11 de agosto de 2011

Sou uma tragédia!



Do blog do meu filho Bruno, www.b-solonely.blogspot.com não resisti a transcrever o prosaico desarrincanço, que às vezes chega a todos.


O meu filho não é uma tragédia - é um espanto!



Quero morrer aqui. Numa noite de tempestade. De sete-ponto-três na escala de Richter, de preferência. Sem essa coisa dos filhos e dos netos em redor. Que mania vil e sem gosto. Enfiado num pijama de seda (que por enquanto me recuso usar), acabado de chegar da caravana de Veneza. É, os velhos têm mais frio.



Quero morrer aqui. Qual anacoreta dos luxos. Cenobita de fachada. Falso indouto. Vá, apressem-se a cunhar-me a lápide. E já agora que lá vêm tragam-me cartas d’Armenia para eu queimar que me apraz muito o aroma e abafa o cheiro a branco. É, os brancos cheiram a mortos.
….

Quero morrer aqui ao som do cravo razoavelmente temperado (pelo qual ando ultimamente apaixonado). De barba aparada e bigode proeminente, garrafa numa mão e charuto na outra, protegido por Teutates e Taranis de Lucano e a rir-me para Lug:

- Ah, ah, ah… para ti

Sou uma tragédia
...

Quero morrer aqui. Com a voz da diva grega a cantar-me Puccini ao ouvido

(eu para ela em surdina, entre dois goles com a voz arrastada e já sem fôlego a sussurrar-lhe aquilo que sempre lhe quis dizer); isso, aproximem-se:

- O teu namorado…

- Sim

- O Grego…

- Diz

- … era um parvo do caralho


(é. Os brutos não sabem falar)

E ouvir o bater do coração. O correr em direcção à porta, o fechar com estrondo e os soluços:

- Não vás para aí

(Aplausos)

Sim, vá, digam lá:

- És uma tragédia

- Eu sei

….

Quero morrer aqui. Ao som das suites para violoncelo de Bach. À meia-luz. Ao sabor de um vintage Trinidad. De fato e gravata. De sapatos por medida calçados. De echarpe e sobretudo de caxemira, de luvas e chapéu. Pronto para a noite de estreia. Pronto para o primeiro dia:

«O mio bambino caro…»

- Voltaste
….

Quero morrer aqui. Cabeça, tronco e membros. Morte completa. Olhos, ouvidos e boca voltados para o Böcklin aos pés da cama. Aquele da ilha dos mortos. O melhor que já vi. Vá, digam lá:

- És uma tragédia

- Eu sei
….

Quero morrer aqui. Cama de pé alto. Dossel acetinado. Em silêncio. Com o Auto da Barca do inferno à cabeceira. O tolo que me queria tornar, que esse não vai para onde eu vou:

“Welcome to hell, we buy, we sell”

- O senhor, por aqui
….

Quero morrer aqui. Nuzinho, ao léu. Pau-feito de caçador. Em riste. Piamente, de preferência. Sem crucifixo à cabeceira. Sem Santos nem ladainhas de altar. Sem rezas nem promessas. Sem píxide. Sem flores. Vá, digam lá:

- És uma tragédia

- É verdade


….

Quero morrer aqui. De máscara nos genitais. Traços faciais distorcidos. Abstracto. Com Valium e Zoldipem. Qualquer ser pelo qual se tenha uma ideia abstracta só poderá existir de forma abstracta. Ha,ha…, tem graça:

- O quê

- És uma tragédia

- Pois sou

….

Quero morrer aqui, para que fique registado. Sem choro, sem lágrimas. Não é difícil de imaginar. Concentrem-se vós que cá ficais, para que nada passe em vão. E muita atenção à luz, muita atenção à cor, que nada mais vale na orgia dos sentidos que aquele da visão.
E para os outros, para aqueles que me quiserem seguir: evitem abrir a porta à minha direita, pois uma vez aberta:

«Lasciate ogni speranza, voi che entrate» *


- Eu sei. Sim, sou uma tragédia

*Perdei toda a esperança, vós que entrais
do Pórtico do Inferno
in: A Divina Comédia; Dante Alighieri


8 de agosto de 2011

Raul Solnado - dois anos depois!

Com o meu pai, a caminho de mais uma sardinhada!

Com Júlio César, seu grande amigo e confidente dos últimos trinta anos. Havia feijoada na tasca!

Que mania eu tenho de tirar fotos em todo o lado. Mas depois sabe-me bem.


Raul

Sei que não gostavas de comemorar aniversários. E este, muito menos!
Mas o que conta para os que por cá se vão mantendo é a grata recordação que as fotos nos vão lembrando e a ternura que punhas em cada palavra, nas abordagens constantes da populaça, aquela onde eu pertenço.
Apesar de tudo, meu querido amigo, lá onde estiveres, faz o favor de seres feliz!

Ainda te lembras do que dizias às "piquenas"?

- Vê lá se vens bonita!

Passaram dois anos! Que saudade!

5 de agosto de 2011

Mentirinha!



