27 de fevereiro de 2007

Pace in terra






Ei-la!

Lá longe, parece-me ver um sorriso de contentamento, de quem encontrou aquilo que passamos a vida a procurar.
A paz!


24 de fevereiro de 2007

Adeus amigo - Júlio Amaro







Eram 07:30 H.


Depois ... foi o silêncio.


Quando o sol nasce, não é para todos.


Adeus grande pintor! Adeus Júlio Amaro! Adeus amigo!

23 de fevereiro de 2007

O Xico


Era ele um homem e eu para lá caminhava, quando os nossos passos tropeçaram numa qualquer análise mundana que a memória não reteve.
Não foi amor à primeira vista, porque as idades assim o ditavam, nem empatia forçada, porque a geração adiantada, trilhava por outras veredas.
Ora à esquerda, ora à direita, íamos entrecortando as tardes de bailaricos, com as noites de pecado, que a gula exigia. Ambos não éramos bailarinos, e velhacos julgo que não, também.
Os anos que se seguiram, foram olhados com a ideologia que a amizade aceitava. No fundo, os ideais eram os mesmos. Os nomes, bem diferentes.
Há pessoas que entram nas nossas vidas, como a brisa pelos verdes prados. Entram ao de leve e deixam para trás um rasto de perfume que nunca mais se esquece.
As vicissitudes da vida, e um Tejo de largas margens, interromperam os diálogos mudos, que algumas vezes havíamos tido.
Talento enorme que as grandes plateias não puderam aplaudir !!!
A sua portentosa voz e aquele rasgar de gestos mais díspares, que a minha mente havia retido, navegaram no nevoeiro da memória, até ao retomar contínuo do seu convívio.
Contrariamente a todos os outros, ele foi um amigo em suspensão. Como uma vaga rebelde, a adversidade o levava, a recordação o trazia.
Hoje, que a poeira assentou, e os ventos amainaram, tento aproveitar o estado de espírito que a sua presença me transmite e o coração devora.
Ufana-se-nos a alma com amigos assim.
Francisco Luís Rosa! Xico Luís! Xico! XL!
Villaret, não desdenharia chamar-se assim.

20 de fevereiro de 2007

Recado a um génio



Meu querido Júlio Amaro.

Ficámos com algumas conversas a meio. Para não turvar o teu raciocínio, não te interrompi. Apenas queria ouvir-te. Naquele momento. Agora. Sempre.
Nunca te perguntei, como sabes o que sabes. Nunca te disse, como te entendia.
Não me ensinaste muita coisa, mas aprendi tanto contigo!
Foste meu pai, sem ter sido teu filho. Irmão de sangue diferente. Filho da sabedoria. Companheiro de estrada, em quimera distante. Cúmplice no painel da vida, proscrito em noites de lua vaga.
Hoje, que o ar teima em fugir-te e o pincel entorpece a desmaiada aguarela do que ficou por fazer, eleva o pensamento para as coisas boas que foram feitas.
Talvez nunca chegues a ler estas palavras, mas o éter, encarregar-se-á de tas levar, onde quer que estejas.
Estes amigos, que estiveram sempre presentes e a vida não desencontrou, são afinal o garante que estaremos contigo.
Até à consumação dos séculos!!!

17 de fevereiro de 2007

Hic est filius meum


O meu menino é de oiro. É de oiro o meu menino ...


É díficil falar dum filho. Ora porque se lhe atribuem virtudes que não tem, ora porque o amor paterno é cego.

Sem convencimentos exacerbados de quem julga que tem o que não tem, este menino tem sido um farol a guiar a minha rota, já que a luz que projecta corrige o ziguezaguear constante, nos mares revoltosos, onde é vulgar naufragar.

Dono duma precocidade nata e duma alegria contagiante é também alguém que precisa de muito amor, o que a actual distância condiciona.

As novas tecnologias mitigam a sua ausência física, mas o espírito, esse está lá, onde quer que ele esteja.

