29 de maio de 2007

Valda - te amo


Valda – te amo

Que não seja por falta de comunicação, que o amor não se propaga.

Esta frase, escrita no asfalto, – tão brasileira, como a Spuk - é o grito de quem teme.

Ama-se, na cama, no chão, na banheira, no elevador, na praia, em tudo quanto é sítio,
No asfalto, arfa-se.

Mudam os tempos, mudam as formas de amar.

27 de maio de 2007

Júlio Amaro e o apagão

O mestre fala e os discípulos, Marcelo e Gigi, escutam)Amaro desenhou, durante muitos anos, os almanaques de “bonecos” que toda a criançada devorava. Era o Búfalo Bill, o Cisco Kid, o Kit Carson, o Capitão Trovão, eu sei lá.Decidiu, um dia, tentar a sorte. Convidou-me a ir com ele. Partimos! Júlio Amaro, andava já desesperado, calcorreando as ruas do Pigale. Eu seguia atrás, pavoneando os meus vinte anos, certo que esta era a idade da razão. Amaro, mais velho outros tantos, questionava-se entre dormir na rua e ser um valente, ou dormir num hotel de duas estrelas e ser tomado por homossexual. Sim, porque dois homens, um com o dobro da idade do outro, procurarem um quarto para passar a noite, pode levar as mentes mais tacanhas a imaginar o que imaginável é.Amaro esperava iluminar Paris com o seu traço, o seu desenho, o seu engenho. Paris era a Porta do Sol que eu ajudava a franquear.Segundo ele, quando chegávamos a um hotel e perguntávamos se havia quartos, lia nos olhos do estalajadeiro – estes gajos são “maricas”, e o “paneleiro” é o velho. Eu era o “maricas” novo, ele, o “paneleiro” velho.Arranjado, finalmente o quarto, num hotel rasca, mais velho que Job, entrámos nele como se estivéssemos em lua-de-mel.Para desanuviar este tormento do meu amigo Amaro, assim que entrámos no quarto dum hotel rasca, imediatamente me estiracei em cima da cama, esgotado de cansaço.Ele que sonhara um futuro melhor, pensando nos motivos, que o ali levaram, fumava cigarro atrás de cigarro, dando voltas ao redor da cama, para trás e para a frente, olhando o inerte miúdo que dormia o sono dos justos.Ele assim pensava.Com os olhos semicerrados ia observando os seus movimentos.Apesar de ser ainda dia, era preciso ter a luz acesa para iluminar a mente.Quando achei oportuno, a luz, apagou-se. Amaro parou, olhando para a lâmpada. Quando fez menção de se aproximar do interruptor, esta acendeu-se. Recuando no gesto, voltou a apagar-se. Assim continuou durante algum tempo, tentando perceber como o seu gesto fazia acender e apagar a lâmpada. É que Amaro tinha no ilusionismo um dos hobbys da sua vida e pensava estar a inventar um novo truque.Querendo impressionar-me, acorda-me e diz: - Quim, sou um grande mágico! Vê bem isto! - Estica o braço com o punho fechado e abrindo-o na direcção da lâmpada, profere a seguinte ordem: - Acende-te lâmpada! A lâmpada acendia-se. Repetindo o gesto insistia: - Apaga-te lâmpada! A lâmpada, apagava-se.Eu,incrédulo e aterrado, implorei-lhe: - Amaro, não faças isso que me estás a meter medo! Por favor! Ele, apesar de ainda não saber como aquilo acontecia, vangloriava-se e insistia: - Abre-te Sésamo! Fecha-te Sésamo! A luz acendia e apagava.Não conseguindo controlar o poder que estava a exercer sobre mim, insistia em tão maquiavélica manobra.Fartei-me. Desatei a rir, rir, rir. Rebolei no leito. Caí no tapete que ladeava o leito.Amaro, tentou ajudar-me a levantar. Não o fez, porque abri a mão e dentro dela estava a “pêra” da mesinha de cabeceira, que eu clicando, ia acendendo e apagando a lâmpada.A montanha parira um rato. O grande mágico fora derrotado.Ouvi das boas, mas perdoámo-nos mutuamente.

Meu querido amigo. Onde quer que estejas, estala os dedos e faz a magia de voltar para nós.

26 de maio de 2007

Recordações que os amigos deixam



Hoje estou longe.
Queria publicar um "estória", passada com o meu amigo Amaro, em Paris, no ano de 1971.
Com o tempo é curto, fica para quando chegar a Lisboa.
Até lá, aqui vos deixo o quadro, com que este pintor amigo, me retratou para a posteridade.
Guardo-o na parede nobre da minha sala.
Tinha eu vinte e um anos.

25 de maio de 2007

Sandra - cuidado comigo



Quase todos já conhecem a Spuk. (à esquerda)

Esta nossa amiga brasileira, pernambucana pra caramba, vem regularmente aqui ao blog animar um pouco as hostes, fazendo inveja aos porcalhoteanos.

Pois bem! Um dia, entrou no blog e comentou. A partir daí, e com a facilidade que eu tenho de fazer amigos, passou a haver mais proximidade.
A Spuk-Sandra, como todas as mulheres e homens-amaricados, como eu, gosta de “e-mails” românticos com bonitas fotografias e músicas a condizer.
Era e é costume, sempre que eu recebia algum “e-mail” reencaminhava-o para os amigos ou amigas, em função do seu conteúdo. Havia outros, que apagava imediatamente, porque o conteúdo já nada me dizia.
Uma manhã, ao ver a minha correspondência electrónica, deparo com um, que de facto era muito bonito e tinha por título – que mundo maravilhoso – Tratava-se de paisagens maravilhosas, que transmitiam uma serenidade imensa.
Na altura, não tive tempo para o reencaminhar e acabei por o não fazer.
Alguns dias mais tarde, recebo outro e-mail (costumo recebê-los aos montes) e vi que alguém me tinha enviado um com o mesmo título – que mundo maravilhoso.
Já conhecedor do conteúdo, nem o abri e reencaminhei-o de imediato para a Spuk, escrevendo apenas esta pequena mensagem – GOSTAS?
No dia seguinte recebo a resposta dela dizendo o seguinte: - Olá Kim, recebi o teu e-mail. Não gostei, porque não faz o meu género, mas podes continuar a mandar outros, com motivos diferentes.
Despistado como eu sou, intrigado fiquei. Fui aos “e-mails” enviados, e abri - o mundo maravilhoso – que lhe tinha enviado. Fiquei incrédulo. Quatro lindas mulheres nuas, entrelaçadas umas nas outras, em posições que o decoro me permite omitir, beijavam aqui, chupavam acolá.
Fiquei para morrer.
De imediato, respondi à Spuk, explicando-lhe o engano, desfazendo-me em desculpas, não sabendo ainda hoje, se acreditou.
Reposta a verdade dos factos, continuámos a blogar como se amigos fossemos, de longa data.
Sandrinha, me desculpa. Você é uma cara legal.
Em Setembro a gente vai rir sem artes de candomblé.