Um tipo foi à Casa da Sorte e dirigiu-se à empregada dizendo que queria jogar na lotaria.
- Olhe, não tenho a menor ideia sobre quais números escolher para comprar uma cautela. Pode ajudar-me?
- Claro, respondeu ela, vamos lá.
Durante quantos anos frequentou a escola?
- 8
- Perfeito, temos um 8.
- Quantos filhos tem?
- 3
- Óptimo, já temos um 8 e um 3.
Quantos livros você já leu até hoje?
- 9
- Certo, temos um 8, um 3 e um 9.
- Quantas vezes por semana faz amor com a sua mulher?
- Caramba, isso é uma coisa muito íntima - diz ele.
- Mas você não quer ganhar na lotaria?
- Está bem, 2 vezes.
- Só??? Bom, deixe lá.
- Agora que já temos confiança um com o outro, diga-me.
Quantas vezes já fez sexo com outro homem?
- Qual é, minha? - diz o homem, zangado
- Sou muito macho!!!
- Não fique chateado. Vamos considerar então zero vezes.
- Com isso já temos todos os números: 83920.
- O tipo comprou o bilhete que correspondia ao número escolhido.

No dia seguinte foi conferir o resultado:
- O bilhete premiado foi o 83921.
- F... da P...! Por causa de uma MENTIRINHA de MERDA não fiquei milionário!!!

(Vale mais ser honesto, né?)

1 de agosto de 2011

Feira Popular - a quanto obrigas!

Como é que um homem não há-de ser saudosista?

Anda um gajo sempre à procura duma tasca humilde, porque as há que o não são, ou dum petisqueiro recanto e eis que um punhado de interesses económicos desfaz o sonho dum pobre de Cristo.
A gente sabe que o local, em Lisboa, onde ficava a Feira Popular era por demais nobre para as pequenas alegrias do Zé Povinho. Mas também sabe que os pobres também têm direito a viver as suas pequenas alegrias enquanto não chega o papão da abastança.
Nunca consegui perceber a razão pela qual, quase à pressa, se acabou com a Feira, para depois aquele ninho de ratos em que se tornou, ali estar anos sem fim, à espera que cheguem os guindastes do capital e do progresso.
Que culpa tenho de do alto da roda gigante sentir o cheiro sacrossanto das sardinhas e da frangalhada, já que a um eu não resisto e aos pitos já não vejo? Até a teta da vaquinha consolava, com parcos escudos, quem dela quisesse mamar.
Apesar de me saber bem o tempo das candeias, as pistas dos carrinhos de choque, o jogo das setas, o café dos pretos, apetece-me rodopiar no poço da morte deste meu descontentamento. Do comboio fantasma e da casa do terror já nem falo, porque para terror já basta este de não os ter ainda.
Vai um tirinho freguês?
Ora porra! Não podiam esperar mais um pouco e deixar-me polvilhar meia dúzia de farturas, tantas as vezes quantos os anos que já passaram sem tal gostinho?
É que a Feira Popular era como o vinho verde.


Onde efectivamente as coisas me sabem bem, é em su sítio. Uma sardinha comida na feira, não é o mesmo que uma sardinha comida no restaurante, assim como uma vinhaça verdinha, não tem o mesmo sabor, no copo, daquele que é bebida na malga, lá nas entranhas minhotas.
Já me esquecia dessa coisa chamada ASAE que além de zelar pela nossa saúde também nos leva o que nos sabe pela vida. Tonteiras de anacrónicos pensamentos, digo eu!
Eu que premonizei me ver de gajato a fazer tanta coisa que gosto, vislumbro também o perder do olfacto inebriante dessa rainha de escamas, pois até os mares andam de mal comigo, dando-me espinhas sem sabor.
E de que me serve perorar aos ventos se o vento nada me diz?
Resta-me aqui ficar, pobrete, Alegre e alegrete!
Às vezes - progresso, a quanto obrigas!

29 de julho de 2011

Camisa XXXL



Helena e Gilda, duas solteironas, são donas de uma farmácia. Entra um homem e pede uma camisinha.

Helena atende e traz a camisinha...
- É pequena - reclama o freguês.
E Helena traz uma maior:
- Ainda é pequena...

E Helena traz a maior do stock.
- Desculpe, mas tem de ser maior...
Helena grita para a Gilda, que está no armazém da farmácia:
- Ó Giiiiiiilda! Está um homem aqui, que precisa de uma camisinha maior que a XXL! O que é que eu lhe ofereço?
- Oferece-lhe, casa, comida, roupa lavada e sociedade na farmácia!

25 de julho de 2011

Verdinhas e maduras

Vox Maris - o outro lado


São loucas? São loucos?


Nada disso! São apenas gente que empurrou o ócio para os confins da vida. São gente de todos os quadrantes etários, humorísticos e profissionais, que não pactua com a mãe de todos os vícios - a preguiça. E quem canta, seus males espanta!


São afinal gente da minha gente.


Vox Maris - Gostei de vos conhecer!



22 de julho de 2011

Mãe - Sabes bem!



Sei que espreitas os meus passos, os meus defeitos, as minhas loucuras, mas sei também que continuas a olhar por mim. Sinto-o!

