31 de agosto de 2009

Miguel Torga - A descoberta





Nunca li Miguel Torga!
Sei que pode parecer sacrilégio mas ele perdoar-me-á, já que a sua crença divina era bem duvidosa.
Embalado pela paixão que uns nabantinos alcatruzes por ele nutrem, procurei-o quando a tarde já morria.
Tive curiosidade em descobri-lo e saber mais de si, sem ser aquilo que dele se diz.
Apetecia-me descobrir o homem! Começar por ali!
Na sua casa ninguém entra, advertiu-me um velhote. Apenas Ramalho Eanes e Jorge Sampaio lá terão entrado. A filha vive no Porto e não permite que a memória dele seja devassada.
A placa toponímica que identifica a rua onde vivia, apenas refere a data da sua morte, que está errada, pois aconteceu em 1995 e não em 1996, omitindo a do nascimento. O que também não é normal.
Fiquei a saber que Miguel Torga era uma pessoa muito difícil e chata, mas com um coração tão brilhante quanto a sua capacidade intelectual, pois enquanto médico, consultava gratuitamente todos os desprotegidos que dele precisassem.
Sabia que tinha sido seminarista, Adolfo Correia Rocha, médico, escritor e apaixonado pelo Douro e por Cervantes. Mais nada.
Estou perdoado?
Depois de ter cheirado o seu habitat, tentei encontrá-lo no cemitério, o que não consegui, apesar da pequenez do mesmo e da noite que já caía. É que, a entrada deste cemitério de S. Martinho da Anta é feita pela Igreja, com a qual faz paredes meias e está sempre aberto. Poderá parecer mórbida a minha tentativa, mas perdoa-se em nome da cultura.
Julgo mesmo que ele não terá querido que um qualquer desconhecido, ignorante da sua cátedra, o tenha tentado descobrir.
Muito bem! Farei bem melhor se começar a sua descoberta, queimando as pestanas nas páginas que, apesar de tudo, sei tão bem ter escrito.
Na despedida, sentei-me no banco fronteiro à casa, onde tantas vezes cavaqueou com o povo que era o seu e disse-lhe que alguém lhe gostaria de dar um abraço - a Maria dos Alcatruzes!
Ad eternum Miguel!

27 de agosto de 2009

Alma até Almeida




Acho que o defeito não é de ninguém, mas ...

Ou as casas são pequenas ou eu sou muito grande.
Sei que não somos oriundos dum povo liliputiano, mas o que terá acontecido para se fazerem casas tão baixinhas?
Isto passa-se em Almeida (vila histórica) onde cinquenta por cento das habitações não estão à minha altura. Claro que me refiro à entrada porque nos restante não ouso questionar a beleza das mesmas.
E cada vez gosto mais das coisas pequenas! Ou não fosse eu ainda uma criança!

23 de agosto de 2009

Férias


Às vezes - um pouco de carinho bem dividido!

Férias! Férias! Férias!

19 de agosto de 2009

Dia Mundial da Fotografia

Algures em Port au Prince, capital do Haiti, foi captada aquela que foi considerada a melhor foto do ano 2008.
Hoje, Dia Mundial da Fotografia, aproveito para aqui a publicar.

Entre o imaculada cândura dum vestido de criança e a pobreza enlameada de desigualdade humana, venham os críticos e elejam o que parece simples mas que não é.

Não me interesso muito por dias especiais, mas não esqueço que eles existem!
Foi este o mais miserável país que já visitei!
Que se mudem os tempos!

17 de agosto de 2009

Bi-mãe!


Há imagens que não precisam de texto.
Que ternura!
Mãe é mãe!
Lindo!

14 de agosto de 2009

Justiça

Apenas para descontrair um pouquinho.

Nem foi preciso advogado!

Um homem foi apresentado perante o juiz e acusado por ter feito sexo com um cadáver feminino.
Disse o juiz:

- Em 20 anos de magistratura, nunca ouvi uma coisa tão nojenta e imoral. Dê-me uma única razão para eu não pô-lo na cadeia!

- Vou lhe dar não uma, mas TRÊS boas razões:

1º) Não é da sua conta;

2º) Ela era minha esposa;

3º) Eu NÃO SABIA que ela estava morta; ela agia sempre assim!


ABSOLVIDO

11 de agosto de 2009

Alberto Vaz da Silva - Entrevista ao I

No espaço de pouco dias aqui me repito em alusões às mesmas pessoas. Primeiro, Raul Solnado, depois, Alberto Vaz da Silva.
Mas as ocasiões são como as cerejas e não podia deixar passar em branco, a entrevista ontem dada ao Jornal I, por esta sumidade por quem me apaixonei.

