30 de julho de 2007

As aventuras de Kim Kim - 10 anos



Os meus dez anos revelavam já um elevado sentido de humor.
Brincar, era uma disciplina como todas as outras.
Naquele dia, as notas do teste de Religião Moral, tinham sido um hino à sabedoria, com a totalidade dos alunos a atingir o máximo de aproveitamento, a rondar os vinte valores.
Desconfiado com tanta fartura, fruto do “copianço”, que o velho padre não conseguira detectar, logo ali marcou novo teste, para três dias depois.
Quase todos os alunos descuravam essa matéria - Religião e Moral - pois o rigor das outras disciplinas a isso nos impelia. Era pois, importante, agarrarmo-nos aos livros e saber tudo na ponta da língua, sob pena de, quem não voltasse a ter nota positiva parecida com a anterior, teria chumbo certo.
Eu, assim fiz. Quase não abri nenhum dos outros livros, durante os três dias seguintes. O Francês, o Latim, a Estilística e mais as outras sete disciplinas, que esperassem.
Entretanto, a minha maquiavélica mente brincalhona, arquitectou um plano. O Matos, perito em trabalhos manuais, a meu mando, fabricou um pequeno chapéu de coco, feito em cartolina preta, que teimei em levar debaixo do braço para a aula.
Chegado o momento do novo teste, eu parecia um doutor da Igreja.
Peguei naquilo e em três penadas, debitei a minha sabedoria para o papel, acabando o teste muito antes do tempo regulamentado para o efeito.
Coloquei então o chapéu em cima da secretária (lá, chamávamos-lhe cadeira) e quando o padre olhava na minha direcção, fingindo estar a copiar, levantava ao de leve o chapéu, e logo de seguida fingia que escrevia o que acabara de copiar. Assim fiz, várias vezes.
Pelo canto do olho, ia observando a impaciência do homem, prestes a apanhar em flagrante delito um jovem seminarista.
O velho padre, quando nervoso, gaguejava e distorcia as palavras.
Ninguém se mexe! Quero todos com as mãos em cima da secretária – gritou.
Com ar de justiceiro divino, encaminha-se para o meu lado, nunca olhando para mim e quando passa a meu lado, põe a mão em cima do chapéu, amarrotando o arredondado deste e quase a babar-se, vocifera: - AAAAPANHI-TE!!!
Debaixo do chapéu, nada havia. Olhei-o calmamente e respondi: - ENGANI-TE!!!
Os dias que se seguiram, não foram os melhores da minha vida.

O raio do puto Kim, era danado prá brincadeira!

Festas Populares













As Festas Populares sempre mexeram comigo.
Os bailes, a vacada, as rifas, os copos, os petiscos e a fanfarra, troam-me aos sentidos, empurrando-me para um tempo distante. Até a Marta, dezasseis anos de gente, pegou de caras, a bezerra de astes pontiagudas.
Por todo os cantos, a Tertúlia dos Papa-Minis, amontoava garrafas às dezenas. Não és homem, não és nada.
Eram estes os dias, à excepção das férias escolares e do Natal, que esperava todo o ano.
Este fim de semana, dediquei-o ao Bruno, por saber, ser este um momento que ele gostaria de partilhar e que não esqueceu. Era meia noite, quando o telefone soou. Então, como está a Festa?
A tisna do sol, a procissão, e a banda de Olhalvo, aconselharam um mergulho retemperador e fiz-lhes a vontade. Não um. Muitos.
A Sant’Ana, castigou duro os que suportaram nos ombros, o seu andor, de mais duma centena de quilos.
Fica no ar a promessa de que no próximo ano estaremos juntos a “parvar” mas felizes pelo encanto destas festividades pagãs.
Aqui fica o cheirinho!

26 de julho de 2007

Antes do 11


Vai distante o ano de 1985.
Do lado do mar, às portas da cidade, as gémeas ainda lá estavam.
Do alto do Empire State Building, admirei-lhes a imponência.
Lá em baixo as formigas seguiam em carreiro desordenado.
Não havia bombas, não havia chamas, não havia medo.
Mesmo em frente, a Estátua da Liberdade, saudava os que chegavam, por mares agora sempre navegados.

25 de julho de 2007

Os Tugas


(Nesta fase, o Bruno não sonhava com os tugas, mas sim, com o seu anjo da guarda)

Há algum tempo o meu filho Bruno, roído de saudades, aproveitou a digressão do Benfica na América e foi assistir a um jogo entre o Benfica e o AEK de Atenas, realizado no Giants Stadium em Nova York.
Desiludido com a exibição do nosso Benfica, mandou-me este e-mail.

Foi divertido estar junto do tuga genuíno (emigra).

Faz lembrar a final da Taça de Portugal com garrafão e feijoada à transmontana. até havia um que levou o “satélite dish” para apanhar a final da taça Sporting-Belenenses, que decorreu ao mesmo tempo (enfim um verdadeiro festival de indescritíveis pormenores. quanto ao jogo descrevo-o como lastimável! O Benfica trouxe uma equipa de futebol feminino e as meninas estavam menstruadas. A mais velha que marcou o golo fazia birrinha quando lhe tocavam, ou quando lhe tiravam a Barbie. Enfim uma miséria à qual ninguém deu por isso pois a festa era do tuga e a pátria falou mais alto... e quando o hino soou, soltaram-se as vozes:


-" Iróis du mare nóóóóó re pooovo na São valente, iiiii mortal"....

Bruno – agora tens de te habituar a ver o lado cor-de-rosa do Benfica

24 de julho de 2007

Parabéns - Zé Romano


Mais um ano que passa.

Tás um homem Zé.! Cresceste rápido!
Agora a fase seguinte é – aproveitar o tempo para fazer o que deixaste de fazer durante a vida.
A reforma não é dourada, mas com a ajuda dos “Anjos e Sta Maria” bons dias se adivinham.
Algures, por terras de Além Tejo, junto à raia de Espanha, o meu amigo Zé Romano, já começou a fazer das suas, com uma incursão a terras de Espanha.
Bons ventos te tragam de volta, Zé Romano.
Parabéns amigo!

23 de julho de 2007

O Atomium


A Bélgica atravessou-se no meu caminho, tantas vezes quantas as que eu abandonei Paris.
Aos poucos fui criando paixões, pelos quatro cantos do mundo. Onde quer que fosse havia algo que me marcava. Ou pela imponência das coisas, ou pela descoberta a que os meus olhos se iam habituando.
Sempre que os francos não abundavam, qualquer banco de jardim servia para retemperar forças. Quando a abundância passava por mim, os melhores hotéis mostravam-me o outro lado da vida e lembrava-me que também era gente.
Assim foi, nesta fase da minha vida, em que era normal, acordar em Londres, almoçar em Amsterdão e jantar em Paris. Até parecia um homem rico!
As minhas paixões estavam lá, mas o meu coração queria partir, sem olhar para trás.
Curiosamente, é de lá que hoje, a Cristina, sem dúvida a belga mais portuguesa que já conheci, nos vai lembrando o quão de belo temos em Portugal.
O seu blog (alzira.canalblog.com) atesta-o.
Nesta foto, na minha fase de fato e gravata, o George, meu cicerone de circunstância, levou-me ao monumento erigido por ocasião da exposição mundial de 1958 em Bruxelas - “o Atomium”. O átomo em ferro, ter-me-á aspergido, com a rija têmpera que era preciso absorver.
Ficou um marco da cidade, tornando-se num ex-libris da mesma.
Bruxelas, para ti, a minha vénia!