Sabes bem - que não esquecerei nunca o dia do teu aniversário, o dia da tua partida e todos os dias da nossa existência.
Sabes bem - que eu sei que fui sempre o teu menino, aquele a quem enrolavas os dourados caracóis com dedos de ternura, paixão tua dos tempos quedos.
Sabes bem - que parti um dia contigo no olhar e voltei com o olhar em ti. E tu retribuíste-me há uma década atrás com um “adeus filho – não volto mais”.
Sabes bem - que penso sempre nos campos de espinhos que pisaste por mim para agrilhoar o melhor do nosso tempo, manumitindo-me uma adolescência precoce.
Mãe - a ti deixo os meus longos beijos, os meus fortes abraços, as mais ternas carícias, as mais belas odes de amor.

Fica o júbilo de saber que tudo isto te dei em vida, não sendo estas palavras vãs, na esperança que um dia os poetas não me excluam do seu reino.
Oitenta e sete anos seriam uma linda idade! A mais bela, para quem já só queria saudar cada manhã.
Resta-me a fé, aquela que me dá a esperança de te reencontrar um dia, talvez numa galáxia distante onde o pó não volte ao pó.
Parabéns Ana! Parabéns mãe!

Sabes bem - que bem me sabes!

18 de julho de 2011

Paris - antes e depois!















fotos tiradas no mesmo sítio 40 anos depois.

A figura longilínea de outrora já se perdeu há muito.

Dela restam os cabelos grisalhos e ausentes, o amor pela cidade e o sorriso, às vezes enigmático e distante.
Como foi feliz nesta cidade!
Ali passou momentos impossíveis. Sem pai, sem mãe, sem amigos, sem dinheiro, sem casa, mas com o coração carregado de energia que o universo lhe transmitia, ao raiar de cada manhã.
Ali albergou esperanças que nunca chegaram. Ali perdeu enganos que não sonhou.
Ali amou, chorou, riu, aprendeu, e perdidamente descobriu para que lado corria o rio da vida. Ali voltou algumas dezenas de vezes, sem nunca mais ter calhado sentar-se no mesmo muro, quase ignorando o Sena que atrás de si corria para os lados da saudade, nem atremando às suas margens
Ele é ainda uma criança. Cheia de sonhos, aventuras, olhares e afectos.


E eu, sou um menino velho, a descobrir os ribeiros das altas montanhas e o mundo dos balzaquianos!


Às vezes - quase sempre, é muito bom recordar!
(ao meu querido amigo David Sousa, autor da foto mais recente e a aqui injustiçado com a autoria da foto, o meu abraço de cumplicidade) Mil desculpas David!




12 de julho de 2011

Perdidos na Tribo - Achados aonde?

Vi no Domingo passado, com alguma atenção, este programa da TVI.
É evidente que toda a gente tem direito a ser famoso, não importando o preço que tal epíteto tem nas massas cor de rosa.
Fiquei estarrecido com o que vi. E pergunto:
- Então aquela gente, a troco dalguns milhares de Euros, não aceitou o desafio para viver da mesma forma que a tribo que lhe estava destinada?
Sei bem que os desafios sempre motivaram o homem (e a mulher) mas daí até ao ponto de se negarem a fazer determinadas tarefas vai uma distância enorme.
Também é certo que às vezes falamos de coisas das quais não conhecemos a sua essência, pois pode ter havido alguma cedência por parte da TVI, de forma a que não fossem obrigados a fazerem o que os nativos lhes pediam, mas aceitar um desafio daqueles e depois prantarem-se em chorrilhos de "ai que nojo" e "não consigo", aí é que começa a minha indignação. Nestas coisas, ou se tem tomates para a aventura ou se fica em casa. Agora, ser famoso a qualquer preço é que não.
Também não entendi o facto de homens e mulheres que com relativa facilidade se despem frente às câmaras das telenovelas não tenham querido usar o traje da tribo apenas porque era contra os seus princípios. Aceito e entendo, já que há sempre alguém que não quer mostrar o rabiosque, mas então não tinha aceite o convite para o qual foi pago (e alguns principescamente).
Não conheço os termos do contrato mas se fosse eu o produtor do programa, lá teríamos mais um processo em tribunal por incumprimento do mesmo, pois seria condição "sine qua non", viver a 100%, como os indígenas.
Como os protagonistas também se queixam das coisas ocorridas, menos boas, talvez esteja aqui repartida a culpa que as audiências obrigam.

Mas a culpa de tudo isto é minha, que perdi tempo a olhar o que nada tinha para ver.
Às vezes - a gente engana-se!

9 de julho de 2011

A carta - Mª José Nogueira Pinto

Nada tive contra, nem a favor desta senhora, desaparecida do mundo dos vivos há poucos dias. Dela apenas conhecia o seu mediatismo.

Fica-me este relato tão tranquilo, escrito poucas horas antes de morrer, de alguém que se despediu assim da política e da vida.
Que não me falte esta serenidade, na hora da partida.


(Publicado no Diário de Notícias de ontem 8 de Junho de 2011)
Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.


7 de julho de 2011

André Moa - Em frente!

Ontem, no lançamento dum livro e numa actuação do coral Vox Maris, estive com o meu amigo Moa, com a Verdinha e com o António.
Bebemos uma pinguinha, comemos uns petiscos e trocámos dois dedos de conversa.

A Verdinha, como de costume, alegra toda a malta e o Moa não lhe fica atrás apesar de debilitado.

Para os que conhecem este amigo, aqui fica o registo desse provocado encontro.

O estado de saúde dele mantém-se e a sua força interior está cada vez maior. Logo ... até já!

