4 de dezembro de 2011

Nova torre de NY - Freedom Tower


Visão final da futura torre e suas irmãs

Actualmente o seu estado de construção está assim



Finalmente a reconstrução do World Trade Center de Nova Iorque!
A Freedom Tower, ou Torre da Liberdade, que vai ficar no lugar das antigas torres gémeas, deverá estar pronta no máximo em finais de 2012.Três outros edifícios vão rodear um memorial, museu e um centro cultural dedicado às vítimas que os familiares consideram como o lugar sagrado da nova obra.
O edifício principal, a Torre da Liberdade, é o mais alto, vai medir 541 metros de altura e pretende simbolizar a independência dos Estados Unidos.
Torre 1 Freedom Tower, 541 m
Torre 2 de Norman Foster, 408 m
Torre 3 de Richard Rogers, 382 m
Torre 4 de Fumihiko Maki. 293 m

Até que Allah queira!

1 de dezembro de 2011

I pad! I paid!


Eu pago? Eu pagava!

28 de novembro de 2011

Romeu e Julieta - século XXI

Às vezes - o amor não tem barreiras!

Às vezes - um minuto de fama!

Às vezes - sonho com futebol sem violência e ...

sem gaiolas, vermelhas, verdes ou azuis!


24 de novembro de 2011

Sem ti!

Eram sete da manhã! Eu acordava! Tu adormecias!


Passaram dez anos.

Sem ti. Sem aqueles olhos que me viam sempre menino. Sem os beijos que gostavas te desse, a cada encontro, a cada instante que me apetecia sentir o que mais ninguém me podia dar.

Acomodo-me agora a essa saudade sem fim, sabendo que esse é o mais tortuoso caminho da vida, se começamos a morrer no dia em que nascemos.

Por ti, descobri que sou um inconsequente anquilosado, quando as raias do natural me batem no coração. Em ti, me projectei nos dias que estão para vir, quando olho ao longe e o descaso me invade. Contigo, aprendi tudo o que não me ensinaste.

Gostava tanto de ter-te visto velhinha - Mãe!


19 de novembro de 2011

Outono

... e fica-se sem palavras perante coisas tão simples da natureza










.... e por entre dourados tapetes













... e nas margens do outono da vida








... onde as àrvores morrem de pé






... acordei!

12 de novembro de 2011

Long Island - I love you!


Aqui, na Baía das Ostras - Long Island, onde o mar se entrega à terra e os corpos se libertam do bulício da grande Manhattan, em tempos de solarengas tardes, fazia hoje um frio de rachar - ZERO GRAUS!
No horizonte, qual Ilha da Fantasia, ficam os refúgios dos que, não nascendo em berço de ouro, tiveram a sorte de um dia caír no goto dos cinéfilos que contribuíram para a aquisição das fabulosas mansões onde hoje habitam. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas é a realidade.


A poucas centenas de metros do meu olhar, habitam Rupert Murdoch, Brad Pitt, Jenifer Lopez e tantos outros que nem vale a pena recordar.

Do lado de cá, biliões de folhas mortas, das mais variegadas cores, cobrem o asfalto do meu contentamento, por entre repousantes lagos de águas calmas, casas que quase parecem fantasmas e despidos bancos de jardim.

É certo que o dinheiro não faz a felicidade de ninguém - mas ajuda um pouco!


8 de novembro de 2011

Acordo Ortográfico - esse Adamastor!

Manuel Halpern

Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.

Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo?
Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião.

Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar.

2 de novembro de 2011

Adeus tristeza!

Quando era adolescente, tirocinante de paquete, trabalhei dois anos num escritório de advogados, nas barbas do Chiado. Ali começou a travessia do passado que me levaria às esquinas do futuro, aquele que fez de mim um homem feliz. Nesse tempo a estátua de Fernando Pessoa, que é hoje um presque ex-libris dos poetas, não existia e as mulheres já eram todas bonitas.


