos anos e a brisa sabia a massacre. Senti-me no meio da história e impotente para a alterar. A Baía de Pearl Harbor estava decorada de tragédia. Submarinos e barcos afundados e ainda um memorial aos dois mil e quinhentos soldados mortos, lembravam o que o mundo não devia esquecer.
Este ataque viria a provocar a entrada dos estados Unidos na Segunda Guerra Mundial
Como retaliação e vingança, a América lançou então duas bombas atómicas, uma em Hiroxima outra em Nagasaki, provocando a capitulação do país do sol nascente. E ficou-se por ali porque mais bombas não havia. Pouco tempo depois, a guerra adormeceu..
Não sou de rancores nem adepto da pena de Talião, mas percebi melhor o lançamento das bombas sobre o Japão. Percebi, mas não entendo. Pena é que, os cento e cinquenta mil inocentes mortos, mais os que se lhe seguiram, não tivessem tido tempo de dizer que nada tinham a ver com a contenda.
O homem sonha, o ódio quer, a morte chega!

6 de agosto de 2008

Hiroxima - nunca mais


Este foi a única estrutura metálica, hoje simbolo da paz, que resistiu à bomba de Hiroxima



A semente desta pequena àrvore conseguiu sobreviver à bomba de Nagasaki e encontra-se hoje, na Quinta da Bacalhoa em Azeitão.
Vi ali o renascer da vida!

4 de agosto de 2008

Delfos - A coroa de louros


Era um dia de glória.
Estava no sopé do Monte Parnaso, algures na Grécia.
Reza a lenda que o deus Apolo terá largado duas águias em sentido contrário e estas, ao voltarem a encontrar-se, terão deixado cair uma pedra, com sinais estranhos, no Monte Parnaso, no lugar de Delfos.
Concluíram então, ser ali o umbigo do mundo.
Na curiosidade de mexer na história, acariciei extasiado tal pedra, onde as águias terão pousado.
Ali perto, numa cova funda, das profundezas saíam gases que faziam a pitonisa entrar em transe e dizer coisas imperceptíveis, mas que os homens julgavam entender. Ouvia-se o oráculo e entendia-se como se queria ou convinha, já que este acertava sempre.
Ali jazia a antiga cidade de Delfos. Dela, restam apenas ruínas de templos, com Apolo na primeira fila e a pista onde se realizaram os primeiros jogos olímpicos da Grécia Antiga, por sinal a mais bem conservada.
Depois, corri nela, equipado como outrora outros o não fizeram (corriam nus) e ganhei a visão duns olhos que às vezes não querem ver.
No anfiteatro, palco de artes e literatura dos Jogos Píticos, descansei numa escaldante e polida bancada de pedra e revi-me no teatro da vida.
Cinquenta e um graus à torreira do sol, não me impediram de trilhar os caminhos que me estavam a levar ao Olimpo.
Ao longe, a montanha recortada nos céus, revelava a silhueta adormecida de Agamémnon, esperando por mim, nos picos do Peloponeso.
Os Deuses eram muitos e havia preces para todos.

1 de agosto de 2008

China - O despertar do gigante


Mil e trezentos milhões de habitantes é um número com muitos zeros. Tantos quanto eu gostaria de ver na minha conta bancária, mas isso é um sonho burguês.
Este post seria apresentado doutra maneira se eu não me quisesse dirigir em especial a alguém que está (e muito bem) preocupado com a exploração do homem pelo homem - o meu amigo Seve.
Pois bem, estas formigas chinocas são afinal o sumo duma sociedade cheia de parcimónias, num laborar de sol a sol presenteado com meia dúzia de chávenas de arroz.
Não costumo olhar para estas coisas com olhar de déspota reaccionário pois se há coisas que me incomodam no mundo, uma delas é exactamente a desigualdade entre dois seres. Pois bem, vem isto a propósito dum artigo sobre os Jogos Olímpicos de 2008 a iniciar dentro de dias na República Popular da China, que li na revista do expresso de 26 de Julho passado. Dela realço apenas alguns parágrafos que passo a transcrever.
A China tornou-se na sociedade mais dinâmica do mundo.
O que leva duzentos anos a urbanizar na Europa, leva vinte anos na China.
Nada tão rápido foi feito noutro país. Só uma ditadura com os recursos humanos e industriais da China conseguiria isto.
Nas livrarias ainda há quem folhei Mao, mas o que se vende são mapas turísticos.
A maioria trabalha mais de dez horas por dia, sem contrato nem seguro de saúde.
Os salários são pagos com atraso e as horas extraordinárias nem são pagas.
Alguns do trabalhadores não chegam a ganhar dois euros por dia, muito abaixo do salário mínimo nacional (setenta e três euros)
Em toda a China o número de trabalhadores migrantes é de duzentos milhões.
Cinquenta e cinco por cento dos trabalhadores não tem mais de dois dias de folga por mês.
A nova prioridade do Partido comunista adoptada em 2006 é a construção duma sociedade harmoniosa.
Pensávamos que o socialismo resolveria as contradições básicas do capitalismo, mas não só as eliminou como também gerou outras. Entre o partido e o povo, há contradições e as diferenças sociais agudizaram-se.
E … Pequim é a terceira cidade da China com melhor nível de vida.
Talvez seja esta a mesma escravatura que ergueu as babilónicas torres do Dubai, e que não agradaram ao Seve.
Explorados de todo o mundo – não se iludam com os falsos profetas do socialismo ou capitalismo, pois a diferença não é nenhuma. É que, Pequim é hoje uma estufa de cogumelos burgueses absorvendo os pecados do ocidente, deixando para trás a lembrança duma ex-aldeia recheada de pagodes.
Ou Mao falhou ou a verdadeira revolução está em marcha.

