19 de agosto de 2011
Edital eficaz
11 de agosto de 2011
Sou uma tragédia!
…
….
Quero morrer aqui ao som do cravo razoavelmente temperado (pelo qual ando ultimamente apaixonado). De barba aparada e bigode proeminente, garrafa numa mão e charuto na outra, protegido por Teutates e Taranis de Lucano e a rir-me para Lug:
- Ah, ah, ah… para ti
Sou uma tragédia
...
(eu para ela em surdina, entre dois goles com a voz arrastada e já sem fôlego a sussurrar-lhe aquilo que sempre lhe quis dizer); isso, aproximem-se:
- O teu namorado…
- Sim
- O Grego…
- Diz
- … era um parvo do caralho
(é. Os brutos não sabem falar)
E ouvir o bater do coração. O correr em direcção à porta, o fechar com estrondo e os soluços:
- Não vás para aí
(Aplausos)
Sim, vá, digam lá:
- És uma tragédia
- Eu sei
….
Quero morrer aqui. Ao som das suites para violoncelo de Bach. À meia-luz. Ao sabor de um vintage Trinidad. De fato e gravata. De sapatos por medida calçados. De echarpe e sobretudo de caxemira, de luvas e chapéu. Pronto para a noite de estreia. Pronto para o primeiro dia:
«O mio bambino caro…»
- Voltaste
….
Quero morrer aqui. Cabeça, tronco e membros. Morte completa. Olhos, ouvidos e boca voltados para o Böcklin aos pés da cama. Aquele da ilha dos mortos. O melhor que já vi. Vá, digam lá:
- És uma tragédia
- Eu sei
….
Quero morrer aqui. Cama de pé alto. Dossel acetinado. Em silêncio. Com o Auto da Barca do inferno à cabeceira. O tolo que me queria tornar, que esse não vai para onde eu vou:
“Welcome to hell, we buy, we sell”
- O senhor, por aqui
….
- És uma tragédia
- É verdade
….
Quero morrer aqui. De máscara nos genitais. Traços faciais distorcidos. Abstracto. Com Valium e Zoldipem. Qualquer ser pelo qual se tenha uma ideia abstracta só poderá existir de forma abstracta. Ha,ha…, tem graça:
- O quê
- És uma tragédia
- Pois sou
E para os outros, para aqueles que me quiserem seguir: evitem abrir a porta à minha direita, pois uma vez aberta:
«Lasciate ogni speranza, voi che entrate» *
*Perdei toda a esperança, vós que entrais
do Pórtico do Inferno
in: A Divina Comédia; Dante Alighieri
8 de agosto de 2011
Raul Solnado - dois anos depois!
Com o meu pai, a caminho de mais uma sardinhada!
Mas o que conta para os que por cá se vão mantendo é a grata recordação que as fotos nos vão lembrando e a ternura que punhas em cada palavra, nas abordagens constantes da populaça, aquela onde eu pertenço.
Apesar de tudo, meu querido amigo, lá onde estiveres, faz o favor de seres feliz!
5 de agosto de 2011
Mentirinha!

- Olhe, não tenho a menor ideia sobre quais números escolher para comprar uma cautela. Pode ajudar-me?
- Claro, respondeu ela, vamos lá.
Durante quantos anos frequentou a escola?
- 8
- Perfeito, temos um 8.
- Quantos filhos tem?
- 3
- Óptimo, já temos um 8 e um 3.
Quantos livros você já leu até hoje?
- 9
- Certo, temos um 8, um 3 e um 9.
- Quantas vezes por semana faz amor com a sua mulher?
- Caramba, isso é uma coisa muito íntima - diz ele.
- Mas você não quer ganhar na lotaria?
- Está bem, 2 vezes.
- Só??? Bom, deixe lá.
- Agora que já temos confiança um com o outro, diga-me.
Quantas vezes já fez sexo com outro homem?
- Qual é, minha? - diz o homem, zangado
- Sou muito macho!!!
- Não fique chateado. Vamos considerar então zero vezes.