24 de maio de 2007

O Ciúme


Ciúme

Tempero de amor e sentimento de perda.
Corrói. Anula. Devora.

Desde pequeno!

23 de maio de 2007

Armas na América


Do enviado especial em Nova York - Bruno Ribeiro.


Bebé de dez meses consegue obter licença de porte de arma

Aos dez meses de idade, Howard David Ludwig ainda não fala, não come sozinho e não anda, mas as autoridades do estado norte-americano de Illinois consideraram que ele já é suficientemente crescido para ter uma licença de porte de arma. O documento exibe a fotografia da criança e um rabisco infantil no lugar da assinatura, especificando as suas medidas: 67 centímetros de altura e nove quilos de peso.
A ideia partiu do pai de Bubba – como é tratado em família –, Howard Ludwig, que preencheu a requisição online, pagou cinco dólares e obteve a licença.

A notícia é ainda mais surpreendente se considerarmos que o estado de Illinois tem das leis mais rigorosas a nível nacional no que toca ao uso de armas.

A emissão deste documento é da responsabilidade da Polícia Estadual de Illinois, cujo porta-voz especificou não haver um limite mínimo de idade para a requisição do documento.

Apesar de ter obtido o cartão que o autoriza a disparar uma arma de fogo, o pequeno Bubba terá que esperar até aos 18 anos até poder comprar uma caçadeira e até aos 21 para comprar um revólver. Mas esta imposição não será um problema para o pequeno “atirador” de fraldas. O seu avô já lhe ofereceu uma Beretta, que terá autorização legal para experimentar mal tenha forças para lhe pegar.

O pai fez saber, porém, que a arma vai ficar em casa do avô de Bubba até o rapaz completar 14 anos. “Não estou prestes a aprovar uma caçada sem supervisão”, afirmou o progenitor ao “Chicago Daily”, acrescentando que o cartão é um “adorável acrescento ao livro de memórias” de Bubba.

Esta notícia está a causar acesa polémica na blogosfera norte-americana, algumas semanas depois do massacre da Universidade de Virginia Tech, durante o qual um jovem sul-coreano matou a tiro 32 pessoas. Seung-Hui Cho conseguiu explorar uma falha nas leis estatais da Virgínia e obter armas, apesar de ter um historial de perturbações mentais.


Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem! Digo eu.

22 de maio de 2007

Alberto Vaz da Silva



























Alberto!

Meu querido fazedor de sonhos.
Entrou na minha vida como uma brisa de ar fresco e alimentou-me os sonhos que não sabia.
Com ele, aprendi a apanhar as flores da beira da estrada, a tornear as veredas nefastas e a olhar o mundo onde não chegava.
As nebulosas distantes que descortina no cosmos, devolvem-lhe a divindade que foi, em encarnação distante.
A clarividência dos factos, é tão real, que ao olhá-lo me parece ver Rá.
O olhar dele, não vislumbra os mesmos trilhos do comum mortal.
Vê no escuro, aquilo que a claridade não mostra.
As suas dissertações, iluminaram-me a alma na “manhãs submersas” da Beira, nas tardes cinzentas do Chiado e nas noites negras da estranja.
No exílio, as suas palavras chegaram-me sem a poeira da distância e o timbre da desgraça.
Ainda hoje tento descobrir, qual o Alberto que traçou a minha rota. O amigo, o advogado, o poliglota, o sábio, o iluminado, o grafólogo, o astrólogo, ou o “cosmo sapiens” dos tempos modernos.
Os Deuses, traçaram-me um caminho. O Alberto alterou-o.
Cobrar-lhe-ei, tal ousadia, no encontro marcado às portas da Babilónia.
A sabedoria que transporta, serviu também de farol, aos meus filhos, com especial incidência no Bruno - seu afilhado - mais virado para o sublime.
Alberto, o tempo e o modo do meu tempo!

Noutro modo, noutro tempo, Helena - sua mulher - de rija têmpera, feita à medida do seu molde, foi no seu breve tempo de vida, o espanto que complementou tudo o atrás dito.
Helena Vaz da Silva - eterna Presidente do Centro Nacional de Cultura - furacão que o vento levou e a cultura chorou.
“Morre cedo quem os Deuses amam”! - alguém disse um dia.

Já tarde, mas ainda a tempo, Rosaline Crepy, longeva senhora belga, pioneira da grafologia, viria a alterar a vida de Alberto, como ele alterou a minha.

Alberto disse um dia:
- A escrita é fascinante porque serve de veículo às mensagens do inconsciente.

O meu inconsciente está com ele, em permanência.

Alberto Vaz da Silva –o milagre que os meus sonhos carregam

21 de maio de 2007

Dar um mãozinha


Há coisas do “caraças”.

Quando se tem sorte na vida, tudo pode acontecer a seguir.
Vejam bem, que desde que publiquei aquele “post” onde explicava como é que me tinha saído o totoloto, já me aconteceram, mais dois episódios fabulosos.
1ª Dois dias depois da publicação, saiu-me um prémio, no Senegal, de 12.000 €. Para os levantar, só tinha de enviar uns “dados”, para Dakar.
Como sou muito conhecido naquele país, foi facílimo chegar até mim.
2ª Logo a seguir, recebo um e-mail duma senhora, da Costa do Marfim, contado-me uma “estória”, onde diz que tem 10 milhões de dólares para receber, nos Estados Unidos, por morte do seu marido, que trabalhava naquele país. Como era preciso desbloquear umas burocracias, precisava que eu “entrasse” com uma ajuda. Uma vez resolvido o problema “dava-me” 30% do dinheiro que receberia.
Já viram bem como é a sorte? Dinheiro puxa dinheiro e “mai nada”.
África chama por mim.
Vamos lá juntar os pés e dar uma mãozinha.

20 de maio de 2007





Hoje – não sei falar.
Hoje – não sei escrever.
Hoje – só sei sorrir.

Quero o meu leitinho!

18 de maio de 2007

O Bicho

Bicho-Fotociclista-Gigi-Luis-RTP Memória, tu és um poço com fundo.

Ciclista de fundo. Fundo de desespero. Fundo depressivo. Fundo de desemprego

Não Gigi, não és lixo.
Não apontes essa via, porque, tu és forte, tremendamente inteligente e culto.
Vomita as energias negativas.
Os socalcos que não transpões, só podem danificar as rodas da tua “bicla”. Não o resto.
Aquele que os fumos não vencem, a selva não devora.
Abandona as incertezas e fixa-te no querer.
Troca o “nim”, por “não” ou “sim”.
Faz da noite, a alvorada do renascer.
Não te baralhes a ti mesmo. Faz de ti, o que és.
Não cerres o olhar, nem estanques os ouvidos.
Não estás só, companheiro de lides tantas.
A pitonisa falou-me de ti

És um misto de amigo que adoro e de desconhecido, que rejeito

Levanta-te e anda!