Calculo o tamanho da fila para comprar um gelado.

31 de julho de 2008

O Sol brilhará


A consulta estava marcada para as 08:44 h (hora esquisita).
A segurança Social convocou-me para uma Junta Médica, no sentido de confirmarem que as minhas mazelas eram verdadeiras. Nem os comprovativos enviados pelo hospital serviram. As fraudes são muitas e paga o justo pelo pecador. Sempre assim foi.
Quarenta anos a fazer descontos e apenas com uma baixa de três meses, por fractura dum pé, não abonaram a meu favor para passar incólume por tal suspeição.
Eram 09:20 h e os médicos ainda não tinham chegado. Apresentei o meu protesto. Tinha também uma consulta às 10:30 h no Hospital da Amadora e tinha de ser atendido.
Quando os médicos viram a minha figura e as radiografias que o computador exibia sobre o meu processo, logo se desculparam dizendo que aquele edifício não estava preparado para receber doentes incapacitados fisicamente, mas já que ali estava o exame foi feito.
Depois, em plena Avenida dos Estados Unidos da América, esperei mais de meia hora por um táxi.
Finalmente cheguei ao Hospital da Amadora. Na senha que tirei marcava 10:31 h.
Duas horas depois fui chamado. Não havia ninguém para a consulta de fisioterapia, apenas eu. Pediram-me desculpa. Tinham-se esquecido de mim.
Apenas sorri, porque finalmente vou começar amanhã a terapia do corpo. A da alma já começou.
E ainda há quem julgue que não há manhãs cinzentas!

29 de julho de 2008

Às vezes ...


Às vezes as manhãs não são tão claras e a noite é mais escura.
Citando Agostinho da Silva “... neste momento não estou preocupado com os projectos que tenho para a vida, estou só preocupado com os projectos que a vida tem para mim…”
Quando a gente pensa que tem tudo, vem a vida e diz-nos que nada temos.

28 de julho de 2008

O (des)acordo ortográfico


Sei que tenho uma larga costela de conservador, mas sei também que não sou tão bota de elástico que não me sinta ferido pelas bicadas que se estão a preparar para dar na língua portuguesa.
É que acordar ortograficamente não é a mesma coisa que assassinar a vernaculidade dum povo. Não consigo entender e ninguém o explicou ainda, quais as vantagens deste acordo. Mas há mais. Sabendo que a língua portuguesa assenta essencialmente em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde, porquê imiscuírem-se outros povos onde já ninguém fala a língua lusa?
Quanto a mim, seria bem mais lógico deixar cada povo criar os seus próprios neologismos com as naturais aberrações linguísticas que vão surgindo fruto dos estrangeirismos, do que obrigar todos os povos a reaprender um velho idioma. Quase preferia aprender esperanto, do que me sujeitar a essa nova lei que os iluminados sempre vão brotando.
Num espaço multicultural fragmentado por povos que nem sequer português falam, é de bradar aos céus.
Na recente cimeira de Lisboa, Angola não esteve presente – as eleições são mais importantes.
Moçambique, também não - comemora o aniversário da revolução.
Os altos dignitários da Guiné Equatorial nunca falaram em português e acompanharam a cimeira, munidos de tradutores electrónicos. Então?
Deixem os portugueses escrever português!
À excepção dos brasileiros que arredondaram e musicaram a nossa língua, o que até prazer me dá, vejo todos os outros a enveredarem por dialectos mais próprios do costume rácico de cada povo.
Que o Brasil fale brasileiro e Portugal português!
Não te voltes na tumba Luís de Camões, quando chegar o que está para vir.

