30 de junho de 2008

Há pior


Quando pensamos que o nosso problema é o maior, basta olhar para o vizinho do lado e logo mudamos de opinião.

Em quarenta anos a praticar desporto (principalmente futebol) parti um dedo em cada mão e um pé. Não foi mau!

Agora mandaram-me fazer bicicleta, mas ... fiquei a cogitar!

Que mais me irá acontecer?

28 de junho de 2008

Finalmente


Meus queridos

Poderá parecer que a esfíngica figura e a postura em palco do então imberbe cantor Christophe, apresentado no post anterior, me tenham assustado e levado a um retiro obrigatório, mas tal assim não foi.
Aconteceu apenas que houve necessidade de rectificar o punho, que estava a solidificar fora do sítio e isso foi feito a sangue frio o que me deixou KO durante quase dois dias. O fémur está também já a adaptar-se à sua nova casa.
Tudo está a recompôr-se e os primeiros passos são já uma realidade.
Já abandonei o hospital e estou agora mais liberto de espírito e incertezas.
Na despedida , aqui fica uma recordação dos companheiros de infortúnio, Sidónio e Nicolay, que comigo partilharam o quarto e a quem devo algumas ajudas pontuais, mas muito oportunas.
Mais uma vez, a todos os que me visitaram, telefonaram, aqui deixaram mensagens ou pensaram em mim, o meu muito obrigado pela amizade e cumplicidade.

Apetecia-me dar uns toques numa bola e comer sardinhas à mão. Já que o não posso fazer deixo no ar essa maravilhosa sensação.

25 de junho de 2008

Aline


Para desanuviar!
Aos mais velhos vai recordar momentos bonitos. Aos mais novos, vai passar ao lado. Fica a recordação dum canção simples que embalou muitos abraços, beijos e carícias tantas.
Aqui - alone - lembrei-me de Aline!

24 de junho de 2008

Sintaxe


Afinal há diferenças entre os homens.

O meu companheiro da cama aqui ao lado tem quase a mesma coisa que eu (um pouco menos, mas tá bem) e está em URTOPEDIA e eu que fiquei todo escavacado, estou em ORTOPEDIA.

Não sou nada a favor destas desigualdades, mas tenho de me conformar.

Apetece-me voltar a brincar!

23 de junho de 2008

Ó pra ele!



Foi aqui! Uns metros mais atrás e dez minutos depois.
Algures nas Minas da Panasqueira-Fundão, embrenhado na paisagem, filmava o local onde vivi até aos meus dez anos e esqueci-me que havia uma rua, cinco metros mais abaixo.
O alcatrão era duro e não teve pena de mim.

Hoje dei os primeiros passos com uma canadiana e uma muleta e recomecei a escrever coisas que me lembro e outras que me pediram para relembrar.
A maioria, não vou poder publicar, pois faz parte de segredos infindáveis.
A vida continua e há que vê-la por outra prisma, bem mais delicioso.

22 de junho de 2008

Começar de novo


OAT

Começar de novo, vai valer a pena ...

A condição humana é uma amálgama de coisas inexplicáveis e de difícil compreensão. No entanto, parece-me que se quisermos podemos tornar menos difícil tudo o que não é entendível e aceitável.
Hoje, ser coxo, cego, maneta ou paraplégico, não é mais do que um estado de espírito para o passo seguinte.
O nosso problema é sempre o maior, daí que há dois caminhos a percorrer. Ou se encara a nova fase como um facto consumado e é só reaprender a sobreviver, ou se entregam as pontas e é o princípio do fim.
Foi neste contexto que me alberguei e arranjei força para superar aquilo que me parecia uma tragédia grega.
Já comecei a recuperação e amanhã, na sessão de fisioterapia, entenderei melhor até onde já foi a minha teimosia, na pressa de regressar às lides.
Obrigado a todos pelo apoio telefónico, virtual e presencial, nesta caminhada do deserto.

20 de junho de 2008

Os cavaleiros do após colapso


Foi sensibilizante!

Duma assentada e sem prévias combinações, eis que um mar de amizade me inunda o quarto e uma montanha de abraços me massaja a alma.
Plenos de força em palavras que o vento não leva e o apocalipse rejeita, em uníssono interiorizámos que - a união faz a força!
JC - Marcelo - Bicho e XL, gosto da foto, para mais tarde recordar.
A manhã começa a clarear.

Obrigado amigos!