Às pessoas amigas, ou não, que aqui me vão suportando, deixo a voz e a presença cósmica que Alberto incute em todas as suas palavras.
A entrevista e o vídeo de Alberto Vaz da Silva!


http://www.ionline.pt/conteudo/17424-alberto-vaz-da-silva-era-importante-ensinar-se-astronomia-nas-escolas---video

10 de agosto de 2009

Raul Solnado - Um vazio no tempo

Em cima do ataúde estava esta carta que Raul terá escrito há algum tempo.
Fiquei admirado, porque das vezes que falou comigo sobre Deus, nunca percebi a sua relação com Ele.

Um vazio no tempo

Numa das últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que aquele espaço se tratava dum templo grandioso. Quase como um espanto senti uma sensação que nunca sentira antes e de repente uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo adormecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.
Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo.
Aquela vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar e que me deu a esperança de que num tempo que seja breve, me volte a acontecer.
Que esse Deus assim queira!

Raul Solnado

Raul, fala deste mundo ao teu Deus!

Cai o pano!

8 de agosto de 2009

Raul Solnado - adeus amigo!

Raul, depois duma troca de impressões para Nova Iorque, com o meu filho Bruno
Raul com um dos seus maiores amigos - Júlio César (não havia sardinhas)

Raul e o meu pai, a caminho de mais uma sardinhada


Hoje, 12,30 H. Júlio César telefona-me e com alguma dificuldade diz-me …:
- Kim, o Raul … morreu!
Fiquei perplexo!
Anteontem tinha estado a jantar com o Júlio e quando nos encontramos, acabamos sempre por falar do Raul. Comentei então com ele, ter achado estranho que há cerca de quinze dias o Raul me tenha telefonado dizendo que tinha saudades de almoçar uma sardinhada comigo. Perguntei-lhe se estava tudo bem e como habitualmente respondeu-me que sim, o que não era verdade. Como ele já não guiava, disse-lhe que o ia buscar a casa, mas ele nunca queria incomodar e respondeu-me que na primeira oportunidade apanharia um táxi e aparecia no meu escritório.
Nos telejornais vejo uma entrevista a Carlos Cruz, dizendo que o Raul lhe telefonara há cerca de 15 dias, quase em jeito de despedida, e vem-me imediatamente à memória o telefonema que o Raul me havia feito. Seria o adeus?
Sinto agora que a morte lhe fez o grande favor de o levar. Não suportava ficar à espera que ela chegasse lentamente, como se da vida se fosse libertando.
Toda a gente sabe quem foi Raul Solnado, logo não é preciso fazer a sua apologia, pois disso se encarregarão os escribas de profissão.
No seu aniversário não gostava que lhe dessem os parabéns. Na morte também não gostaria que lamentassem a sua perda.
Já que gostava do lado lúdico da vida, aqui lhe dedico estas fotos que nunca viu.
Tal como ele, também eu sou um brincalhão, logo vou imaginar que nada aconteceu e um dia, lá estaremos noutra sardinhada, noutra dimensão.
No livro da sua biografia, que eu guardo devidamente autografado e com dedicatória, fica a premonição do título
Raul Solnado – A Vida Que Não Se Perdeu!

7 de agosto de 2009

Alberto Vaz da Silva - Um homem de outro mundo!

Faz hoje setenta e três anos que nasceu, Alberto Mira Mendes Vaz da Silva.
Para quem não conhece esta ilustre figura da cultura portuguesa, apenas lembro que o ora aniversariante é a pessoa mais importante da minha vida extra-familiar.
Conheci-o na minha idade da puberdade. Descobri-o quando comecei a viver. Senti a sua real presença quando o exílio me albergou.
Acompanhou-me pelos corredores da descoberta e deixou em mim marcas que o tempo não apagou nunca.
Eu fui crescendo e Alberto ficando com mais idade, mas nunca envelheceu.
É hoje ainda um sonhador que vê nas estrelas a sua morada de amanhã.
Alberto anseia pelo dia em que ultrapassará a fronteira da matéria e a chegada aos confins duma imaginária galáxia.
Um dia, que espero longe, lá nos encontraremos e diremos o que não dissemos, desde os primórdios do encontro, até à consumação dos séculos.

O Jornal I, talvez o melhor diário da actualidade, está a publicar aos fins de semana uma extensa entrevista com 25 grandes personalidades portuguesas. Alberto é uma desses entrevistados. Quem estiver atento, até on-line, poderá consultar o jornal e descobrir uma pessoa fantástica de outro mundo.
Alberto Vaz da Silva - é obrigatório falar-se dele!
Parabéns amigo, mentor dos meus olhares!