- Com isso já temos todos os números: 83920.
- O tipo comprou o bilhete que correspondia ao número escolhido.
- O bilhete premiado foi o 83921.
- F... da P...! Por causa de uma MENTIRINHA de MERDA não fiquei milionário!!!
1 de agosto de 2011
Feira Popular - a quanto obrigas!

29 de julho de 2011
Camisa XXXL

- É pequena - reclama o freguês.
E Helena traz uma maior:
- Ainda é pequena...
E Helena traz a maior do stock.
- Desculpe, mas tem de ser maior...
Helena grita para a Gilda, que está no armazém da farmácia:
- Ó Giiiiiiilda! Está um homem aqui, que precisa de uma camisinha maior que a XXL! O que é que eu lhe ofereço?
- Oferece-lhe, casa, comida, roupa lavada e sociedade na farmácia!
25 de julho de 2011
Verdinhas e maduras
Vox Maris - o outro lado
São loucas? São loucos?
Nada disso! São apenas gente que empurrou o ócio para os confins da vida. São gente de todos os quadrantes etários, humorísticos e profissionais, que não pactua com a mãe de todos os vícios - a preguiça. E quem canta, seus males espanta!
São afinal gente da minha gente.
Vox Maris - Gostei de vos conhecer!
22 de julho de 2011
Mãe - Sabes bem!
Sabes bem - que eu sei que fui sempre o teu menino, aquele a quem enrolavas os dourados caracóis com dedos de ternura, paixão tua dos tempos quedos.
Sabes bem - que parti um dia contigo no olhar e voltei com o olhar em ti. E tu retribuíste-me há uma década atrás com um “adeus filho – não volto mais”.
Sabes bem - que penso sempre nos campos de espinhos que pisaste por mim para agrilhoar o melhor do nosso tempo, manumitindo-me uma adolescência precoce.
Mãe - a ti deixo os meus longos beijos, os meus fortes abraços, as mais ternas carícias, as mais belas odes de amor.
Oitenta e sete anos seriam uma linda idade! A mais bela, para quem já só queria saudar cada manhã.
Resta-me a fé, aquela que me dá a esperança de te reencontrar um dia, talvez numa galáxia distante onde o pó não volte ao pó.
Parabéns Ana! Parabéns mãe!
Sabes bem - que bem me sabes!
18 de julho de 2011
Paris - antes e depois!
Como foi feliz nesta cidade!
Ali passou momentos impossíveis. Sem pai, sem mãe, sem amigos, sem dinheiro, sem casa, mas com o coração carregado de energia que o universo lhe transmitia, ao raiar de cada manhã.
Ali albergou esperanças que nunca chegaram. Ali perdeu enganos que não sonhou.
Ali amou, chorou, riu, aprendeu, e perdidamente descobriu para que lado corria o rio da vida. Ali voltou algumas dezenas de vezes, sem nunca mais ter calhado sentar-se no mesmo muro, quase ignorando o Sena que atrás de si corria para os lados da saudade, nem atremando às suas margens
Ele é ainda uma criança. Cheia de sonhos, aventuras, olhares e afectos.
12 de julho de 2011
Perdidos na Tribo - Achados aonde?

É evidente que toda a gente tem direito a ser famoso, não importando o preço que tal epíteto tem nas massas cor de rosa.
Fiquei estarrecido com o que vi. E pergunto:
- Então aquela gente, a troco dalguns milhares de Euros, não aceitou o desafio para viver da mesma forma que a tribo que lhe estava destinada?
Sei bem que os desafios sempre motivaram o homem (e a mulher) mas daí até ao ponto de se negarem a fazer determinadas tarefas vai uma distância enorme.
Também é certo que às vezes falamos de coisas das quais não conhecemos a sua essência, pois pode ter havido alguma cedência por parte da TVI, de forma a que não fossem obrigados a fazerem o que os nativos lhes pediam, mas aceitar um desafio daqueles e depois prantarem-se em chorrilhos de "ai que nojo" e "não consigo", aí é que começa a minha indignação. Nestas coisas, ou se tem tomates para a aventura ou se fica em casa. Agora, ser famoso a qualquer preço é que não.