Don Juan


Nunca fui um lobo do mar. Antes, um cordeiro de terra.
A ondulação, o infinito, a falta de chão, fazem de mim uma frágil casca de noz ao sabor das correntes.
Aqui, num cruzeiro no Mediterrâneo, amparado por duas sereias, tento aguentar-me no balanço.
A todo o vapor! Dos fracos não reza a história.
Don Juan kim, eu? Não, o barco e eu!

20 de julho de 2007

Salvatore Adamo


Todos os jovens tiveram ídolos. Uns perderam-nos, outros, esqueceram-nos.
Eu, entrei na adolescência, apaixonado por ídolos. Cheguei à idade adulta, a sonhar com ídolos. Atravessei a vida, fiel aos ídolos.
Salvatore Adamo, o italo-belga, cantor romântico de voz rouca, foi o meu grande ídolo.
A sua voz, a sua música e as letras das suas canções, transportaram-me para outros mundos, que vim a descobrir, serem os meus.
Jacques Brel, sobre ele, disse um dia:
Salvatore, tu és um terno jardineiro e as flores que provocas, têm a frescura das flores da beira dos caminhos.
Foi uma paixão desmesurada. Sabia e sei de cor, todas as suas canções. Tinha e tenho todo a sua discografia.
Mas … a vida é também feita de traições. E eu viria a traí-lo, apaixonando-me por Jacques Brel.
Adamo, meu velho, meu amigo, encontrar-nos-emos um dia nos campos da Flandres onde cantaremos “sois pas fachês, si je te chante les souvenirs de mes quinze ans, (não te zangues por eu te cantar as recordações dos meus quinze anos).
O Júlio César é culpado de eu não ter conhecido pessoalmente este meu grande ídolo, mas eu já lhe perdoei.

19 de julho de 2007

Sonhar em Hollyood


A meu lado, o meu filho Bruno, primeiro do lado direito da fila da frente, completamente debruçado sobre si, tenta sobreviver à força G.
Nem consegui filmar.
A gravidade duma descida a pique, a 120 kms à hora, provoca o aspecto que as nossas bochechas denunciam.
Ali, fiz o que gosto - recuar no tempo.
Revivi personagens e cenários dos filmes que não esquecemos. O célebre carro do Justiceiro "O Kit", a nave da primeira viagem do homem à lua, o carro e o ambiente do "Regresso ao Futuro". Enfim, tantas coisas que nos fizeram vibrar.
Aconteceu em Hollyood, numa visita aos Estúdios da Universal, de tão grata memória.

18 de julho de 2007

Uma prenda para o fotociclista


Gigi - lembrei-me que és um doido por fotociclar e comprei-te esta prenda.
É um brinquedo utilizado para transportar os turistas e relativamente barato.
Guia-se na posição de deitado e tem ligação à Internet.
Agora, não há desculpas, para as sucessivas baldas.

16 de julho de 2007

Ruínas de Cartago






General Kimkim, nas sete partidas do mundo, algures no Norte de África, deitou-se no passado e deleitou-se na história.

Aquando das guerras púnicas, conferenciou com Aníbal Não Cavaco. O mundo digladiava-se.
Aqui tentou conciliar interesses comuns de romanos e cartagineses, inimigos figadais.
Por aqui entraram, um dia, as legiões romanas, devastando tudo à sua passagem – casas e ruas.
Kimkim, não evitou o pior.
Ajeitou a toga e virou as costas.
Aos nobres! Leais! Invasores!

15 de julho de 2007

Música - essa coisa sublime


Com lágrimas de alegria ou de tristeza, a guitarra geme, o violino arrepia, a música fala.
Música – Uma emoção que todos sentem. Uma linguagem que todos entendem.
Música – a paixão das nossas vidas!

Há imagens que valem mil palavras!

13 de julho de 2007

Chichén Itzá


Chichén Itzá, foi eleita uma das SETE MARAVILHAS DO MUNDO

As opiniões e os votos, valem o que valem.
Esta maravilhosa pirâmide conta-nos histórias de adoração e sacrifício aos Deuses.
Os seus degrau, são de tal forma íngremes, que é costume serem descidos de rabo no chão. O meu filho Bruno, que tem vertigens, assim o fez. Eu, consegui descer relativamente rápido, agarrado a uma corda.
Naquele local, existiu o Campo de Jogos dos Prisioneiros, onde estes jogavam um jogo com bolas de borracha, que chegavam a pesar vinte quilos, comportando cinco jogadores de cada lado. O jogo era jogado apenas com as ancas e consistia em fazer passar a bola por uma argola situada a cinco metros de altura, numa parede lateral. Braços e pernas, não podiam tocar na bola. O jogo acabava, quando uma das equipas deixava parar a bola e perdia, ou então quando esta passava pelo buraco e ganhava.
Não raro era, chegarem ao fim com ossos partidos, o que também não importava muito, pois a quem perdesse, seria cortada a cabeça.
A cidade maia de Chichén Itzá, é muito mais do que a Pirâmide de Kukulkan – é também uma Praça de Mil Colunas, um Poço de Sacrifícios e muitos outros monumentos, já que se tratava dum centro político e económico.
Fica situada no México, no Estado de Iucatã.
O local é totalmente plano, até perder de vista e a vegetação é rasteira.
Rezam as crónicas dos cientistas, que terá sido neste local que caiu o meteoro, com dezassete quilómetros de comprimento, que terá dado origem à extinção dos dinossauros e à consequente alteração de vida na terra.
Chichén Itzá – cidade dizimada pelos conquistadores espanhóis há quinhentos anos - até outro dia!

12 de julho de 2007

A ausência do Gigi


Andava há alguns dias para vos falar da verdadeira razão do Bicho – Gigi, ter desaparecido, mas aqui vai.
Amante profundo de tudo o que é radical, ei-lo no momento em que, estando a fazer parapente, foi apanhado por um avião que ia aterrar no aeroporto de Faro.
Ao que sei, consegui libertar-se a tempo, vindo a cair em cima duma brasileira, amiga da Spuk.
Ambos estão muito quentinhos a curtir aquele encontro que o céu proporcionou.

11 de julho de 2007

Anelya e Ioakim


Anelya Semynova e Ioakim Semyvelho

Há cem anos atrás, vivi assim nesta pequenina aldeia da Bulgária.
Ganhava à jorna. Laborava de sol a sol. Sonhava à noite.
A pastorícia e a tecelagem, eram as minhas fontes de rendimento.
Era feliz e ansiava por um mundo melhor.

Enganei-me!

10 de julho de 2007

O Senhor Jovem Presidente


Marco Paulo Sanches Marques, 21 anos.
O mais jovem autarca português.
No coração da Beira Baixa, na freguesia da Orca, constituída pelas povoações de Martianas, Orca e Zebras, corre sangue ávido de renovação. O sangue novo do Presidente da Junta de Freguesia.
Quando a postura, a sensatez, o dinamismo e a lealdade, tomam conta dum povo, o mundo desperta.
O futuro, é já o presente.
Zebras – uma povoação às riscas, com linhas bem definidas.
Marco Marques – Presidente da Junta de Freguesia da Orca - um exemplo a registar!

9 de julho de 2007

Fome


Arrepiante!!!

Quando o egoísmo é mais forte que o amor!
Quando o mundo gasta em guerra, o que falta em alimento!
Quando a desigualdade é tanta!
Quando só pensamos em nós!

Tenho vergonha da minha espécie!