19 de junho de 2008

Duas rodas - um sonho


Sem querer ser um profeta da desgraça, venho agora relançar um olhar sobre este maravilhoso meio de transporte que adoro - a moto!

Pensando bem, não vou dizer nada. É que fiz uma sondagem por todos os meus colegas de enfermaria e descobri que todos eles foram vítimas de acidentes com motos.

Francamente, estou a destoar!

18 de junho de 2008

Parabéns Gonçalo


Estava eu, na cadeira de rodas, a desfrutar a paisagem da IC 19 e olhando o formigueiro de viaturas que ainda podem pagar o combustivel, quando o meu filhote Gonçalo aparece sorridente e bem disposto para uma visista diferente das outras.

Vinha comemorar comigo os seus 29 anos.

Passeou-me pelos corredores, ajudou-me a fazer a barba e deixou-me o PC a postos para mais este desabafo.

Depois, apertaram-se os corpos e um beijo selou os parabéns e as melhoras.

Parabéns filho!

17 de junho de 2008

Um girassol para uma flor



O David e a Isabel fazem hoje 18 anos da casados.
Já começa a ser invulgar tantos anos duma vida a dois. Com os filhotes Xana e David júnior, passou a uma vida a quatro.
É uma equipa maravilhosa e de quem muito gosto.
Na passagem deste dia, um grande beijinho para a Estrelinha do Norte e um abraço enorme para o David.
O que custa mais, são os primeiros cinquenta anos, depois ... é fácil!

Ao fim de nove dias, sentei-me hoje numa cadeira de rodas.

Estou completamente tonto, a aprender a guiar e a andar.

Bjs



16 de junho de 2008

Parabéns JC




Parabéns Júlio!


É mais a um anito a roçar mato. Nem parece que os anos passam por ti.
Estou a ficar preocupado com as tuas filmagens. Estou a lembrar-me dum artista que anda para aí a filmar a torto e a direito e depois escavaca-se todo.
Já tive oportunidade de te dar hoje os parabéns,, quando me visitaste no hospital. Agora, reforço o desejo, para que conste.
Esta foto foi tirada para mostrar à Spuk, as prendass que teve a amabilidade de enviar do Brasil, para mim e para o Júlio.
Os braços partidos dos Cristos, seriam uma premonição do que estava para me acontecer?

A senhora, é uma cliente que ocasionalmente não quis perder a oportunidade de tirar uma foto no meio dos artistas, Pedro Górgia e Júlio César.



15 de junho de 2008

Bom Dia Turminha!

Afinal parece que Stº António esteve comigo ao colo. Apesar de, um pouquito pesado, o popular Santo esteve a meu lado.
Operação no dia 13 e na cama nº 13.
Não ligo muito a estas coisas de superstições, mas não deixo de lhe dar a importância que as pequenas coisas devem ter.
Resumindo, a operação correu bem. Apenas foi operado o fémur com subsituição de prótese total e não apenas da cabeça, como se previa. Estava uma desgraça.
O punho está a aguardar substituição de gesso e não deve ser preciso operar.
Não tem sido fácil suportar tantos dias, tantas horas, tantas dores, sempre na mesma posição. Já não sei para que lado me desejaria voltar.
Este tipo de situação tem também uma vertente positiva, pois nestes dias, que pareceram anos, aprendi a dar mais importância a outras coisas.
Isto não passou afinal duma brincadeira se tomarmos em conta que atravessei uma fase difícil na expectativa de dentro dalgum tempo fazer uma vida normal. Então e aqueles que estão numa cama, não à espera de se curarem, mas sim à espera de morrerem?
Para esses, vai a minha verdadeira admiração!
Para vós, o meu beijo-abraço, pelas coisas ditas.

12 de junho de 2008

Está quase!

Olá pessoal amigo!
Trouxeram-me ese bicho viciante para matar saudades. Se tudo correr bem julgo que a partir de segunda feira vou tentar trabalhar aqui no PC, a partir do hospital e depois faço uma perninha com o pessoal.
Um beijinho e um abraço para toda a imensa quantidade de amigos, pelos telefonemas de encorajamento e também pelas mensagens aqui deixadas.
Amanhã, às 10 h da manhã vão finalmente acontecer as operações que me devolverâo a mobilidade.
Obrigado a todos!

10 de junho de 2008

Ás Vezes

Ás vezes - Não acontece só aos outros...