4 de julho de 2011

Tempo de vida

Aprendi ontem que:

Durante a nossa vida passamos em média

7 anos na casa de banho

6 anos a comer

5 anos nas filas

4 anos a limpar a casa

3 anos em reuniões

1 ano a procurar coisas

120 horas a lavar os dentes (parece-me pouco, mas ...)

(tudo isto soma vinte e seis anos)

Se atendermos a que também passamos um terço da vida a dormir, ou seja cerca de trinta anos, teremos então consumido cinquenta e seis anos. Porra!!! Vivemos tão pouco!


Pergunta agora a minha curiosidade

- E quanto tempo passaremos a ... ???


28 de junho de 2011

Anjo Meu - é um diabo!

E vai mais um copinho! É vinho de missa!


Ah meus anjinhos! (como diz a Alexandra)

Apesar de não ser muito vocacionado para qualquer tipo de telenovelas nem por isso deixo, de vez em quando, de dar uma espreitadela no pequeno ecrã para apreciar alguns amigos e amigas dessa caixinha que mudou o mundo.

A minha amiga Madalena (Manuela Couto) a irritante e parvalhona mulher do Senhor Presidente da Câmara de Vila do Anjo (qual aposta da TVI) veio almoçar comigo e lá devorámos um belissimo peixinho grelhado.

Agora mais que nunca vai precisar do meu apoio moral, pois vai revelar-se afinal uma prostituta devoradora de anjinhos, fazendo jus ao marido que tem, também ele um "putanheiro" de primeira.

Madalena! Quando fores escorraçada e acabares com uma mão à frente e outra atrás, aparece para mais um peixinho e novos desafios.

Eu estou sempre no mesmo sítio, ali ao virar da vida!
A vida tem destas coisas Manela! As maldades que nos fazem! Uma esposa exemplar, na real e meretriz sem classe, nas malhas do éter. Desculpa lá Pedro, o outro marido não tem nada a ver contigo.

Adoro as minhas anjinhas! Assim estou mais perto do céu!

26 de junho de 2011

Deus vos pague

Uma edificante estória, envolvendo a luta pela vida, religiosidade, crença e fé.

Em São Paulo, um homem sentiu-se mal no meio da rua, caiu e foi levado para o sector de emergência de um hospital particular, pertencente à Universidade Católica, e administrado totalmente por Freiras.
Lá, verificou-se que teria que ser urgentemente operado no coração, o que foi feito com êxito.
Quando acordou, a seu lado estava a Freira responsável pela tesouraria do hospital, que lhe disse prontamente:
- Caro Senhor, sua operação foi bem sucedida e o Senhor está salvo. Entretanto, um assunto precisa sua urgente atenção: como o Senhor pretende pagar a conta do hospital? O Senhor tem seguro saúde?
- Não, Irmã.
- Tem cartão de crédito?
- Não, Irmã.
- Pode pagar em dinheiro?
- Não tenho dinheiro, Irmã.
- Em cheque, então?
- Também não, Irmã.
- Bem, o senhor tem algum parente que possa pagar a conta?
- Ah... Irmã, eu tenho somente uma irmã solteirona, que é freira, mas não tem um tostão.
E a Freira corrigindo-o:
- Desculpe que o corrija, mas as freiras não são solteironas como o senhor disse. Elas são casadas com Deus!
- Magnífico! Então, por favor, mande a conta pró meu cunhado!
E foi então que nasceu a expressão: "Deus lhe pague".

21 de junho de 2011

Taormina - uma rosa entre cactos!

A Sicília tem algumas coisas que me agradam. Apenas isso.


Recantos de encanto.




Aqui decorreu, de 16 a 22 de Junho, o festival internacional de cinema de Taormina.

Oliver Stone e Mónica Bellucci, foram dois dos nomes sonantes presentes.

Para quem não tem vertigens!

Uma cidade diferente. Um oásis onde se mitiga a sede e o tempo não passa.


18 de junho de 2011

Parabéns filhote

Grazie figlio mio!

Parabéns filhote!

Faz hoje trinta e dois anos que nasceu o Bom-çalo.
Calhou este ano, que o seu dia fosse passado comigo, nas águas dos Mares Jónico e Tirreno.
Aqui, perto da cratera central do vulcão Etna, em actividade constante há milhares de anos, tentamos descobrir a diferença entre a insignificância do homem e a força das entranhas da terra.
Às vezes – é muito bom ser pai, carente de afagos e beijos mil.
Parabéns Gonçalo!

16 de junho de 2011

Júlio César - uma vida de sucesso!

Parabéns amigo!
Os aniversários são para comemorar com os amigos e um dia é um dia, um ano é um ano.
Aqui quase poderia colocar a tua biografia, mas deixo um perfume no ar.
Parabéns Júlio!


11 de junho de 2011

Arriverdeci!



Adoro a montanha, mas uma prainha de tempos a tempos também não calha nada mal.


Atendendo a isso e ao menino velho que sou, aqui deixo uma recordação de duas coisas que gosto imenso - areia e ... mar!

De lá, das entranhas do Etna e das areias vulcânicas, mandarei notícias.

Arriverdeci!!!

6 de junho de 2011

Mulher - um enigma!

Mulher - esse enigma, que admiro mas não entendo!


30 de maio de 2011

Só por amor!