Daqui partiu a esperança que me fez descobrir terras nunca dantes navegadas, na estranja, ou onde o diabo o pão amassou.


Desde então, o Chiado faz renascer a fénix que há em mim.



Eu, que não sou muito virado a poesias, talvez inspirado por alguma musa, e agora em memória dum grande poeta amigo que partiu há pouco, reedito este poema que um dia me saíu da pena.

Pode o engenho e arte
No Chiado me descobrir
De mim lá ficou parte
Quem me fazia sorrir

Foram dias, foram tempos
Aqueles que não voltaram
Foram fortes, foram ventos
Aqueles que me guiaram

Por lá me quedei um dia
Quando na vida despertei
No despertar dessa via
Outra vida eu inventei

Inventei fugas e dores
Partidas e chegadas
Amores e desamores
Estórias tão contadas

Corri mundo sem nada
De tudo me despojei
Do muito eu fiz nada
Do despojo já não sei


Dormi noites, dormi dias
Noites que eu não dormi
Dos dias que eram vias
Das vias que percorri


Perdi-me depois no vento
Esqueci de quem eu era
Ao tempo eu dei alento
Ao alento dei a espera

E um dia regressei
Tão triste como parti
Ao mundo o olhar dei
À vida que já vivi


Pessoa, poeta que és
Quero-te a meu lado
Deixa chegar-te aos pés
Perdoa este meu fado

O poema é ridículo
E não é carta de amor
Se não fosse ridículo
Seria carta de dor


... e contá-las-ei (as estórias), "até que a voz me doa"!

29 de outubro de 2011

Internet - fraude enorme!

Amigos!
A internet tem problemas enormes
Um amigo encomendou e pagou 100 Euros por um aparelho para aumentar o pénis, e os gajos mandaram-lhe uma lupa.

Fiquei terrivelmente desapontado e sem esperança no futuro!
Tenham cuidado !!!

22 de outubro de 2011

Lisboa - adoro-te!

Terçar armas


O descanso das guerreiras

Mosteiro dos Jerónimos

Já Agosto adormecia e o Verão quase se despedia das minhas férias quando um grupo "bué práfrentex" de quatro madames belgas, lideradas por uma grande verde amiga minha, me desafiou para descobrir Lisboa. Eram três Christine e uma Martine. A estas juntar-se-ia uma canadiana, Labelle, que não conhecíamos de lado nenhum e não conhecia a cidade, elevando assim o número para cinco francófonas e um tuga.
Oui para esquerda, non para a direita e foi um ver se te avias de desenferrujamento da língua, no sentido lato da mesma.
Eu que adoro guerras santas e mares desbravados, aceitei esta cruzada como a vergonha dos meus olhos, pois não é todos os dias que um quinteto de cordas parte à descoberta da urbe, mostrando-me pequenos detalhes desta que desconhecia por completo.
Desde as ruas de Alfama, passando pela Graça, Jardim S. Pedro de Alcântara, Estrela, Belém, até à baixa pombalina, percorremos a linha do eléctrico 28, coisa que eu já quase nem lembrava existir.
Pelo dia diferente que foi, pela descoberta, pela boa disposição e sobretudo pelo pátáti-pátátá, completamente inusitado que um homem pode ter com cinco mulheres, ficou-me a vontade de repetir a dose. Só, ou bem acompanhado! Novamente!
Afinal - adoro-te, Lisboa!
Obrigado amigas! Obrigado Chris!


16 de outubro de 2011

André Moa - Adeus amigo!

O DESEJADO, partiu numa manhã de nevoeiro. Lisboa acordou vestida de bruma como se quisesse levá-lo abrigado no seu manto.