Uma queda inadequada, um pulso partido, uma fractura do colo do fémur e mais umas coisitas atiraram-me para uma cama de hospital.

Até breve amigos!

9 de junho de 2008

Parabéns Marcelo

Oi amigão!

Chegou a tua vez. Todos ficamos mais velhotes, mas o que conta é o resto, né?
Um grande abraço de parabéns

(depois coloco aqui uma foto daquelas proibidas, pode ser?)

6 de junho de 2008

Miguel Moura - o mini cavaleiro





Já aqui afirmei que não sou muito amante de touradas, mas ontem à noite a corrida de comemoração dos 30 anos de alternativa do cavaleiro João Moura, realizada na praça de toiros do Campo Pequeno, resultou num triunfo memorável, com os artistas a saírem em ombros pela porta grande.
Com praça quase cheia, o cartaz era constituído pelos cavaleiros João Moura e os seus filhos João Moura Júnior e Miguel Moura.
Se não sou amante de touradas, porquê estar aqui a enaltecer o que ontem se viu? Pois bem, João Moura foi envolvido numa grande onda de estima e carinho por parte do público, onda essa que ele próprio soube ampliar tanto nas escolhas para brindar a lide dos toiros, como no empenho que demonstrou durante as respectivas lides.
Era já uma hora da madrugada, quando um puto de 11 anos de idade e que já devia estar a dormir rompeu os cânones da tauromaquia ao estrear-se no Campo Pequeno, demonstrando um à vontade e sentido de lide incomuns para a sua idade.
Parabéns ao menino cavaleiro Miguel Moura, por quem o público, várias vezes se levantou das bancadas para o aplaudir em autêntico delírio.

5 de junho de 2008

Espinhos no caminho


Couves na estrada e espinhos no caminho

Chover no molhado!
Pregar no deserto!
Malhar em ferro frio!
Ver Braga por um canudo!
Com vinagre não se apanham moscas!
Em casa de ferreiro, espeto de pau!
São os ossos do ofício!

Bem prega Frei Tomás …

4 de junho de 2008

Tianamen - precisa-se



Foi há 17 anos.
A 4 de Junho de 1991, milhares de estudantes manifestavam-se em Pequin contra o regime comunista quando militares cercaram a Praça Tianamen.
Dois mil estudantes foram massacrados com tanques e baionetas.
A CNN transmitiu em directo, da varanda dum hotel, esta carnificina.
Não valeu a pena porque apenas mudou o regime económico, não o político.
O arrojado "pegador de tanques" nunca mais foi visto.
Fica à imaginação de cada um, o que lhe terá acontecido.

3 de junho de 2008

Hollyood em chamas



Ontem, os Estúdios da Universal Filmes, em Los Angeles, foram parcialmente consumidos pelo fogo.
A fábrica de sonhos de Hollyood parou a produção e deixou de mostrar ao mundo o irreal da vida.
Faz já uma década que lá estive e como qualquer visitante ávido de glória breve, visitei a meca do cinema. Toquei então, tudo o que os meus sonhos de menino mais quiseram.
Numa cidade onde existem trinta e três auto-estradas e a sua maior avenida tem duzentos quilómetros de comprimento, ficou-me a recordação, da mudança que sofreu a minha silhueta e também a do Bruno, meu companheiro de estrada, nas sete partidas do mundo.


2 de junho de 2008

Às vezes


Às vezes - acreditamos em tudo
Às vezes - pedimos o impossível
Às vezes - desejamos o que se não pode
Às vezes - queremos e não nos dão
Às vezes - damos tudo
Às vezes - recebemos coisa nenhuma
Às vezes - pensamos e não existimos
Às vezes - choramos a sorrir
Às vezes - olhamos e não vemos

…. Às vezes – partimos à descoberta

31 de maio de 2008

Salvatore Adamo - Tombe la Neige

A inexorável marca do tempo, passa por todos.
Adamo foi também aquele que tilintou aos meus ouvidos os primeiros acordes de palavras doces e que eu traduzia para o meu grosso leque de amigas, por ele apaixonadas.
Adamo, foi um terno jardineiro, como lhe chamou Brel e plantou-me o jardim dos verdes anos. A última vez que assisti a um espectáculo dele foi há poucos anos, em Espinho e foi assim que o ouvi cantar. Não era aquela voz doutro tempo, nem as canções eram cantadas na mesma versão que eu gostava, mas era ele, a dez metros de mim. E os meus amores nunca morrem. Com voz ou sem ela.
Senti forte o seu envelhecer e percebi então que este, mais velho que eu, entrara no Outono da vida, qual comum mortal.
Às vezes julgo ouvi-lo dizer-me bem baixinho – não te zangues se eu te cantar as recordações dos meus quinze anos.
Sois pas fachê si je te chante les souvenirs de mes quinze ans!