Também não entendi o facto de homens e mulheres que com relativa facilidade se despem frente às câmaras das telenovelas não tenham querido usar o traje da tribo apenas porque era contra os seus princípios. Aceito e entendo, já que há sempre alguém que não quer mostrar o rabiosque, mas então não tinha aceite o convite para o qual foi pago (e alguns principescamente).
Não conheço os termos do contrato mas se fosse eu o produtor do programa, lá teríamos mais um processo em tribunal por incumprimento do mesmo, pois seria condição "sine qua non", viver a 100%, como os indígenas.
Como os protagonistas também se queixam das coisas ocorridas, menos boas, talvez esteja aqui repartida a culpa que as audiências obrigam.
Mas a culpa de tudo isto é minha, que perdi tempo a olhar o que nada tinha para ver.
Às vezes - a gente engana-se!
9 de julho de 2011
A carta - Mª José Nogueira Pinto
Nada tive contra, nem a favor desta senhora, desaparecida do mundo dos vivos há poucos dias. Dela apenas conhecia o seu mediatismo.Fica-me este relato tão tranquilo, escrito poucas horas antes de morrer, de alguém que se despediu assim da política e da vida.
Que não me falte esta serenidade, na hora da partida.
(Publicado no Diário de Notícias de ontem 8 de Junho de 2011)
Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
7 de julho de 2011
André Moa - Em frente!
Ontem, no lançamento dum livro e numa actuação do coral Vox Maris, estive com o meu amigo Moa, com a Verdinha e com o António. 4 de julho de 2011
Tempo de vida
Aprendi ontem que:28 de junho de 2011
Anjo Meu - é um diabo!
E vai mais um copinho! É vinho de missa!
Ah meus anjinhos! (como diz a Alexandra)A vida tem destas coisas Manela! As maldades que nos fazem! Uma esposa exemplar, na real e meretriz sem classe, nas malhas do éter. Desculpa lá Pedro, o outro marido não tem nada a ver contigo.
26 de junho de 2011
Deus vos pague
Uma edificante estória, envolvendo a luta pela vida, religiosidade, crença e fé.Em São Paulo, um homem sentiu-se mal no meio da rua, caiu e foi levado para o sector de emergência de um hospital particular, pertencente à Universidade Católica, e administrado totalmente por Freiras.
Lá, verificou-se que teria que ser urgentemente operado no coração, o que foi feito com êxito.
Quando acordou, a seu lado estava a Freira responsável pela tesouraria do hospital, que lhe disse prontamente:
- Caro Senhor, sua operação foi bem sucedida e o Senhor está salvo. Entretanto, um assunto precisa sua urgente atenção: como o Senhor pretende pagar a conta do hospital? O Senhor tem seguro saúde?
- Não, Irmã.
- Tem cartão de crédito?
- Não, Irmã.
- Pode pagar em dinheiro?
- Não tenho dinheiro, Irmã.
- Em cheque, então?
- Também não, Irmã.
- Bem, o senhor tem algum parente que possa pagar a conta?
- Ah... Irmã, eu tenho somente uma irmã solteirona, que é freira, mas não tem um tostão.
E a Freira corrigindo-o:
- Desculpe que o corrija, mas as freiras não são solteironas como o senhor disse. Elas são casadas com Deus!
- Magnífico! Então, por favor, mande a conta pró meu cunhado!
E foi então que nasceu a expressão: "Deus lhe pague".
21 de junho de 2011
18 de junho de 2011
Parabéns filhote
Calhou este ano, que o seu dia fosse passado comigo, nas águas dos Mares Jónico e Tirreno.
Aqui, perto da cratera central do vulcão Etna, em actividade constante há milhares de anos, tentamos descobrir a diferença entre a insignificância do homem e a força das entranhas da terra.