25 de julho de 2008

Hasta siempre Cuba


Reinava ainda Fidel.
Da janela do meu quarto, no Hotel Tryp Habana Libre, em Havana, vislumbrava um largo circundado por um maciço arbóreo, repleto de gente.
Curioso em saber o que ali se passava, desafiei o Bruno a dar uma olhada naquilo.
Descemos! Cá fora, à porta do hotel, um corrupio de jovens, sedentos de pequenos mimos capitalistas, abordava tudo o que era turista. Como de costume, tínhamos algo para lhes oferecer já que de Lisboa havíamos levado um pecúlio de coisas simples para nós, luxuosas para eles.
Perguntei então a um deles a que se devia aquele ajuntamento. Era apenas a loja mais famosa de gelados de Havana. E para comer um gelado daqueles não importava que fossem necessárias algumas horas para o saborear. Afinal não havia muito para fazer e comprar um gelado era já um ritual obrigatório.
Completamente abananados com o que víamos, decidimos ir até junto do balcão para ver o aspecto dos gelados, já que não tínhamos a menor intenção de os comprar, pois tínhamos à nossa frente aquela tão grande quantidade de povo. Ficaria para outro dia, pensámos. Mas não. Surgido, não sei de onde, um jovem (militar?) aconselhou-nos a avançar e a ser servidos à frente de toda a gente. Era mesmo assim. O turista tinha prioridade e preço diferentes.
O cubano pagava pelo gelado, três pesos (vinte cêntimos) enquanto o turista pagava pelo mesmo gelado, três dólares, ou seja, quinze vezes mais. Achei bem. Não pela prioridade, mas pelo modo de vida dum povo onde o sol abunda, mas não para todos.
Até o grito da revolta ecoa diferente.
A título de curiosidade este hotel serviu de quartel-general aquando da revolução que levaria Fidel ao poder, era eu uma criança.
Que povo maravilhoso este, que vive e morre com um sorriso nos lábios!

24 de julho de 2008

Parabéns Zé Romano

O meu amigo Zé Maria, identificado no universo bloguista por JRoma, que é como quem diz José Maria Romano é hoje um aniversariante com motivos duplos para festejar.
Primeiro, porque a vida de reformado que iniciou há quase três anos lhe permitiu continuar a estudar. Depois, porque esta nova faceta veio revelar que debaixo da pele dum ex-chefe das oficinas da BMW, altamente competente e carregado de louvores, está apenas um dos melhores alunos do seu curso, senão o melhor.
Pois bem, o Zé está a concluir o 12º ano e brevemente vai entrar na Universidade. Uma atitude destas aos 62 anos, é obra.
O Zé é um daqueles amigos que está sempre disponivel, quer em esforço, quer numa palavra amiga.
Quando éramos rapazolas, os cinco anos de diferença que nos separam, colocavam-nos em mundos diferentes. Depois eu cresci e o Zé não ficou mais velho. Hoje estamos equiparados e se pensarmos que o Zé é ainda um exímio praticante de rock and roll, ciclista, futebolista e sei lá que mais, apetece-me dar meia volta e dar banho ao cavalo.
Zé, já estou a treinar jogar à bola de muletas. Espero que a tua muleta demore a chegar.
Espera-me às portas da nova vida.
Parabéns meu amigo!

22 de julho de 2008

Parabéns Mãe


Era hoje, mãe! Era hoje!
Lembro-me cada vez mais dos teus conselhos e do que recordávamos da tua juventude. Das coisas que me contavas quando atravessavas a vida. Dos gélidos invernos em que me aquecias as noites.
Do anoitecer quente de Agosto em que aninhava a cabeça no teu regaço, quando te sentavas na granítica laje da entrada da casa da avó. Da tua mão a afagar-me os cabelos até adormecer. Dos figos que a frescura da manhã nos oferecia, quando despertava um dia mais. Da melancia que devorávamos aos molhos, qual harmónica bem soprada. Da pequena sesta a que a canícula nos obrigava. Das férias na Beira ao findar do dia, descalços regando o milho e sentido a frescura da água do poço beijar-nos os pés.
E depois …
Da saudade em que a minha ausência, no meio do mundo, te afundou. Da distância madrasta que proibia os nossos beijos. Da esperança mútua, do meu regresso um dia. E depois ainda …
Dos teus olhos azuis, rivais dos céus.
Da manhã malvada que te roubou o riso e apagou a alma.
Julgava ver-te envelhecer. Pensava seres eterna.
Por cá, o pai te vai carpindo. As minhas irmãs, julgo que também.
Parabéns Ana, minha mãe, mas…
Queria tanto ter-te aqui!