6 de julho de 2007

As aventuras de Kim Kim


Vinte de Maio de mil novecentos e setenta! Dia do meu décimo nono aniversário!

Marie Claire era uma loira lindíssima. Vivia do que o desenrasca dava. Seu marido Bérnard, bandido, de profissão, estava enclausurado havia algum tempo.
Gyslaine, não menos linda, morena, suiça de Genéve a estudar em Paris, era a sua companhia preferida.

Alain e Martin eram os amigos a quem não era possível dar o golpe, já que nada tinham para ser gamado. Loiro (eu) com loira, moreno (Martin) com morena, ditou o desejo. A espaços alteravam-se os pares, porque a ocasião faz o ladrão e porque era preciso demarcar a emancipação adquirida.
O encontro era habitualmente no Chez Jean Bart.
Naquela noite, Marie Claire, confidenciou-me:
Alain, esta noite, para comemorar os teus 19 anos, vou levar-te ao local mais “in” de Paris. Fica em St Germain, um sítio com ambiente diferente daquele que estás habituado. E vou levar-te no meu novo carro.
- Por mim está tudo bem, leva-me onde quiseres - disse eu.
A “minha” (?) miúda dava muita nas vistas. O seu longo casaco de pele branca
de arminho, cobria-lhe as botas, não menos alvas, rendilhadas de cordões entrelaçados.
Às vezes até tinha medo de sair com ela. Afinal, era a mulher dum diabo e andava com um anjo(inho), salvas as devidas proporções.
O medo duma navalha encostada ao pescoço assaltava-me regularmente.
Estacionada num obscuro canto duma rua cinzenta, a sua viatura era afinal uma velha carrinha Citröen, igual às utilizadas pela Gendarmerie. A dita, estava despida de tudo. Apenas tinha o banco do condutor, o volante e a “manete” das mudanças.
Entrámos os quatro naquele maravilhoso meio de transporte,
talvez furtado, talvez não, e partimos à descoberta duma noite mais.
No espólio de
Marie Claire não havia melhor. Era aquela Citröen, ou nada.
Marie Claire confidencia-me que ir
íamos a um bar regularmente frequentado por artistas do cinema e da canção. Moustaki, Léo Ferré, Serge Lama Johny Halliday, Sylvie Varten, Alain Delon, etc. eram visitantes assíduos. Quis o destino que mais tarde me viesse a tornar amigo dum outro cantor de sucesso, Gerard Lenorman.
Imbuídos de espírito vadio, ei-los que aí vão cheirar o mundo do sucesso.
Dentro da viatura, era hercúleo o esforço para nos segurarmos. Viajávamos em pé e sem nada onde nos pudéssemos agarrar.
Martin e Gyslaine lá iam barafustando com as condições de transporte e a certeza da ilegalidade ambulante, anuindo, no entanto, às refutações que Claire ia vociferando.

Ou querem assim, ou vão a pé! - insistia.
Trinta minutos bastaram para chegarmos ao local.
Nos nossos bolsos o dinheiro não abundava, como de costume. Lá dentro, a média luz não ajudava na descoberta das espécies raras. “Cuba libre” para os quatro, era a bebida alcoólica mais barata que o nosso bolso suportava.
Assim fomos bebericando, fazendo render aquela bebida que teria de dar para toda a noite. De vez em quando o empregado vinha junto de nós perguntar se queríamos algo mais. Olhando para o copo, com se ainda estivesse meio, lá íamos dizendo - por enquanto não é preciso mais nada.
Dançámos que nem possuídos. Expirámos fumo que nem cacilheiros. Bebemos que nem forretas.
Da gente muito famosa, nem cheiro. Apenas a equipa B.
Ou a neblina das luzes opacas nos turvava a visão, ou os artistas haviam rumado a outras paragens.
Era já tarde para nós, cedo para outros, quando nos foi apresentada a conta.
Duzentos e trinta e dois francos, fizeram-nos pestanejar. Esvaziadas as carteiras, juntámos noventa e cinco francos, mais do que suficiente para passar uma belíssima noite noutro qualquer bar. Questionado o empregado sobre o montante exigido, este informou-nos que ali, cobrava-se à hora. Quer bebesse, quer não bebesse.

Martin e Claire, mais batidos na noite, bem tentaram fazer valer a nossa ignorância. De nada valeu.
Claire olhou em redor, fitou uma presa, aconselhou calma e partiu em busca de alimento para os filhotes.
Voltámos a sentar-nos e de longe apenas tentávamos perceber qual o jogo de palavras que esta estaria a utilizar junto dum desconhecido, ainda com idade de ser nosso pai e já com idade de poder ser nosso avô.
Dez minutos depois, chega junto de nós, pega na mala, embrulha-se no falso arminho e desabafa:

pronto malta, podemos ir embora!
Assim fizemos. Olhar para trás, é coisa que não se faz quando o coração não pede.
Os noventa e cinco francos continuaram nos nossos bolsos. Em qualquer outra discoteca, chegariam de sobra para sorver várias bebidas.
Não soube qual a conversa havida. Penso hoje que terá sido um estratagema da Claire para sairmos, com calma e sem pagar.
Disse-nos que aquele desconhecido era seu amigo e que pagaria as nossas bebidas.
Fraca desculpa para quem não queria dar explicações a quem também as não queria receber.
Talvez ela lhe tenha pago no dia seguinte, nua e crua, e despida de arminho.
Nada mais interessava.
Regressámos à casa de Gyslaine, onde esvaziámos os corpos, embriagados de vigor e sequiosos de desejo.

5 de julho de 2007

BULGÁRIA




Adicionar imagem
Agora que é possível escrever com acentos, não quero deixar de dizer algumas pequenas coisas sobre a Bulgária, caso algum dos meus amigos (as) vá visitar esse país.
O meu quartel-general, era uma estância de turismo – Sunny Beach.- com dez quilómetros de praia.
A água do mar é quente (26 graus) e a temperatura do ar é de 30-35 graus.
No Inverno – 15 graus negativos.
O dia é longo.
Duzentos e tantos hotéis, quase todos em cima da praia e outros tantos bares barulhentos.
Funciona apenas, de Abril a Setembro, parecendo durante o resto do tempo, uma cidade fantasma.
O povo é geralmente simpático, com mais acentuação naqueles que vivem do turismo.
Visitar um país, é acima de tudo, falar com o povo e visitar o interior. É isso que gosto de fazer, o que não é possível em oito dias.
Bulgária – um país que entrou parta a Comunidade Europeia em Janeiro de 2007 e onde o ordenado mínimo é de 230 LEVAS (115 €). Terei pena deste povo, quando o LEV se chamar EURO
Aqui recrio, uma panorâmica da praia e outra da aldeia de Nessebar – património mundial – onde as casa são de pedra no rés do chão e de madeira no primeiro andar. Como o terreno é pequeno, as casas são alongadas, por cima.
Brevemente vos mostrarei como eu vivi, numa outra minúscula aldeia búlgara, há cem anos atrás.
Até estou bem conservado!

4 de julho de 2007

HENRIQUE VIANA - adeus


O Henrique era um dos grandes compinchas dos meus amigos Júlio César e Raul Solnado.
Há cerca de duas semanas terminou a rodagem do novo filme, O JULGAMENTO, a estrear em Novembro, onde contracenou, já com dificuldades, com o Júlio.
No dia que me ausentei para a Bulgária, o Júlio veio almoçar comigo e confidenciou-me que o Henrique tinha pouco tempo de vida.