5 de agosto de 2009

Rui Patricio - herói hoje, amanhã talvez!

Toda a gente sabe que eu sou benfiquista. Nos bons e maus momentos. No entanto há coisas que não se explicam. Acontecem.
É que sendo eu encarnado, fazia todo o sentido que desejasse a derrota dos verdes, azuis, amarelos, pretos, sei lá. Mas nem sempre assim é.
Não é por patriotismo nem por falsa modéstia, mas dou comigo a torcer sempre por equipas, primeiro portuguesas, depois onde joguem amigos meus, desde que não estejam em campo contra o meu Benfica, como é óbvio.
Pois bem, não esperava nada hoje, elogiar o meu amigo Rui. Não só porque o Sporting não esteve à altura daquilo que é habitual jogar, mas também porque durante o jogo não mostrou as suas garras. Acontece com todas as equipas, terem dias menos felizes, mas hoje …
O Rui, picado por qualquer bichinho, nos segundos finais do jogo de hoje contra os holandeses, arrancou em direcção à baliza contrária e, na marcação dum canto, cabeceou para o fundo da baliza. A bola ainda tocou num adversário mas o obreiro do golo foi efectivamente ele. Foi a salvação do Sporting, logo terá direito a uma ou outra fífia em jogos futuros.
Julgo que terá sido o primeiro golo dele, enquanto guarda-redes.
Achei lamentável a atitude dos comentadores que não precisavam de passar o jogo todo a lamuriarem a noite menos boa dos verdes, mas já vamos estando habituados a este tipo de atitude, também com o Benfica.
Mas hoje, o que eu quero é dar um grande abraço ao Rui. Pela atitude. Pelo inconformismo e sobretudo pelo encaixe de adjectivos com que um guarda redes é presenteado, quando as coisas correm menos bem.
Rui, amanhã pagas tu o pequeno almoço! A seguir paga o Júlio (também leão)!


Parabéns a todos os verdes meus amigos! Parabéns Sporting! Parabéns Rui!

3 de agosto de 2009

Tony Teixeira - o meu rico amigo!

Tony Teixeira e o grande campeão brasileiro Felipe Massa


Hoje, ao passar os olhos por uma revista, li uma pequena notícia sobre um amigo que não vejo há tempos. Daí até trazê-lo para aqui foi apenas um clicar de teclas.

Tony era um puto muito simpático que eu costumava provocar, pois ele era um reguila nato.
Eu era já um homem e Tony uma criança, pois dez anos nos separavam. Sempre tive a mania de fazer uns truques ou habilidades aos putos, pois são eles os homens de amanhã e ele não fugiu à regra.
Pois bem, este puto de que vos falo, é hoje um multimilionário, falado em todo o mundo pela sua ligação à Fórmula 1.

Nascido na Amadora, filho de transmontanos, emigrou com seus pais para a África do Sul. Tinha então 15 anos.
Bem cedo se iniciou nos negócios tendo começado por fundar uma empresa de transporte de mercadorias terrestres. Dois anos depois era já o maior transportador do país. Tem negócios em 75 países e emprega 16.000 trabalhadores.
Actualmente é Presidente de várias empresas e da A1 Grande Prémio.
Prepara-se para construir em Portugal uma fábrica de automóveis monótipo e pondera adquirir uma equipa de Fórmula 1.
A última vez que estive com o Tony, poderia ter alterado o rumo de muita coisa. Ele pediu-me para eu tentar adquirir-lhe um enorme terreno no Algarve. Assim fiz. Meti-me a caminho, mas dada a complexidade da burocracia que envolvia o referido terreno, o projecto não teve pernas para andar.
E como em todas os contos de fadas, há sempre um lado lúgubre da “estória”.
É que este multimilionário sofreu, há dez anos, um rude golpe quando um tio seu se suicidou por ter dificuldades financeiras.
Tony nunca soube das dificuldades do tio que até então tinha tido uma vida desafogada. Sei bem que Tony lhe teria resolvido o problema, pois além dum grande coração tinha também por ele um apego enorme.
Esse tio, o meu grande amigo Xico Teixeira, irmão de seu pai, suicidou-se, porque … não tinha dinheiro.
Numa fase complicada da sua vida, o Xico escolheu o caminho mais fácil ou … mais difícil(?)

Que pena Tony, não adivinhares o que se passava a seis mil quilómetros de distância e o orgulho que ele tinha de ti!
Gostei de te lembrar, puto reguila!