17 de maio de 2007

Bárbara Guimarães


A festa era mundial. De confiança.


A península de Tróia, recebia naquela noite, sete centenas de convidados.
Alguns, estavam ali para receber um prémio, com pompa e circunstância.
Eu estava nesse grupo de galardoados.
Após uns lauto jantar, inicia-se um espectáculo musical apresentado pela douta Bárbara Guimarães.
Apagam-se as luzes.
Sobe o pano.
Descortina-se a silhueta dum metro e setenta e cinco de mulher.
- Boa noite minhas senhoras e meus senhores! Benvindos a este evento anual.
Aqui estou, para apresentar o programa desta noite e gostaria de convidar alguém que queira fazer o favor de me ajudar nesta tão agradável tarefa.

No enorme salão, iluminado pelo ricochete das luzes da ribalta, as cabeças iam girando à esquerda e à direita, tentando descortinar quem se propunha animar a noite.
A longilínea Bárbara, aguardava, sorridente, a chegada do apresentador mistério.
Num misto de orgulho e desapego pelo ridículo que as más-línguas costumam gerar, levanto-me e dirijo-me ao palco.
Sem preconceitos homofóbicos, subo ao altar da noite, bamboleando-me em trejeitos “abichanados”.
Na multidão cheirava-se o insólito. Aquele JR (eu) que estava no palco e tanta gente conhecia, parecia “bicha”.
- Muito bem, tenho finalmente um corajoso convidado que me vai ajudar em palco! Como se chama?
- Ju!!! - respondi a medo.
- Como? Não percebi! - ironiza a colunável.
- Juuuu!!! – repeti, arrastando o monossílabo.
Tentando disfarçar o inesperado que a minha postura lhe causava, continua.
- Pois bem Ju, aqui tem o programa desta noite pelo qual me vai poder acompanhar (o programa começava com música brasileira)
- Gosta de música brasileira?
- Quem? Eu? Deteeeeeesto!
Embaraçada com tal resposta insiste: - Não? Mas … então o Ju, gosta de quê?
- Que pergunta! Isso só eu seeeei. Mas … mas se é de música que quer saber, pois bem, só gosto de música francesa!
Cada resposta minha era acompanhada por gestos que rotulavam a olho nú, o mariconço que estava em palco.
Bárbara estava cada vez mais “barbaralhada”. Eu tinha-lhe trocado as voltas e o programa estava a sair do tradicional.
Depois, à medida que o espectáculo avançava, fui torpedeando como podia, a noite que se pretendia séria.
Sacudi o capote da homossexualidade e despi a pele da fantasia.

Voltei ao meu lugar e dum trago só, sorvi o resto do “cognac” que não havia terminado.

Da mesa presidencial, levanta-se a figura número um, dirige-se a mim e envolvendo-me num apertado abraço, exclama em tom esfuziante:
- Parabéns J.R., você é um actor do “caraças”. Parabéns!
Soubesse eu ao que ia e outro homo cantaria

Cobrei os meus minutos de glória.

16 de maio de 2007

Dinheiro



O homem, passa metade da vida a dar cabo da saúde, para arranjar dinheiro e a outra metade, a dar cabo do dinheiro para arranjar saúde.

Confúcio

Ser rico - ambição colectiva.
O ser humano quer sempre o que não tem.
Com saúde, quer dinheiro. Com dinheiro quer saúde
Quando é solteiro, quer casar. Quando casa, tem pena de não ser solteiro.
Quando é criança, quer ser homem. Quando é homem, quer voltar a ser criança.
Quando a sorte o bafeja, quer viver, quando o abandona, quer morrer.
Dinheiro, vício do mundo.
Dinheiro, ódio do pobre
Por dinheiro, engana-se, trai-se, mata-se.
Por trinta dinheiros, sofre a humanidade.

Ser rico, não é ter mais dinheiro.
Ser rico, é apenas ter menos necessidades que os outros.

Uma flor, para um pobre.

15 de maio de 2007

Lojas chinesas


A China invadiu o mundo.

Por tudo quanto é sítio e a cada esquina, encontramos uma loja chinesa.
Convenhamos que, lá encontramos pequenas “coisas” que até vale a pena comprar.
A qualidade é proporcional ao preço, mas resolve.
Nelas tenho encontrado os mais variados artigos, mas nunca tinha visto … bacalhau.
Afinal, o delicioso peixe, não é para venda, mas sim para a sua alimentação.
Tornar tudo simples e barato é o seu lema. Toca a comprar peixe cru e depois é só pô-lo na rua, ao sol a secar.
As moscas, chamam-lhe petisco. Os cães, nem tanto. Só cheiram.
Se os vizinhos não gostarem do cheiro, o problema é deles.
Fiquei a pensar, onde arranjarão eles o bacalhau fresco?

Chinesices meus amigos, chinesices!

14 de maio de 2007

O prego


Era uma vez um rapazinho que tinha um temperamento muito explosivo.
Um dia, o pai deu-lhe um saco cheio de pregos e uma tábua de madeira.
Disse-lhe então, que martelasse um prego na tábua, cada vez que perdesse a paciência com alguém.
No primeiro dia o rapaz pregou trinta pregos na tábua. Já nos dias seguintes, enquanto ia aprendendo a controlar a ira, o número de pregos martelados por dia, foi diminuindo gradualmente.
Ele foi descobrindo que dava menos trabalho controlar a ira, do que ter que ir todos os dias pregar pregos na tábua.
Finalmente chegou o dia em que não perdeu a paciência uma vez que fosse. Falou com o pai sobre seu sucesso e sobre como se sentia melhor, por não explodir com os outros. O pai sugeriu-lhe que retirasse todos os pregos da tábua e que lha trouxesse.O rapaz trouxe então a tábua, já sem os pregos, e entregou-a ao pai. Este disse-lhe:
- Estás de parabéns, filho! Mas repara nos buracos que os pregos deixaram na tábua. Nunca mais ela será como dantes. Quando falas com raiva, as tuas palavras deixam marcas como esta. Podes enfiar uma faca em alguém e depois retirá-la, e não importa quantas vezes peças desculpas - a cicatriz lá continuará.
Uma agressão verbal é tão violenta como uma agressão física.

Desculpem-me aqueles a quem deixei marcas na sua tábua!

12 de maio de 2007

Miccoli


Pensei que estava rico.