Sei bem que estava na fase madura da minha vida e não sendo ainda condor também não era propriamente ave de rapina, mas ...


Talvez tocado por Afrodite, trilhei sempre caminhos plenos de paixão, ora a dar, ora a receber. E se bem que os meus olhos apenas vissem o paraíso onde reinava essa coisa maravilhosa chamada mulher, não conseguia evitar que algumas pessoas (homens e mulheres) se fossem atravessando, tentando a sua sorte.

Foi neste contexto que certo dia, um rapazola que diariamente se debruçava á janela do primeiro andar onde morava e quase diariamente tentava acertar-me com o fulminante do seu olhar sem nunca me atingir nem sequer de raspão.

Habituado que estou, desde sempre, a tudo fazer para colmatar as necessidades de não importa quem, eis que um dia este jovem (ele teria vinte e poucos anos e eu quase quarenta) entra no meu escritório e delicadamente pediu-me se eu não me importava de lhe preencher, à maquina ou em computador, um envelope que ele pretendia enviar para uma Sexshop na Holanda.

Meio embaraçado com semelhante pedido, acedi.

Fui ao computador, escrevi o remetente e o endereço, mandei imprimir e eis que o envelope fica prontinho. Entreguei-lho e verifico que ele fica a olhar para o envelope sem nada dizer. Pergunto-lhe se está tudo bem e finalmente arranja coragem para me dizer:

- É mesmo isto que eu quero, mas se não se importa preencha-me outro e escreva o endereço um pouco mais à direita.

Perplexo com o pedido e sorrindo para dentro, fui ao computador, empurrei o texto mais para a direita e imprimi outro envelope, que lhe voltei a entregar.

Olha para o envelope, fica a olhar para mim e com gestos e linguagem próprio de quem prefere os homens em detrimento das mulheres, quase implora.

- Ai meu senhor, está óptimo mas se não o incomodasse muito pedia-lhe para puxar o endereço mais para cima.

Perante isto e a transbordar de apetência evangelista, fiquei danadinho para ver até onde é que iriam os seus pedidos. Lá fui preenchendo envelope atrás de envelope, já que havia sempre algo que não estava a seu contento, até que ao sétimo dia, aliás envelope, o seu sorriso se abriu.

- Que maravilha! Agora está excelente! Por favor, diga-me quanto lhe devo?

Com alguma pena por não poder testar até onde iria a minha paciência, respondi-lhe:

- Não deve absolutamente nada!

Surpreso com a minha benevolência, insiste:

- O senhor teve um trabalhão e não me leva nada porquê!

Quase sem pensar, a minha veia diplomática iluminou-me e respondi:

- Porque há coisas que eu só faço ... por amor!


Ainda hoje o vejo regularmente mas julgo já não estar por mim apaixonado!



27 de maio de 2011

Adieu - mon vieux Jacques

Havia algo de semelhante nas nossas vidas. Havia ainda muitos repastos para saborear e muitas estórias para contar. Havia um amigo, que já não há.
Adeus amigo! Adieu mon vieux Jacques!

À bientôt!

23 de maio de 2011

Às vezes - obrigado amigo(a)s!

Na passagem do meu sexagésimo aniversário recebi centenas de manifestações de carinho, sob todas as formas de contacto, que desde já agradeço.
A todo(a)s o meu obrigado e podem contar sempre com a minha amizade.

Dessas manifestações não posso deixar de realçar a prenda que me foi oferecida por estas minhas quatro lindas amigas.
Copiaram do meu blog desde o seu início em Fevereiro de 2007, setecentos e vinte posts e transformaram-no neste caderno/livro.
Muito mais que uma simples prenda, é acima de tudo algo que eu já tinha imaginado, sem no entanto ter arranjado coragem para tal.
À Antonia, à Alice, à Beta e à Carla o meu sentido agradecimento.

Passo a transcrever a mensagem que escreveram na capa do caderno


Na passagem das horas, dos dias, dos anos …
No virar das páginas da vida
Trazes dentro do coração
Os lugares onde estiveste e viveste
As janelas que abriste e miraste
Os cheiros e as sonoridades

Os rostos, os sorrisos e as lágrimas
Os gestos, os sentimentos, as sensações
Tudo isso e tanto

E no entanto tão pouco para descrever a pessoa …
Haverá sempre mais um minuto, mais uma experiência
Mas o mesmo Kim de sempre
Mais experiente, mais calejado, com mais tempo para dar …
Mas sempre a mesma face sorridente e modo afável
Criativo e atento ao mundo
E sempre de braços abertos para os seus amigos

Das meninas, Antónia, Carla, Alice e Beta, para o melhor Boss do mundo
Com muita amizade - Parabéns!

20 de maio de 2011

Às vezes - volto a nascer!

Foi há muito!
... e hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!
Nem sei como se pode agradecer a quem me colocou neste mundo mas devo-lhe o sorriso que os meus olhos sempre tiveram.
Tem sido uma vida díficil e nem sei se tenho culpa de ter vivido, pecado, amado ... perdidamente!
Serge Regianni cantou um dia:
- Bebo às mulheres que não amei, aos filhos que não tive e a ti que me quiseste bem!
A quem amei, a quem amo, aos meus filhos, aos meus amigos, deixo o grito dum homem feliz. Muito!
Às vezes - sinto-me diferente! Nas virtudes e ... nos defeitos!