29 de maio de 2008

Desabafos dum cota




Não sou masoquista nem quero impor as minhas ideias àqueles que aqui ontem comentaram o lado positivo desta miudagem, apesar de tudo rebelde.
Respeito estas loucuras. De certa forma, todos tivemos algumas na juventude.
Há rituais que aceito, vistos por outro prisma, já que se relacionam com hábitos ancestrais e tribais, muito virados para a espiritualidade e crenças pagãs e também para afastar maus espíritos ou polonizar as fêmeas.
Tal não acontece com esta malta, que arranca e mutila parcelas do corpo e altera fisionomicamente a fachada com que vieram ao mundo.
É evidente que não é menos inteligente ou sábio, aquele que pela sua forma de estar na sociedade colide com os parâmetros definidos pela sociedade, mas isto é raiar a loucura.
Aqui só para nós – não é louco este primeiro jovem que através de engenharia estética engendra uma forma de ficar com “cornos” na cabeça?
E o burro sou eu? (onde é que já ouvi isto?)

28 de maio de 2008

Que geração é esta?











O que é isto?
Geração rasca? Geração perdida? Geração rebelde?
Devo estar a ficar fora de moda e não vejo esta auto-afirmação como um posicionamento na sociedade de classes. É apenas um instante de loucura!
E pensavam os meus pais que, calças à boca de sino, cabelos compridos e camisas às flores eram coisas do demo.
É por estas e por outras que vou continuar um eterno saudosista!
Ó tempo, volta pra trás
Traz-me tudo o que eu perdi
Tem pena e dá-me a vida
A vida que que já vivi





Criança precoce


Mérito do fotógrafo ou do modelo?

Olha o raio do puto, hein!

Se não fosse chinês, diria que até tem os olhos em bico.

O futuro é das crianças.
Elas lá sabem!

27 de maio de 2008

Jacques Brel - ma passion



Já aqui falei de Jacques Brel – um OVNI da canção.
Gostar de Brel é como amar uma mulher feia. Gosta-se porque se gosta. O rosto não interessa. Nem tão pouco o mau feitio, ou o cúmulo de excessos.
Brel era isto tudo, mas foi a doçura das suas palavras, umas vezes e a dureza das mesmas, outras, que me convenceram a amá-lo como se ama a feia mulher.
Os portugueses, na sua generalidade, conhecem apenas meia dúzia de canções, mas Brel é uma verdadeira enciclopédia de murmúrios de amor e gritos de revolta.
É difícil enumerar qual a sua mais bonita canção, apesar de saber que a maioria escolheria "Ne me quitte pas".
Estou já noutra fase e hoje elegeria, La Chanson des Vieux Amants, a sua canção mais simples e mais bonita. É como o despertar duma consciência adormecida onde é sempre possível amar. E tal acto não tem idade!
Mesmo assim, aqui vos deixo - Não me deixes – Ne me quitte pas!

25 de maio de 2008

Américo Duarte Santos e os OVNIS


Serra da Gardunha – Base de Ovnis

Ontem, sábado, a RTP 2 transmitiu um documentário e uma simulação dum caso acontecido, sobre fenómenos ovnilogicos. O programa foi na sua totalidade dedicado a Américo Duarte dos Santos, homem que passou um quarto da sua vida a estudar ocorrências estranhas na Serra da Gardunha.
Conheci-o em circunstâncias profissionais, quando procurou os meus serviços. Ficámos confidentes e desde esse dia, tanto eu como o meu filho Bruno, passámos a ouvi-lo com atenção desmesurada. Contou-me então;