Se o Júlio ainda tivesse o seu blog, publicaria, mais ou menos isto.

Companheiro de muitas jornadas. Cúmplice de loucuras tantas.
Partiste cedo e ainda tínhamos umas coisas para fazer
Acabá-las-emos um dia.
O espectáculo vai continuar e as árvores morrem de pé.
Reserva-nos um lugar na primeira fila.
Quando parte um amigo, ficamos sem palavras.
Adeus Henrique.

3 de julho de 2007

MAR NEGRO - Fim

Tudo acaba um dia!
Estas ferias terminaram. Em Agosto havera mais.
Foi muito agradavel esta estadia, apesar de eu gostar mais de campo. Nao ha nada de especial para contar, apenas algumas fotos que irei mostrar e satisfazer a curiosidade da Carla.
Amanha a noite, ja em Lisboa, espero ir a correr para o meu PC, apesar de ter escavacado um dedo do pe direito. Ando sempre com a cabeca no ar e depois acontecem estas coisas.
Ate amanha pessoal!

2 de julho de 2007

MAR NEGRO - 6

Hoje - jantar numa aldeia recondita das Balcas.
Folklore e um lauto jantar deliciaram-me. As minhas vestes de bulgaro dao-me a paz de espirito das montanhas. Gostei.

1 de julho de 2007

MAR NEGRO - 5

Parece impossivel que em alguns quilometros de praia, haja tanta mulher.
Decididamente isto e muito bom para o pessoal minorca.
Meninas novinhas por todos os lados. Na praia a diversao vai desde tirar fotografias com jiboias, a fazer parapente nautico. A agua convida a perder a nocao do tempo.
A minha guia Ioanna Seminova um beijinho do Joaquim Semivelho.

30 de junho de 2007

MAR NEGRO - 4

Sunny Beach, parece a Praia de Carcavelos.
Duzentos hoteis. Esta estancia de turismo so funciona seis meses por ano.
E optimo para malta nova. Musica, musica, musica e copos, copos, copos.
Todas as noites e assim.
De todos os paises aqui a volta, aparece miudagem, para curtir.
O meu amigo Henedino esta a espera que eu chegue para lhe explicar se vale a pena vir ate ca.
Penso que sim.
Ainda ha LADAs a circular. E BRABANT, tambem.
Quem tiver o azar de ficar num hotel perto da barulheira, esta feito.
Hoje - Cidade de VARNA (capital maritima)
E a segunda maior cidade da Bulgaria. Nao ha nada para ver nem para comprar.
Nem ha nada para contar. (E so comer e praia)

29 de junho de 2007

MAR NEGRO - 3

Hoje - NESSEBAR, patrimonio mundial - lindo.
As pedras, voltaram a falar.
Calor - muito - com nuvens.
Os Balcas estao a tomar conta de mim.
Vamos a isso. Jantar no Tromba Rija. OK
Estou inscrito ja
Ate amanha.

28 de junho de 2007

MAR NEGRO - 2

A temperatura baixou cinco graus.
A agua do mar continua com 26 graus. Muito bom.
Hoje, um pequeno tornado, aconteceu a 20 metros de mim. Colchoes, boias, e chapeus de sol elevaram-se no ar a mais de cem metros de altura.
Fiquei atonito.
Vamos a ver se nenhum tornado leva estes 88 quilos.
Beijinhos, pessoal.

27 de junho de 2007

MAR NEGRO - 1

Seis horas da tarde.
Quarenta e um graus.
A coisa esta preta. O computador do hotel nao tem acentos.
Agua do mar quentissima. 26 graus.
Mulheres lindissimas. Homens, dizem as mulheres, assim - assim.
Este computador de terceiro mundo nao tem porta USB para insercao de fotografias. Pena.
Nao posso pedir mais.
Mar Negro = Negros problemas.
Amanha veremos.
Beijos as minhas meninas.
Benvindo Ottis Redding. Acabaram as ferias (ponto de interrogacao)

26 de junho de 2007

Gaivotas em terra ...


Há dias que me parece não haver lugar para todos nós.
Há sempre alguém à espera, para poder poisar.
Estou enganado, não estou?

Algures, a uns milhares de quilómetros de Portugal, com o Mar Negro a banhar-me as ideias, continuarei a desabafar sempre que a disponibilidade o permita.
Os dias passam depressa.
Até já, amigos!

25 de junho de 2007

O Abraço


Às minhas virtuais amigas, espalhadas pelo mundo. Pela omnipresença! Pelo apoio!


Há muito que precisava de recordar, uma parte importante da minha vida.
Tentei e tentarei, transportar cada momento, para este palco, onde ninguém conhece ninguém.
É um pouco como desinfectar a alma com lágrimas derramadas.
Faz bem ao ego e alimenta o espírito.
Agora que revivi a Chantal, penitencio-me pelos pensamentos diabólicos que tenho das mulheres, mas na verdade elas são o suporte que nem só os homens fracos precisam.
Mulher! Essa força da natureza, maior que o homem, em tudo. Até no ódio.
Não fora eu Balzaquiano e estaria ainda a tentar perceber porquê.

A minha homenagem às mulheres de todo o mundo!

O meu ABRAÇO.



24 de junho de 2007

Nasceu um homem


Depois de uma aula de vida, proporcionada por Chantal, nasci de novo.

22 de junho de 2007

O SALTO - parte 16

- Chantal, peço-te imensa desculpa, mas essa não é de facto a minha forma de estar. Foi um impulso estúpido, porque nem sequer pensei que me ias alimentar a imaginação de te poder ter.
Chantal olhava-me agora com ternura. E continuei – Vou-te contar uma coisa. Tive uma educação cristã. Os meus estudos foram feitos num Seminário. Eu queria ser padre. Não aconteceu por acaso. A minha formação humana e cultural não tem nada a ver com aquela ordinarice, com que te presenteei. Não tenho palavras! As minhas desculpas!
- Olha Alain, também eu te vou contar um pequeno segredo. Acabaste de ganhar a minha admiração. Tenho trinta e seis anos. Sou uma mulher casada. Não tenho filhos. O meu marido é um homem extraordinário e é membro do Governo. Mas, ouve bem. Eu não sou nenhuma puta. Trataste-me com tal. Trouxe-te comigo porque senti uma atracção por aquilo que se escondia por detrás do teu olhar. Mas a vida não é assim. Tens de aprender a olhar à tua volta e a comedir as palavras. És um puto cândido. Não te percas.
Estava estarrecido e acabrunhado. Limitei a olhá-la. Apetecia-me beijá-la, como amiga.
A nossa patética figura em roupão, estava já desajustada do contexto.
- Alain, vamos ficar assim. Amigos! Está bem? Podes vir visitar-me quando quiseres e vamos ficar grandes amigos. Mas … pode ser só assim?
Já em ré menor, fomo-nos descobrindo e fazendo projectos do que poderia vir a ser aquela amizade. Ofertou-me conselhos. Escolhi roupa do marido. Recebi cem francos e a promessa duma amizade duradoira.
Fiquei mais menino e vergado ao peso do opróbio, lacrimejei nos seus braços.
Levou-me à porta, encostou o indicador direito nos meus lábios, beijou-me a boca que o seu dedo separava da sua e murmurou envergonhada:
- Alain!.. Talvez um dia …!!!