Sabendo da minha tristeza por um um ano desportivo menos bem conseguido e não ignorando que não há mal que sempre dure, dois amigos (jogadores internacionais do meu Benfica - Futsal e da Seleção do Brasil) visitaram-me para me dizer que o amanhã é já a seguir e uma nova vida renasce todos os dias.

César Paulo, Diego Sol e uma prenda antecipada para mim - a camisola do jogo que o sagrou campeão europeu ao serviço do Benfica.



Obrigado César pelo peso que tem esta "camiseta" com tu dizes. Não é todos os dias que se é campeão europeu nem todos os dias se oferece a recordação que esse dia deixou.
O meu filhote Luís, agradece.


Faltam-me apenas amigos no des(Porto), para me dar bem com ... Deus e o Diabo!

17 de maio de 2011

Vota - apesar dos filhos ...!



Alguém teve a brilhante ideia de dizer o que muitos pensam e ... fazem!

11 de maio de 2011

A Feira do Livro - e eu!

Findara o dia. Igual ao de ontem, do mês passado, de há muitos anos.
O 746 levava-me directamente ao Parque Eduardo VII e não hesitei um segundo em nele entrar e ir até à Feira do Livro.
Às vezes, sabe-me bem deixar de lado as mordomias e o conforto burguês a que nos vamos habituando, usando a nossa carripana para tudo e para nada. Quando a isso não sou obrigado, é-me grato entrar num qualquer autocarro e sair onde me apetecer. Assim fiz desta vez, só que havia a diferença dum destino traçado.
No autocarro entretive-me a ler os
rostos dos velhos que iam entrando. À esquerda, à direita e quase colados no meu olhar, ei-los a desfilar me na mente, imaginando a beleza que outrora cada rosto daqueles terá encerrado. É estranho que os problemas da vida me deixem ainda tempo para reflectir sobre uma realidade, já tão próxima da que à minha frente galopa. Mais estranho ainda é que consegui também saltitar nas suas vidas e nos seus problemas.
Provavelmente não terei acertado. Certamente constatei uma realidade. Passamos ao lado uns dos outros sem que o ego se transporte para a margem oposta.
O rei está na barriga e eu já começo a ter alguma. Que pena!
Quando não tiver para onde olhar, restam-me “os amigos” que adquiri, à espera que o impulso os devore.

Às vezes - eu e todas as espécies de feiras, falamos a mesma linguagem!



9 de maio de 2011

Saramago - a tela da cumplicidade!

Em tempos ... não gostava de Saramago-homem (e não gosto muito, ainda).


Depois, os amigos presentearam-me com ... coisas várias.


Explicações sobre a sua pessoa, livros e alguns debates sobre o tema, aliviaram os meus temores, sem no entanto os dissipar.


Saltar do homem ao escritor, foi um pulinho e instalei-me na imensidão dum cérebro congeminador de sonhos e pecados, ciente que entre o divino e o pagão a diferença não existe.


A marcar tal ironia, um amigo de longa data ofertou-me esta tela que marcará o princípio do arrependimento. Não é díficil adivinhar quem foi o ofertante!


Um beijinho à mãe dele, D.Irene (passam agora cinco anos de saudade)


José Saramago

5 de maio de 2011

Raul Solnado - Obrigado e Muito Obrigado

Tenho saudades de ti, amigo!

Obrigado e muito obrigado!

Desculpa lá o "descurso" da legenda, mas não fui eu que escrevi isso.










29 de abril de 2011

Granizo no meu reino!



... e à minha porta foi assim!!!


E isto não foi nada, comparado com o que se passou aqui à volta.




Por cá como por todo o mundo, o planeta está a queixar-se das maldades que o homem lhe faz.











27 de abril de 2011

Parabéns pai!

Não pai, tu não completas hoje noventa anos. Apenas atingiste um estado mais adiantado da vida. A que nem sei se viveste. A que te passou ao lado como se mais nada houvera. A que te fez temer o futuro que é hoje o teu presente. A que foi tua afinal.


Fico a pensar no resto dos mimos que te diria, se não tivesses hoje olhos de quem não existe. E escolho recordar-te na fogosidade da vida, já que na outra te não quero ver. Sim, que pai meu não é homem de pantominices e o filho não lhe segue as pisadas.


Como eu gostaria de ter sido um pai como tu! Tão presente! Tão amigo! Tão quase sem defeitos!


Pai, perfeito escopo da decência, obrigado por teres feito de mim um homem feliz!


1921 - já foi há muito!

25 de abril de 2011

25 de Abril - o meu!

Há muitos, muitos anos, Abril nasceu!
Quis o destino que eu estivesse fadado para participar da loucura que foi este Abril, o Maio imediato e todas as esperanças que se seguiram.

A minha aventura da estranja ficara para trás e os cabelos longos deram lugar à imagem que obriga um homem a ser soldado.

Bem distante, lá longe, milhares de jovens como eu, trocavam a vida por uma quimera.