Com os cento e trinta e dois mil contos do totoloto, pensei em dar uma ajuda ao Benfica.
Se bem o pensei, melhor o fiz. Propus-me ajudar na compra do passe do Miccoli, à Juventus.
Falei com o Benfica e com o simpatiquissimo rapaz e desiludi-me com a idéia.
Afinal o meu dinheiro só dava para comprar uma perna dele. Então e a outra perna? E os braços? E a cabeça? E a genica?
Dizia-me o meu "piccoli" à saída - ó pai, cento e trinta e dois mil contos são seiscentos e sessenta mil euros. Ora isso nem sequer dá para comprar um jogador, de segunda divisão.

Acordei!


11 de maio de 2007

Saiu-me o totoloto



Há vinte anos atrás eu tinha trinta e cinco.
O Fernando, cinquenta. O Artur, quarenta e dois e o António trinta e sete.
Era o mês de Maio.

Para não destoar - tem de haver sempre um motivo - desafiei estes amigos a conhecerem, à minha maneira, outras terras, outras gentes.
O novo Mercedes do Fernando, dava-nos a certeza que poderíamos ir longe e sem percalços.
Os quatro, tínhamos comuns interesses comerciais, sem no entanto, haver grandes laços de amizade.
Vai daí, ei-los que partem, com a certeza de que parariam onde calhasse, dormiriam onde Deus quisesse e comeriam o que o diabo se lembrasse, ou a bolsa pudesse pagar.
Destino – algo incerto na Europa.
Passei toda viagem a contorcer-me de riso, pelas caricatas situações que os meus comparsas, me iam proporcionando, umas vezes, pelo ridículo, outras pela ignorância das coisas e outras ainda, pela perfídia que o meu maquiavélico cérebro congeminava.
É que, há coisa que só acontecem aos outros, mas, nem sempre é assim.

Tínhamos saído de St Tropez e seguíamos para Cannes.
Eu seguia no lugar do pendura. Guiava o Fernando. Mexia e remexia no auto-rádio. Começava a ficar impaciente de tanto nele mexericar, na esperança de encontrar uma estação de rádio portuguesa, quando eu lhe disse:
-Deixe estar, que eu procuro.
- Anuiu e cedeu-me a sua impaciência.

Fui rodando o botão, à esquerda e à direita. Após alguns minutos de fingidas tentativas e sem que ninguém percebesse, introduzi uma cassete no leitor.
Finalmente tínhamos notícias de Portugal. Acertámos em cheio, estava a dar o noticiário.
Este ano foi batido o recorde de visitantes no Feira de Santarém… blá, blá blá
Também o festival do marisco em Loulé, excedeu as expectativas, blá, blá, blá.
Por último - Totoloto – apenas um apostador acertou nos seis números mágicos. 132.000 contos, é quanto vai receber o felizardo do jackpot desta semana. O sortudo de seu nome Fernando A… G...
Com os olhos esbugalhados e meio incrédulo, tira uma mão do volante e dá-me uma palmada surda no ombro, fazendo a viatura ziguezaguear, felizmente sem consequências e grita: - deixem ouvir, deixem ouvir!
- A Antena Um, está a tentar contactar o feliz contemplado, não tendo até ao momento sido possível fazê-lo, em virtude do mesmo se encontrar ausente no estrangeiro, acompanhado por uns amigos.
- Sou eu, sou eu!!! C’um caraças, eu já estava remediado, mas agora fico bem! Logo à noite, vou telefonar à família
- disse o Fernando, completamente eufórico.
É sensacional, aqui em França, ouvir o meu nome na rádio
- murmurava para ninguém. - nem quero acreditar!
Para comemorar, vamos jantar uma mariscada regada com champagne.
Nós, os outros três, já estávamos a ganhar alguma coisa com a sorte do Fernando.
Os rostos do Artur e do António, adivinhavam-se incrédulos e circunspectos.
Fernando, estava recheado de dólares arrancados ao saco plástico da terra arenosa do seu quintal. Emprestou uma quantidade razoável a cada um de nós e nessa noite fomos obrigados a jogar uma “lerpada” com notas a cheirar a húmus.
Escudos, era coisa de pobres.
Difícil, foi chegar a madrugada.

Na manhã seguinte

- Tá lá? Tina? Sou eu, o Fernando. Então há novidades?
- Hã??? Novidades??? Tu é que deves ter novidades
- respondeu a mulher.
- Então o jackpot desta semana, saiu a alguém?
- Sei lá, parece que saiu a um gajo qualquer, porquê?

Fernando cofia o cabelo, faz um esgar de dúvida tapando o bocal do telefone e segreda-nos: - ela não me quer dizer, para eu não começar já a gastar a “massa”!
- Tá bem pronto. Olha, agora vou telefonar ao nosso filho, Um beijinho, adeus.

- Tá, filho? Olá, é o pai! Sim, por aqui está tudo a correr bem! Não, não há problema nenhum, mas estávamos aqui a pensar a quem teria saído o totoloto, esta semana.
- Olha pai, saiu a dois gajos. Tiveram uma “vaca” do caraças. Tanta bagalhoça só pra dois!
- Vá lá filho, diz a verdade. Saiu-me a mim, não foi?
O filho começou a rir e sempre foi dizendo: - não foi nada a si que saiu, pai! Quando cá chegar, vai ver!
Fernando era um poço de nervos. As dúvidas eram muitas, as certezas, apenas as ouvidas no noticiário.
Deixou ainda escapar: - Está tudo mal combinado. A minha mulher diz que o totoloto, saiu a um; o meu filho, diz que saiu a dois. Eles não me querem dizer.
- Calma aí -
diz o Artur. - Nós os quatro jogamos todas as semanas um totoloto à sociedade, por acaso em nome do Fernando e nada me diz que o prémio não seja nosso. Se a sua família diz, que não lhe saiu nada, é porque foi então a nós que saiu.
Estava instalada a confusão.
É meu, é teu, é nosso. Grande pandemónio!
Eu ria, ria, ria. - De que ri você? - Pergunta o António. – É dos nervos! É que eu também acho que o prémio é nosso e não consigo controlar-me - respondi.
Eu, continuava a comportar-me como se os milhões fossem nossos e alvitrei.
- Vamos, mas é telefonar pró meu escritório e perguntar à Madalena, pois é ela que preenche o nosso totoloto!
Comecei a ficar apreensivo e fui atirando achas para a fogueira. – É pá, eu acho que devíamos, cada um, dar 1.000 contos às miúdas lá do escritório!
Fernando deixou logo ali cair em saco roto, a minha estapafúrdia ideia. – Olha este! Você faça contas com o seu dinheiro e deixe lá o dos outros!
Fernando, já começara a acreditar que o dinheiro era nosso, não dele.
Eu, já não tinha mais lágrimas. O riso exagerado, havia-as todas consumido.
Do escritório, informaram não termos sido nós os contemplados.
Ninguém entendia como fora possível ter ouvido aquela notícia na rádio.
E assim foi sendo, durante mais cinco dias, de incertezas mais que muitas. O que se passou nesses dias, só por si, daria para escrever um best-seller.
Deitavam-se, sonhavam e acordavam a falar do totoloto.
Comecei a ter pena de mim. Um rico, pobre homem.

