
Descobri-o na elite do Chiado. Deleitava-me com as fotos que a teleobjectiva do Alberto captava dos filhos. Grandes planos, grandes rostos, grandes olhos, fartas cabeleiras.Entrava eu já na idade adulta, quando parti à descoberta da vida e para trás ficou o Salvador, puto de sete anos, alegre, bonito e educado. Era apenas um dos filhos do meu querido amigo Alberto Vaz da Silva e da Helena.
Voltei a vê-lo poucos anos depois na casa de férias dos pais, em Olhos de Água, no Algarve.
Perdi-lhe então o rasto, sem nunca ter perdido o calor da grande amizade dos Vaz da Silva.
Finalmente, no funeral de sua mãe, abracei-o forte, num misto de saudade e condolência.
O sorriso continuava igual, mesmo não sendo o momento propício para sorrisos. Falámos então como se ao lado não jazesse sua mãe. A sua personalidade vincada sobrepunha as adversidades da vida. A morte era apenas uma passagem para outro estado.
Recentemente, através das várias notícias das televisões, soube da sua luta contra um ror de tumores que o cercavam e trocámos neste blogue (15 de Maio de 2008) breves palavras de esperança.
Escreveu o livro – Catedral – diário dos seus desabafos e esperanças que a espaços vou relendo.
Ambos acreditávamos que o caranguejo estava vencido. Assim não foi!
Salvador, a tua Catedral na Terra, será o pilar de sustentação dos homens de pouca fé!
Na Igreja de Sta Isabel, Alberto estava calmo e sereno, certo que o seu rebento partira para um mundo melhor. No final da missa, à sua frente com os olhos colados no esquife, Mariza tenta cantar-lhe o Cavaleiro Monge. A voz embargou-se-lhe e a chorar disse não saber se seria capaz e que ainda tinham conseguido trocar uma última mensagem. Depois respirou fundo e o seu cantar arrepiou a enorme multidão presente.
Meu querido Alberto, o abraço sentido que trocámos foi também uma carícia nos rostos da Helena, do Francisco e do Tomás.
Adeus Salvador! Adeus Cavaleiro Monge!



