21 de junho de 2007

O SALTO - parte 15

Decidi-me pelo roupão.
Não fora a impaciência e teria ficado mais tempo no banho.
Cheguei à sala, com os predicados reduzidos ao mínimo e lá estava ela, folheando um livro. Reparei então, pelo traçado das pernas e uma nesga de roupão aberta, que afinal não estava nua.
Apesar do “enrascanço” em que me sentia metido, parecia que a musa me inspirava.
- Senta-te aqui ao meu lado! – sugeriu. Então, é verdade que vais dormir comigo?
Fiquei a olhar para ela sem conseguir responder. A distância dos corpos, apesar de lado a lado, era enorme. Percebi que me fitava como a um passarinho indefeso.
- Qual é o teu nome?
- Alain,
respondi.
- E tu?
- Chantal.
- Qual é o teu país?
- Portugal.
- Portugal??? Huuuuum!!!!
- E que fazes tu na vida, Alain?
- Bem … sabes … é que… sou estudante e vim tentar estudar Arte Dramática em Paris.
- E já estás a estudar?
- Não, não. Já arranjei trabalho, o que não é nada mau e depois se verá.
- E trabalhas em quê?
- Numa lavandaria, prós lados de Pont de Sévres.

- Madame, o almoço está servido!
– interrompeu a empregada.

- Pois bem, vamos comer qualquer coisa e vamos falando - dizia ela.
Levantando-se pega-me na mão, arrastando-me para a mesa.
Eu ia pensando – esta gaja não tá boa da cabeça. Então primeiro vamos comer e depois é que vamos prá cama? Vai-me dar alguma “solipampa”.
O almoço era diversificado, mas frugal. Percebia agora a que se devia a elegância das suas curvas.
Durante o almoço falámos só de mim. Contei-lhe as minhas agruras e dificuldades. Dela, tudo era enigma.
Terminada a refeição voltámos para o sofá. Olhou-me com ar sério e …
Alain, tu tens um ar doce. Pareces um menino prendado. Quando olhei para ti, no Publicis, senti isso e apeteceu-me descobrir-te. Como é possível que te tenhas dirigido a mim naqueles modos?
A espada de Dâmocles pendia sobre a minha cabeça. A hecatombe estava a chegar. Caí em mim e mudei de postura oratória.

20 de junho de 2007

O SALTO - parte 14

O grande galã tremia que nem varas verdes e nem o frio que na rua se fazia sentir, evitou uma descarga de suor e mau estar. A sua elegância, postura e à vontade, punham-me mais nervoso e lembravam-me que já fizera asneira.
Uns metros mais à frente, um Citröen DS (boca de sapo) aguardava-a de porta aberta. O motorista, homem de meia idade, tirando o boné, curvou-se levemente à nossa chegada. Fazendo menção de a acompanhar, esticou o braço, abriu a mão e num tímido passe de toureio apontou para o banco traseiro convidando-me a entrar. Primeiro eu, depois ela,
Os breves minutos que demorámos a chegar ao 16eme Arrondissement, pareceram-me eternos. Da boca dela nem um murmúrio. O silêncio era de oiro.
Rasgava-se um sorriso cúmplice quando o Boca de Sapo nos largou na fachada austera dum cinquentenário prédio, da Rue Erlanger.
Subimos num velho elevador, coisa que não fazia há muito e cheguei às nuvens num ápice. Uma velha senhora, serviçal fardada, abre-nos a larga porta de entrada e afasta-se à nossa passagem. – Bonjour madame, bonjour monsieur! – cumprimenta-nos ela.
Estava no palácio da minha rainha. Aguardava o tributo a pagar.
Mandou-me ficar à vontade, perguntando-me se queria beber algo enquanto ela iria tomar um banho.
Estava agora a ficar mais calmo.
Comecei a imaginar um filme a cores e o respectivo guião. – Ela agora vai tomar banho, depois vai-me perguntar se eu também quero fazer o mesmo para libertar a “suadela“ apanhada até ali, depois, os dois em roupão, trocaremos os primeiros beijos e entregar-nos-emos nas aras do Deus Apolo.
Finalmente, embriagada de paixão, pedir-me-á cumplicidade eterna.
O bater duma porta fez-me regressar à realidade. Era ela! Tal como imaginara! Roupão vermelho! Corpo desnudo!
- Fica à vontade! Queres tomar um banho?
- Sim, sim!
– respondi, como se fosse um hábito, banhar-me em casa estranhas.
- Então segue-me! A casa parecia uma cidade. Atravessámos duas avenidas e mostrou-me um quarto de hóspedes.
- Aqui está! Pode ser aqui! Se quiseres podes vestir qualquer uma dessas roupas que estão no roupeiro! De homem, claro.
A casa de banho era moderna. O tecto rebaixado e muito iluminado. Num canto, uma casinha de madeira, que vim a saber depois ser a sauna. Com a água a escorrer-me pelas ideias abaixo, ia magicando o que faria a seguir.
Iria para a sala apenas com o roupão vestido? Vestia-me e aparentava que havia coisas mais importantes que sexo? Perguntava-lhe o que devia fazer? Chamava-a à casa de banho e amava-a logo ali?
- Valha-me Deus! Onde me fui meter!

19 de junho de 2007

O SALTO - parte 13

Paris, vestia-se de branco. Espreitava o natal.
O Publicis situava-se na esquina duma das doze pontas de L’Etoile. Fazia gaveto com a Av. dos Campos Elísios.
Era um dugstore que eu visitava regularmente. Por ser perto de minha “casa” e por ser a minha biblioteca. Ali consultava regularmente, O Diário de Notícias e A Bola, os únicos jornais portugueses expostos no escaparate.
À minha frente, do outro lado do vidro, na farmácia, uma linda mulher comprava a cura que o corpo pedia, aparentando ter a idade que mais mexia comigo - trinta anos.
Um longo casaco de zibelina, escondia-lhe o corpo. Ainda assim, adivinhava-lhe o contorno das formas. Uns óculos escuros seguravam-lhe os cabelos, a cair nos ombros. De blusão creme, jeans e camisola de gola alta, olhei-me e acreditei ter reencarnado James Dean. Vivia uma fase com o ego em alta.
A espaços, entre uma espreitadela no último resultado do Benfica e a visão angelical que tinha à minha frente, imaginava-a já nos meus braços.
Num segundo, mil vezes se cruzaram os olhares. Num minuto, mil vezes se afastaram.
Já não lia. Já não via. Já não estava em mim.
No momento seguinte, dirige-se para a saída, passando a meu lado e deixando no ar um perfume a demarcar terreno. Num impulso imprevisto agarro-lhe o braço e arvorado em macho saído dum filme chauvinista murmuro-lhe: - esta noite vou dormir contigo!

Não fazia nada o meu género este tipo de afirmação ou piropo que acabava de proferir. Horrível, de tão ordinário que foi!
O seu braço não afastou o meu. Parou, olhou-me de frente, sorriu e apertando-o levemente continuou o seu caminho, conduzindo-me de braço dado.
Um baque acordou-me do sonho que vivia.
Não é possível o que está a acontecer! Fiz isto pensando em tudo, menos naquilo!

Ela nem pestanejava! Algo não está bem, mas não vou fraquejar! – todos estes pensamentos me absorviam e estava completamente baralhado com a atitude dela, tão diferente da que imaginara.
Sem nada dizer caminhámos para a rua. Eu não sabia o que fazer. Ela sim.
Afinal, quem ali estava não era uma miúda da minha idade. Era sim, uma musa saída da pena de Homero.