Um dia, na década de setenta, em Alpedrinha, lá para as bandas do Fundão, tendo adormecido por instantes, ao volante do seu carro, acordou arrebatado por uma força superiora.
Parou e viu então pequenas luzes que se deslocavam a velocidade estonteante, em todos os sentidos, por cima da Serra da Gardunha.
Natural de Lisboa e aí residente, mas atordoado por tal episódio, decidiu então abandonar a cidade, comprar um terreno, fazer uma casa na base da serra e dedicar-se à descoberta de tão estranho fenómeno.
Começou aí a procura do insólito. Tornou-se então um acérrimo defensor de vida extraterrestre, o que viria a torná-lo mais conhecedor da serra do que os ali residentes há muitos anos.
Segundo ele, nas entranhas da serra haveria uma base de ovnis, para onde foi teletransportado e com os quais teve, por duas vezes, contactos de terceiro grau.
Era delicioso falar com este homem. Ora porque me fazia sonhar, ora porque parecia raiar os extremos da imaginação.
Tudo o que observou ficou registado em livro, que nunca publicou, mas que teve a amabilidade de me oferecer e que guardo ainda.
Para terminar aconteceu um facto não menos estranho.
Visitei-o há uns meses atrás. Não consegui falar com ele, porque a sua mulher me disse para voltar mais tarde, pois tinha acabado de se deitar para dormir a sesta.
Soube hoje, pelo programa da televisão, que o Américo Santos, morreu há vários anos, o que já confirmei, por aquilo que pesquisei na Net. Em que ficamos?
Vou ficar a pensar nisto até perceber o que aconteceu e lá voltar.
Contactos de quarto grau?

23 de maio de 2008

O Vôo da Noiva


Um quadro comprado na última exposição do Bruno, em Portugal, demorou uma eternidade à chegar à parede da sala que o aguardava já há muito.
A falta de transporte para as dimensões do quadro, foi a principal razão para que o novo dono não ornamentasse mais cedo uma parede do salão da sua sumptuosa vivenda.
Três anos depois, a noiva chegou ao destino!

21 de maio de 2008

Capri c'est fini - Ma France, mon amour


Hervé Villard

Mais um “puto” do meu tempo.

Não era um cantor de embalar! Nem de rock! Nem de twist!
Em 1965, deu um pontapé na areia e fez muitos corações se apaixonarem ao som de "Capri c’est fini".
Em qualquer baile, de bairro ou de garagem, era obrigatório passar esta canção.
Toda a malta nova, mesmo os que não sabiam uma palavra de francês, trauteavam os primeiros acordes, duma recordação do primeiro amor.

...
Nous n'irons plus jamais,
Où tu m'as dit je t'aime,
Nous n'irons plus jamais,
Comme les autres années,
Nous n'irons plus jamais,
Ce soir c'est plus la peine,
Nous n'irons plus jamais,
Comme les autres années;
Capri, c'est fini,
Et dire que c'était la ville
De mon premier amour,
Capri, c'est fini,
Je ne crois pas
Que j'y retournerai un jour.

Liliana Bizineche revive Edith Piaf




Ontem à noite, a minha amiga Lili desviou-me para assistir ao seu espectáculo no Instituto Franco Português.
Cantou Edith Piaff e Maria Tanase, durante noventa minutos.
Foi lindo reviver essas maravilhosas cantoras, ambas amantes da desgraça e desamores.
Maria Tanase, cantora romena falecida na mesma altura de Edith, está para os romenos como Amália Rodrigues está para nós.
No dia do meu aniversário, desde há cinquenta e sete anos, não tinha acontecido nunca - chover e eu não jantar.
Para recordar!
Malgré tout - je ne regrette rien!

20 de maio de 2008

Que bom!


Caretas? Não! Não era o meu caso!
Como qualquer criança, gostava do meu leitinho e da maminha da mãezinha.
Não sei bem porquê, mas ficou-me essa paixão.
Não deixei nunca de venerar tão vitamínico adorno, com que Deus presenteou a mulher.
Foi há muitos, muitos anos e nunca mais esqueci!

18 de maio de 2008

Bruno - Regresso a casa


"Pronts"!
Acabaram as férias! Acabou-se a engorda!

Agora é só mais uns "mesitos" e agente volta a ver-se.

Até já Bruno, até já Ana!

15 de maio de 2008

Salvador Vaz da Silva - Um campeão




Salvador Vaz da Silva, advogado, amante da vida, vencedor da morte!
Sobreviveu a sete tumores nos pulmões e dezasseis no cérebro.
Foram-lhe diagnosticadas três semanas de vida.
Foi "a todas" e venceu a morte!
Salvador, é filho de Alberto e Helena Vaz da Silva, que aqui postei em 22 de Maio de 2007.