Ao regressarmos a Portugal, parámos na Guarda para jantar. A medo - Fernando ainda acreditava - perguntou ao estalajadeiro: - Amigo, o jackpot do totoloto, saiu a quantos? – A um! - Respondeu o homem.
– A esperança, reacendeu-se, teria pensado ele.
Alguma horas depois, já em Lisboa, cada um tomou seu rumo, cogitando, nas voltas que a vida dá.
Uns meses mais tarde - não perceberam como - mas souberam ter sido uma brincadeira minha.
Ter-me-ão perdoado?
Uma cassete, previamente gravada, tinha conseguido fazer com que aqueles homens não acreditassem em bruxas, mas … pero que las hay, hay.

10 de maio de 2007

D.Irene


Passou um ano.

Não vou esquecer nunca a sua voz calma e o olhar cândido.
Não esqueço também a visita que me fez, antes do fim.
Não passa depressa o tempo. Não passa o que a saudade sente.
Sentada na minha secretária, fotografei-a para a eternidade.
Parabéns aos filhos, Júlio César e Quim, pela maravilhosa mãe que tiveram.
O Abel, vai gostar de ler-me.

Não sou o seu Quim, D. Irene! Sou o outro!
Dizia-lhe eu, de mansinho.

9 de maio de 2007

Cuidado com o Sol


Agora que o calor ameaça chegar, é tempo de lembrar que o sol e a praia, são os grandes amigos do homem.
Além da visão, sempre agradável, dum corpo bonito, conseguem ao mesmo tempo, oferecer-nos pequenos biscoitos de chocolate, vindos sabe-se lá de onde.
Dispam-se, que a praia está aí.

Vanessa Fernandes


Fazia tempo que Portugal não tinha uma campeã desta estirpe.
A miúda humilde, tornou-se humilde mulher.
A sua classe deixou-me boquiaberto.
Já não me lembrava, como éramos grandes
A nadar, a “biciclar” e a correr, Vanessa é para mim, a maior campeã de sempre!

Vou nessa, Vanessa!

7 de maio de 2007

O Chora


No início dos anos trinta, aqui prós lados da Porcalhota, começaram a circular estes luxuosos mostrengos, em substituição duma traquitana, puxada por quatro cavalos, que, para além de passageiros, transportava também o correio.
Eram conhecidos, pelo nome de “carros do Chora.”
A designação devia-se ao facto, do seu proprietário, Eduardo Jorge, se lamentar sempre, que não tinha lucros.
Faziam a delícia da miudagem, e o desenrasca dos bolsos vazios, já que a escada existente na parte traseira e superior a isso convidava.
Não neste, mas noutros, mais recentes, algumas vezes neles me pendurei e outros tantos sustos apanhei.
Pelos bancos desta relíquia, passaram os primeiros colonos, maciçamente alentejanos, no desbravar da Porcalhota.
Longe de mim imaginar que viria a passar metade da minha vida e a escrever estas memórias, no preciso local onde se situava a garagem­­­­­­­­, o terminal e a sede do Chora.
Solte-se a memória dos nossos egrégios avós.

6 de maio de 2007

Dia da Mãe


Mãe

No último terço da vida, chamei-te Ana.
Julgava ser o nome mais lindo do mundo.
Quando já te não tinha, voltei a chamar-te mãe.
Evoco hoje a tua memória e invocarei sempre as tuas preces.
Sei que te não perdi. Estás apenas, um pouco mais longe.
Agradeço à tua mãe, a mãe que ela me deu.
Descobri tarde, o mais belo e supremo nome. MÃE!
Minha querida Ana, minha maravilhosa mãe. Tenho saudades de ti.

A todas as mães do mundo, a minha vénia!
Mãe - a profissão mais díficil do mundo.

5 de maio de 2007

Crónicas de Paris - Sylvie


Passamos a vida a fazer asneiras, julgando tudo saber e ao chegar aqui, sabemos nada saber.
Pior ainda, é aos 18 anos julgarmos ser donos do mundo.

Não eram ainda decorridos trinta dias, que eu chegara a Paris. O meu saudoso amigo Zeca, (Martin, em francês) andava entusiasmadíssimo em mostrar-me “la nuit parisienne”.
Desejoso de descobrir o que estava para lá da noite, levou-me à discoteca que habitualmente frequentava.
O Touquet, ficava ao fundo dos Campos Elíseos, junto à Concórdia, e viria tornar-se na minha segunda casa.
Entrámos e vi a noite fervilhar de corpos entrelaçados na média luz. O tipo de música, ora mexida ora lenta, mudava de trinta em trinta minutos. Quando alguém dançava com alguém, já sabia que, em princípio seria por meia hora, o equivalente a mais ou menos oito melodias, bastante esticadas.
Fiquei algum tempo a observar e a perceber qual era ali o meu papel.
O Zeca-Martin, que lá vivia desde os treze anos, tinha-me prevenido que quando alguma miúda aceitasse dançar comigo, isso era meio caminho andado para acabar a noite no seu leito. Para isso era fundamental que a beijasse no segundo ou terceiro “slow”. Passada essa fase, sem o fazer, facilmente seria abandonado na pista.
Não conseguindo tirar isso da minha cabeça, já que em Lisboa as coisas não funcionavam bem assim, fui olhando à minha volta e todas as caras me pareciam bonitas.
Meio aflito mas demonstrando estar à vontade na matéria, avancei para uns olhos que me aceitavam. E aceitaram. Um aceno de cabeça resolveu a minha incerteza e caminhámos para a pista. Encostou a cabeça no meu ombro e perdemo-nos no meio da “foule”.
Charles Aznavour, cantava “Que c’est triste Venise”. Eu pensava em "Comment te dire adieu"!
Inebriado por aquele momento, fui-me empurrando para a decisão de a beijar, tal era o ritual do momento.
Tem de ser agora, pensei. Estávamos na terceira música e eu tinha de beijá-la. As minhas mãos que timidamente evitavam as partes proibidas do seu corpo, acariciaram-lhe o rosto e ... os seus lábios não fugiram dos meus.
Dentro de mim ribombava o trovão supremo da glória. O mundo era meu. Pobre jovem que se contentava com pouco.
Num beijo depois de outro e outro ainda, assim continuámos até acabar aquela roda de embalar.
Sentámo-nos, mão na mão, e começámos a descobrir-nos como quem encontrar-se quer. 

