Eram assim os bailes da minha juventude. A malta nova aglomerava-se no salão, com máscara ou sem e nem sei como é que os parcos escudos do pessoal davam para tantos bailaricos. É que a mesada era sempre igual e os nossos pais não tinham culpa que tantos dos ditos houvesse. A vida era díficil e todos pagavam a crise, contráriamente ao que agora se passa. Mas aqui, nesta sociedade Filarmónica onde um grupo dos que por aqui se passeiam, incluindo eu, liderados pelo Júlio César, fazíamos desta casa o nosso lar. E depois havia ainda a particularidade do aposto bairrismo, coisa que fazia as delícias de mentes libertinas pois as pretensas donzelas presentes estavam a salvo dos gabirús, protegidas nas costas pelas controladoras mãezinhas. Delícioso hoje, irritante na época.
Palmas para Marcelo, o Otis Redding da época que "guturava" em inglês.
Olhando para este panfleto verifico que já ali se destacava o meu amigo XL, aqui residente comentador político, aliás, blogueiro, cujo nome artístico era Francisco Luís. E já não falo da Belinha Alves (hoje cantora ANA), tudo muito bem locutado pelo Júlio César.
Para além de tudo isto, havia ainda tempo para o multifectado e saudoso amigo Júlio Amaro, nos presentear com uns truques de Houdini e nos transportar ao mundo da ilusão.
E termina assim, com letras pequeninas, o desbotado panfleto;
A todas as damas será ofertada uma senha grátis com sorteio dum Ferro Eléctrico
A todos os cavalheiros será ofertada uma senha grátis com sorteio dum Rádio Transistor
Delicioso! Como eram simples os nossos anseios!
Quanto aos Reis dos Ritmos aqui a coroar, claro que nem me candidatei a tal, pois não distinguia um humilde abanão de cintura dum erudito pas de deux.
Intervalo para Carnaval - damas ao bufete, (que são os homens a pagar)!




