Por cá, na manhã da esperança e depois das incertezas para onde me empurraram, um jipe, dois soldados e três jornas de multidões, remeteram-me para os anais dos heróis acidentais onde o click das máquinas fotográficas substituiu o som da metralha, registando para a posteridade a memória curta que os homens costumam ter. E eu que nada fizera para que aquela madrugada acontecesse, ali estava bajulado por um povo que me oferecia cravos vermelhos e rodos de gratidão. Com a camisa do meu pai também eu era um homem.

Seis meses depois e cumpridos quase três anos, quando já muitos confundiam Abril e Liberdade, manda-me o Exército arrumar a farda e despertar para a realidade que estava a chegar.

Seguiram-se a glória de mandar e a vã cobiça, contrárias ao sonho que acordou Abril e a negra noite adormeceu.

Depois de Abril, também injustiças mil, tão longe das justiças que Abril abriu!

Que perto estive da felicidade!

21 de abril de 2011

AMOR

Do blogue do meu filho Bruno www.b-solonely.blogspot.com transcrevo o seu último post.


Sem interrogações! Sem rigor! Escrito apenas com o coração! Talvez um Requiem ao seu avô, meu pai, já quase ausente, no resto dos dias da sua vida.



Entrou de mansinho. Alguém perguntou:

- Por onde andaste

Sei lá, por aí, respondeu mudo. Percorreu o corredor escuro até ao fundo arrastando os pés. O cheiro dos Jarros era intenso. Sujo e empoeirado chegou-se à cama e descalçou as botas que foi poisar junto à janela. Abriu uma fresta e abeirou-se para logo sentir o ar encher-lhe os pulmões. Respirou fundo.

- Feche a janela e venha deitar-se

Ouviu e calou. Anuiu, voltou. Os fazedores-de-camas ditavam as ordens por ali. Sentou-se, desta vez na cadeira. Cruzou a perna e descalçou a meia. Descruzou e cruzou a outra para fazer o mesmo. Lembrava-se pouco do último dia. Doíam-lhe os pés mas não se queixou. Doíam-lhe as costas e os braços e as pernas e as mãos e a alma. Doíam-lhe as unhas e os cabelos e as pestanas e o umbigo. Não estava farto mas estava pronto. E depois. Deitou-se vestido.

- Saia daí, não ouviu o que lhe disse





Os fazedores-de-camas vestidos de branco uivavam na noite invernosa. Lembrava-se da terra. Da neve, do frio, do dia em que foi buscar o pai ao quarto da cama morna que ficava por cima da tasca. Melhor, do dia em que o foi buscar ao prostíbulo.

- Vai lá buscar o teu pai, Joaquim

(contou-me ele um dia ao almoço)

Não tinha ainda nove anos, quando a vereda acabou e a tasca dos contrabandistas se assomou à sua frente, o pecado morava ali. Sabia lá ele o que era o pecado.

- Que estás aqui a fazer Joaquim, víspa-te, já cavaste a horta

Abalou a correr. As lágrimas corriam-lhe rosto abaixo, os joelhos tremiam e os pés nem tocavam o chão enquanto adejava carreiro acima perseguido pela imagem do pai e da mulher nua no leito quente. Seria aquilo o pecado.

(também ao almoço, as lágrimas)

- Já chega avô, um dia contas-me o resto

A cama branca voava pelo quarto, o tecto, as paredes, o chão, a luz. Outra vez se levantou. A cabeça zaruca. Quem é isto. Estranha sensação de cá estar sem estar cá.

- Ó homem, onde vai

Quis falar, pareceu-lhe, mas estavam uns gajos de sentinela à porta do cérebro que não o deixavam passar.

- Ficas aí.

Ordenaram-lhe.

Obedeceu. Mudo ficou. A alcateia dos fazedores-de-camas brancas, de branco vestidos e uns tipos esquisitos que gesticulavam à sua frente e faziam barulho davam vontade de rir. Quem é isto. Riu-se e os tipos à sua frente gostaram e riram-se também. Pareciam parvos e queria ir-se a eles com ganas mas os gajos à porta do cérebro eram mais fortes e ele há muito que perdera a verdura. Nada a fazer. Ficou-se. Deixou-se escorregar cadeira abaixo.

(ainda não tinha dito que voltara a sentar-se na cadeira)

Sentiu algo no seu colo. Um par de olhos com um corpo tenro atrás que nele se aninhava e o fitava com curiosidade. – Quem é isto. Sorriu, pois bem lhe pareceu e poisou a mão na perna tenra do corpo estranho. Os outros entretanto – os que pareciam parvos, mexiam as bocas freneticamente e ajeitavam-lhe o cabelo grisalho e os óculos que teimavam em escorregar nariz abaixo. Um deles entretinha-se a atafulhar-lhe a boca com uma vianda esquisita que trazia numa gamela rançosa.

- Coma meu pai, coma

Dava duas voltas àquilo e engolia com rapidez.

- Deixem-me estar

Murmurou, aproveitando o momento do render da guarda das sentinelas à porta do cérebro – “ Santo-e-senha”.
Tentou levantar-se, em vão.

- Esteja quieto que ainda não está na hora

Uivou um lobo fazedor-de-camas do outro lado do quarto. O que é que os lobos sabiam. O mesmo que os outros. Nada. Ganhavam à jorna e saíam cedo. Isto do tempo tem muito que se lhe diga. Esperou pacientemente que a visita acabasse. Que guardassem as marmitas da lavadura nas alcovas. Se ao menos uma sopita de beldroega.
Foram-se. Os que vieram e os que não.
Estava pronto. Ia finalmente sonhar. Arrastou-se até à cama.