Começou a andar aos nove meses. Com um ano já falava tudo. Com dois, falava francês. Nos anos seguintes, viajou pela Europa e Norte de África. 
Na puberdade, tinha então treze anos, descobriu Paris sozinho durante um mês, caminhando na aprendizagem da vida. Na adolescência, julgou ser dono do universo. Em adulto, percebeu que estava a começar a aprender a viver e partiu para o mundo. É para lá que converge hoje o meu espírito.

A este "filius meum", está reservada a via do sucesso que merece alcançar.

Feliz pai, que de tal filho pode assim ecrever.

Trinta e quatro anos é menos de metade duma vida. Aproveita a outra metade que chega agora.

À Ana, de quem tanto gosto, a minha homenagem pela cumplicidade gerada, e pela importância que um ser maravilhoso tem na vida doutro.

Feliz Aniversário!

Parabéns Bruno! Parabéns amigo! Parabéns filho!

16 de fevereiro de 2007

Intróito


Há momentos na vida, em que nos esquecemos, quem somos e donde viemos.

Este imberbe soldadinho de chumbo que fui, teve numa ensolarada sexta-feira, do verão de 1972, uma pequena lição que se transformou para o resto da sua vida, num cardápio, a consultar todos os dias.
O “cabeça de cavalo” era o mais alto do pelotão. A sua arquitectura facial, estava na base de tão humilhante epíteto.
Todos o assim chamavam, salvo eu. Até ao dia em que …: - deixa-me em paz, “cabeça de cavalo”! Também eu fora apanhado pela onda de alcunhas que se geram nesse tirocínio de vida.
No mesmo dia, eram cerca de 16 horas, todos os recrutas, foram subitamente convocados, pela personalidade máxima do quartel, a apresentarem-se de imediato na parada.

Verifiquei, pouco depois, que a finalidade era uma revista ao aprumo militar de cada soldado. Tarde demais, para mim. Apesar de bem escanhoado e de cabelo razoavelmente curto, faltava-me um acessório absolutamente indispensável – os arreios, (para quem não sabe, trata-se duma espécie de suspensórios).
Tal descuido, custar-me-ia um castigo bem pesado. Para quem tinha 20 anos e o mundo logo ao virar da esquina, era o fim.
Trezentos homens perfilados e em sentido, no escaldante asfalto, aguardavam o sentenciar duma clausura forçada, à mínima infracção.
A meu lado, o “cabeça de cavalo” retira suavemente do seu corpo, os arreios, e obriga-me, vociferando em surdina, a colocá-los nos meus ombros. Suspirei de alívio. Meio atónito, pelo que estava a acontecer, assisto então, à ordem que lhe é dada pelo próprio comandante: - um passo em frente, marche!
O castigo, para ele, veio a seguir. Fim de semana fechado no quartel e um ror de serviços menos limpos.
O “cabeça de cavalo” fora castigado em meu lugar.
Tamanha lição, para quem o tinha humilhado horas antes.
Aprendi desde então, a olhar qualquer estranho, como se dum potencial amigo se tratasse.
A “estoria” é um pouco longa, mas a grandeza do gesto humano, não tem limite de linhas, para ser descrita.
Aquele equídeo rosto, que nunca mais vi, ainda hoje paira, no descontentamento da minha memória.
Nesse dia, fui para casa, cabisbaixo e vergado ao peso da vergonha.


11 de fevereiro de 2007

No princípio... era assim



Há momentos em que preciso de falar para dentro. Outros, em que preciso de gritar ao vento. Outros ainda, em que é melhor estar calado.
Calar-me-ei quando a imagem falar.
Gritarei quando não tiver voz.
Falarei comigo, quando não tiver ninguém.

Hoje precisei de dizer a um amigo, arredado das lides bloguistas, por um apagão de incompetência, que a vida continua até ser noite e ... deu nisto! Nasceu um blog/homenagem.

Amigo Júlio, autor do "boneco" que hoje publico, impresso num cachecol de amizades contrastantes, iluminado como és, colmatarás esta perda, com a sabedoria dos dias que vão chegar.
Não te entregues, que a "ravina" da vida ainda tem muitos episódios para te dar.
Tal como o nome do blog indica, desabafar aqui, é um "estado de alma", não uma obrigação.
Bom dia, Júlio, bom dia amigos, bom dia mundo!