No seu último livro publicado - Mau tempo no anal - (Diário de um paciente) André Moa, já meio devorado pelo caranguejo maldito, escreveu isto:

Há quem deixe, como manifestação de última vontade, ordens e regras sobre o seu próprio féretro.
… Era o que faltava pretender impor as minhas ideias mesmo depois de morto.
Concedo a quem quiser fazer o frete de tratar do meu funeral, inteira liberdade de decisão. Tanto me faz ir de burro como de cavalo, vestido ou nu. Tanto me faz apodrecer numa valeta como num mausoléu. É-me indiferente, depois de morto tudo me é indiferente, ser enterrado ou cremado, que façam de mim uma múmia ou espalhem as minhas cinzas num roseiral ou numa estrumeira. Quero lá saber de missa presente ou padre ausente. Isso fica a cargo e a gosto de quem ficar com a incumbência de me remover.
É isso que desejo que de mim façam na hora de se desfazerem de mim. O que bem lhes apetecer. Quero lá saber, já estarei morto.
O que eu verdadeiramente desejava, era não morrer nunca.


Estaremos sempre contigo - GT

"dorme que ainda a noite é uma menina, deixa-a vir também adormecer"

Meu querido amigo!

Tu que ... "partiste tão cedo desta vida, descontente, repousa lá no céu (?) eternamente".
Não André, não vais morrer nunca. A tua imagem, os teus cantos, a tua prosa, a tua Tabuaço, ficarão sempre comigo. Lembrar-me-ei de ti quando o xisto me encontrar e as guitarras trinarem.
Foram curtos os dias que cruzaram as nossas vidas, mas foram tamanhas as emoções vividas, com a tua alegria de viver, despida de ufanismos, tal a extensa lista de dotes em ti desbravados.
Tiveste o condão de unificar um punhado de gleba que se ia perdendo nos etéreos caminhos da virtualidade sem talvez daí passar.
Por isso, pela resiliência que pautou a fase final da tua vida, pelo exemplo de coragem que a adversidade fez vingar em ti, guardarei da tua imagem o hedónico de cantos tantos, que a madrugada nunca mais cansava.
Meu querido André! Tu que não gostavas de lamechices e tão pouco te importava a morte, quererias um epitáfio despojado de palavras vãs, antes incisivas e veras - cheguei, vivi e parti. Nada mais!
Parte em paz, amigo!
Encontrar-nos-emos um dia! Lá longe, ao cair da tarde!
Abreijos (como tu dizias)

O corpo está na Igreja de Benfica e o funeral realiza-se amanhã às 13:30 h para o cemitério dos Olivais.

15 de outubro de 2011

Estais triste senhora?


Às vezes - o caudal dos rios serpenteia tropegamente por entre a floresta da vida!

Às vezes - desliza suavemente olhando as calmas e tranquilas margens!
Às vezes - do seu colo, brotam rosas e pão não!
Às vezes - numa raiva incontida, nem repara no alvor de cada manhã que lhe clareia as águas.
Às vezes - nem tanto!
Alegrai-vos senhora - que a foz é já ali!

10 de outubro de 2011

Feira d'Arte - Amadora 2011









Às vezes - adoro entrar no mundo das artes e por ali ficar a imaginar, imaginar, imaginar.

E se o sonho comanda a vida, então quero sonhar.
Às vezes - quando olho a arte que alguém pincelou numa tela, transporto-me para as pessoas que gosto e sei também gostarem de pintura e ...

Olá Bruno - olá Júlio - olá Anamaria - olá Maria das Caldas - olá Maria Besuga!

Depois dum workshop sobre as técnicas da aguarela, ficou a troca de impressões com os artistas. Uma verdadeira maravilha de coisas simples.

Às vezes - como dizia o poeta, a pintura é um poema que eu não digo!

6 de outubro de 2011

Steve Jobs - o homem, o génio!