As horas foram entrando pela manhã e divagado o que havia para divagar, chegou a hora da despedida.
Não sabendo bem como descalçar aquela bota e precisando de alimentar diálogo, perguntei-lhe em surdina: 

- amanhã podemos voltar a encontrar-nos? 
Olhou para mim e meio atónita, dispara de seguida: 
- mas … não vais dormir comigo esta noite? 
Qual principiante atrapalhado, respondi: 
- claro que sim, mas … sabes, é que … humm!!! Pois claro que vou!!!
Se por ali houvesse um buraco, nele me teria metido. Não fora a média luz do recinto, a minha ruborizada face teria denunciado o quão imberbe me senti.
Tentando demonstrar o à vontade que não tinha, avancei depois para os seus lençóis, qual garanhão que não era.
O dono do mundo que eu pensara ser, não passava afinal dum inocente menino, com tudo para descobrir.
Merci, Sylvie!

2 de maio de 2007

As Romanas




Aqui, onde maioritariamente se fala de homens, não resisto hoje, a deixar de publicar esta foto, encontrada na poeira do tempo.
Às lindíssimas romanas, Catarina, Mariana e Francisca, a recordação dum instante.
Do intruso, não falo. Julgo tratar-se do arlequim.

1 de maio de 2007

Crónicas de viagem


Corria o ano de 1988.
O Benfica ia jogar a final da Taça dos Campeões Europeus em Estugarda-Alemanha e esse foi o mote, para desafiar alguns amigos, virgens em saídas extra muros, a ir dar um voltinha.
Claro que, uma expedição destas, organizada por mim e pelo Gigi, só podia ter outro fim que não o de assistir “in loco” à referida final.
Vagabundeámos então pela Europa e não vimos o jogo. Contarei brevemente, como tudo aconteceu.
Como diria o Gigi – 7 mil kms, 7 países, 7 dias.
Nós, éramos oito, mas parecíamos mais, pois alguns, comiam, bebiam e chateavam, por dois.
O Taxú, era do Sporting e era um deles. A chatear.
Era este, o nome de guerra do visado de hoje, na altura meu cunhado, casado com a minha irmã.
Sempre perdido de amores por qualquer rabo de saias, o Taxú, passou toda a viagem a alimentar um amor clandestino que deixara em Lisboa. Umas vezes, por telefone, outras através do envio de bonitos postais ilustrados com mensagens de amor.
A menina, ao que ele dizia, era poliglota, logo era de bom tom, botar figura, com mensagens na língua dos países, por onde íamos passando e aos quais os postais faziam alusão.
Como o Taxú não falava qualquer língua, que não a sua, pediu-me ajuda. Acedi a esse pedido, aldrabando as mensagens amorosas, a meu bel-prazer.
Na Alemanha, inventei meia dúzia de palavras que nem eu próprio sabia o significado e traduzi-lhe assim, aquilo que escrevi: - Só penso em ti. Tenho saudades tuas, amor.
Chegámos a Paris e extasiado pelo romantismo que a Torre Eifel sugestionava, pediu-me uma vez mais, umas palavrinhas, agora em francês, para a amada.
Escrevi então: “Au sommet de Paris, je me souviens de toi et je me suis aperçu que, loin des yeux, loin du coeur! (No tecto de Paris, lembro-me de ti e apercebi-me que, longe da vista, longe do coração.
Então pá, traduz lá o que escreveste – disse ele empolgado pela experiência! Do meu coração para o teu, através dos céus de Paris. Gostas?.
Abriu os braços de contente, cerrou-os à minha volta e exclamou: - PORRA QUIM, AINDA ÉS MAIS ROMÂNTICO DO QUE EU!!!
Gigi, que havia topado o "engate", piscou-me o olho e cravámos-lhe um geladito, logo ali no homem do carrossel ao lado.
Viria a divorciar-se da minha irmã e a casar, com a amada dos céus de Paris.
Ainda hoje dou comigo a pensar; ou ela não percebia nada de francês ou então o amor é mesmo cego.

30 de abril de 2007

Jorge Sousa



Ele não é deste mundo.
Não é um terrestre qualquer. É a pessoa mais espantosa que na última vintena de anos tenho encontrado.
Terá os pequenos vícios de qualquer humano, mas parece divino.
O Jorge, é duma disponibilidade gritante.
Este super-amigo, gastou todos os adjectivos que a grandeza dum homem suporta e quem o conhece, não lhe encontra defeitos.
Sem privar comigo nas horas do “dolce fare niente”, também nos momentos ausentes, é o melhor que o mundo tem.
Seu pai, Padre Saúl, único padre casado da Igreja Católica, a exercer o sacerdócio na Igreja das Mercês, em Lisboa, terá feito o milagre de lançar a semente do bem, no útero da humanidade, que este filho gerou.
Nos momentos surdos, encontrou no universo informático, o carregar de baterias, que o dia seguinte obriga. e as responsabilidades do seu superior cargo profissional exigem.
Se fosse possível criar humanos à semelhança do homem perfeito, Jorge Sousa, seria o modelo escolhido.
Tenho pena, que os meus amigos, teus amigos não sejam.
Meu querido Jorge! Crescei e multiplicai-vos!

28 de abril de 2007

Benfica-Sporting


Conferência de Imprensa

Senhores jornalistas, respondendo às vossa questões ….

Hummmm … vai ser um jogo difícil, mas espero que seja um bom jogo.
Enquanto uns irão jogar com muita tranquilidade, outros o farão com impaciência e dificuldade.
Aqui o meu adjunto, Piccoli, está confiante que os postes e a barra vão fazer o melhor que sabem.
No final, espero que tenha ganho o melhor e que o melhor seja ….
O Benfica, para mim; O Sporting, para o Júlio. O Porto, para a Carla. O Belenenses para a I.R.
Ora bolas, desculpem lá. Estava a falar do derby e fui apanhado p’las claques.
Benfica-Sporting, portem-se bem.
Não se acirrem os ânimos e o futebol ganhará com isso.
Allez, allez, allez!!! Dá-me a tua camisola.

27 de abril de 2007

Parabéns pai - 86 anos



Oitenta e seis anos.

Envelheci mais cedo que tu.
Não viveste para ti.
A tua vida, foi a mãe e fomos nós.
Uma vida recheada de nada e vazia de tudo.
Apenas o suor do teu rosto.
Bem haja, por teres sido nosso pai.

26 de abril de 2007

Paparazzi


Apanhei-os!
... Eis o que Cristiano Ronaldo- o melhor do mundo, deveria ter dito sobre José Mourinho - o melhor do mundo.
Mourinho disse que o Manchester foi beneficiado em penalties sofridos e não assinalados? Pois bem, pela admiração que ele me merece, como treinador e compatriota, respeito a sua opinião, que obviamente não é a minha.
E mais não digo.
Não basta ser o melhor do mundo. é preciso parecê-lo!