18 de junho de 2007

O Bonçalo




O BONÇALO faz hoje ANOS

O BONÇALO é um AMOR

O BONÇALO é da PAZ
O BONÇALO é MEU

O Gonçalo é BOM!



Há 28 anos, eu tinha a mesma idade que ele tem hoje

Parabéns filho!

17 de junho de 2007

João Moucho - O Patriarca




João e Ana, já não têm vinte anos, há muito tempo.
Uma vida inteira de trabalho, bebendo suor e mastigando cansaço.
A terra, moldou-lhes as mãos e o sol aqueceu-lhes a alma.
Seres maravilhosos, onde a maldade e o ódio não entraram.
Geraram nove filhos, sua cópia fiel, uns, por cá, outros, espalhados pelo mundo.
Conceição, Fátima, Maria de Jesus, Tó, Ana, Zé Manel, Céu, Manuela e Rui - O sucesso destes é o espelho dos pais.
Os que foram chegando, por via da união, cheiraram o espírito que neles se vive e integraram-se no Império dos Mouchos.
A aldeia de Zebras, no coração da Beira Baixa, alberga esta família fantástica, que a gente não esquece e meio século de amizade, nos obriga a rever.
João e Ana, oitenta e tantos anos a irradiar amor.
Não tenho memória duma família assim!
Bem hajam amigos! Até breve!

Às vezes, em fim de semana, o meu regresso às origens.

16 de junho de 2007

Júlio César - Parabéns


Júlio César
Cena do seu próximo filme, a estrear brevemente - O JULGAMENTO


Às vezes – fim de semana
Às vezes - todos os dias
Às vezes - sempre
Às vezes - nunca
Às vezes - a gente senta-se
Às vezes - a gente se senta
Às vezes - sessenta

Há poucos dias, dizia-me o Júlio:

- Éh pá, não estamos nada velhos!

Tivemos o nosso tempo e ainda vamos ter mais algum.
Vivemos “c’mó” caraças.
Viajámos “à brava”.
Comemos e bebemos à “fartazana”.
Tivemos, aventuras mil
Quando formos embora, vamos de “papo cheio”.

Tens razão Júlio! Não nos podemos queixar.
Plantámos uma árvore.
Fizemos um filho e …
Estamos a escrever um livro, digo eu.

O JULGAMENTO mostrar-nos-á que a RAVINA da vida também é a subir.
Um grande abraço amigo! Parabéns!

15 de junho de 2007

O SALTO - parte 12


O hotel levava-nos todo o pecúlio. Por vezes, era preferível gastar a diária deste, numa noitada no Touquet. Havia sempre a hipótese de, correndo bem, ter onde dormir, sem pagar, correndo mal, ter-me divertido e sair directamente para a fábrica, onde laborava. 
A prioridade número um, era ter dinheiro para ir ao Touquet ou a qualquer outro do género. O investimento era garantido. Mais que ter um amor permanente, preocupava-me ter um amor diferente. O lema era, conhecer o máximo possível de amigas. E em cada amiga, havia uma possível amante. E em cada amante, um possível abrigo. Nas condições em que nos conhecíamos, era o mais natural acontecer. Quanto mais amigas tivesse, mais hipóteses tinha de não dormir na rua. Quando deambulava na Bastilha, batia à porta da Pauline. No Trocadero, procurava a Sophie. Na Rue de St Paul, suspirava pela Bogecvic. Olhava sempre em redor, tentando lembrar-me se ali habitava alguma das minhas benfeitoras. E quando me lembrava, quase sempre estavam ocupadas. 
Era um sonhador. Julgar que uma linda mulher, estivesse à espera que eu passasse por ali e lhe batesse à porta, era no mínimo uma infantilidade atroz.
O conhecimento travava-se na primeira música, normalmente dançada em slow. A mulher francesa era decidida. Quando queria, ia directa ao assunto e não havia rodeios, o ideal para mim, que não precisava de avanços inglórios. Os anos e o uso confirmaram-no. Julgo ser hoje ainda assim. É a mulher quem quer. O homem apenas deseja.
Sabia que as mulheres gostavam de homens atrevidos, mas eu nunca o seria. Não precisava, nem queria. Rara era a vez, que uma cara bonita me dizia não. Avançava quase sempre, com a certeza da anuência. Os olhos falavam e isso bastava. O jogo de sedução apoderara-se de mim. Abria os braços e pela forma como o seu corpo encaixava no meu, sabia onde me render.
Os vodka-orange eram bebidos em quantidades mínimas, quer porque os recursos eram parcos, quer porque os meus hábitos, a tanto não reclamavam. Isso mantinha-me sóbrio e saciava ilusões.
Finalmente com as finanças cada vez mais debilitadas, acabámos por arranjar outra mansarda. Mais umas águas-furtadas a rebentar a esquina da Avenue de la Grande Armée com o Boulevard Pereire. Um quartito com a mesma área do anterior, fazia agora de nós, emigrantes bem sucedidos.
O local era óptimo. A mil metros do Arco do Triunfo e a dois do Touquet, permitia-me ir até lá e ver em que paravam as modas. Não raras as vezes, encontrava o amor da noite anterior, enrolado nos braços doutro Alain qualquer. Habituara-me a isso. Ninguém era de ninguém. As minhas vestes eram agora mais jovens. Blusões e jeans alternavam com dois fatitos comprados em saldo, em La Samaritaine.
O pior era a lavagem da roupa. Ia à lavandaria do turco, lavar roupa branca e trazia roupa colorida. Era um nabo milagreiro. Misturava tudo. Uma desgraça! Tinha de poupar dinheiro e não ia fazer duas máquinas de roupa. De início não dei importância a isso, depois preocupei-me bastante. É que, despir-me à frente duma conquista, usando cuecas cor de rosa, não era lá muito abonatório para a tarefa que me propunha executar. Apesar de tudo lá continuei a ir, até ao dia que uma senhora, com idade de ser minha mãe, me ajudou em tão ingrata tarefa. Ela própria fez questão de dividir a minha roupa e meter mais moedas noutra máquina, apenas com roupas de cor e certamente com outro programa, já que mais moedas eu não tinha. 
Enquanto a máquina rodava, num vai-vem constante e a espera era a única certeza, o seu olhar rodava-me a cabeça, mais veloz que a centrifugação das roupas que começavam a escorrer. Por dentro, esvaía-me em incertezas, mas pouco fiz para não ceder. Depois, ali perto, num minúsculo apartamento que o tempo esqueceu, como um menino que a mãe leva pela mão,  tive de lhe pagar os soldos que a sua experiência exigiu. Um metro e oitenta e quatro de homem e setenta quilos de peso, transformou-se numa tocha de sexo, queimando-lhe o seu corpo mal amado.