Meu Querido Salvador

Foi já tarde que cheguei ao teu sublimado canto de esperança.
O meu apoio e as palavras de esperança que necessitaste, já não vão a tempo de lembrar que o sol pode brilhar todos os dias.
Consumatum est! Felizmente!
Fiquei completamente estarrecido com a notícia da tua vitória sobre o caranguejo, doença que não te conhecia, apesar de com alguma regularidade falar com o teu pai.
Estou imensamente feliz, por ti, mas principalmente pelo Alberto, de quem parece teres sido clonado.
Quando te olho não consigo deixar de ver o puto giro de cabelos tigelados, há muitos anos atrás.
A tua coragem e determinação servir-me-ão de exemplo para a velhice que se avizinha.
És um vencedor, como de resto o é o Alberto e o foi a Helena, teus pais, por quem cedo me apaixonei.
Obrigado aos que te deram alma!
Força Salvador! A tempestade já passou!

13 de maio de 2008

Os Guerreiros de Xian

Foto das verdadeiras estátuas
Cópias existentes em Azeitão

clicar em cima das fotos

Descobri, há dias, numa almoçarada com o Bruno e o Henedino, aqui bem perto de Lisboa, uma cópia duma das maravilhas do mundo. Tivesse ela ido a concurso e certamente estaria entre as sete maravilhas.
Na Quinta da Bacalhôa, em Azeitão, o milionário Joe Berardo, exibe a céu aberto e para quem quiser ver, uma cópia dos Guerreiros de Quin Shihuang.
Para quem não conhece a história, aqui levanto o véu das brumas do passado.
Duzentos anos antes de Cristo, o primeiro Imperador da dinastia Qin, mandou fazer em tamanho natural estátuas que reproduziam com exactidão os guerreiros do seu exército, para serem enterrados com ele e o acompanharem na longa viagem para o além.
As imagens em terracota, enterradas junto ao mausoléu
deste imperador, foram descobertas em Março de 1974 por agricultores locais que escavavam um poço de água.
Julga-se que na construção deste mausoléu terão trabalhado 700.000 artesãos que levaram 38 anos a completar a obra.
8.100 estátuas foram já escavadas até o momento, incluindo soldados, arqueiros e oficiais, todas feitas em poses naturais. Cada figura porta armas reais como lanças, arcos ou espadas de bronze.
Hoje em dia, cerca de dois milhões de pessoas, por ano, visitam o local.
Os guerreiros de Xian - fenómeno arqueológico do passado distante da China.
Muito perto de Lisboa, podemos entrar na história e recrear os sentidos
Por momentos, senti que entrei no passado!
Só por isto – Bem Haja Joe Berardo!

11 de maio de 2008

Gianni Morandi



Aos românticos do meu tempo, aqui deixo a memória dum idolo que várias vezes alimentou as nossas paixões.
Gianni Morandi tem hoje 63 anos e continua um puto.!
Quando tudo parecia perdido, abriu-se o coração.
Gosto de recordar a cena do … fim!

9 de maio de 2008

Dois anos depois do fim


Passaram dois anos!
D.Irene, senhora maravilhosa a quem nunca ouvi um ralho ou um alteração de voz, deixou-nos o legado da calma e da bondade.
Foi há tanto tempo!!! E sei que o J.C. pensa muito nela.
Tomara que esteja a ter longas conversas com a minha mãe!
Estamos no mesmo barco Júlio! Navegando na saudade!

Dizes bem amigo, há chuva nos olhos!

7 de maio de 2008

Emoções que valem uma vida

Há dias, o meu pai, virou-se para dois amigos meus (Petra e Marcelo) que estavam comigo e contou-lhes assim:
- Ontem fui dar uma volta até ao jardim. Perto de mim estava uma velhota com quem acabei por travar conversa.
É hábito nos velhotes, queixarem-se das suas dores. Da alma e do corpo, digo eu.
Lamentava-se a senhora, ser mãe de dois filhos que moram a menos de mil metros dela. No entanto e apesar da curta distância que os separa, há mais de dez anos que os não vê.
- Sabe senhor, os meus filhos não querem saber de mim. Aqui estou abandonada e ninguém me vem visitar.
Emocionado com as lamúrias da velha senhora, abre-se também.
- Coitada de si minha senhora! Que raio de filhos são esses? Olhe, eu tenho bastante sorte. Os meus filhos são os melhores do mundo. Não me falta nada. Fazem-me … isto, isto e aquilo.
Parou para se recompor e continuou:
- Perante os desfiar de tal rosário, olhámo-nos os dois e chorámos em conjunto.
Aqui, o meu pai parou de contar a estória, olhou para mim e … emocionou-se outra vez!