O meu futuro computador já chora!
Morreu Steve Jobs, o homem que criou um computador fácil e inventou coisas que enriquecem e melhoram as nossas vidas.
“A morte é muito provavelmente a melhor invenção da vida”, afirmou um dia, Steve Jobs.
Por isto e por mais aquilo que eu já sabia, oportunamente passarei a ser um utilizador residente de Macinstosh.
Não sou propriamente um viciado de computadores, mas sou um regular utilizador dos mesmos e, como em todas as coisas da vida, estamos sempre a aprender. Soube há pouco tempo que o modus operandi da Macintosh é totalmente diferente do Windows que quase todos conhecemos. Muito melhor e mais fácil de utilizar, desde que consiga esquecer o que aprendi com o Windows.
Vem isto a propósito da morte do criador da Mac e das dificuldades que ultimamente tenho tido em comentar em blogues amigos, onde nem consigo entrar nem como ANÓNIMO, já para não falar dos que aparentemente foram eliminados, o que não é verdade.
Na semana passada, também este meu blogue foi removido sem eu perceber porquê. De repente tinha desaparecido. Mandei uma mensagem à Google e enviaram-me uma nova senha com a qual recuperei o - Às Vezes Fim de Semana. Muito estranho, mas aconteceu! Comentei em vários blogues onde nada ficou registado.
Não é que tal muito me incomodasse mas o mais certo é que terminariam por ali as minhas aventuras bloguistas e também o mundo virtual ficaria mais rico sem a continuidade das baboseiras que por aqui vou dizendo.
Morreu Steve Jobs! V
iva Steve Jobs!

3 de outubro de 2011

Cemitério - dos prazeres?

Era um funeral como todos os outros.
A avó dum amigo descia ao reino das sombras.
Não havia choros, nem lamentos. Já ninguém chora os velhos, por isso é melhor morrer.
Estava eu a pensar nesta infeliz realidade, olhando o esquife ser coberto de terra, quando uma mão estranha - talvez vinda do outro mundo - me agarrou a mão esquerda e lá deixou um recado num papelinho dobrado em quatro.
Rua Lopes número …. Rés do Chão Esquerdo, (Lisboa) – dizia o recado!
Quase não me mexi. À direita, de braço dado comigo, estava a minha mulher que não deu por nada.
Olhei de soslaio para a personagem mistério e vi uma interessante mulher de olhar compenetrado na tumba que desaparecia. Era como se eu não existisse e ela não me tivesse entregue aquela mensagem. Só nós dois sabíamos aquele segredo.
Eu era um puto – estava na tropa – e tinha vinte e três anos. Ela aparentava um pouco mais de trinta. Estava na conta – era a minha idade preferida. Mas, só a idade! O corpo e o rosto não mexeram muito comigo, já que estavam semi-ocultos mas … curioso como era e ainda sou, achei que deveria passar por aquela morada, para ver o que de lá saía e da curiosidade que prevalecia em detrimento do interesse.
Por obrigação militar, todos os dias tinha de ir à Manutenção Militar, no sítio da Feira da Ladra e aquela morada ficava para os lados do Alto de S.João (nesse dia estava calhado para cemitérios).

Decidi então ir lá e pedi ao condutor para me levar até esta morada.
Era um prédio modesto. De boina na mão, para atenuar o aspecto de militar, toquei à campainha e eis que surge à porta a Gata Borralheira que me entregara o convite no cemitério. Fiquei obnóxio! A Cinderela não tinha ainda vestido o corpo de sair à rua. Feia, boca usada por beijos mal dados, cabelos desfraldados duma noite mal dormida, pele vergastada num corpo vendido, alma só de paixão sonhada. Era ela!
Não, não era a Cinderela da minha fábula. Era a morte a sair à rua.
Não sabendo o que fazer, disfarcei e perguntei-lhe:

- Bom dia minha senhora! O Senhor Coronel está?
- Qual coronel qual carapuça, não há aqui nenhum coronel! – respondeu com voz de noitibó!
- Então desculpe, deve ter sido engano! – respondi a custo e quase envergonhado!
Como que catapultado por algo sobrenatural, dum salto só, entrei no jipe e zarpei.
Também ela não terá reconhecido o príncipe do cemitério, agora transformado em sapo camuflado de soldado.
Nesse dia, coloquei mais um alfinete negro no mapa das ilusões e voltei a crescer!