Às vezes – é muito bom ser pai, carente de afagos e beijos mil.
Parabéns Gonçalo!
16 de junho de 2011
Júlio César - uma vida de sucesso!
Os aniversários são para comemorar com os amigos e um dia é um dia, um ano é um ano.
Aqui quase poderia colocar a tua biografia, mas deixo um perfume no ar.
Parabéns Júlio!
11 de junho de 2011
Arriverdeci!
6 de junho de 2011
30 de maio de 2011
Só por amor!
Sei bem que estava na fase madura da minha vida e não sendo ainda condor também não era propriamente ave de rapina, mas ...27 de maio de 2011
Adieu - mon vieux Jacques
23 de maio de 2011
Às vezes - obrigado amigo(a)s!
A todo(a)s o meu obrigado e podem contar sempre com a minha amizade.
Dessas manifestações não posso deixar de realçar a prenda que me foi oferecida por estas minhas quatro lindas amigas.
Copiaram do meu blog desde o seu início em Fevereiro de 2007, setecentos e vinte posts e transformaram-no neste caderno/livro.
Muito mais que uma simples prenda, é acima de tudo algo que eu já tinha imaginado, sem no entanto ter arranjado coragem para tal.
À Antonia, à Alice, à Beta e à Carla o meu sentido agradecimento.
No virar das páginas da vida
Trazes dentro do coração
Os lugares onde estiveste e viveste
As janelas que abriste e miraste
Os cheiros e as sonoridades
Os rostos, os sorrisos e as lágrimas
Os gestos, os sentimentos, as sensações
Tudo isso e tanto
E no entanto tão pouco para descrever a pessoa …
Haverá sempre mais um minuto, mais uma experiência
Mas o mesmo Kim de sempre
Mais experiente, mais calejado, com mais tempo para dar …
Mas sempre a mesma face sorridente e modo afável
Criativo e atento ao mundo
E sempre de braços abertos para os seus amigos
Das meninas, Antónia, Carla, Alice e Beta, para o melhor Boss do mundo
Com muita amizade - Parabéns!
20 de maio de 2011
Às vezes - volto a nascer!
... e hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!
Nem sei como se pode agradecer a quem me colocou neste mundo mas devo-lhe o sorriso que os meus olhos sempre tiveram.
Tem sido uma vida díficil e nem sei se tenho culpa de ter vivido, pecado, amado ... perdidamente!
Serge Regianni cantou um dia:
- Bebo às mulheres que não amei, aos filhos que não tive e a ti que me quiseste bem!
A quem amei, a quem amo, aos meus filhos, aos meus amigos, deixo o grito dum homem feliz. Muito!
Às vezes - sinto-me diferente! Nas virtudes e ... nos defeitos!
Sabendo da minha tristeza por um um ano desportivo menos bem conseguido e não ignorando que não há mal que sempre dure, dois amigos (jogadores internacionais do meu Benfica - Futsal e da Seleção do Brasil) visitaram-me para me dizer que o amanhã é já a seguir e uma nova vida renasce todos os dias.
César Paulo, Diego Sol e uma prenda antecipada para mim - a camisola do jogo que o sagrou campeão europeu ao serviço do Benfica.
Obrigado César pelo peso que tem esta "camiseta" com tu dizes. Não é todos os dias que se é campeão europeu nem todos os dias se oferece a recordação que esse dia deixou.
O meu filhote Luís, agradece.
Faltam-me apenas amigos no des(Porto), para me dar bem com ... Deus e o Diabo!
17 de maio de 2011
11 de maio de 2011
A Feira do Livro - e eu!
Findara o dia. Igual ao de ontem, do mês passado, de há muitos anos.O 746 levava-me directamente ao Parque Eduardo VII e não hesitei um segundo em nele entrar e ir até à Feira do Livro.