14 de junho de 2007

O SALTO- parte 11

A pequena Lili, era mesmo pequena. Foi a primeira a descobrir o caminho secreto para a minha nau. Era a mais novinha daquele bando engaiolado de “pássaras”, tentando por vários meios meter-se no redil do cordeiro. Eu, apesar de parecer vestir pele de lobo, não passava dum mero recruta na batalha do desejo.
Costumava cantarolar-lhe “C’est la vie Lili” quand tu passes dans les rues de la vie - evocando Joe Dassin. E ela adorava! Tive pena dela! O meu egoísmo absorvia melhor a sabedoria das trintonas, em detrimento dos seus vinte anos. Queria ser conquistada, mas não saía da torre de menagem e eu nada fazia por isso.
Este tipo de atitude, nem parecia meu. Adoro a conquista e gosto da luta. Ali, não o podia fazer. As piranhas comiam-me todo.
“La Petite Lili”! Passava os dias a visitar-me no meu canto e via o seu terreno ser invadido por gralhas sequiosas. O seu aspecto, provinciano e ingénuo, deixava antever que também ela estaria por desbravar, como eu assim estive até ali chegar. Apesar de tudo eu estava um pouco mais adiantado. Tinha-me licenciado em preliminares. Uma boa parte das outras madames, dobrava-me em idade e ganhava-me em jogos libidinosos. Perdia-me então, de temps en temps.
A vida tem destas coisas. Foi a única, das que se aproximaram de mim, que não chegou a experimentar o incómodo dos lençóis, escorregadios como visco. Evitei-o e hoje não tenho remorsos de o ter feito. Iria sofrer. E de todas, era a única que eu gostava.
Claudette, chefiava a rebelião e não deixava os seus dotes por mãos alheias, sim nas minhas Fazia-me lembrar a Bonnie Parker, (Bonnie and Clyde) de boina ao lado e esguia que nem lampreia minhota.
E a vietnamita, a quem eu chamava Lucy? E a Lucy-Lucy, sua filha? Meu Deus, como foste cruel comigo!
Misturei paixão com labor e reuni condições para o principio do fim.
Aguentaste! Esquece, Alain! Já passou!
Monsieur Girardot, homem franzino e rouco, à beira da reforma, a quem os campos de concentração siberianos entorpeceram a voz, apaziguava-me os ânimos e olhando-me nos olhos, percebia tudo. Não precisava falar. Ele era o elo de ligação entre o meu mundo e o resto da fábrica.
A sua silhueta, meio curvada, baixa estatura, vislumbrava-se à distância. Sentia nele o pai que não tinha presente. Falava-me sempre do seu aprisionamento nas estepes russas. Deus esquecera-se dele, mas deixara-o sobreviver. A sua imagem vem-me ainda hoje à memória, quando vejo toucinho. Dizia-me ele, que um naco do dito, era a ração que lhe era distribuída semanalmente. Com ele besuntava todo o corpo, ajudando assim a superar os trinta e cinco graus negativos médios, que lhe enregelavam a alma, Depois, com as sobras alimentava o corpo.
Nos seus olhos, todos os dias era Inverno. Aqueci-lhos tantas vezes, quantas as que abriu os meus.
Continuarei as conversas com ele, nos campos de Odin, lá onde a primavera nunca acaba.
Malgré tout, fui sempre um sortudo. Tinha tratamento VIP de quase toda a gente. Uns, porque me julgavam estudante universitário, de passagem por uma fase diferente na vida. Outros, porque pensavam ser inferiores, culturalmente. Outros ainda, porque seguiam o lema – todos diferentes, todos iguais.
Tinha acabado de chegar à fábrica e fora-me distribuído o trabalho menos pesado, que todos desejavam. Por algum motivo seria - pensavam eles. Sentia, no olhar de alguns, resquícios de invejas infundadas.
Em boa hora caí também nas graças do Director-Geral da empresa. Era inglês e eu era uma das poucas pessoas com quem ele falava. Trocávamos impressões sobre temas vários e interessava-se muito pelo meu passado eclesiástico, que lhe vim a confidenciar.
As quatro mil peças que deveria marcar diariamente, ficavam muitas vezes bem distantes das seiscentas que marcava. Com tantas confidências e desabafos, outra coisa não seria de esperar.
Nos dias em que marcava lençóis, tinha autorização para fazer horas extraordinárias. Era uma benesse que o director Mr Danny me concedia. Ganhava a triplicar e adormecia, envolto em lençóis de linho, sonhando com os Estúdios Cinematográficos de Boulogne-Billancourt, ali ao lado, iluminando-me na ribalta do estrelato.
Santo Deus, como podia eu queixar-me da vida?
… e assim fui vivendo, salpicando juventude com loucura, tanto quanto a inocência permitia.
Na fábrica, Alain, tornara-se o menino mais querido e invejado.
Herói de madrugada, com muitos braços à sua espera, vagabundo à noite, sem ninguém a deitar-lhe a mão.
Ironia! Paris pisava-me e eu tinha Paris a meus pés!

13 de junho de 2007

O SALTO - parte 10

O Tó, iludido por um concubinato desenfreado e a viver em parte desconhecida, afastara-se de nós. Nunca mais o voltaríamos a ver. Martin era visita assídua. Cinco minutos a pé, bastavam para chegar até nós. Vivia esta aventura com se a si pertencesse.
Seus pais, porteiros do número 12 da Rue Juliette Lambert, convidavam-nos de vez em quando a degustar um misto de cozinha portuguesa afrancesada. Nas traseiras do nosso hotel, Rue de Tocqueville, ficava Chez Jean Bar. Era um café-bar com duas máquinas de “fliper” num canto e algumas mesas com assentos corridos, em formato de U. Também aqui eram passados muitos dos nossos momentos de lazer, ao som da canção mais ouvida na altura – Désormais – de Charles Aznavour, que momentos antes fora accionada na juke-box. Ali, alguém me avisou que mesmo em frente na Estação de Caminhos de Ferro estavam a admitir trabalhadores. Era por inscrição. Se bem o pensei melhor o fiz. Fui logo ali informado que me deveria apresentar dois depois, para ser submetido a um exame. Entre portugueses e espanhóis, éramos vinte. O exame passava por uma simples pequena prova escrita. Ninguém sabia patavina de francês. Só eu fiquei. Todos os outros foram reprovados. Resta acrescentar que o tipo de trabalho para o qual nos estávamos a candidatar, era para carregador de volumes e bagagens. 
Uma semana depois viria a ser impedido de continuar a trabalhar, pois não tinha apresentado qualquer documento que justificasse a minha legalização. Assim, voltei à vida de vadio, felizmente por pouco tempo. Preocupado com a minha legalização, combinei com Julien e fomos a Porte de la Chapelle dar início à burocracia que era preciso formalizar. 
Os dias iam passando e eu palmilhava as ruas de Paris em busca de trabalho. Até que bati na porta certa. Blanchisserie Simon, em Pont de Sévres, numa das saídas da cidade. Cerca de duzentas pessoas laboravam naquela lavandaria que se dedicava a um negócio que julgo, ainda hoje, não haver em Portugal. Lusitanos, seriam uma vintena. A empresa colocava todos os dias, conforme o acordado nos restaurantes e hotéis, todo o tipo de atoalhados necessários à laboração dos mesmos. Deixava novos e lavados e trazia velhos e sujos. Na prática era um aluguer avençado de equipamentos como, toalhas de rosto, toalhões de banho, roupões, lençóis, toalhas de mesa, guardanapos etc. O meu trabalho consistia em marcar todo esse equipamento com as iniciais da empresa - BS. Apenas isto e só isto. 
Este trabalho era feito com duas máquinas. Uma gravava, a outra fixava a quente a gravação. Eu era obrigado a gravar, diariamente, mil peças. Era senhor de mim mesmo. Não tinha chefe directo. Tinha vários e não tinha nenhum. O sector onde me encontrava era afastado da parte principal da empresa onde se concentravam a grande maioria dos trabalhadores, os da lavagem e da engomadoria. A minha pequena sala confinava com a grande sala de costura, onde cinquenta costureiras, lindas, feias e assim assim, produziam os atoalhados. Uma porta interior, que eu fechava quando queria, era o elo de ligação entre nós. Foi épico! Tornei-me um pequeno guerreiro. Dezoito anos de gente, tenrinho e cercado por amazonas vorazes. Um pesadelo!