Às vezes - in "As aventuras de Kim-Kim"

26 de setembro de 2011

Verde VERDINHA madura - Parabéns!





Verdes são os campos ...!!!


Verdes foram os dias que me cruzei com esta belga-bela-belga. Tinha um nome esquisito que convidava a descobrir; je vois la vie en vert!
Como bom descendente de Cabral, Gama e Magalhães, também acabei por descobrir o verde que soprava do lado das Ardenas e se espraiava no carcaveliano Atlântico.
Esta rapariga, como dizia o meu avô, é um poço de boa disposição e encaixa perfeitamente na clave de sol do meu contentamento. Mezo-soprano dum grupo coral e professora de francês, por paixão, em todas as tertúlias onde se insere sobressai pela jovialidade e contagiante alegria, deixando em cada amigo a semente duma amizade duradoura. Da sua disponibilidade nas horas vagas, para melhorar o mundo, nem a cito.

Belga de nascença e portuguesa de adopção, descobriu em Portugal, aos vinte anos, o amor da sua vida e por cá se fixou até que a foice os separe.
Faz parte dum restrito grupo de perto duma vintena de pessoas extraordinárias que descobri neste mundo onde quase tudo é virtual, mas a nossa amizade é uma certeza e essa ninguém a vai abalar.
Verde é o seu mundo, verde é o seu clube, verdes são seus olhos, verde é a distância que hoje nos separa, ocasionalmente na Bélgica em visita de apoio ao seu progenitor.
Por tudo isto - gosto de ti VERDINHA, porque ... gosto!
Gostas desta foto, que ainda não conhecias?
Parabéns por mais este aniversário, com beijinhos vermelhinhos, cá deste lado!

24 de setembro de 2011

Zé do Cão - um homem a descobrir!




Habituei-me a ouvir falar dele, tanto a Norte como a Sul, ora em terras lusas, ora em terras de Vera Cruz.
Daquilo que dele ia lendo, Zé do Cão era uma espécie de bon-vivant, com memórias cheias de "partidas" presenteadas ao longo da vida, a todos com quem de perto privou e não só. O cognome era sugestivo, mas mais seria ainda se fosse Zé das Mulas. Terá preferido a lealdade do primeiro em detrimento do pejorativo do segundo.

Habituei-me a imaginar como seria a sua verdadeira imagem, já que a foto que enunciava o seu blog não passava dum simples desenho dum camponês alentejano com um canito a seu lado, do qual, com mutação havida, hoje só resta o canídeo.

Habituei-me a perceber que a vulnerabilidade deste homem era perfeitamente penetrável e apetecia-me descobri-lo.

Não foi difícil chegar ao Zé. Passaram já três anos, mas lá cheguei e por lá fiquei, entrando no seu mundo, onde, entre Palmela e a Galiza se vai deliciando com as especialidades gastronómicas de que é adepto ferrenho.

E descobri uma personagem interessantíssima, riquíssimo de vivências atribuladas e estórias mil.

Cavalheiro, dos pés à cabeça, é um verdadeiro gentleman a tempo inteiro.

Este Zé mexeu comigo, pois nele me revejo em tempos imemoriais e dele guardarei as memórias partilhadas quando o arcano Anael não mais estiver em mim.

A ti meu amigo, reservo a certeza de te sentir presente.



19 de setembro de 2011

Amsterdão - às escuras ninguém vê!