Às vezes, sabe-me bem deixar de lado as mordomias e o conforto burguês a que nos vamos habituando, usando a nossa carripana para tudo e para nada. Quando a isso não sou obrigado, é-me grato entrar num qualquer
autocarro e sair onde me apetecer. Assim fiz desta vez, só que havia a diferença dum destino traçado.No autocarro entretive-me a ler os rostos dos velhos que iam entrando. À esquerda, à direita e quase colados no meu olhar, ei-los a desfilar me na mente, imaginando a beleza que outrora cada rosto daqueles terá encerrado. É estranho que os problemas da vida me deixem ainda tempo para reflectir sobre uma realidade, já tão próxima da que à minha frente galopa. Mais estranho ainda é que consegui também saltitar nas suas vidas e nos seus problemas.
Provavelmente não terei acertado. Certamente constatei uma realidade. Passamos ao lado uns dos outros sem que o ego se transporte para a margem oposta.
O rei está na barriga e eu já começo a ter alguma. Que pena!
Quando não tiver para onde olhar, restam-me “os amigos” que adquiri, à espera que o impulso os devore.
Às vezes - eu e todas as espécies de feiras, falamos a mesma linguagem!
9 de maio de 2011
Saramago - a tela da cumplicidade!
5 de maio de 2011
Raul Solnado - Obrigado e Muito Obrigado
Obrigado e muito obrigado!
Desculpa lá o "descurso" da legenda, mas não fui eu que escrevi isso.
1 de maio de 2011
29 de abril de 2011
Granizo no meu reino!
27 de abril de 2011
Parabéns pai!
Não pai, tu não completas hoje noventa anos. Apenas atingiste um estado mais adiantado da vida. A que nem sei se viveste. A que te passou ao lado como se mais nada houvera. A que te fez temer o futuro que é hoje o teu presente. A que foi tua afinal.25 de abril de 2011
25 de Abril - o meu!
21 de abril de 2011
AMOR
Sem interrogações! Sem rigor! Escrito apenas com o coração! Talvez um Requiem ao seu avô, meu pai, já quase ausente, no resto dos dias da sua vida.
Entrou de mansinho. Alguém perguntou:
- Por onde andaste
Sei lá, por aí, respondeu mudo. Percorreu o corredor escuro até ao fundo arrastando os pés. O cheiro dos Jarros era intenso. Sujo e empoeirado chegou-se à cama e descalçou as botas que foi poisar junto à janela. Abriu uma fresta e abeirou-se para logo sentir o ar encher-lhe os pulmões. Respirou fundo.
- Feche a janela e venha deitar-se
Ouviu e calou. Anuiu, voltou. Os fazedores-de-camas ditavam as ordens por ali. Sentou-se, desta vez na cadeira. Cruzou a perna e descalçou a meia. Descruzou e cruzou a outra para fazer o mesmo. Lembrava-se pouco do último dia. Doíam-lhe os pés mas não se queixou. Doíam-lhe as costas e os braços e as pernas e as mãos e a alma. Doíam-lhe as unhas e os cabelos e as pestanas e o umbigo. Não estava farto mas estava pronto. E depois. Deitou-se vestido.
- Saia daí, não ouviu o que lhe disse
Os fazedores-de-camas vestidos de branco uivavam na noite invernosa. Lembrava-se da terra. Da neve, do frio, do dia em que foi buscar o pai ao quarto da cama morna que ficava por cima da tasca. Melhor, do dia em que o foi buscar ao prostíbulo.
- Vai lá buscar o teu pai, Joaquim
(contou-me ele um dia ao almoço)
Não tinha ainda nove anos, quando a vereda acabou e a tasca dos contrabandistas se assomou à sua frente, o pecado morava ali. Sabia lá ele o que era o pecado.
- Que estás aqui a fazer Joaquim, víspa-te, já cavaste a horta
Abalou a correr. As lágrimas corriam-lhe rosto abaixo, os joelhos tremiam e os pés nem tocavam o chão enquanto adejava carreiro acima perseguido pela imagem do pai e da mulher nua no leito quente. Seria aquilo o pecado.