25 de abril de 2007

Abril - Esperanças Mil



Acordei, sobressaltado com as notícias que o locutor, um pouco a medo, ia debitando, sobre uma hipotética revolução.
Apelava-se à serenidade e à presença de todos os militares nos quartéis. Assim fiz.
A minha guerra era feita de máquina fotográfica à tiracolo.
A Divisão de Fotografia e Cinema a que eu pertencia, estava de objectivas fixadas em focos de incerteza.
A revolução, estava em curso.
Depois, chegou a certeza, seguida dum massacre de mimos.
Couberam-me alguns bolos, recheados de emoções, que eu não merecia. Nada fizera para aquele dia acontecer, mas estava ali a colher os louros do “arriscanço” de alguns.
O jipe que me transportava, todos os dias, ao Supermercado e ao Casão Militar, era constantemente abrandado pela multidão em delírio. Cheguei a pensar ser um, dos alguns.
Lá longe, tinha amigos a tombar, por um dia que não vinha nunca e afinal acabara de acontecer.
Chegara a liberdade e afogado num punhado de abraços, senti-me na pele dum falso herói.

23 de abril de 2007

Actriz - Atriz




Descubra as diferenças

Sabem qual a diferença entre uma Avenida e uma Praça?

A diferença é que, uma placa está no princípio da rua e a outra está no fim da mesma.
A avenida tem direito a uma ACTRIZ. A praça tem direito a uma ATRIZ.
Mesmo que seja Amália.
Como é possível tal calinada?
Actriz? Sim, fez uns filmezitos. Fadista? Sim, chorai porque ela morreu.
Algures, na Amadora. Moinhos da Funcheira.

21 de abril de 2007

Rua Pedro Franco


Esta é a ditosa rua, nossa amada!

Aqui ficaram as promessas dos dias que não chegaram.
Aqui dividimos emoções, partilhámos cumplicidades e multiplicámos amigos.
Aqui futebolámos, tendo por baliza, as entradas dos prédios de cada lado da rua.
Aqui, vimos partir amigos que não voltaram.
Aqui deixámos amigos, que não mais vimos e que por lá param ainda.
Aqui ficava a escola dos nossos vícios e ponto de encontro de todos os dias.
Aqui vivemos, afinal, como todas as crianças.
Olhar esta rua, é como viver mais um dia!
Por onde andais amigos?

Nesta rua, hoje sem saída, o sociólogo Rui Salvador, tenta explicar-me este fenómeno, o que o amigo Rui Salvador não consegue.

20 de abril de 2007

Sagres


Em Setembro último, o Bruno e a Ana, estiveram de férias em Portugal.
Buscaram em Sagres, o repouso e calmaria que acharam ter direito.
Num fim de semana visitei-os.
Tirei esta foto, pela qual me apaixonei.
Neste dia cinzento, partilho-a convosco, porque ela me faz lembrar, os dias que me aquecem a alma.

Como diria o Gigi ... bom fim de semana amigos

18 de abril de 2007

Diamantino - sou eu!



Parece que estou fadado para elogiar os que me rodeiam, mas as manifestações de verdadeira amizade que me vão chegando, impedem-me de o não fazer.
O meu (nosso) querido Diam, que um dia torpedeou a família, com uma mentira piedosa, para poder acompanhar-me numa viagem pela Europa, emocionou-se há dias, quando na montra duma tabacaria qualquer, encontrou esta esferográfica. Mirou, remirou e, diz ele, pensou nos seus amigos e pensou em mim. Afinal, estava ali o nosso grito de amizade.
Como, na altura, não tivesse dinheiro consigo, voltou mais tarde para a adquirir e me presentear com ela.
Ofertou-ma à distância, e em silêncio, mastiguei as palavras que não disse.
O mundo é pequeno quando há Amigos para Sempre.
O Diamantino tem um coração dum grande guerreiro e sabe que por aí cairá.
Há muitos que te não merecem, Diam.
Um dia contarei deliciosas “estórias” sobre ti meu velho.

17 de abril de 2007

Ginástica


Viver, é um exercício díficil. Viver, é ginasticar a imaginação.

Sobreviver, é fazer o pino.

16 de abril de 2007

Crónicas de Paris



Esta velha foto, onde me ladeiam, o Zeca à esquerda e o Zuca à direita, foi tirada na passagem de ano de 1969­-70 e recorda-me que...
As ruelas, as pontes, as estações de metro e os grandes “boulevards”, guardam de nós recordações que não contam a ninguém. Casanova, também por ali andara.
Muito perto desta torre, com Eifel a zelar por mim, costumava eu deambular, umas vezes gastando a noite, outras buscando um novo amor.
Era vulgar aguardar ao relento, debaixo duma das pontes do Quai d’Orsay, que ali ao lado a porteira do lar de raparigas-estudantes viesse à rua despejar o lixo, o que acontecia por volta da meia noite.
No lar não era permitida a entrada ao sexo masculino. A única hipótese, era aguardar que a porteira fosse despejar o lixo, o que permitia esgueirar-me lá para dentro, nesse pequeno abandono da portaria.
Tanto podia entrar nessa noite, como aguardar quatro ou cinco.
Não raro acontecia, ser tão difícil sair como entrar e quando assim era, sobrevivia com sexo e yogurtes, pois também não era permitido ter comida nos quartos.
Debaixo da ponte dormia sempre uma velhota, da qual guardo ainda o olhar desconfiado, a quem sorrateiramente eu me juntava, anichando-me aos poucos nos castelos de papelão que a resguardavam do nevão do dia ou noite, maximizando assim o calor que os corpos emanavam.
Dormindo no leito da velhota, sem nunca com ela ter trocado um som, aguardei duas noites para entrar no reduto proibido do harém desejado.
Entrei finalmente no ninho de amor e saciadas que foram as carnes, adormeci sem não mais lembrar a minha sem-abrigo companheira.
Soube no dia seguinte, que a velhota estava morta há dois dias. Os mesmos em que me serviu de agasalho.
Lembrei-me depois, que naquelas duas noites tinha sentido mais frio.

Tinha 18 anos e acabara de dormir com a morte.

14 de abril de 2007

Feios, porcos e boas


.

Há cães que parecem feios.
Há cães que parecem porcos.
Há cães que parecem feios e porcos.
Há cães que não parecem. São!

Das boas não falo. Nem sei porque aparecem em título.

12 de abril de 2007

A Fátima



















As minhas irmãs, são as que todos os irmãos gostariam de ter.

A Fátima, pois é dela que hoje falo, era à época, a mais alta de nós. Hoje, assim não é.
Às sete horas da manhã, aniversariou pela sexagésima segunda vez.
Enfermeira há quatro décadas, exerce, na realidade, a profissão de IRMÃ.
A minha irmã, não é nem foi uma qualquer irmã. Foi mãe, irmã, amiga, e voltou a ser isso tudo outra vez.
A minha irmã cultivou o dom de ser irmã de toda a gente. A minha irmã, existe na imaginação dos que não tiveram irmãs. A minha irmã, tem o condão de estender os longos braços, àqueles que nada esperam.