Os meus novos amigos egípcios (muçulmanos) eram uns grandes pândegos! Quando Alá não estava por perto, como é evidente!
Nunca percebi bem as acérrimas devoções. Seja por Alá, por Shiva, por Deus, por Rá, ou por Buda. Respeito todo o tipo de paixões celestiais, (com as terrenas me desaguiso) mas francamente não as entendo, quando à luz desse Deus se é um anjo e na sombra do seu manto, se é um diabo.
Assim era com Ibraim e Hassan, dois jovens universitários egípcios tementes a Alá e que temporariamente desbravavam os Países Baixos.
Durante o dia éramos todos iguais, mas à hora de agradecer-Lhe, viravam-se para Meca e transfiguravam-se no mais devoto seguidor. Depois, continuava o regabofe da asneirada, da descoberta e do credível.
A distante experiência espiritual que eu já vivera, fazia-me pensar em todos os credos do mundo.
O budismo será talvez aquele que mais se assemelha à doutrina que os seus seguidores professam na contemplação do Divino, mas estes dois neo-amigos estavam loucos com a proliferação de mulheres bonitas despidas dos preconceitos, que as Gomorras da velha Europa proporcionavam.
Infelizmente para eles, não tinham grande saída com as ditas, apesar de para todos os sacos haver um baraço. O seu aspecto cigano assustava um pouco.
Uma noite convidaram-me a jantar na pequena divisão onde viviam. Um sortido de folhados de pão com condutos esquisitos e salobros, foi o repasto duma noite egípcia. No final, apagaram a luz, retiraram debaixo da cama uma garrafa de whisky e todos bebemos por ela.
Confundido com aquele ritual e perante o meu espanto, explicaram-me então que Alá não permitia que bebessem álcool. A única hipótese era fazê-lo às escuras, para que Ele não visse.
Em pleno século XX, nunca pensei ouvir tamanha atrocidade, principalmente vinda de gente culta, mas essa não era a ligação que fazia curto-circuito e eu estava preparado para todo o tipo de choques e ... toques.
Naquele tempo era pouco vulgar ter carta de condução aos dezoito anos. Mas isso acontecia comigo.
Sabendo disso, estes faraónicos amigos que não estavam habilitados para conduzir, compraram um velho “Carocha”, a cair aos bocados. As economias conseguidas na fábrica de cacau onde trabalhavam comigo, nos arredores de Amsterdão, já bastavam para adquirir o veículo mascote de Hitler. Eles compraram, eu conduzia. Quando partissem, vendiam o carocha e recuperavam o investimento. Nada mal pensado e nem me lembro se eram estudantes de economia.
Duzentos florins, foi o valor dispendido naquela maravilhosa viatura que estava sempre disposta a trabalhar. Bebia pouco e comia menos ainda.
Depois, era ver dois parvos e um palerma, passeando por tudo quanto era sitio e sem saber qual a direcção a seguir. Apontava a Utrech e acertava em Den Hag e os olhos não chegavam para os diques e as papoilas
Soube mais tarde que não podia conduzir na Holanda, com carta de condução portuguesa.
Como de costume, nos meus errantes caminhos, a sorte protegia os audazes, ou talvez inconscientes.
E eu era um destes! Talvez os dois!
Às vezes – in As aventuras de Kim-Kim

13 de setembro de 2011

A Máfia - e as mafiosas!

Il capo
As mafiosas que alegraram as minhas férias






Estas seis beldades ajudaram cá o rapaz-de-confiança, durante uma semana, a trilhar por bons caminhos

Guarda de honra


Villa La Limonaia



Eu pensava que era bom rapaz! Até ver estas fotos!


Fiquei a pensar que a gente não consegue disfarçar aquilo que é, mas o certo é que consegui engolir o sorriso e desafiar Al Capone a ser tão mafioso quanto eu.


Como sou um homem de paz, deixei de lado a sombra da metralha na pele do janicéfalo que fui por uma noite e embrenhei-me no culto do "polvo - la piovra".

Às vezes - a brincar, dizemos coisas sérias!

Recentemente, na Sicília, num jantar restrito a mafiosos, numa mansão do século XVIII, digna de Hollyood e em ambiente verdadeiramente inverso ao meu habitat natural, qual beócio da matéria, consegui enganar-me a mim mesmo e arrancar este ar sisudo, para não dizer quase pidesco. Mas a ideia era essa mesmo e sei que fiz bem o meu papel. Os óculos, cravejados de diamantes, comprados por dois euros na loja do chinês, foram o artefacto mais boçal da noite, porque todo o resto era de primeira linhagem. Mas que fizeram figura, lá isso fizeram.