(também ao almoço, as lágrimas)
- Já chega avô, um dia contas-me o resto
A cama branca voava pelo quarto, o tecto, as paredes, o chão, a luz. Outra vez se levantou. A cabeça zaruca. Quem é isto. Estranha sensação de cá estar sem estar cá.
- Ó homem, onde vai
Quis falar, pareceu-lhe, mas estavam uns gajos de sentinela à porta do cérebro que não o deixavam passar.
- Ficas aí.
Ordenaram-lhe.
Obedeceu. Mudo ficou. A alcateia dos fazedores-de-camas brancas, de branco vestidos e uns tipos esquisitos que gesticulavam à sua frente e faziam barulho davam vontade de rir. Quem é isto. Riu-se e os tipos à sua frente gostaram e riram-se também. Pareciam parvos e queria ir-se a eles com ganas mas os gajos à porta do cérebro eram mais fortes e ele há muito que perdera a verdura. Nada a fazer. Ficou-se. Deixou-se escorregar cadeira abaixo.
(ainda não tinha dito que voltara a sentar-se na cadeira)
Sentiu algo no seu colo. Um par de olhos com um corpo tenro atrás que nele se aninhava e o fitava com curiosidade. – Quem é isto. Sorriu, pois bem lhe pareceu e poisou a mão na perna tenra do corpo estranho. Os outros entretanto – os que pareciam parvos, mexiam as bocas freneticamente e ajeitavam-lhe o cabelo grisalho e os óculos que teimavam em escorregar nariz abaixo. Um deles entretinha-se a atafulhar-lhe a boca com uma vianda esquisita que trazia numa gamela rançosa.
- Coma meu pai, coma
Dava duas voltas àquilo e engolia com rapidez.
- Deixem-me estar
Murmurou, aproveitando o momento do render da guarda das sentinelas à porta do cérebro – “ Santo-e-senha”.
Tentou levantar-se, em vão.
- Esteja quieto que ainda não está na hora
Uivou um lobo fazedor-de-camas do outro lado do quarto. O que é que os lobos sabiam. O mesmo que os outros. Nada. Ganhavam à jorna e saíam cedo. Isto do tempo tem muito que se lhe diga. Esperou pacientemente que a visita acabasse. Que guardassem as marmitas da lavadura nas alcovas. Se ao menos uma sopita de beldroega.
Foram-se. Os que vieram e os que não.
Estava pronto. Ia finalmente sonhar. Arrastou-se até à cama.
- Onde vai homem
A loba ajeitou-lhe os lençóis.
Ele fechou os olhos e sorriu.
- Em que pensas avô
- Ai, no meu amor
(para o meu avô Joaquim)
18 de abril de 2011
Socialismo - Explicação reacionária (?)
14 de abril de 2011
FMI - Desta água não beberei?
E o inteligente do Marcelo Rebelo de Sousa a dizer, ontem à noite, que Portugal foi governado, nestes dias, pela banca. Esqueceu-se foi de, também, atribuir a estes inocentes, os louros dos atrasos e da estratégia do Sócrates que, pelo vistos, era a deles! Cronologia interessante: Fernando Ulrich (BPI) 29 Outubro - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade" 26 Janeiro - "Portugal não precisa do FMI" 31 Março - "por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI" Santos Ferreira (MBCP) 12 Janeiro - "Portugal deve evitar o FMI" 2 Fevereiro - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI" 4 Abril - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já" Ricardo Salgado (BES) 25 Janeiro - "não recomendo o FMI para Portugal" 29 Março - "Portugal pode evitar o FMI" 5 Abril - "é urgente pedir apoio .. já" Sem palavras!
11 de abril de 2011
Retábulo - Adeus mundo cruel!
8 de abril de 2011
Às vezes - um abraço
6 de abril de 2011
Planeamento estratégico
No confessionário, chega o pequenito (mas nosso velho conhecido) Joãozinho que confessa: 3 de abril de 2011
Paixão automóvel
É assim, morrer de amor, com os cabelos ao vento!
Do ribombo da viagem para o infinito, até à loucura da eternidade 