Quis o destino, que estas três simples crianças, se haveriam de manter de mãos dadas, por toda a vida. Todos os dissabores da dita, passaram ao nosso lado.
Hoje, sendo a mais pequena, continua a ser a mais alta, tamanho é o patamar a que se elevou. A minha irmã, tem o defeito de ser mortal. E os anjos são imortais.
Parabéns Fátima ! Parabéns irmã ! Parabéns meu amor!

Quem não gostaria duma irmã assim ?

11 de abril de 2007

Liliana Bizineche



Lili, romena de coração e portuguesa por adopção convidou-me para assistir a um dos seus concertos. E aceitei.
Professora na Universidade de Évora e mezzo-soprano de gabarito, no palco do mundo, a Lili tem a simplicidade de menina órfã. Falta-lhe apenas, a ligação que o holocausto devorou.
Charlotte, em Werther de Massenet, foi o mote, para o início duma carreira de sucesso.
Distinguida com vários prémios em todo o mundo, cantou agora no Museu dos Coches, que foi pequeno para albergar os seguidores da diva.
A Lili cantava e o silêncio escutava. Maravilhosa!
Rossini aplaudiu.
A minha querida Lili é uma mulher espantosa.
Brevemente noutro palco, quando Chopin pianar.

9 de abril de 2007

Kátia Guerreiro



Fruto do acaso, tropecei há dias, numa clave de sol fadista, junto à Torre de Belém.
Percebi, pelos primeiros acordes, que a curiosidade estava aguçada.
Meio desconfiado, fui-me aproximando e de máquina em riste, debitei os primeiros clicks para os sentidos. Aos poucos, fui ficando perplexo. Uma após outra, as canções iam-me inebriando e a voz que Deus lhe deu, ganhava um admirador no bis de cada estrofe.
Fiquei rendido. A fadista, a médica, a mulher bonita, haviam-me conquistado.
O frio da noite, tinha-me turvado o espírito.
Cuidei que Amália morrera.

5 de abril de 2007

Gerações




Estou às voltas, comigo mesmo, num conflito de gerações.
É que, uma geração é uma geração. Nem é boa, nem é má.
Quem me conhece, sabe que sou extrovertido, alegre e bem disposto. Rezam as crónicas (que escrevo), exactamente o contrário.
Este velho escriba bloguista, melancólico e saudosista, também fez parte duma geração rebelde. Só que …
Há dias li um artigo que dizia que um ídolo da minha geração (Keith Richards) dos Rolling Stones, após a morte do pai, cremou o corpo e inalou a cinzas. E fiquei a pensar.
No meu tempo não era assim! Mas era.
O filho snifa o pai. O pai subverte a filha. A filha come a prima. Porra!!!
Já antigamente era assim? Ah, então não há problema!
Aceitemos as gerações como elas são. De preferência, com a “pila” ao ar.

É tempo de advento. Não, de “ele” ao vento

2 de abril de 2007

Até o nome ajuda












O meu amigo, Virgolino Jesus, já desgastou todos os bancos de jardim que rodeiam a sua casa.
Invariavelmente, escolhe um lugar conforme as suas necessidades térmicas de sol no inverno e sombra no verão.
Os dias áureos do pontapé na bola, na principal equipa do Sporting, já se esfumaram há meio século. Os aplausos das multidões que o viram jogar, já se calaram. O endeusamento e a vassalagem com que os fanáticos o presenteavam, já não pairam na memória de ninguém. Os cinco violinos, seus colegas de equipa, já partiram.
O meu amigo Virgolino é um homem bom, tanto, quanto jogador, ao que sei. A sua voz doce e calma e o seu meigo olhar não escondem a felicidade que as paragonas dos diários desportivos, lhe vão trazendo com regularidade.
Seu filho, Jorge Jesus, puto do meu tempo e agora treinador de futebol dos Belenenses, em maré alta, é quase o tónico que lhe alimenta viver um dia de cada vez.
ATÉ O NOME AJUDA, era o título do diário que lia e que falava do Jorge. Aqui, os seus olhos cintilam mais que as próprias estrelas. É do seu rebento que falam. E bem!
Há dias, o meu amigo Virgolino, ao atravessar a estrada, vacilou, cambaleou e caiu … nos meus braços, porque estava perto. Refeito e ainda curvado, olhou-me nos olhos, de baixo para cima e balbuciou: - para quê viver assim?
O jardim ainda lá estava.
Amparei-o até ao banco mais próximo.
O sexto violino ainda toca.

Até amanhã amigo!
Até o nome ajuda, JESUS!

O Pantas



O Pantas faz hoje anos.
O Pantas entrou nos "entas".

Não tem estado presente, tanto quanto eu gostaria.
Não faz incursões em diálogos que não acompanhou.
Não abusa, nem se excede.
O Pantas é um mistério a descobrir.
Adivinha-se-lhe a inteligência e a sagacidade dos capazes.

Pela interligação havida entre o seu tempo e o meu, o Zé Carlos é PANTÁSTICO.

Parabéns Pantas


E porque hoje é 1º de Abril


Juiz: Qual sua idade ?

Velhinha: Tenho 86 anos.

Juiz: Diga-nos, por palavras suas, o que lhe aconteceu no dia 1º de Abril do ano passado.

Velhinha: Estava sentada no alpendre da minha varanda, num fim-de-tarde suave de verão quando um jovem, sorrateiramente, se sentou a meu lado.

Juiz: A senhora conhecia-o ?

Velhinha: Não, mas ele foi muito simpático.

Juiz: O que aconteceu depois?

Velhinha: Depois de uma amena cavaqueira, ele começou a acariciar-me a coxa. Juiz: A senhora tentou impedi-lo ?

Velhinha: Não.Juiz: Porque não?

Velhinha: Era muito agradável. Desde que o meu Alfredo faleceu, há 30 anos, nunca mais ninguém me tinha feito isso.

Juiz: O que aconteceu depois?

Velhinha: Acho que, pelo simples facto de não o ter impedido, ele começou a acariciar-me os seios...

Juiz: E nessa altura, a senhora deteve-o ?

Velhinha: É claro que não !

Juiz: Porque não?

Velhinha: Porque, Meritíssimo, ele me fez sentir viva e excitada. Não me sentia assim, há 30 anos !

Juiz: O que aconteceu depois?

Velhinha: Ora, Sr. Dr. Juiz, o que faria uma mulher verdadeira, ardendo em chamas, já de noitinha, diante de um jovem ávido de amor? Estávamos sós e abrindo as pernas suavemente, disse-lhe: - Podes possuir-me, rapaz !

Juiz: E ele, possuiu-a ?

Velhinha: Não !!!. Ele gritou: "1º de Abriillll...!!!" Foi então, que dei um tiro no filho da puta ...