E com tantas mafiosas bonitas, a quem sempre apetece noivar, perdiam-se os olhares em detrimento das jóias.

No final fiquei com duas certezas;

- Nenhum siciliano daqueles com quem falei, sabia o significado da sigla MAFIA (Morte á la Francia Italia Anela - morte à França Itália anseia)

- Gostei, mas ... a Sicília é apenas mais uma ilha.

Arriverdeci amici!

7 de setembro de 2011

Mozart e o seu cão!

Tenho lido muitas coisas sobre cães, sem dúvida o verdadeiro amigo do homem.



Podem dizer-me o que quiserem sobre gatos, cavalos e mais não sei quantos animais domesticados, mas nenhum alcançará a gloria que só o cão merece.




Vem isto a propósito duma "estória" como tantas outras que felizmente a história se encarregou de registar.


Wolfgang Amadeus Mozart, grande compositor clássico, nascido na Austria e é considerado como um dos músicos mais talentosos de todos os tempos. Foi em Paris, quando Mozart tinha sete anos, que as suas primeiras obras apareceram.
Mozart teve vários anos de glória, sendo reconhecido por reis e rainhas de toda Europa. No entanto, nunca soube lidar com dinheiro.
A exploração da sua bondade e genialidade musical logo surgiria por parte de grandes oportunistas. Já casado, começou a ver sua vida desmoronar. A mulher, abandonou-o. A mãe, que tanto amava, adoeceu gravemente. Mozart, sem dinheiro, vendia composições em troca de remédios para sua mãe, que faleceu após alguns meses. Triste e desiludido, Mozart caiu enfermo. O único amigo fiel, seu cachorro, foi quem ficou ao seu lado até ao dia de sua morte, em 5 de Dezembro de 1791. Mozart foi enterrado numa vala comum, em Viena. Sua mulher, Constanze Weber, que estava em Paris, ficou sabendo da morte de Mozart e partiu para Viena afim de visitar o túmulo do marido. Ao chegar lá, entrou em desespero ao saber que Mozart havia sido enterrado como indigente, sem que lhe dessem nem uma placa com seu nome como lápide.
Era dezembro (inverno europeu), fazia frio e chovia em Viena.
Constanze resolveu "vasculhar" o cemitério à procura de alguma "pista" que pudesse dizer onde Mozart fora enterrado. Procurando entre os túmulos, viu um pequeno corpo, congelado pelo frio, em cima da terra batida. Chegando perto reconhece o cachorro querido de Mozart.
Hoje, quem visitar Viena, verá um grande mausoléu, onde está o corpo de Mozart e do seu cachorro. Foi por causa do amor desse animal de estimação que Mozart pode ser achado e removido da vala comum onde fora enterrado. Ele permaneceu com seu dono até depois do final. Morreu junto ao túmulo do dono porque, sem ele, não poderia mais viver.

Pode não ter sido assim, mas eu acredito que assim foi, já que os homens me merecem essa dúvida.


Dizem as crónicas que o único acompanhante de Mozart no seu funeral, numa tarde de tempestade, foi o seu cão!

Amor de cão! Como ele não há igual!

Requiem por Amadeus!

(Entre o que resta da minha memória e a lembrança da Wiki)