- Onde vai homem

A loba ajeitou-lhe os lençóis.
Ele fechou os olhos e sorriu.

- Em que pensas avô

- Ai, no meu amor


(para o meu avô Joaquim)

18 de abril de 2011

Socialismo - Explicação reacionária (?)


EXPLICAÇÃO ANTIGA *Uma experiência socialista ... em 1931.


Isto está claro como a água e sempre actual ...


Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha, uma vez, chumbado uma turma inteira. Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".

O professor então disse:

- Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames." Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas". Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores... Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores. Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!


Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da média das notas.· Portanto, agindo contra os seus principios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.

· O resultado, a segunda média dos testes foi 10. Ninguém gostou.


Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5. As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações,inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros. Portanto, todos os alunos chumbaram...


Para sua total surpresa. O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável. O pensamento abaixo foi escrito em 1931.


É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos. O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém. Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.


É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. Adrian Rogers, 1931

14 de abril de 2011

FMI - Desta água não beberei?

E o inteligente do Marcelo Rebelo de Sousa a dizer, ontem à noite, que Portugal foi governado, nestes dias, pela banca. Esqueceu-se foi de, também, atribuir a estes inocentes, os louros dos atrasos e da estratégia do Sócrates que, pelo vistos, era a deles! Cronologia interessante: Fernando Ulrich (BPI) 29 Outubro - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade" 26 Janeiro - "Portugal não precisa do FMI" 31 Março - "por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI" Santos Ferreira (MBCP) 12 Janeiro - "Portugal deve evitar o FMI" 2 Fevereiro - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI" 4 Abril - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já" Ricardo Salgado (BES) 25 Janeiro - "não recomendo o FMI para Portugal" 29 Março - "Portugal pode evitar o FMI" 5 Abril - "é urgente pedir apoio .. já" Sem palavras!

11 de abril de 2011

Retábulo - Adeus mundo cruel!

Não terá sido este o mote que levou o meu filhote Bruno a inspirar-se em querubins para a feitura do seu último quadro, mas terá certamente alguma conotação com a irreverência dos seus trinta e oito anos e a sonegação dum tempo de paz. Sei apenas que lhe chamou RETÁBULO. óleo e acrílico em madeira/tela 3,00 x 1,20 m

8 de abril de 2011

Às vezes - um abraço


Bem vindo filhote!

Às vezes - esqueço as palavras e saboreio um amor ausente.

Às vezes - quero abusar dos abraços que a distância rouba.

Bem vindo Bruno!

6 de abril de 2011

Planeamento estratégico

No confessionário, chega o pequenito (mas nosso velho conhecido) Joãozinho que confessa:
- Senhor Padre, eu pequei. Fui seduzido por uma mulher casada que se diz séria.

- És tu, Joãozinho?

- Sou, Sr. Padre, sou eu.

- E com quem estiveste tu?

- Padre, eu já disse o meu pecado... Ela que confesse o dela.

- Olha, mais cedo ou mais tarde eu vou saber, assim é melhor que me digas agora...! Foi a Isabel da farmácia?

- Os meus lábios estão selados - disse Joãozinho.

- Então, foi a Maria do quiosque?

- Por mim, jamais o saberá...

- Ah! Ou não terá sido a Maria José florista?

- Não direi nunca!!!

- Já sei, só pode ter sido a Manuela da tabacaria!

- Senhor Padre, não insista!!!

- Vamos lá acabar com isto! Foi a Catarina da pastelaria, não foi?

- Senhor Padre, isto não faz sentido. O Padre rói as unhas desesperado e diz-lhe então:

- És um cabeça dura, Joãozinho, mas no fundo do coração admiro a tua reserva. Vai então rezar vinte Pais-Nossos e dez Avé-Marias.... Vai com Deus, meu filho...

Joãozinho sai do confessionário e vai para os bancos da igreja. O seu amigo Manecas desliza para junto dele e sussurra-lhe:

- E então? Conseguiste a Lista?

- Consegui. Já aqui temos o nome das mulheres casadas que "dão baldas"!!

Moral da História:

O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO COMEÇA COM A ANÁLISE DO MERCADO.

3 de abril de 2011

Paixão automóvel

Sabe-se que uma das ambições do homem é partir desta para melhor, de preferência nas asas do que mais gozo lhe der. Assim aconteceu, aqui. Uns vivem a 100 à hora e morrem parados, outros vivem parados e morrem a 100 à hora.

É assim, morrer de amor, com os cabelos ao vento!

Do ribombo da viagem para o infinito, até à loucura da eternidade
Vai uma voltinha?

31 de março de 2011

Ramalho Eanes - um ser decente!

Apesar de nele ter votado, por Ramalho Eanes não nutri nunca grande simpatia, talvez devido à sua esfíngica figura. Mas ... depois de muita coisa dele ter lido e ouvido, mudei de opinião. Assim fossem todos os presidentes!
Passo a transcrever um texto do jornalista Fernando da Costa.

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si. TempoLivre OUT 2008

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber. Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros. Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados. As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social. Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!» O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos. “A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”. Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros. “Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética. Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.


Às vezes - a gente engana-se!