5 de maio de 2008

La Tour Europe


Lá do alto vislumbrava a planura da cidade.
Chovia torrencialmente. As bátegas rolavam em catadupa pelo envidraçado panorâmico.
Florival – meu amigo, esmerara-se em me oferecer um jantar num dos restaurantes mais luxuosos da cidade francesa de Mulhouse.
A cúpula da Torre Europa girava ininterruptamente à volta de si mesma e assim íamos olhando a cidade palmo a palmo.
Sentados à mesa espreitando a ementa, Florival foi interpelado pela garconette trajada a rigor:
- O que deseja, como aperitivo?
- Para mim pode ser um whisky!
- Whisky? Bem …??? pode ser conhaque?
- Não, não! Eu quero mesmo é um whisky!
- Sabe, é que … não temos whisky! Acabou!
- Acabou? Como é possível um restaurante destes deixar acabar o whisky?
- Pois … mas de facto acabou!
Travou-se então um diálogo que a nada levou e ficámos num impasse. Ficar ou não ficar!
Olhámo-nos incrédulos e com um temporal daqueles lá fora, achámos melhor ali continuar.
Por mim tudo bem. Pelo Florival … jantámos com o amargo sabor dum bebida mal digerida.
Aconteceu no século XXI! Em pleno centro da Europa! A dois de Dezembro de dois mil e sete!

4 de maio de 2008

A todas as mães do mundo




Alguém disse um dia: - Mãe, é o local donde a gente nunca devia ter saído!

Podíamos dizer tantas coisas sobre a MÃE.
Não há palavras para esta palavra, apenas três letras - MÃE!
À minha mãe, onde quer que esteja e a todas as mães do globo, a minha vénia sobre a mais dignificante profissão do mundo

Nasceu a Carolina
Nasceu a princesa da serra.
Eram dez horas e oito minutos.
A Adelaide e o Fernando, foram pais duma lindíssima menina..
Nasce uma criança! É o renovar da vida!
Às vezes – num fim de semana, nasce uma Carolina, homenageiam-se as mães!

1 de maio de 2008

Maio - meu Maio




José Afonso - o Che Guevara das canções, compôs e cantou um dia


Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar
Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar
Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

30 de abril de 2008

Seminário do Fundão


Todas as manhãs eram submersas. Todas as tardes, despidas. Todas as noites, obscuras.
Magotes de moçoilos aprumavam-se em longas filas no silêncio do claustro.
As clericais habituações, comandavam o nascer da puberdade.
O Latim e a Estilística, fervilhavam os neurónios adormecidos. O recolhimento tolhia-se austero.
No enorme templo cruzaram-se as tribos de Canaã. Nele ficaram sepultadas esfíngicas figuras que o tempo esqueceu.
Depois … a busca incessante da terra prometida.
Às vezes - o regresso ao raiar da primavera!
Às vezes - o regresso ao despertar da consciência!
Seminário do Fundão – muitos anos depois!
Ali me adormece o olhar!

29 de abril de 2008

Milagre de Abril






Às vezes – a sorte não é madrasta!


Ainda parece assustado.
Algures no Alentejo. Quatrocentos metros arrastado por um camião, com o qual havia colidido e sair incólume deste filme é uma dádiva divina.
Um dia de cansaço. Um teimoso cerrar de pálpebras. A vontade de chegar.
Bem vindo ao mundo dos vivos Seve!

27 de abril de 2008

O primeiro dia do resto da sua vida


A felicidade dele constrói-se com muito pouco.
A companhia dos filhos, bacalhau cozido com grão ao almoço e frango no churrasco com batatas fritas (não de pacote) ao jantar, são o seu presente de aniversário.
Tudo isto faz a felicidade dum homem. Estas, as prendas que ele gostou de receber. Estas, as que gostámos de lhe oferecer. Comer, é talvez o seu maior prazer.
Depois, sorrateiramente esgueirou-se para a sala vazia, saboreando os resultados da jornada desportiva.
Foi assim mais um dia. O do meu pai. Oitenta e sete anos.
Parabéns meu velho, meu amigo!
Parabéns pai!