2 de setembro de 2011

Amsterdão - tudo em família

Amsterdão, Fevereiro 1971


A neve continuava a cair em pequenos flocos, para lá da vidraça.
A janela enfeitada por uma cortina vermelho-sol, saída da rota da seda, clareava o minúsculo quarto onde tudo acontecia.
Doze metros quadrados de intimidade, no máximo, eram o mundo de Jasmyn. O nome europeizado pela sonoridade, era vietnamita pelo berço e holandês por ambição.
Ali era cozinha, sala, quarto, casa de banho.
Não era a primeira vez, mas seria a última, que eu ali ficava refastelado no quentinho da policama, enquanto Jasmyn ia trabalhar.
A cozinha dum restaurante asiático, provavelmente também vietnamita quanto ela, era a fonte do seu sustento.
Despediu-se de mim com um beijo na testa e uma carícia no rosto. Partiu. Quarenta anos de mulher, duas vezes de mim, deixavam para trás um desejo saciado e fenecido, na esperança de outro no regresso.
Lá fora o frio convidava o guerreiro do amor a repousar da diaforese havida, mais bélica que apaixonada. Depois era só puxar as orelhas aos lençóis e estender a tolha de mesa sobre o colchão impregnado de odores perenes.
Deitado, ora adormecendo, ora preguiçando, olhava aquele liliputiano mundo que conhecia já de sobejo e pensava em como ocupar o resto do dia, quamanho era o meu tempo.
Na escada do prédio, o cadenciado barulho de passos fez-me convergir o olhar para a porta do quarto. Um tornear de chave e maçaneta fizeram-me gelar. Especada à porta do quarto, uma jovem asiática, aparentando os meus vinte anos, franze o sobrolho de espanto. A visão dum desconhecido naquela cama, não menos espantado que ela, fá-la hesitar.
Fecha a porta sem tirar de mim o olhar. Quem és tu, quem sou eu? Alain (Kim) e Lyn, apresentam-se.
- A Jasmyn não está? Demora? – questiona Lyn.
- Não! Foi trabalhar e só volta no final da tarde!
-
Hummm!!!
Eu, tronco nu, meio recostado na cama, olhava aquele rosto lindo adornado por um alvíssimo longo casaco peludo. Nada denunciava o escultural corpo que este cobria. Despiu-o e lentamente depositou-o num minúsculo canapé de bambu, decidida a não sair tão cedo.
Aquela visão logo me fizera não mais pensar em quem seria Lyn e como obtivera a chave do quarto.
- Sou uma amiga de Jasmyn – respondeu, como que adivinhando a minha dúvida.
O seu sorriso, dissipara-me receios infundados.
Apesar de Jasmyn nunca me ter falado de Lyn, já que esta tinha a chave do seu mundo, passaram-me pela cabeça várias hipóteses e por que não companheiras de quarto.
Lyn, tinha tanto de morena como de linda. Olhos já vividos e corpo desbravado.
O “meu” inglês não bastava para uma conversa formal, mas ia resolvendo e colmatando com aquilo que os sorrisos diziam.
Olhava-a, desejando tudo e esperando nada.
A exiguidade do espaço foi pretexto para sentar-se na beira da cama. Trocaram-se pequenas confidências e descobertas em olhares matreiros.
Aos poucos me enfeitiça e desliza no meu leito. Vai tomando conta de mim. Sinto-lhe as hormonas em ebulição. Quase me limito a olhar, lutando contra mim.
A linha que separava a provocação, do desejo, era ténue demais para não ser entendida.


A sua linguagem corporal, agressiva e sedenta, continuava a povoar-me os sentidos.
Por instantes pensei em Jasmyn, com quem não tinha qualquer espécie de compromisso, nem na vida, nem no leito. Aliás, tive sempre a impressão que lhe amenizava a entrada na meia idade, fazendo-a recordar o muito que tinha ainda para dar. Apenas por instantes, pois logo num recíproco impulso felino, se devoraram as bocas e esmagaram os corpos. O meu, extremamente maleável, sucumbia àquele proficiente e insaciável apetite saído dum conto de Boccaccio.
Depois passaram as horas e esquecemos o tempo que o tempo tem.
Era já tarde quando adormecidos num abraço, despertámos com o abrir da porta.
Era Jasmyn. Chegara. Menos cansada que nós. Olhou-nos com um sorriso de ódio. Alguns longos emudecidos segundos separaram os olhares entre a porta e a cama.
Jasmyn, conformada, deixou escapar:
- Olá Lyn!
-
Olá mãe!


O que mais se disse é passado. O que ficou por dizer não importa.


Afinal, recordar - é viver! In - As aventuras de Kim-Kim!