12 de junho de 2007

Gente séria


- Tá lá? Bom dia!
- Bom dia! Quem fala?
- O Senhor chama-se Joaquim Ribeiro?
- Sim senhor, sou eu mesmo!
- Perdeu a sua carteira?
- Não, não perdi, roubaram-me o blusão e tinha a carteira lá dentro!
- Pois olhe, os seus documentos estão a ser vendidos no Bairro da Cova da Moura, na Buraca … (silêncio)
- Se quiser posso falar com o gajo que tem a carteira. Por ser para si, ele vende os documentos todos, por 200 €. Se não quiser ele vai vendê-los, um a um e isso não é nada bom para si. Só o B.I. vale um dinheirão!
- Pois é, mas eu não estou interessado em comprá-los. Em primeiro lugar, porque não compro uma coisa que é minha, em segundo, porque já comuniquei à P.S.P. e à Judiciária e em terceiro, porque já dei baixa de todos os cartões. Além disso tinha lá dentro 600 €. Ora, essa quantia, mais a carteira e o blusão, ronda os 1000 €. Portanto, vocês preparem-se, que se calhar isto não vai terminar bem.
- Oh amigo, eu não tenho nada a ver com isto, só estou a querer ajudá-lo. Se quiser vir ter comigo à Cova da Moura, eu posso tentar negociar com o gajo … (silêncio)
- OK, vou ter consigo, mas encontramo-nos à porta das piscinas da Damaia. Eu deixo aí o meu carro e vamos lá a pé.
- Tá bem, pode ser.
- Então, dentro de quinze minutos estou lá.

Vinte minutos depois, surgem dois mal amanhados mafiosos, um branco, outro mestiço, com idades entre os 30 e 35 anos.

- O senhor é que é o da carteira?
- Sou sim senhor!
- Então vamos lá!
- Pois bem, mas olhem que eu não estou preocupado com isto. Vocês meteram-se num grande buraco. Eu só cá vim, porque, apesar de tudo, ainda vou perder algum tempo em arranjar documentos novos. Digam lá ao gajo que dou 50 € e devolve-me imediatamente tudo.
Pelo caminho fui gravando a conversa e tirei esta fotografia.
Chegámos ao Bairro e mil olhos fuzilaram-me.
- Vão lá falar com ele que eu fico aqui.
Foi um e ficou outro.
Dez minutos depois – Oh chefe, o gajo só mandou os documentos e aceita os cinquenta euros
Tirei do bolso essa quantia, recebi os documentos com uma mão e entreguei o dinheiro com a outra. Dei meia volta e vim embora ainda a tempo de ouvir …
- Oh chefe, então e nós, não ganhamos nada com isto? Arranje lá algum prá gente!

11 de junho de 2007

O SALTO - parte 9

Uns dias depois, chegaram-me de Portugal algumas notas, das grandes, molhadas num vale de lágrimas e saudade. Melhores dias estavam para vir. Assim pensávamos.
Com dinheiro fresco, demos largas à costela de turista e partimos à descoberta desse mundo, tão igual e tão diferente daquele donde vínhamos.
A Torre Eiffel e o Arco do Triunfo foram as nossas primeiras descobertas. Era importante cheirar Paris e esse odor começava por ali.
Nem fazia muito sentido começar por outro lado, pois qualquer destes monumentos ficava muito perto de nossa casa. A pé, tínhamos o Arco a quinze minutos e a Torre a uma hora. Paris era uma cidade para andar a pé.
Julien começara já o seu serviço de “ménage” e eu era a dona da casa. Quando ele chegava do trabalho, tinha de me levantar. O guerreiro precisava de repouso. Entre a minha levanta e a deita dele, era só uma questão de cinco minutos para arrefecer os lençóis e adormecer, embalado por Morpheu.
Na primeira oportunidade Martin levou-nos ao Touquet. Era só subir a Av Wagram e descer os Champs Élysées.
O local era pequeno mas muito simpático. A iluminação convidava à descoberta dos corpos, ao cigarro e ao álcool. Perante tal convite era impossível dissociarmo-nos de tal decoração.
O Touquet passou a ser a minha Sociedade Filarmónica, com as devidas salvaguardas.
Quando Julien folgava, deixava-lhe a cama livre e rumava áquele lugar, onde trinta minutos bastavam para estar nos braços de alguém.
Passados os primeiros dias de barriga cheia, milagre que os escudos tinham conseguido, somos avisados que tínhamos de sair do “apartamento” porque este era para uma pessoa só e não para duas e tinham já substituto. Os revezes da fortuna estavam connosco.
Nos finais de Setembro, mudámo-nos para um quarto de hotel rasca, a cem metros dali. Hotel Darius - Rue de Saussure 88, passou a ser o novo endereço.
Subíamos no estatuto, descíamos na desgraça.
Dezassete francos por dia, era o preço de quinze metros quadrados, do quarto 212, com bidé e lavatório de águas quentes e frias. Também ali os sanitários ficavam no corredor.
Tínhamos agora uma cama de casal e outra de solteiro. Eu dormia na primeira, Julien na segunda.

10 de junho de 2007

Venezuela a saque

Hotel Anauko Hilton - Caracas

Maiquetia, deveria ser um aeroporto igual a tantos outros, mas não era. A Venezuela, destino apetecido que me levava a juntar o útil ao agradável, ficou a ser para mim, o marco geodésico que assinala a insegurança, o medo e a vontade de não voltar.
Por defeito da minha actividade profissional, quando viajava, era normal indicar nos documentos alfandegários, a profissão de MANAGER. Sempre assim tinha feito.
Ao chegar, fui informado pela polícia aduaneira, que deveria apresentar-me no Ministério das Finanças, no dia seguinte.

Sem perceber o motivo de tal pedido, lá me dirigi. Tinha começado um calvário de perguntas e inquéritos, sobre as razões que levaram um MANAGER a visitar a Venezuela. Lá fui dizendo que era uma visita meramente turística e que MANAGER era a tradução que eu tinha arranjado para sinónimo de EMPRESÁRIO, efectivamente a minha profissão em Portugal.
Pensavam eles que eu era empresário de futebol ou artístico e que o motivo da minha visita era estritamente profissional. Como tal teria de pagar impostos, calculados com base naquilo que viessem a supor, serem os meus lucros.
Fiquei siderado e completamente obnóxio.
- Penitencio-me pela expressão usada sobre a minha profissão, mas não sou empresário de estrela nenhuma nem venho em negócios – expliquei eu aos barrigudos agentes inquisidores.
Ficaram de averiguar o caso. Voltei no dia seguinte, no outro e no outro. Oito dias seguidos de perguntas e pressões que acabaram por resultar em zero. Nada paguei e fui devolvido à descoberta do Caribe.
A simpatia e a simplicidade dos caribenhos não passava por ali!

9 de junho de 2007

58 Parabéns 58 amigos 58







Éh pá, tás a brindar a quê?
- A ti.
- A mim? Ah, é verdade! Nascemos no mesmo dia e no mesmo ano. Ganda coincidência, meu!
- Estamos cada vez mais novos, mais magros e mais cabeludos.
- Pois é, descobrimos a fonte da juventude e temos a mania que já somos uns homenzinhos.
- Vamos lá crescer para podermos ir ao almoço anual. (desce o pano)

Do pessoal cá do burgo, um abraço enorme ao Nelson e ao Marcelo.
Feliz Aniversário